Text girl

10 THE GRAVE WE DIG


Notas iniciais
Prontos para mais um capitulo?

A noite em Forks parecia mais silenciosa do que o normal quando Bella, Edward, Alice, Jasper, Emmett e Rosalie permaneceram parados na varanda da casa dos Hale. O vento frio soprava entre as árvores da rua tranquila, carregando o cheiro úmido da floresta próxima, como se a própria natureza daquela pequena cidade estivesse guardando segredos antigos debaixo da terra escura. A porta ainda estava aberta diante deles, e Rosalie Hale continuava parada ali, usando o robe de seda rosa que contrastava de maneira quase cruel com os olhos vermelhos de choro e o rosto pálido de quem parecia carregando uma culpa insuportável havia muito tempo.

O silêncio entre eles era pesado. Não era apenas tensão, era a sensação de que algo muito pior do que fofocas e manipulações digitais estava prestes a ser revelado.

Rosalie cruzou os braços lentamente, como se estivesse tentando manter o corpo firme enquanto o coração parecia prestes a se despedaçar dentro do peito.

— Vocês vieram ouvir a verdade… ou só vieram me condenar? — perguntou ela, a voz rouca, quase cansada.

Bella deu um passo à frente.

— Eu quero a verdade — respondeu, com a voz baixa, mas firme. — Sem mentiras. Sem jogos.

Rosalie soltou uma pequena risada amarga.

— Engraçado… porque a cidade inteira vive de mentiras.

Ela fechou os olhos por um segundo, respirando fundo antes de continuar.

— Sim… eu mandava informações para a Text Girl — disse finalmente.

A frase caiu no ar como uma pedra.

Emmett imediatamente deu um passo para trás, passando a mão pelos cabelos.

— Rosie… — murmurou ele, completamente incrédulo.

— Mas eu não sei quem ela é — Rosalie continuou rapidamente, erguendo os olhos cheios de lágrimas. — Nenhum de nós sabe.

Alice franziu a testa.

— Nenhum de vocês?

Rosalie assentiu lentamente.

— Eu não era a única. Tanya, Irina, Mike, Jessica… todos nós mandávamos coisas para ela.

O olhar de Jasper ficou mais sombrio.

— Por quê?

Rosalie demorou alguns segundos para responder.

E quando falou novamente, sua voz parecia menor.

— Porque ela nos chantageava.

O vento soprou mais forte pela rua silenciosa.

Bella sentiu um arrepio percorrer a coluna.

— Chantageava… com o quê? — perguntou Edward.

Rosalie respirou fundo.

— Com algo que aconteceu naquela festa na casa do Mike… semanas antes de você ir embora de Forks, Bella.

Bella congelou.

— A festa…?

Rosalie assentiu lentamente.

— Nós tínhamos uma amiga… desde a infância— a voz dela falhou.

— Angela Weber.— Alice sussurou levando a mão à boca.— A filha do pastor…que desapareceu misteriosamente naquela época.

O nome pareceu ecoar no silêncio da noite.

— Sim — Rosalie disse, olhando para o chão com um semblante de pânico ao reviver a situação.— Naquela noite o Mike conseguiu cocaína. Da boa… muito mais forte do que qualquer coisa que a gente já tinha visto.

Bella sentiu o estômago se revirar e o coração de Alice Brandon batia acelerado na goela.

— Puta merda Rosie...Vocês estavam usando droga?— Emmett praguejou baixinho socando a mesa de centro da casa dos Hale.

— Estávamos — Rosalie respondeu, sem tentar negar. — Todo mundo estava bêbado, fora de si… e eu… eu usei demais.

— Eu estava completamente fora de controle. E a Angela não queria usar nada… ela dizia que aquilo era errado.— A voz dela começou a tremer e ela passou a mão nervosa pelos longos cabelos loiros, logo em seguida fechou os olhos respirando fundo e continuando— Eu forcei ela.

O silêncio se tornou sufocante, todos ali encaravam a loira e ja sabiam que o pior viria a tona. Edward estava assustado com tanto caos que cercava aqueles jovens.

— Nós misturamos droga com bebida… e depois… ela começou a passar mal.— continuo Rosalie

— Meu Deus…—Alice sussurrou ainda com o olhar assustado.

— Ela teve uma overdose — Rosalie disse, as lágrimas escorrendo agora sem controle. — E… e quando percebemos… ela já estava morta.

Bella sentiu o coração disparar violentamente, sentiu o chão sair de baixo dos seus pés. Como aquilo aconteceu? Porque eles não pediram ajuda?

— O que vocês fizeram…? — perguntou, a voz quase inaudível.

— Nós entramos em pânico.— disse Rosalie olhando diretamente para ela e apoiando os cotovelos no joelho— Mike, Jessica, Tanya e eu… levamos o corpo para a floresta de La Push.

