Text girl

14 Dolls Break When They Bleed


A sala branca parecia respirar de forma artificial, como se cada parede acolchoada estivesse absorvendo o medo silencioso que flutuava dentro daquele espaço fechado.

O brilho das luzes era forte demais, quase hospitalar, refletindo de maneira fria sobre a superfície lisa da mesa metálica que estava posicionada exatamente no centro do quarto. Alice Brandon estava sentada no chão por alguns segundos antes de conseguir forçar o próprio corpo a reagir ao choque de acordar ali novamente, o cérebro ainda tentando compreender se aquilo era realidade ou apenas mais um pesadelo induzido pela mente de alguém que gostava de brincar com o terror psicológico de adolescentes vulneráveis.

Ela passou a mão pelo rosto devagar, sentindo o ar frio da sala tocar a pele úmida de suor que começava a se formar lentamente na testa. O silêncio ali não era vazio, era pesado, como se algo invisível estivesse observando cada movimento mínimo que ela fazia, como se a própria arquitetura daquele lugar estivesse viva e consciente da presença dela. Quando ela finalmente levantou os olhos, percebeu a parede inteira coberta por monitores negros que refletiam apenas o brilho das luzes do teto, como se esperassem para serem ligados e revelarem algo que ninguém ali desejava ver.

No centro do cômodo havia uma cadeira vazia.

Diante dela, uma mesa simples, com um teclado conectado a algum sistema interno que Alice não conseguia identificar, um mouse repousando ao lado, uma garrafa plástica de cinco litros cheia de água, um pacote aberto de bolachas e um copo de vidro transparente que refletia a luz branca como se fosse um objeto absolutamente deslocado daquele ambiente.

Alice engoliu seco.

O medo tinha um sabor metálico dentro da boca, pesado e áspero como ferrugem.

Ela não tentou gritar, porque sabia que ninguém ouviria.

— Bem-vinda ao nível dois, Alice.

A voz ecoou pela sala com um timbre doce demais, artificialmente suave, como se pertencesse a uma mulher que tinha aprendido a imitar carinho através de algoritmos friamente calculados.

Alice fechou os olhos por um segundo.

— O que você quer de mim… — sussurrou ela, quase sem som, sentindo o coração bater tão rápido que parecia querer escapar pela garganta.

A resposta demorou alguns segundos.

Como se a pessoa do outro lado estivesse deliberadamente saboreando o silêncio antes de falar novamente.

— Você foi escolhida porque é a mais inteligente.— A frase caiu pesada. — E também porque é a mais perigosa… embora finja ser frágil.

Alice permaneceu imóvel.

— Você é a única que pode vencer o jogo.

A garota mordeu o lábio inferior com força suficiente para sentir o gosto de sangue.

— Então me deixa sair — disse Alice, a voz começando a tremer apesar da tentativa desesperada de manter controle emocional. — Eu não quero jogar.

Um silêncio curto.

Depois um som de risada suave, quase maternal, vindo dos alto-falantes escondidos nas paredes.

— Você sempre quis controlar o futuro, Alice Brandon.— A frase fez o corpo da garota endurecer.— Agora você tem duas escolhas...

As luzes dos monitores começaram a acender lentamente. Uma após a outra.

Mostrando cenas de Bella e Rosalie presas em suas próprias punições.

— Você pode ajudar suas amigas…

A imagem de Bella apareceu na tela central, mostrando a morena segurando o estilete enquanto pressionava lentamente a lâmina contra a própria pele da barriga, o sangue começando a formar linhas finas e dolorosas que escorriam de forma quase estética pelo abdômen jovem.

Alice sentiu o estômago revirar.

— …ou pode destruí-las.

O silêncio seguinte foi o mais cruel de todos, porque Alice sabia que qualquer escolha seria uma sentença.

— A partir de agora — continuou a voz — você pode ver tudo pelas câmeras.

Uma das telas mudou, mostrando Rosalie entrando no corredor vermelho. Outra tela mostrou Bella escolhendo o caminho azul.

— Mas elas não podem ver você.

Alice se levantou lentamente.

Os joelhos tremiam.

Ela caminhou até a mesa e encarou a cadeira vazia.

— Você é a Jenna… — disse ela de repente, com uma certeza estranha surgindo dentro da própria mente.

Silêncio.

Depois a voz respondeu.

— Talvez.

Rosalie Hale entrou no corredor vermelho sentindo o coração bater violentamente contra as costelas, cada passo ecoando de forma surda dentro da passagem estreita que parecia se fechar lentamente ao redor dela como um túnel vivo que respirava junto com o medo da garota.

As paredes mudaram.

O vermelho não era apenas cor.

Era textura.

Era lembrança.

Era culpa.

