Notas iniciais
Primeiramente, quero pedir perdão pelos erros gramaticais e pela demora. Boa leitura!

Capítulo oito

Naruto sempre imaginou que a causa de sua morte seria velhice. Obviamente é o que qualquer pessoa normal imagina, entretanto ele realmente acreditava nisso. Pensava que quando tal trágico dia chegasse já seria bem velhinho, com muitos filhos e casado – ou quem sabe divorciado. Lógico que esse não é o projeto de vida das pessoas em geral, mas ele era bem realista e sabia que não era qualquer mulher que aguentaria sua personalidade insuportável. Mas isso não importa. O loiro queria morrer bem velhinho e, de preferência, enquanto dormia.

Mas, como sempre, suas expectativas foram frustradas, posto que Naruto estava prestes a morrer de tédio.

A partir do momento em que o professor de filosofia, Gai, entrou na sala de aula, uma onda de sono e aborrecimento se apossou da turma. Era sempre assim: bastava ele adentrar o local para que todos os estudantes ficassem com cara de zumbi ou então se jogassem na mesa em um cochilo profundo.

Com Naruto não estava sendo muito diferente. Por mais que ele não tivesse um espelho para conferir, tinha plena consciência de que sua expressão não era a melhor do mundo. Queria disfarçar, no entanto era impossível. O falatório daquele sobrancelhudo sobre Força da Juventude era tão chato que apenas um ser humano anormal conseguiria se manter acordado enquanto escutava aquela tagarelice ridícula.

E o que diabos era essa tal de Força da juventude?

Bem, não importava – realmente não importava. Até por que, Gai falava sobre qualquer coisa que não fosse a matéria de filosofia, então tudo bem ficar olhando para o teto ou para a parede. Não faria diferença.

Suspirou, cansado daquela chatice. Olhou de esguelha para o lado e viu Hinata desenhando corações pelo caderno com uma expressão entediada no rosto. Sorriu. Bem típico dela.

Hinata parecia bem melhor agora. Depois que Neji retornou à consciência, há algumas semanas, a aparência dela tinha melhorado consideravelmente – pelo menos o bastante para não se parecer com um zumbi. Agora o rosto dela tinha mais cor, não estava tão magra e até sorria.

— Eu não suporto mais. – Ino murmurou baixinho, sentada atrás da Hyuuga. A loira carregava uma expressão de cansaço e em cima da carteira, onde era para estar o livro de filosofia, uma revista de fofocas na cor rosa choque encontrava-se aberta. Céus, ela sequer fazia o esforço de disfarçar. – Bem que a revista avisou, nas previsões de hoje, que o dia seria bem chato. Acertaram em cheio, como sempre.

— Horóscopo, Ino? Sério? – O Uzumaki disse com a descrença evidente na própria voz. – E eu achando que sou o único desocupado da família.

— Ora, e você não é? – Hinata provocou, olhando-o de esguelha.

— Olha só... – ele abriu um sorriso cínico – Ela sabe falar.

— Ei, vocês!

A voz grossa do professor fez com que os dois – Naruto e Hinata – o olhassem com os olhos arregalados de susto. Gai estava com os braços cruzados, um giz branco entre os dedos e o cenho franzido. Parecia bem impaciente e até mesmo frustrado; a Hyuuga pensou que talvez tenha reparado que ninguém prestava atenção ao que ele dizia.

— Posso saber o que vocês estão falando que é tão importante ao ponto de interromper a minha aula?

Hinata, vendo que o professor estava realmente irritado, pensou que deveria se desculpar pela falta de educação e bons modos. Por breves segundos se imaginou no lugar de Gai e concluiu que não gostaria nada de ser uma professora com alunos que não dão sequer um pingo de crédito ao trabalho que fazia. Realmente foi bem imprudente de sua parte – e de seus amigos – conversar no meio da aula. Estava prestes a se desculpar quando, para variar, as coisas saíram um pouquinho do controle.

— Pode ter certeza, professor, que qualquer coisa que interrompa a sua aula é mais importante. – Naruto disse sem pensar e a morena mordeu os lábios, fechou os olhos e pensou no quão ferrada estava naquele momento.