— Porra Rosie...vocês não...—Emmett sussurou e deu um passo para trás.

— Nós enterramos ela — Rosalie desabafou e parecia que um bilhão de toneladas haviam saído de cima dela.

O silêncio foi tão pesado que parecia esmagar todos ali.

— E então a Text Girl apareceu — ela continuou. — Ela sabia de tudo.


— Então foi assim que começou…— concluiu Jasper respirando fundo.

Rosalie assentiu olahndo para o nada.

— Ela disse que manteria nosso segredo… se nós alimentássemos o blog.

— Vocês ajudaram a destruir a vida de outras pessoas… para esconder um cadáver.— Alice parecia horrorizada com tudo o que escutava.

Rosalie não respondeu nada e naquele exato momento, todos os celulares apitaram ao mesmo tempo.

O som ecoou pela sala silenciosa.

Bella puxou o telefone do bolso com as mãos tremendo. Uma nova postagem havia sido publicada.

“JULIET”

Vocês acham que a tragédia começa com drogas e cadáveres enterrados? Oh, queridos jovens escandalosos…Essa história começou muito antes, com uma garota chamada Juliet.

A doce noiva do nosso querido ex professor bonitão, que desapareceu misteriosamente e depois a policia inglesa a deu como morta.

Mas aqui vai a pergunta que ninguém em Londres conseguiu responder…

Onde está o corpo da doce Juliet?

Algumas histórias dizem que ela se matou outras dizem que ela descobriu algo que não deveria.

Talvez… sobre um certo professor que gosta de criar dependência emocional em garotas exemplares.

Talvez… sobre uma garota chamada Bella Higginbotham. Ou deveríamos dizer…Bella Swan.

Vocês acham que padrões não se repetem?Relacionamentos obsessivos. Amor proibido.Garotas frágeis.Tragédias inevitáveis.

Será que Bella terá o mesmo destino de Juliet?

Ou será que ela vai descobrir primeiro…quem realmente matou a garota de Londres?

XOXO — TEXT GIRL

Bella sentiu o mundo girar por um segundo e encarou Edward que fechou os olhos com força.

— Isso é mentira… — ele disse, com a voz tensa.

Mas Bella percebeu a sombra de dor no rosto dele E naquele momento ela tomou uma decisão.

Uma decisão que mudaria tudo.

A casa dos Higginbotham estava iluminada quando Bella chegou com Edward naquela noite.Ela abriu a porta sem hesitar encontrando seus pais sentados na sala com um semblante tenso, eles conversavam nervosos algo que ela não conseguia entender. E o silêncio caiu imediatamente quando eles viram Edward ao lado da filha.

— Bella… — Renée começou.

— Edward vai ficar aqui, comigo.—disse Bella a interrompendo.

Felix se levantou devagar de sua poltrona encarando a filha e o rapaz.

— Não vai.- ele respondeu serio.

— Vai sim.—Bella cruzou os braços desafiando o pai.

O prefeito olhou para Edward com frieza, respirando fundo e prendendo o ar.

— Vocês já causaram problemas suficientes, ainda não se deu conta da gravidade disso Bella?- disse Felix passando a mão nervosamente pelo rosto.

Bella ergueu o queixo.

— Ele é meu namorado e se vocês quiserem que eu continue aqui, vão ter que aceita-lo...

O silêncio explodiu na sala.

— Isabella — Renée disse, chocada.

— Não — Bella respondeu. — Eu não vou esconder mais nada.

Felix respirou fundo.

— Você está falando de um homem com quase trinta anos que perdeu o emprego por se envolver com uma menor de dezessete — disse Felix, a voz finalmente explodindo depois de tanto controle. — Isso tem nome, Isabella. Isso é crime. Isso é pedofilia.

O silêncio que caiu na sala foi brutal.

Bella sentiu o coração bater contra as costelas.

Edward não se moveu.

Mas o olhar dele endureceu.

— Eu nunca toquei na Bella antes de ela escolher ficar comigo — respondeu ele, com uma calma perigosa. — E se o senhor acha que eu vou abandoná-la agora… está enganado. Eu amo sua filha.

Felix olhou diretamente para ele.

— Então afaste-se dela.

Edward hesitou e Bella segurou a mão dele.

— Não.- disse ela desafiando o pai.

O prefeito caminhou lentamente até Edward ficando a centímetros dele com a respiração descompesnada.

— Você acha que sabe proteger minha filha?- disse ele rindo de raiva — Isso é ridiculo, Isabella!

Edward manteve o olhar firme.

— Eu daria minha vida por ela.- disse Edward firme —Sr. Higginbotham, eu amo a Bella mais do que qualquer coisa.

