Textos Aleatórios
2 O Que Você Pode Achar
"Agora que você me vê, deve pensar que os espinhos que você tanto desejou espetar em minha pele ainda não foram retirados. Sempre que olhamos para uma pessoa que deixamos, acabamos imaginando que ela ainda depende de nós e que ainda pensa em nós. Talvez não seja nossa imaginação, mas sim nosso pedido. Não pense que ainda dependo de você, porque não dependo. Sei que esse texto vai ficar jogado em algum canto das ruas da cidade ou perdido na mão de um estranho que não entende minha letra, mas não me importo. Sabe, Augusto, as pessoas não mudam. Elas apenas guardam experiências novas que as fazem agir de um modo diferente, isso não quer dizer que ainda não tem a antiga parte delas guardada dentro de si. Nós não mudamos, apenas guardamos o jeito que éramos. Tenho pena de você por ter mudado tanto. Imagino que se não tivesse se guardado, seria uma pessoa melhor, Augusto, afinal foi sempre assim que eu te vi. Admito que gostei bastante de ter conhecido um menino em Agosto, com o nome de Augusto e ter o amado por sete meses, o número de letras do seu nome, mas apesar disso, você é um livro já lido e colocado na estante. Na época eu me lembro que chorei. Derramei rios de lágrimas por você, mas isso me ajudou. Agora eu percebi o que é amor. Não digo que quando me apaixonei por você, não sabia o que era, mas agora eu entendi o significado de tudo que passou. Você me deixou esperta como uma raposa, Gus. Obrigada e me desculpa por ter te deixado. Eu ganhei e você também, mas foram coisas diferentes. Você ganhou dores de cabeça, solidão e garotas que não conseguem pensar. Eu ganhei um delineador preto, os filmes da Audrey Hepburn e percebi que sou uma dama. Essas coisas acabaram sendo valiosas pra mim. Aprendi a ser valiosa. Obrigada por ter me feito menos alienada, que era o que você dizia, não era?"
–F.F.
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