Text girl
3 Endless Friendship
Notas iniciais
“Olá, meus escandalosamente belos leitores. Para um primeiro dia, Forks quase pegou fogo. E eu adoro incêndios que começam com um simples olhar.
Nosso novo professor de literatura chegou ontem, jovem demais, bonito demais, intenso demais… e as alunas já estão praticando interpretação corporal melhor do que qualquer análise de texto. Saias encurtaram, gloss reapareceu e, curiosamente, a primeira fileira virou território disputado.
Mas o que realmente incendiou meus ouvidos atentos foi outro assunto: Londres. Fantasmas. Uma noiva falecida. E uma certa garota que voltou misteriosamente para a cidade bem na mesma semana em que um professor recém-enlutado decidiu recomeçar a vida.
Coincidência? Eu não acredito em coincidências.
E para as fãs do drama: a rainha loira anda roçando ódio em Mike Newton no corredor como se fosse perfume caro. O problema é que certas fragrâncias grudam na pele.
A elite de Forks adora cancelar alguém quando convém. Mas cuidado… às vezes o cancelamento vem com nome, sobrenome e prints ardentes...
XOXO — TEXT GIRL”
O segundo dia de aula começou como qualquer outro em Forks: céu pesado, corredores cheios e uma tensão elétrica pairando no ar. Mas bastou Edward Cullen atravessar o pátio com uma pasta de couro sob o braço para que o ambiente se transformasse num desfile não-oficial de vaidade adolescente. Gargalhadas ficaram mais altas, cabelos foram ajeitados, camisas desabotoadas discretamente. Jessica Stanley tropeçou no próprio salto apenas para que ele a segurasse pelo braço, e o sorriso que ela ofereceu parecia ensaiado diante do espelho por horas.
— Professor Cullen, o senhor acredita que Capitu era incompreendida ou manipuladora? — perguntou Tanya Denali, inclinando-se sobre a mesa da primeira fileira com teatral interesse, o decote estrategicamente calculado.
— Acredito que interpretações dizem mais sobre quem lê do que sobre o personagem — Edward respondeu com serenidade, mas seus olhos percorreram a sala com impaciência contida. — Inclusive as maliciosas.
Algumas risadinhas ecoaram. Isabella permaneceu imóvel, o queixo apoiado na mão, observando a cena como quem assiste a um espetáculo previsível demais para ser interessante. Alice, ao lado dela, aproximou-se e murmurou:
— Coitado, se ele sobreviver até sexta-feira, ganha um prêmio.
Isabella quase sorriu.
Mas o prêmio maior não era sobreviver às alunas. Era sobreviver aos rumores e a Text Girl.
No intervalo, Emmett McCarty caminhava ao lado de Isabella pelo corredor lateral da escola, longe dos olhares mais atentos. A amizade entre eles era antiga, fácil, cheia de memórias que Rosalie preferia ignorar.
— Você sabe que ela ainda tem ciúmes, né? — Emmett disse, chutando levemente o armário metálico ao lado, num gesto distraído. — Mesmo que finja que não.
— Eu nunca quis atrapalhar nada — Isabella respondeu, a voz mais baixa do que o habitual. — Você sabe disso.
Ele parou de andar e a encarou com seriedade rara.
— A gente prometeu que nunca ia contar.
O silêncio entre os dois carregava um peso antigo. Um segredo compartilhado numa noite chuvosa, meses antes da partida dela para Londres. Uma imprudência emocional, um beijo e um quase finalmente , um erro que nunca chegou a acontecer completamente, mas que poderia ter destruído tudo.
— Se a Rose souber… — Isabella começou.
— Ela não pode saber nunca — Emmett interrompeu, passando a mão pelos cabelos, nervoso. — Ela já acha que eu…
Ele não completou. Não precisava.
Rosalie Hale observava de longe. E mesmo sem ouvir, entendia o suficiente para sentir o desconforto que lhe apertava o estômago.
No refeitório, a tensão mudou de foco quando vários celulares vibraram ao mesmo tempo. O burburinho cresceu como fogo em palha seca.
A nova postagem da Text Girl trazia um detalhe cruel: mencionava a falecida noiva do professor Edward Cullen pelo nome, Juliet Platt, e insinuava que certas tragédias tinham mais camadas do que aparentavam.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
— Isso é doentio — Alice murmurou, indignada. — Ela está falando de alguém que morreu e não esta respeitando um luto.
