Teus Olhos Meus

15 XIV — São Lembranças Que O Tempo Não Pode Mudar.


Notas iniciais
Olá leitores, olha quem voltou. Pois é, aqui está o capítulo novo! Não tenho nada a dizer... Sempre o mesmo papo que espero que gostem e bla bla bla! Não deixem de comentar, vocês já devem estar carecas de saber isso, não obstante é muito importante para mim saber o que vocês estão achando da história. Vocês também podem favoritar, recomendar pro papai, pra mamãe, pra titia, pro primo, pra empregada, pro patrão, prx namoradx... VAMOS LÁ, AJUDE UM ESCRITOR NÃO CUSTA NADA.

ANTÔNIO

Hoje é um dia muito importante pra mim. Minha empresa fechará, provavelmente, um contrato com uma agência que cuidará da imagem pública da minha empresa. Isso é fascinante porque eu quero que a população que carece da renda gerada da minha empresa esteja a par de tudo que está acontecendo.

Minha melhor amiga desde a época do colégio é formada em relações públicas, mas a mesma prefere atuar em outras áreas que sua formação permite. Confesso que ficaria muito feliz de ter a minha empresa promovida por ela, mas fazer o que, não é mesmo? Tenho que respeitar as suas escolhas.

O que me intriga é o fato de não saber qual será o profissional enviado pela empresa de consultoria de imagem para fazer a negociação comigo. Pensar nisso me deixa extremamente ansioso. Devo estar com olheiras enormes, uma vez que não consegui dormir de quão ansioso eu estava.

Chega de revirar na cama.

É melhor eu tomar um banho e me apressar caso queira chegar a tempo.

E cheguei. Adiantado até, confesso.

Talvez eu vá receber algumas multas por isso.

Assim que cheguei na mineradora, me dirigi para o prédio que se tratava de gestão de pessoas. Fiquei conversando com os funcionários pra ver se estava tudo bem, e por incrível que pareça eu não estava fazendo média. Eu realmente fazia questão de me saber o nome de todos que trabalhavam na minha empresa.

Estávamos tão distraídos que ao abrir da porta do salão principal, levamos um susto. Fomos surpreendidos por um homem alto e esbelto nos agraciando com um belo sorriso.

— Bom dia! — Ele conferiu as horas em seu relógio.

Todos responderam em uníssono. Menos eu. Eu não conseguia parar de prestar atenção naquele homem trajando um terno grafite de alta costura.

Cerrei os olhos tentando decifrar o que ele conversava com minha secretária, mas fora em vão.

Quando ele voltou sua atenção para mim senti meu coração gelar.

Mas é claro! Como eu poderia ter me esquecido.

— Quanto tempo! — Ele estendeu a mão.

— Sim. — Sorri amarelo. — Desde que você deixou de me seguir naquela rede social.

— Claro, até mesmo porque você havia feito isso primeiro, né querido? — Ele tentou se explicar.

— Que? Eu só fiquei sabendo que você não me seguia mais porque fui ver se ainda me seguia. Depois disso que deixei de te seguir. — Dei de ombros. Aquilo tinha sido há tantos anos que não fazia mais importância.

Pelo menos não para mim.

— Você está mentindo. — Ele dilatou as narinas.

— Pelo visto você continua o mesmo manipulador de sempre.

— Anos se passaram e você ainda se diverte me acusando por coisas inventadas por sua paranoia. — André riu. — Já te disse quantas vezes pra buscar ajuda pra essa sua mania de perseguição?

O ignorei e conferi um e-mail que havia acabado de receber pelo celular.

Percebendo que eu o havia ignorado ele insistiu em puxar assunto.

— Não sabia que trabalhava aqui. — Meu ex-namorado ajeitou a gravata. — Pensei que você desse aula.

— Essa empresa é minha. — Respondi dando de ombros. — E ainda dou aula sim.

— Quem diria, hein? — André balançou a cabeça com um sorriso duvidoso. — Aquele menino que tinha vergonha até da sua sombra ir pra frente de uma sala e lecionar.

— Pessoas mudam. — Fiz uma pausa. — Não foi isso que você fez? Me fez mudar e depois mudou de mim.

Antes que ele pudesse abrir a boca pra responder o interrompi.

