Teu olhar
1 One Shot
Notas iniciais
20 de março de 1990 Paris, França.
A noite tecia seus lençóis sobre a capital francesa, trazendo o sono a seus habitantes, com excessão de um jovem em especial.
Estava deitado em sua cama, mais uma noite de insônia graças a suas dores, não alertou ninguém, não queria incomodá-los, à anos sentia essas dores que era como se fossem parte de sí. Um livro que jazia em suas mãos continuava fechado, não conseguia se concentrar para lê-lo, sim, a leitura, tinha se tornado um hábito para ele, os livros seu amigos, mas recentemente não conseguia mais ler, tamanha eram as dores que apoderaram-se de seu corpo.
Camus Delacroix, 17 anos no alge da sua juventude, vivia confinado em sua casa graças a uma doença terminal, que mostrou-se cedo, quando ainda tinha dez anos de idade, desde então não saía de casa sob a atotal proteção dos pais, mesmo sendo filho do grande conde Frans Delacroix que possuía uma grande fortuna, não pôde ser curado, nesse momento todo o dinheiro que possuíam não servia de nada. Seus pais desesperados tentaram de tudo para salvar seu único filhos, mas seus esforços foram em vão, tiveram que conviver com essa doença que a cada dia se agravava, mesmo nesse estado, Camus mostrava-se belo, seus cabelos vermelhos igualmente a labaredas, emolduravam seu rosto tão branco que parecia feito de mármore, seus olhos, mais pareciam duas esmeraldas de tão verdes que eram, junto a um corpo esgui, consequência da doença; Visto agora deitado na cama, um livro em mãos e o olhar no teto tão perdido,mais parecia uma estátua do que um ser vivo.
Camus olhava para o teto, sem nada a enxergar, perdido nas lembranças de sua infância, quando ainda era feliz, eram lembranças tão remotas que mais pareciam de outra pessoa do que suas.
Queria tanto que aquilo acabasse, a dor, o frio, a solidão. Não sabia o por quê, mas sentia-se solitário, mesmo com todo o amor de seus pais; Olhou para a janela, vendo a Torre Eiffeld símbolo daquela cidade, estava exausto, queria ser como ela, forte, imponente, que apesar do frio continuava de pé dando beleza aquele lugar. Fechou os olhos, precisava dormir, e em seus sonhos foi levado para um lugar diferente, um imenso jardim, onde não havia árvores, flores, pássaros,nada além da grama verde, que balançava com a leve brisa, tornando-se assim como o mar, que não se pode ver o fim. Foi nesse momento que o avistou, tão belo quanto um anjo sob a luz da lua cheia, que fazia seus olhos cintilarem como jóias. Ah, aqueles olhos, assim como um barco aderiva encontra sua salvação no farol, encontrou seu refúgio dentro deles.
Olhos tão azuis quanto o céu no verão, cabelo tão loiros quando fios de ouro e m forma de cachos, e uma pele bronzeada, nenhuma palavra poderia descrever tão bem o ser á sua frente quanto perfeição.
O belo desconhecido estendeu sua mão o chamando, aceitou sem hesitar, ao tocá-la imagens antigas invadiram sua mente, lembranças de outras vidas, sorriram cúmplices, ambos se fitavam numa harmonia sobrenatural. Agora entendia, estava feliz, verdadeiramente feliz, por que estava completo e finalmente, em paz. Uma luz apareceu, tão ou até mais forte que o sol, o loiro sorriu, e segurou sua mão, o puxando em direção a ela, não disse nada, estranhamente não precisavam desse tipo de comunicação, simplismente se entendiam, o seguiu e ambos foram tragados pela luz.
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No dia seguinte, ambos conde e sua esposa estavam sentados em suacama logo cedo, após a condessa ter tido pesadelos horríveis à noite inteira, e acordar com o coração apertado. Quando ouviram os gritos da empregada, levantaram depressa com medo de sequer imaginar o pior, infelismente os gritos vinham do quarto de Camus, ao chegar a porta do quarto hesitaram, o conde tomou a iniciativa e entrou seguido por sua esposa, seu coração falhou um batida, sua mulher prendeu a respiração, ao ver seu filho na mesma posição da noite anterior imóvel e triste empregada com os olhos marejados balançar a cabeça em negativa, para logo depois baixá-la. A jovem condessa desesperou-se chorando e abraçando seu filho que jazia morto, enquanto o conde chorava em silêncio. Mas ninguém notou um mínimo detalhe, no rosto sereno do jovem sem vida, brincava-lhe um mínimo sorriso, à muito não visto na face dolorida, um sorriso de felicidade feito antes da sua morte, por ter visto aqueles olhos, que jamais esqueceria. O olhar do seu amor.
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