Textos E Poemas...
4 Vazio.
Notas iniciais
Pala(eu)vras
E às vezes me bate aquela sensação de abandono
Minhas lágrimas molham minhas bochechas
E eu começo a desaparecer
Vejo que minha presença não é importante
Sou facilmente esquecida pelos outros
Olho para as palavras que escrevo
E as vejo esquecidas e sozinhas
Elas sofrem por não serem lidas
Assim como eu sofro por ser esquecida
Talvez por isso sejamos tão íntimas
Então eu paro e desisto
E tento aprender com toda minha força
A dádiva de saber se preocupar comigo
E apenas comigo, quem muitas vezes
Considero menos importante
Volto a perceber que estou sozinha
E que todos possuem problemas mais importantes
Ninguém tem tempo para ouvir reclamações fúteis
E já não me resta outra saída
Acabo guardando minhas dores, para mim tão duras
Tento e Tento e Tento
Mas ninguém parece notar minhas tentativas
E sempre há algo novo que eu devo mudar
E sempre há algo em minha personalidade para eu melhorar
Encontro-me cansada de não viver para mim
Apenas quero aprender a viver com o abandono
E fazer dele meu amigo mais íntimo
Pois só assim aprenderei a não me importar
E viverei apenas para mim
E minhas palavras não se sentirão mais medrosas
À Noite
As luzes móveis
Corriam pelos fios imóveis
Na cidade, às dez horas
Vaga-lumes artificiais
Seguiam em procissões usuais
Na cidade, às dez horas
Sons diversificados e peculiares
Formavam sinfonias particulares
Na cidade, às dez horas
Rostos de variados humores
Percorriam seus caminhos sem cores
Na cidade, às dez horas
Contornos sozinhos nos cantos
Tremiam encolhidos em seus mantos
Na cidade, às dez horas
As sombras feitas pelas arvores
Instigavam os temores
Na cidade, às dez horas
E eu andava calmamente
Imaginando histórias em minha mente
Na cidade, às dez horas
Estar apresentável
Eu ando entre uma multidão de faces
E ainda que desconheça todas
Elas parecem me conhecer
Elas analisam minhas vestes
O estado de meus cabelos
O meu nível de beleza
Devo estar na moda,
Pois a minha é um absurdo
Certas coisas apenas são inadequadas
Devo estar de bom humor
Mesmo se meu humor estiver de mau,
Pois quero que pensem bem de mim
Por que tenho que agradar
Essas faces que pensam me conhecer,
Se elas nada sabem sobre mim?
Quem determinou a moda
Ou comprovou o belo?
Desconheço tal pessoa
Que perfeito seria o mundo
Se julgamentos não fossem feitos
Ainda que eu saísse de pijamas na rua
Um mundo onde eu estou sempre apresentável.
Céu id(r)eal
Oh imenso céu azul!
Perco-me em ti, assim como me perco em mim.
Meus dedos tentam alcançá-lo,
Mas nunca consigo tocá-lo
E acredito que aí, tão longe,
É onde para sempre ficará.
Creio ser melhor assim,
Pois suas nuvens podem não ser tão fofas
E sua cor pode não ser azul.
Realmente é melhor ter esse céu perfeito
Que me conforta e inspira
Já que é ideal, não real.
Fale com o autor