O corredor a levou para uma sala cheia de monitores.

Gravações começaram a passar.

Aquela noite.

A overdose de Ângela Weber.

Rosalie viu a si mesma mais jovem, os olhos dilatados, o corpo descontrolado, a risada nervosa enquanto segurava o copo com bebida misturada com pó branco dissolvido.

Mike aparecia ao fundo.

Tanya.

Jessica.

E Ângela.

A garota estava sentada no chão, dizendo que não queria usar nada, que estava com medo, que queria ir embora.

Rosalie ouviu a própria voz no monitor.

— Só um pouco… só para relaxar…

A imagem acelerou.

Ângela começou a passar mal.

Tremores.

Espuma branca nos lábios.

O corpo caindo lentamente.

E então silêncio.

Rosalie levou as mãos à boca.

— Não… — sussurrou ela.


— Assassinos não merecem redenção.—A voz da Text Girl ecoou.


Uma mesa apareceu ao lado, repelta drogas e bebida.

A punição estava clara.

Rosalie começou a chorar.

— Eu não vou fazer isso… — disse ela.

Mas a sala parecia responder.

As portas se trancaram e as luzes começaram a piscar. A sensação de vertigem veio lentamente, como se o ar estivesse ficando mais pesado.

Bella entrou no corredor azul sentindo o corpo tremer enquanto caminhava devagar respirando rápido de mais. Cada passo era um esforço, parecia que suas pernas estavam a impedir de entrar naquela sala.

A sala azul estava cheia de monitores mostrando sua vida,Fotos de Renée gravida, Bella bebê nos braços de Renee com Félix ao lado. Ela com Charlie e uma menina ruivinha ao lado...Jenna.

Outra foto Jenna segurando a criança com um sorriso estranho, quase possessivo, como se estivesse olhando para algo que considerava propriedade sua.

As telas começaram a exibir algo novo...Uma gravação.

Bella viu o próprio apartamento de Edward na tela. Ela e ele em um momento muito intimo...Os dois juntos na cama...Os beijos.

As mãos dele descendo lentamente pelo corpo dela e a barriga nua de Bella refletida nas câmeras.

— Que cena quente hein, garota exemplar…

A voz da Text Girl ficou mais baixa, quase sussurrada.

— Você vai pegar o estilete na mesa e vai fazer vinte e cinco cortes médios, precisos e profundos no seu lindo abdômen juvenil.

O coração de Bella explodiu de medo.

— Você é uma boneca bonita… mas bonecas bonitas precisam sangrar um pouco.— disse e o silêncio dominou a sala.— Comece agora.

Bella fechou os olhos, pegou o estilete na mesa e o encarou. Ela sabia que não adiantava não fazer nada e então começou.

O primeiro corte foi lento e extremamente doloroso.

O metal rasgou a pele de forma controlada, não profunda o suficiente para ser mortal, mas suficiente para causar dor intensa.

Ela gemeu baixo.

— Eu não aguento mais isso… — sussurrou Bella, olhando para o teto. — Edward…

Ela continuou.

Um...Dois...Três.

O sangue escorria quente.


Na casa incendiada dos Swan, Edward, Jasper, Emmett, Mike e Charlie desciam a escada escondida sob o alçapão.

O ar lá embaixo era úmido, cheirava a terra antiga e madeira podre. As paredes eram de concreto bruto.

O lugar parecia uma estrutura subterrânea esquecida pelo tempo.

— Casa subterrânea… — Jasper murmurou.

Edward não respondeu.

O coração dele estava preso em um medo que ele jamais admitiria em voz alta.

Porque ele sabia, algo dentro dele sussurrava que Jenna estava muito mais perto do que eles imaginavam.

Na sala de controle, Alice viu algo que fez seu corpo inteiro congelar. Uma nova tela acendeu, mostrando uma sala toda branca com uma luz forte, nela haviam quatro cadeiras com placas escritas em letras negras.

GAROTO DA ECHARPE

QUARTERBACK

GAROTO SOLITÁRIO

PROFESSOR BONITÃO

A voz da Text Girl ecoou.

— O jogo está ficando maior…

Alice fechou os olhos.

— Hora de trazer mais bonecos.

E na tela ao fundo… uma câmera escondida mostrou algo que fez o sangue da garota gelar.

Jacob Black estava naquela sala também, segurando cordas e mordaças. Ele encarou a câmera e acenou sorrindo.

O som que ecoou pela casa de bonecas naquele momento foi o de uma gargalhada feminina, doce e cruel, como se a própria loucura estivesse celebrando o nascimento de uma nova tragédia.

Porque Jenna Swan não queria apenas destruir uma cidade.

Ela queria transformar pessoas...Em bonecas.

E bonecas… sempre obedecem.