Muito ferrada.

A sala inteira se manifestou pela primeira vez naquela aula e não foi a melhor das reações. Todos dispararam a gargalhar – até mesmo Tenten, que dificilmente ria com alguma gracinha, se contorcia de tanto rir na cadeira da frente, abismada com a cara de pau do Uzumaki.

Gai estava com o rosto escarlate, só que não de vergonha e constrangimento. Hinata viu a raiva estampada no olhar dele. Tinha certeza de que o homem pularia no pescoço de Naruto ali mesmo, na frente de todos, sem se importar com as futuras consequências. Mas a reação dele foi pior. Gai arregaçou as mangas da blusa social branca que trajava, lançou um olhar de fúria para a morena e o Uzumaki e, com a voz mais gélida que o próprio inverno, gritou por cima das risadas:

— Quero os dois na diretoria, agora.

»♥«

— Será que eles estão bem? – Ino indagou, o semblante preocupado.

As aulas tinham chegado ao fim e por isso mesmo as duas – Ino e Tenten – caminhavam pelos corredores tumultuados do colégio Watakino. Tenten xingou baixinho quando foi empurrada por um folgado que nem teve a educação de se desculpar. Rolou os olhos castanhos. Céus, eram só as aulas terminarem para todos os alunos se transformarem em verdadeiros animais, sem o mínimo de civilização.

— Naruto e Hinata? – Voltou sua atenção para a amiga na tentativa de ignorar a raiva que sentia por ter que andar naquele escarcéu. Ino concordou com a cabeça. – Ah, eles estão bem. Tsunade pode ser bem severa quando quer, mas não vai matar eles; só dará uns sermões chatos. Acredite, muito chatos.— Tenten sabia o que estava falando por que ela mesma já tinha ido várias vezes para a diretoria por conta de algumas brigas com Karin. A fama de barraqueira fazia jus a sua pessoa, afinal.

— Me sinto culpada, eu também estava conversando com os dois.

— Ah, fique tranquila. Não é como se eles fossem ficar chateados por isso. – Deu de ombros e Ino continuou pensativa, mas logo o semblante da loira mudou ao ser empurrada por alguém.

— Ei! – Gritou, enfurecida, esfregando o braço dolorido.

— Ah, me desculpe, Ino. Eu não te vi. – A voz chamou atenção das duas, não por estar se desculpando, mas por ser bem conhecida por elas.

— Oh, Kiba. – Ino arregalou os olhos, surpresa. – Faz um bom tempo que não te vejo.

— É verdade. – A Mitsashi concordou, com um pequeno sorriso no rosto. – Você deu uma sumida. O que aconteceu?

— Ah, estudando muito, sabe. Sem falar que esse ano estamos em salas diferentes. – As duas lançaram um olhar compreensivo a ele.

Kiba Inuzuka era um rapaz moreno, de pele bronzeada e olhos profundos. Embora não tivesse uma beleza extravagante, o jovem era dono de um charme que poucos possuíam. Ele tinha uma aura de galã de novela mexicana. Era atlético, alto e sempre emanava um cheiro delicioso de hortelã. Sem mencionar que seu amor por animais deixava qualquer moça derretida em seus braços.

— Estou procurando a Hinata, não a encontrei em lugar algum. – Coçou a cabeça, envergonhado. Todo mundo sabia que Kiba e Hinata eram muito próximos, não tanto quanto ela e Naruto na infância, porém os dois se tornaram bons amigos após o Uzumaki ir para o exterior. Por um instante Ino pensou na possibilidade de Kiba ter se afastado tanto por conta da volta do loiro. Bem, não era ao todo impossível, afinal, ele sabia dos sentimentos de Hinata para com Naruto (e quem não sabia?). – Por acaso vocês sabem se a Hina já foi embora? Eu precisava conversar com ela...

As duas amigas trocaram olhares rápidos e abriram um sorriso malicioso.

— É claro que sabemos, Kiba. – a loira deu uma cotovelada no colega, soltando uma risadinha maldosa. Ah, não seria nada ruim juntar aqueles dois. Não mesmo.

