Théo & Ângelo
1 Capítulo 1 - "Nascidos para morrer"
Notas iniciais
A tempestade de Théo
Theodore Aver, carinhosamente chamado de Théo por todos, é um estudante de medicina com 20 e poucos anos. Ele mora com a mãe Isobel Aver, uma mulher rígida já na casa dos 60 anos. Filho único, nunca conheceu o pai. A mãe diz que o pai morreu logo após ao nascimento de Théo.
Théo, passou em primeiro no vestibular de medicina para uma das faculdades mais concorridas da cidade. Sempre foi um aluno dedicado. Dedicado por que gostava de estudar ou por que sua mãe o obrigava? Quando criança, se Théo tirava alguma nota abaixo do máximo, sua mãe o trancava no porão por dias com seus materiais de estudo, até Théo conseguir decorar toda a matéria. Foi sua mãe que escolheu a faculdade que Théo iria cursar. Théo pensa todos os dias como seria se fugisse de casa, mas ele não conhece ninguém, e teria que viver na rua e no frio. Pelo menos na situação atual, ele tem uma casa, comida e uma cama quente para ele. E além de tudo, era a mãe dele...
Um certo dia, quando Théo não tinha aula, Isobel mandou ele acompanha-la até o mercado, que ficava do outro lado, do lado pobre da cidade. Théo nunca entendeu porque a mãe gostava de ir em um mercado tão longe. Após horas de compras, já estava na hora de ir para casa. Era umas 23 horas, e Théo estava lá, esperando o metrô com a mãe. Não havia mais ninguém lá, apenas Théo e sua mãe.
Algum tempo depois esperando o metrô, um homem com seus 20 e poucos anos também, rosto angelical, que chamou a atenção de Théo, senta perto dele. Théo fica meio sem graça e dá umas olhadinhas para ele, mas ele parece estar em outro mundo. Isobel está sentada em outro banco, mexendo no smartphone dela. Théo estava quase dando um oi, quando ouviu sua mãe gritando. Um homem havia tentado roubar a bolsa de Isobel, mas como ela não soltou, o homem deu uma facada nela. Théo e o homem misterioso levantaram, e quando o homem viu os dois olhando para ele, saiu correndo. O homem misterioso foi correndo atrás, e Théo foi ajudar sua mãe. Quando Théo encostou em sua mãe, já era tarde demais, Isobel já estava morta.
O Caminho de Ângelo
Ângelo Touro, 20 e poucos anos. Mora numa parte pobre da cidade. Ângelo perdeu os pais quando era novo, e agora vive numa casa abandonada, pois não tem condições de ter um lugar próprio, nem tem parentes próximos. Ângelo assalta algumas pessoas, mas ele só faz isso para ter dinheiro da comida. Ele odeia ter que tirar o que é de outro para si mesmo.
Certo dia, Ângelo estava sem dinheiro para comida. Ele só tinha uns trocados para o metrô. Ele tentava sempre assaltar carteiras em bairros mais ricos, onde não iria fazer muita falta para a pessoa que foi assaltada. Ângelo então entrou no metrô e viu uma mulher dondoca, com um casaco de pele de tigre. Ele pensou em rouba-la, mas um pouco mais a frente, tinha um menino cheio de sacolas. O menino não parava de olhar para Ângelo, e Ângelo viu esse menino e o achou bonito, e acabou sentando do seu lado. Ângelo percebia que o menino estava olhando para ele, mas acabou ficando sério, ignorando-o.
Uma certa hora, Ângelo ouviu essa mulher gritando. O menino do lado de Ângelo foi correndo para socorre-la. Ângelo viu um cara correndo, e o reconheceu. Era um bandidinho, gostava de assaltar mulheres sozinhas. Ângelo não pensou duas vezes, e correu atrás dele. Após subirem correndo por uma escada, o bandido acabou caindo, e Ângelo pulou em cima dele. O bandido pegou uma faca e tentou esfaquear Ângelo, mas Ângelo, que era forte, conseguiu pegar a faca, e em um ato sem muitos pensamentos, acabou esfaqueando o bandido até a morte. Era de madrugada, praticamente, não havia mais ninguém nas ruas ou no metrô. Ângelo percebendo isso, pegou o corpo e jogou num canto escuro, onde ninguém iria perceber por um tempo. Ele pegou a faca e foi correndo de volta pelas escadas, até onde estava o menino e a mulher.
Chegando lá, ele viu a mulher morta no chão e o menino sentado em um canto, quase chorando. Ângelo, com as mãos sujas de sangue, corre para o menino, e pergunta se ele está bem. O menino responde com a cabeça que sim, Ângelo pergunta se ele conhecia a mulher, o menino novamente responde com a cabeça que sim. Ângelo pergunta o nome dele, e ele responde:
- Th-théo.
Ângelo pergunta para Théo:
- Você tem algum telefone?
- N-não. Minha mãe não deixa eu ter telefone.
Nisso, Ângelo vê se o telefone da mãe de Théo estava funcionando, mas na confusão, acabou caindo e ficou destruído. Ângelo também não tinha um telefone, ele não tinha condições. Ângelo olha para Théo e fala:
- Vem. Temos que procurar um telefone para ligar para a polícia.
Nisso, Théo olha para Ângelo e fala:
- Você está cheio de sangue. O que você fez?
- Oh, merda. Tenho que me limpar... melhor, tenho que ir embora. Vou te ajudar a achar um telefone e vou embora.
- Não, espere, qual seu nome? Não me deixe, por favor. Me leve para sua casa, não consigo mais olhar para ela assim. Por favor.
- Mas... mas...
Ângelo estranhou. Um desconhecido, que acabou de ver a mãe morrendo, querendo ir para casa dele. Théo se levantou, abraçou Ângelo e começou a chorar e pedir por favor. Ângelo não teve escolha e acabou concordando em levar Théo para casa. Eles deixaram o corpo da mãe lá, e começaram a andar pelas ruas escuras da cidade.
Théo & Ângelo
Após uns 20 minutos caminhando, eles chegaram. Era um casarão abandonado, com vidros quebrados, mas até que estava em um bom estado. Théo perguntou onde havia água, Ângelo tinha feito uma engenharia para roubar água do vizinho, e levou Théo até a parte de trás da casa, onde tinha um chuveiro improvisado. Ângelo ligou o chuveiro e limpou as mãos. Théo, em um ato estranho, foi para baixo da água, com roupa e tudo. Ângelo ficou lá, olhando para ele. Após alguns minutos, Théo desligou o chuveiro, e perguntou se havia uma toalha para ele. Ângelo o levou para dentro da casa e disse que havia uma toalha, mas não havia roupas. Ângelo deu a toalha para Théo e saiu do cômodo. Théo tirou a roupa e se secou, então enrolou a toalha entre a parte de baixo e foi procurar Ângelo. Ângelo estava sem camisa, pois havia algumas manchas de sangue e ele queria limpar logo, antes que o sangue secasse. Théo disse que estava com frio, Ângelo disse que ele poderia dormir em um colchão improvisado, onde Ângelo dormia todos os dias. Théo deitou-se e perguntou se Ângelo não estava com frio, Ângelo disse que sim com a cabeça. Théo chamou Ângelo para deitar com ele, Ângelo deitou, e colocou um cobertor por cima deles. Théo então se abraçou em Ângelo e os dois dormiram como bebês.
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