Notas iniciais
Não copiem os poemas sem dar os devidos créditos.

Pala(eu)vras


E às vezes me bate aquela sensação de abandono

Minhas lágrimas molham minhas bochechas

E eu começo a desaparecer

Vejo que minha presença não é importante

Sou facilmente esquecida pelos outros



Olho para as palavras que escrevo

E as vejo esquecidas e sozinhas

Elas sofrem por não serem lidas

Assim como eu sofro por ser esquecida

Talvez por isso sejamos tão íntimas



Então eu paro e desisto

E tento aprender com toda minha força

A dádiva de saber se preocupar comigo

E apenas comigo, quem muitas vezes

Considero menos importante



Volto a perceber que estou sozinha

E que todos possuem problemas mais importantes

Ninguém tem tempo para ouvir reclamações fúteis

E já não me resta outra saída

Acabo guardando minhas dores, para mim tão duras



Tento e Tento e Tento

Mas ninguém parece notar minhas tentativas

E sempre há algo novo que eu devo mudar

E sempre há algo em minha personalidade para eu melhorar

Encontro-me cansada de não viver para mim



Apenas quero aprender a viver com o abandono

E fazer dele meu amigo mais íntimo

Pois só assim aprenderei a não me importar

E viverei apenas para mim

E minhas palavras não se sentirão mais medrosas



À Noite


As luzes móveis

Corriam pelos fios imóveis

Na cidade, às dez horas



Vaga-lumes artificiais

Seguiam em procissões usuais

Na cidade, às dez horas



Sons diversificados e peculiares

Formavam sinfonias particulares

Na cidade, às dez horas



Rostos de variados humores

Percorriam seus caminhos sem cores

Na cidade, às dez horas



Contornos sozinhos nos cantos

Tremiam encolhidos em seus mantos

Na cidade, às dez horas



As sombras feitas pelas arvores

Instigavam os temores

Na cidade, às dez horas



E eu andava calmamente

Imaginando histórias em minha mente

Na cidade, às dez horas



Estar apresentável


Eu ando entre uma multidão de faces

E ainda que desconheça todas

Elas parecem me conhecer



Elas analisam minhas vestes

O estado de meus cabelos

O meu nível de beleza



Devo estar na moda,

Pois a minha é um absurdo

Certas coisas apenas são inadequadas



Devo estar de bom humor

Mesmo se meu humor estiver de mau,

Pois quero que pensem bem de mim



Por que tenho que agradar

Essas faces que pensam me conhecer,

Se elas nada sabem sobre mim?



Quem determinou a moda

Ou comprovou o belo?

Desconheço tal pessoa



Que perfeito seria o mundo

Se julgamentos não fossem feitos

Ainda que eu saísse de pijamas na rua


Um mundo onde eu estou sempre apresentável.



Céu id(r)eal



Oh imenso céu azul!

Perco-me em ti, assim como me perco em mim.

Meus dedos tentam alcançá-lo,

Mas nunca consigo tocá-lo

E acredito que aí, tão longe,

É onde para sempre ficará.

Creio ser melhor assim,

Pois suas nuvens podem não ser tão fofas

E sua cor pode não ser azul.

Realmente é melhor ter esse céu perfeito

Que me conforta e inspira

Já que é ideal, não real.