— Hina está na diretoria, provavelmente em meia hora ela sairá. – os olhos castanhos de Tenten tinha um brilho sapeca.

— Seria legal se você fosse lá agora, pobrezinha, deve estar um caco sabe. Tsunade sabe ser um estorvo quando quer. – Ino abriu um sorriso atrevido, dando um empurrãozinho no braço atlético do moreno.

— Ah, bem... – Ele olhou para as duas um pouco confuso. – Er... ok.

Deu meia volta e sumiu na multidão de alunos. As amigas se olharam e soltaram uma gargalhada escandalosa.

— Espero que a Hina faça bom proveito daquele homão, por que sinceramente, ele é um gato. Não sei como ela gosta do palerma do meu primo.

— Tem gosto para tudo. – Tenten deu de ombros. – Você já gostou do idiota do Sasuke, por exemplo.

Ao escutar o nome do Uchiha, Ino sentiu as bochechas queimarem. Foi ai toda a cena, as carícias e o beijo de Sasuke acendeu em sua mente como uma tocha. Sentiu as mãos tremerem e agradeceu aos céus por não ter o encontrado no colégio na última semana (suas tentativas de sumir todas as vezes que ele surgia do nada também estava colaborando). Respirou fundo, tentando se recuperar. Nem Tenten e nem ninguém poderia descobrir o que tinha acontecido.

Ino mal percebeu quando, finalmente, conseguiram sair do enorme prédio. As duas atravessaram o jardim, que também se encontrava lotado por alunos, e ficaram conversando próximas ao portão durante algum tempo. A conversa durou até Tenten olhar para o relógio em seu pulso.

— Eu preciso ir agora.

— Hoje você vai a pé? – A loira indagou com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Er... vou pegar um ônibus e ir até o centro da cidade. Tenho umas coisas para resolver lá.

A Namikaze ficou um bom tempo olhando para a cara da amiga tentando desvendar algo oculto ou descobrir alguma mentira, mas Tenten parecia muito serena e por isso Ino resolveu desistir de descobrir algo. Deu de ombros.

— Bem, vou ficar aqui esperando meu pai. Como você sabe, por conta do ocorrido eu não posso nem pensar em andar sozinha por aí. – Falou, desapontada. – De qualquer forma, te vejo amanhã.

— Ok, até amanhã. – Despediu-se da loira e se virou.

Para a sorte da morena, o ponto de ônibus ficava apenas a uma quadra do Watakino, por isso não tardou para que chegasse até lá. Esperou alguns minutos sentada ao lado de uma senhora já idosa, o fone de ouvido enfiado na orelha e a cabeça balançando no ritmo da música calma. Logo o grande transporte apareceu e rapidamente a jovem sentou-se em uma cadeira no fundo, ao lado da janela.

A viagem foi curta e com poucas paradas. Agradeceu ao motorista, desceu juntamente de três pessoas e olhou para a faixada do prédio que tanto conhecida. Ele tinha dez andares, com sacadas pequenas e janelas escuras. Respirou fundo, caminhou para o hall e se deparou com o porteiro, Genma Shiranui.

— Oh, senhorita Mitsashi. – Olhou para a jovem de cima a baixo com um evidente desinteresse na voz.

— Olá, Genma. Vim visitar o apartamento 613.

— Como sempre. – Observou. É claro, seu idiota, são as únicas pessoas que eu conheço desse prédio, falou para si mesma segurando a vontade de rolar os olhos castanhos. – Mas a senhorita Hinata ainda não chegou da escola.

— Sim, eu sei. Agora me deixe entrar, por favor.

— Certo. – Ele sequer pediu explicações, afinal de contas não se encontrava disposto a escutar uma adolescente tagarelar – Bem, fique à vontade. – Deu espaço para que a jovem passasse, e ela o fez. Em questão de segundos já estava entrando no elevador.