— Me da licença que preciso me preparar para uma entrevista de emprego. — Saí andando em direção à sala de reuniões com passos curtos e apertados.

Bati a porta, joguei minha pasta sobre a mesa e escorreguei na cadeira. Eu não acredito que isso está acontecendo.

Depois de todo esse tempo e o mundo coloca esse babacão no meu caminho novamente?

Ignorando aquilo que eu estava sentindo, enchi uma das milhares canecas que eu trouxe de viagem para aumentar minha coleção com café e tentei me recompor. Retirei o meu notebook da pasta e assim que acabei de conferir, encaminhar e responder todos os e-mails voltei a minha atenção para a entrevista que demoraria menos de sete minutos pra começar.

Disquei a tecla #3 no telefone do escritório que encaminhava a ligação pra linha da minha secretária. No primeiro toque ela atendeu.

— Em que posso ajuda-lo, Antônio? — Ela perguntou.

— Eu não consigo achar a ficha do candidato que estava aqui no meu escritório. — Respondi.

— Irei providenciar outra para o senhor agora. — Ela se mostrou prestativa.

— Já disse que é pra me chamar de você. — Rimos e ela se desculpou. — O candidato já chegou?

— Sim! Você estavam conversando há pouco. — Explicou.

— Munique eu vou passar mal. — Sibilei.

— Desculpa?

— Nada! Me ignora. Também inventa que passei mal e ele terá que fazer a entrevista com o moço do RH, ok?

— Está tudo bem Antônio?

— Está sim amor, ficará tudo melhor se você conseguir resolver isso pra mim. — Suspirei soando frio. — Qualquer coisa você me retorna.

Como eu não desconfiei disso antes? Estava na cara! Essa praga do quinto dos infernos é graduado em Relações Internacionais. É claro que esse incubus voltaria a me infernizar um dia.

É claro!

Mas sabe quando é que eu vou entrevistar meu ex-namorado babacão?

Isso mesmo.

NUNCA.

Repitam comigo.

N-U-N-C-A.

Está bem. Já faz muitos anos desde que paramos de conversar e como ele mesmo disse: “pessoas mudam.”, mas quando se trata de André... Todo Orixá desconfia. Sério mesmo. Pense na vez que você foi mais trouxa por causa de alguém. Pois é. Não chegou nem aos pés do que esse gajo fez comigo.

Como sei que seria difícil pra mim ser imparcial na hora de entrevistar o babaca, é melhor que eu não faça. Se o psicólogo que trabalha com a gente disser que ele é habilitado o suficiente para o cargo, o que eu vou poder fazer?

Fora que eu também mal fico na empresa. Sempre resolvo a maioria das coisas que tenho que resolver por vídeo conferencia. Não terei que conviver com esse idiota que me ensinou a voar e depois cortou as minhas asas.

Minha vida é como andar em um fio esticado sobre dois abismos.

Quando eu penso que nada pode piorar vem a vida provando que pode piorar sim.

Se tem uma coisa que pode piorar, essa coisa é a minha vida.

Naquele momento não sabia mais o que fazer, então, peguei meu telefone e enviei um convite para almoçar para a primeira pessoa que passou pela minha cabeça.

[...]

Alexandra demorou muito para chegar. Talvez não tenha demorado. Não sei. No estado que eu me encontrava, era difícil medir o tempo. Quando ela se juntou a mim, eu já estava na terceira dose do meu rum. Sim. Em plena quarta-feira.

— Antônio, o que está acontecendo? — Ela me perguntou em um tom de preocupação.

Nunca havia a visto assim.

— O passado voltou a me perseguir. — Disse cuspido. Não sabia mais se queria falar daquilo.

— Mas aconteceu alguma coisa ou é só a consciência pesada? — Ela repousou a mão direita sobre a minha e se eu não tivesse ficado fascinado com a cor do esmalte rosa nude sobre suas unhas, eu teria lacrimejado.

— São lembranças que o tempo jamais conseguirão curar.

— Ah, vai-te a merda Tony! — Ela arrumou a postura na cadeira. — Se é pra ficar fazendo esse jogo de palavras que me deixa mais confusa eu vou pegar a minha Chanel e levar essa raba maravilhosa que tenho para outro lugar.

— Desculpa. — Dei de ombros.

— Desculparei se você não me fizer arrepender de gastar um tempo da minha folga com você. — A Alexandra que eu conhecia estava de volta.

