Notas iniciais
Meu primeiro texto. Espero que gostem. (:

Esses dias eu estava sentado em meu sofá velho– que já me aguenta por quase quinze anos– assistindo em minha televisão velha um programa de notícias com dois apresentadores velhos. A mulher com cabelos negros, aparentemente tingidos, pois pela cara cheia de rugas, a meia-idade já tinha chegado para ela, começou a falar sobre alguma coisa que eu não consegui ouvir. Encostei minha cabeça no sofá e coloquei minha garrafa de cerveja sobre a escrivaninha.

Olhei para aquele teto rachado sobre o ventilador que já não rodava mais. Eu morava em uma casa que me aguentava desde que nasci, e ao passar dos anos foi envelhecendo comigo. Ela sabe muito bem que nunca consegui achar ninguém que realmente me amasse, ninguém que realmente quisesse passar o resto da vida ao meu lado.

Já eram quasesessenta anos de sorrisos, lágrimas e arrependimentos embaixo desse teto. Várias garotas passaram por aqui também. Umas mais bonitas que outras. Me lembro da primeira garota que me apaixonei, eu tinha onze anos. Bethany era perfeita, a pessoa mais bonita que já vi em minha vida. Seus olhos eram azuis como o céu e sua pele macia como uma nuvem. Foi uma pena ela ter de se mudar antes que eu pudesse declarar meu amor por ela.

Desde então foram várias: loiras, morenas, ruivas, gordas, magras... Mas eu nunca encontrava meu verdadeiro amor. O amor que eu sentia por Bethany nunca acabara. Os anos se passaram e eu fui envelhecendo. Foi em 1986– me lembro como se fosse ontem –, meu irmão me ligou desesperado.

– Hey, Joey! – disse ele. – Se lembra daquela garota de olhos azuis que morava ao lado de nossa casa?

– Bethany? – perguntei. É claro que era Bethany, quem mais seria? Ela era a única garota de olhos azuis que eu vira em toda minha vida.

– Sim! – começou a explicar: – Parece que ela queria fazer uma visita surpresa para nossa família, mas um caminhão acabou batendo com o carro dela e ela faleceu.

Aquele dia, pode-se dizer com certeza absoluta, foi o pior dia da minha vida. Da minha pobre vida. Muitas vezes já pensei em acabar com ela, mas não valia a pena o esforço.

Agora, com cinquenta e poucos anos estou sentado no meu velho sofá, na minha velha casa, assistindo minha velha TV. O tempo passa rápido quando você não tira proveito, mas para mim não tinha jeito. Como viveria sem meu amor? Essa velha casa guarda uma velha pandemia, a pandemia do amor. A pandemia que nem todos temem, mas a mais contagiosa e a que mais fere.

Notas finais
Gostaram? Não se esqueçam de dar um review, por favor!