Quando chegou ao andar solicitado, saiu do elevador e, sem hesitar, bateu na porta de madeira branca. Não demorou muito para que a porta fosse aberta por Suzuki, que tinha os fios loiros soltos e trajava roupas velhas e confortáveis. Ah, sim, Hinata teve a quem puxar a questão do conforto.

Embora fosse óbvio a exaustão de Suzuki, o rosto da senhora Hyuuga se iluminou ao se deparar com aquela visita inesperada. A loira – nenhum pouco natural, claro – considerava todas as amigas de Hinata como suas próprias filhas.

— Ten, que bom te ver. – os olhos verdes brilhavam de alegria – Por favor, entre. – Deu passagem para que a morena adentrasse o apartamento pequeno e aconchegante, com aquele ar familiar de sempre. – Hinata não está aqui, mas pode ficar à vontade. Acho que agorinha ela chega em casa, aquela enrolada.

— Obrigada, tia Suzuki, mas não vim aqui para esperar por Hinata.

— Não?

— Não. Vim visitar Neji.

Suzuki ficou um bom tempo olhando para a jovem, observando a expressão no rosto dela – parecia uma mistura de sentimentos como medo, alegria e algo a mais. Bem, não era de sua conta, não sabia que tipo de relacionamento Tenten tinha com seu sobrinho e também não estava interessada. Já tinha problemas demais relacionados ao jovem Hyuuga, por isso abriu um sorriso forçado, resolvendo ignorar aquilo de uma vez por todas.

— Ah, sim. Ele está no quarto. Você já sabe onde fica, eu presumo.

Tenten agradeceu com um sorriso e atravessou a sala, indo para um corredor apertado onde se localizava os quartos da casa. Parou em frente a porta do aposento de Neji e respirou fundo antes de segurar na maçaneta e girar.

»♥«

Tsunade Namikaze não tinha culpa de ser como era. Na verdade, a culpa foi das circunstâncias que acabou por torná-la daquela forma. Tudo bem que ela podia muito bem ter escolhido não ser alguém tão impossível de se lidar, mas as vezes as pessoas acabam por endurecer o coração. É algo inevitável.

Ela não tinha muitos amigos e a única coisa que lhe restara foi a família. Seus dois filhos, Minato e Inoshi, eram os bens mais preciosos que possuía; o marido, Jiraya, também – talvez Jiraya fosse um pouco menos precioso que os filhos, mas ela tentava ao máximo todos eles num mesmo patamar.

Tsunade, que possuía Senju como sobrenome de solteira, passou por uma infância sofrida sem a presença dos pais e, mais do que isso, sem amor. Engravidou muito cedo, aos dezessete anos, e foi expulsa de casa. Mãe solteira, sem muito dinheiro, teve que se virar no mundo e juntar dinheiro para alimentar o pequeno Inoshi.

Foram anos de luta, até que conheceu o jovem – jovem na época, é claro – Jiraya Namikaze. Ele tinha acabado de terminar o curso de administração e estava com o projeto de uma nova empresa. Os dois se apaixonaram, se casaram e, algum tempo depois, Minato nasceu. Ela pensou que sua vida seria sempre simples, só não contava com o dom de Jiraya no mundo dos negócios. Ele era um verdadeiro gênio e acabou enriquecendo rapidamente, tornando o nome da família muito conhecido.

Tsunade fez um curso de pedagogia e, alguns anos à frente, assumiu a diretoria de um dos melhores colégios de Tóquio, o Watakino. Agora a Namikaze não tinha do que reclamar, sua vida estava mais que aceitável, só que as cicatrizes do passado ainda lhe marcavam o coração. Era um pouco amarga, severa demais, porém lá no fundo era um amor de pessoa – pelo menos seu marido lhe dizia isso e ela se esforçava todos os dias para acreditar em tais palavras.

Ser diretora também não era lá muito fácil e isso não contribuía muito com o seu humor. Amava o trabalho que fazia, porém certas coisas eram difíceis de aturar como, por exemplo, alunos encrenqueiros. Ela conhecia cada um desses alunos, só não imaginava que seu precioso neto, mesmo conhecendo o temperamento difícil da avó, teria a ousadia de se enquadrar nesse perfil.