— Quem é Juliet? — sussurrou Mike Newton, alto o suficiente para ser ouvido.
— A noiva do cadáver do professor — respondeu Tanya, com gosto mórbido. — Dizem que ela se…
A cadeira arrastando no chão interrompeu o comentário. Edward estava de pé, o maxilar travado.
— A vida pessoal de qualquer professor desta escola não é pauta para debate — disse ele, a voz firme, mas carregada de algo mais profundo. — E quem achar que é, está profundamente enganado.
O refeitório inteiro ficou em silêncio.
Mais tarde, na sala dos professores, Edward segurava o celular com força demais. A tela iluminada exibia a postagem da Text Girl como uma afronta.
— Eu ouvi os alunos comentando sobre esse blog — ele disse ao vice-diretor, a expressão endurecida. — Quem quer que esteja por trás disso está ultrapassando qualquer limite aceitável.
— Já tentamos descobrir antes — respondeu o professor Tunner, suspirando. — É como perseguir um fantasma.
— Então talvez esteja na hora de parar de fugir dele — Edward retrucou. — Se a escola quiser ajuda para identificar essa… pessoa, eu estou disposto.
A palavra que ele quase disse, venenosa, ficou presa na garganta.
Do lado de fora, sob as arquibancadas do ginásio, Rosalie encurralava Mike Newton contra a parede de concreto com a elegância de quem transformava tensão em arte.
— Você comentou aquela postagem — ela acusou, os olhos faiscando. — Sobre o professor.
— Eu só repeti o que todo mundo está falando — Mike respondeu, aproximando-se perigosamente. — Ou você está defendendo ele por algum motivo especial?
— Eu não defendo ninguém, Mike — Rosalie rebateu, mas não se afastou.— Mas a text girl já passou dos limites...
Ele inclinou o rosto, a respiração tocando a pele dela.
— Você odeia quando não controla a narrativa, não é?
— Eu odeio você e tudo o que você é...— ela sussurrou novamente, mas dessa vez a frase saiu trêmula.
— Então para de negar para si mesmo e se deixa levar.— ele sussurrou a centimetros da boca dela.
O silêncio entre eles foi mais íntimo do que qualquer toque. E quando Emmett chamou o nome de Rosalie à distância, ela se afastou rápido demais.
No fim da tarde, Isabella e Alice estavam sentadas no capô do carro, dividindo fones de ouvido e rindo baixinho de memórias antigas. Havia algo reconfortante naquela cumplicidade intacta.
— Promete que não vai desaparecer de novo? — Alice perguntou, apoiando a cabeça no ombro da amiga.
— Prometo — Isabella respondeu, segurando sua mão. — Mesmo quando tudo estiver um caos.
Irina e Tanya Denali passaram por elas nesse momento, trocando olhares avaliativos.
— Algumas pessoas voltam achando que ainda mandam na cidade — Tanya comentou, falsa doçura escorrendo pelas palavras.
— A gata sai e as ratas fazem a festa, hein Alice? — Isabella respondeu, tranquila demais para ser inocente.
Irina exibiu o anel no dedo como se fosse resposta suficiente.
— Pelo menos eu sei quem está ao meu lado verdadeiramente.- disse a baixinha.
Alice levantou-se imediatamente.
— Temporariamente — ela disse, doce como veneno diluído. — Algumas alianças têm prazo de validade.
O clima poderia ter explodido ali, mas o sinal final ecoou pelo pátio.
E naquela noite, a Text Girl postou novamente:
“Estão tentando me cancelar? Que fofo. A elite de Forks adora apontar dedos até perceber que todos têm algo a esconder. Professor furioso. Rainha insegura. Noiva morta. Uma garota exemplar. Um quarterback...Segredos antigos que imploram para respirar.
Vocês podem até tentar me derrubar.
Mas cuidado… porque eu tenho arquivos.
XOXO — TEXT GIRL”
E em algum quarto escuro da cidade, alguém fechou o notebook com um sorriso calculado, enquanto Forks aprendia que cancelar a Text Girl era muito mais perigoso do que suportá-la.
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