— Algumas frases da bossa nova resumem minha vida. Um exemplo claro é: “tristeza não tem fim, felicidade sim.”.

Ela revirou os olhos, mas assim que comecei a contar tudo que havia acontecido horas atrás e o contexto para tudo aquilo ter acontecido, tudo que eu via era um olhar concentrado e atento a cada detalhe em minha direção.

Algumas – várias – garrafas depois, já havia explicado tudo e Alexandra já havia dado inúmeras gargalhadas da tragédia que é a minha vida amorosa. Mas é aquele ditado né: “Vamos fazer o que?”. Não tenho culpa de ter vênus em virgem, não é mesmo?

— Antônio, posso ser sincera?

— Não espero menos.

— Você tomou veneno esperando que o ele morresse. Continuar guardando esse rancor que você tem pelo André é como continuar morrendo um pouquinho a cada instante. — Alê conferiu as horas no celular. — Quem está perdendo nessa história toda é você.

— Na verdade quem perdeu a ótima oportunidade de ficar com alguém como eu foi ele.

— Vamos parar por aqui antes que o seu ego inflado nos sufoque.

— Ah, mas você já vai?

— Não! Só quero tratar com você sobre outro assunto.

Gelei.

Franzi o cenho desconfiado.

— Não é nada de mais. — Ela riu mostrando seus dentes brancos e alinhados.

— Imagino. — Senti uma coceira no pescoço.

— É sobre o seu aluno Marcos.

— Vai sonhando que vou falar algo sobre isso com você. — Ri. — Vai sonhando.

— Está achando que estou com um gravador e que irei te denunciar para o conselho? — Ela debochou.

Eu tive que me segurar pra não falar que sim.

Da pra confiar em alguém nos dias de hoje?

NÃO DÁ.

Os humanos... Eles são horríveis.

— Não, mas é que é complicado...

— Depois do que me contou sobre o André... Duvido que seja.

— Ok, tudo bem. — Respirei fundo tomando coragem pra desembuchar. — Nós ficamos.

Ela revirou os olhos.

— Conte-me uma novidade.

— Duas vezes.

— Nem se vocês tiverem transado eu vou ficar surpresa. — Ela deu de ombros. — Só quero saber qual o lance.

— Não tem lance nenhum. — Expliquei. — Comigo é no “fode ou sai de cima”.

— Pelo visto ele não está metendo e muito menos saindo de cima. — Debochou.

— Alguns dias atrás ele me ligou bêbado, fui ao encontro dele para conversarmos, ficamos no meio da praça e quando ele disse que queria eu falei que não queria mais.

— É POR ISSO QUE VOCÊ TEM QUE ACABAR SOZINHO. — Ela gritou me deixando com o rosto quente de tanta vergonha.

— Eu não sei se quero deixar isso acontecer.

— Por quê não?

— Ele é muito babaquinha.

— Pensei que o André fosse babaquinha.

— O André é babacão, se situa querida.

— O que posso fazer se você é cheio de trash na vida?

— Você me respeita! — Simulei uma imensa indignação colocando a mão sobre o peito.

— Se nem o senhor se da o respeito? — Ela riu.

Antes que eu pudesse responder fui surpreendido por um toque.

Suas mãos encaixavam perfeitamente em meus ombros, como as assas nas costas de um anjo.

Me virei surpreso.

Infelizmente deparei-me com um sorriso que conhecia muito bem.

— André? O que você faz aqui?

Notas finais
E aí, o que achou? Está interessado para saber mais sobre o passado de Antônio e André? Você pode conferir tudo que aconteceu na adolescência dos dois aqui: https://fanfiction.com.br/historia/327868/Imperfeitos/ No mais é isso. Realmente espero que gostem e até o próximo capítulo. Não deixem de comentar, dar dicas, sugestões, críticas e bla bla bla. Comentar em uma fic é mostrar para o autor o quanto você respeita e gosta da historia. Não custa nada e não demora dois minutos, então por que não comentar? Com certeza todos que leêm essa nota já escreveram algo e viram como é ruim escrever para as paredes. Muitos desistem, outros desanimam. Então faça uma forcinha, nem que seja para dizer que amou ou odiou. Com toda certeza o autor se sentira melhor.