Massageou as têmporas, tentando se acalmar. Caso não o fizesse quebraria o neto em dois.

O rapaz encontrava-se em seu escritório, sentado na cadeira em frente à mesa. Hinata Hyuuga estava sentada ao lado dele com o cabeça baixa e contorcendo o rosto de tanto medo.

— A culpa não foi minha, senhora Namikaze. – Hinata começou, a voz trêmula. – Eu juro que não tive nada a ver com isso, foi tudo um mal-entendido.

— Não foi bem isso que o professor Gai me disse. – Olhou a morena com a mesma expressão séria de sempre, a voz saindo mais seca que o esperado. Pôde jurar que escutou a garota engolir o seco. – Olha, senhorita Hyuuga, eu realmente estou impressionada. Não achava que uma garota com um histórico tão impecável quanto o seu teria a audácia de desrespeitar o professor na frente de todos. Gai ficou realmente chateado com o seu comportamento inadequado.

Naruto, até então calado, olhou de esguelha para a amiga e se sentiu o pior dos seres humanos ao ver os olhos perolados se encherem de lágrimas. Céus, ela não tinha feito absolutamente nada. A culpa era dele, única e exclusivamente dele.

— Não fale assim com ela, vovó. – trincou os dentes, incomodado com a forma que a avó tratou sua amiga.

— Não se intrometa enquanto estou falando, Naruto. E aqui não sou sua avó, sou sua diretora, então acho bom você me respeitar, moleque.

— Olha só, eu falo como eu quiser. – se irritou com a forma que estava sendo tratado. A diretora lhe lançou um olhar furioso, no entanto ele resolveu ignorar e continuou a fala. – A Hinata realmente não teve nada a ver com isso. Se quer culpar alguém, culpe a mim.

Hinata encarou o amigo, impressionada. Por mais que ele fosse neto da diretora, não era qualquer um que peitava com ela desse jeito sem se importar com as consequências. Fitou Tsunade e viu que ela estava prestes a dar um troço ali mesmo – o rosto bonito se encontrava vermelho de raiva e batucava os dedos da mão direita na mesa de madeira, encarando o neto com uma fisionomia de pura irritação.

— Acho bom você abaixar esse tom na hora de falar comigo. – A voz saiu alta e isso fez com que os dois se encolhessem. Não ia deixar um adolescente falar daquele jeito com sua pessoa. Ah, não mesmo. – Se vocês não perceberam, aqui não se trata de culpa. Se trata do comportamento inadequado de vocês dois. Em primeiro lugar, Naruto – olhou feroz para o loiro, que engoliu o seco ao ver que ela estava realmente enraivecida. Era quase possível ver fumaça saindo pelas narinas da loira. – você foi desrespeitoso com o professor e, pra piorar, também foi desrespeitoso comigo. Isso já é motivo o suficiente para eu acabar com você. Não estou nem ai se sou sua avó lá fora. Aqui dentro é diferente, sou uma profissional e, se qualquer jovem infringir uma regra, terá a punição. E em segundo lugar, vocês dois, sim, os dois, incluindo a Hinata, estavam conversando e vocês já sabem as regras principais da escola. – cruzou os braços, olhando para o semblante derrotado dos jovens – Preciso mesmo repetir pra refrescar a memória de vocês? “É absolutamente proibido conversar durante as aulas sem a permissão do professor”.

Depois desse sermão, os dois jovens já não tinham o que falar. Naruto ficou boquiaberto, olhando para a diretora com uma expressão horrorizada. Era incrivelmente irritante como aquela mulher sabia reverter a situação, fazendo-os parecer com marginais. Tsunade tinha o incrível poder de irritar o neto com seu temperamento – não que o temperamento dele fosse o melhor do mundo, mas céus, o da loira era demais para qualquer um, até mesmo para o Uzumaki. Se perguntava como Jiraya aguentava aquela mulher todo santo dia.

Já Hinata encarava os próprios pés, os dedos apertando a barra da saia do uniforme. Pensou no problema que seria quando seu pai soubesse que fora chamada à diretoria. Não queria causar nada à família já que não estavam nas melhores das situações. Respirou fundo enquanto sentia o desânimo tomar conta de seu ser.