O silêncio ficou pesado.

— Então esteja preparado para todo esse caos que vocês trouxeram a tona.- Felix respondeu com frieza.


Nos dias seguintes, algo começou a mudar. Bella começou a perceber coisas estranhas na escola e na sua casa.

O notebook dela abriu sozinho uma noite, mostrando páginas do histórico que ela não havia acessado.

Na biblioteca, a câmera de segurança parecia apontar diretamente para sua mesa.

E mensagens apareciam no celular…e desapareciam antes que ela pudesse ler.

O medo começou a crescer lentamente dentro dela.

Até que uma tarde, enquanto caminhava sozinha pelo corredor do segundo andar…ela ouviu passos atrás de si.

O corredor estava vazio, ela olhou para tras e não viu ninguem. Os passos continuaram, ficando cada vez mais próximos.

Bella começou a respirar rápido.

— Tem alguém aí…? — ela chamou.

Silêncio.

Os passos voltaram.

Ela entrou rapidamente em uma sala vazia e se escondeu atrás da porta.

O coração batia tão forte que ela podia ouvir nos ouvidos.

A porta se abriu lentamente.

Bella prendeu a respiração.

E então Edward apareceu.

— Bella?

Ela correu até ele.

— Eu achei que alguém estava me seguindo…

Nesse momento os celulares dos dois apitaram.

Uma mensagem.

Coordenadas.

3º andar. Sala 314.

Eles trocaram um olhar e subiram.

A sala estava escura quando Edward abriu a porta.

E o que encontraram dentro fez o sangue de Bella gelar.

Uma gaveta aberta cheia de fotos.

Fotos dela e Edward.

Fotos de Alice e Jasper.

Fotos de Rosalie e Mike se beijando no estacionamento.

Uma foto de Angela Weber…na noite em que desapareceu.

Uma foto de Emmett em um beco com homens desconhecidos.

E uma foto de Juliet…numa praia. Mas ela estava diferente, mais velha e com cabelos castanhos. A foto de mostrava a mulher caminhando pela areia de uma praia cinzenta. O vento soprava os cabelos castanhos sobre o rosto dela… mas o que fez Bella gelar foi outra coisa.

No canto da fotografia, parcialmente escondida atrás de Juliet, havia a silhueta de um homem.

Bella levou a mão à boca.

Todas as fotografias tinham uma marca vermelha no canto inferior. Um pequeno “X”.

Como se alguém estivesse marcando peças em um tabuleiro.

— Edward… — Bella sussurrou.

Ele pegou uma das fotos e encarou.

Era a foto de Angela, caida no chão com a boca espumando..

No verso havia uma frase escrita à mão com uma letra de forma.

“FIRST SECRET.”

Então um gravador começou a tocar com uma voz distorcida ecoando pela sala.

— Vocês realmente acham… que conseguem escapar dos seus próprios pecados?

Uma risada distorcida ecoou.

Fria.

Assustadora.

— O jogo está só começando.

A gravação terminou com uma gargalhada metálica, distorcida, que ecoou pela sala vazia como se estivesse saindo das próprias paredes.


Mais tarde naquela noite, todos se reuniram na casa dos Higginbotham.

Bella contou tudo.

As fotos.

O gravador.

O medo.

E então os celulares apitaram novamente.

“ANGELA WEBER”

Queridos leitores…

Vocês lembram da filha do pastor que desapareceu há 2 anos atrás?

A doce Angela.

A garota perfeita.

A garota que nunca voltará para casa.

Curiosamente…

a polícia acaba de receber algumas informações interessantes sobre aquela noite.

Sobre uma festa.

Sobre drogas.

Sobre um corpo enterrado em La Push.

E sobre cinco adolescentes que pensaram que poderiam fugir da culpa. Mas segredos enterrados…sempre voltam à superfície.

XOXO — TEXT GIRL

Nesse momento a porta da sala se abriu com tudo e Felix entrou com Renée logo atrás acompanhada d e ninguém mais ninguém menos que Charlie Swan.

— Isso acabou — disse Felix.

— Nós já tomamos providências.—Charlie assentiu.


Na manhã seguinte…Forks acordou diferente.

Sem internet.Sem redes sociais.Sem conexão.

A cidade inteira percebeu.

As pessoas começaram a murmurar nas ruas.

Nos cafés.

Na escola.

A Text Girl finalmente havia sido silenciada ou pelo menos era o que todos pensavam.

Até que os celulares começaram a vibrar. Não era internet.Não era aplicativo.

Era apenas um SMS.

Uma única mensagem enviada para toda a cidade.

“Vocês realmente acham que conseguem me desligar? Eu existia antes da internet e vou continuar existindo depois.”

XOXO — TEXT GIRL