Estava prestes a chorar ali mesmo, porém Tsunade resolveu soltar a melhor notícia do dia.

— Para a sorte de vocês, não ligarei para seus pais, mesmo que eu queira. – frisou as últimas palavras. Para qualquer pessoa aquela situação seria desagradável, só que para Hinata foi como escutar música. – Como é a primeira vez que vocês vêm aqui, apenas aplicarei uma punição simples. Quero os dois com as melhores notas do semestre, principalmente você, Naruto. O professor Gai estará entregando uma lista de exercícios a vocês dois toda semana até o fim do mês. É para resolver as questões e entregar a ele toda terça feira. – Pegou alguns papeis em cima da mesa, deu uma olhadela e fez um sinal com a mão para que saíssem.

Quando os dois alunos saíram da saleta de Tsunade, soltaram um suspiro aliviado. Ao menos tinham saído ilesos – não tão ilesos, mas tinha coisa bem pior que fazer exercícios e tirar notas boas. Hinata passou a mão nos fios sedosos, já não se sentindo tão nervosa, e olhou de esguelha para o rapaz ao seu lado.

— Obrigada por me defender.

Naruto deu de ombros com um sorriso mínimo no rosto.

— É o que os amigos fazem.

A morena comprimiu os lábios, sentindo-se um tanto incomodada com aquelas palavras. Era doloroso escutar tal frase vindo de Naruto. Isso sem falar da mágoa que ainda sentia dos anos de sua infância, quando se desentenderam. Então a dor da rejeição e de não poder falar sobre seus sentimentos retornou. Foi como receber um balde de água fria bem no topo da cabeça.

Naruto ia perguntar o porquê de todo aquele silencio, quando foi interrompido por uma voz masculina.

— Ei, Hina. – Kiba Inuzuka surgiu no pequeno corredor, carregando nas costas a própria mochila e, nas mãos, a mochila de morena. Se aproximou rapidamente do casal de amigos. – Eu trouxe suas coisas já que as aulas acabaram há um tempinho. Por pouco a faxineira não trancou a sala de aula com a sua mochila lá dentro.

— Nossa, muito obrigada, Kiba. – Pegou a mochila das mãos do amigo, sentindo-se verdadeiramente agradecida. – Faz um bom tempo que não nos falamos, hein.

— É verdade, estava alimentando a saudade. – A Hyuuga gargalhou e Kiba abriu um lindo sorriso, os dentes perfeitamente alinhados, porém esse sorriso logo desapareceu quando ele viu quem estava ao lado de sua linda e maravilhosa amiga, a quem tanto estimava – Ah, oi, Uzumaki.

— Eu te conheço? – O loiro arqueou uma sobrancelha, as mãos enfiadas no bolso da calça social.

— Não, — afirmou – mas eu te conheço. – Naruto não soube porquê, mas teve a impressão de que Hinata não tinha falado bem de sua pessoa, ao menos era isso que Kiba transmitia com aquele olhar mortal. Bem, não culpava Hinata, afinal, eles tinham brigado na época. No entanto agora era diferente, certo?

Kiba voltou a olhar para Hinata, mudando completamente sua feição para a mais pura meiguice.

– Na verdade já tem um tempo que estou te procurando. Perdi seu número, por isso não consegui conversar com você nas últimas semanas e, bem, você parece muito ocupada ultimamente. – Riu, nervoso e com a bochecha levemente corada. – Fiquei sabendo do que aconteceu contigo, com seu primo, com a Ino, enfim... queria te chamar para ir no cinema comigo, sabe, para você relaxar um pouco. Como nos velhos tempos. E tudo por minha conta.

Ah, uma ideia tentadora, sem sombra de dúvidas. No passado os dois sempre saiam de vez em quando para assistir filmes, era bem divertido. Kiba era uma pessoa divertida. Pensou no tanto que se sentia confortável ao lado dele. Ele sempre a fazia rir e esquecer de seus problemas e olha que ele não fazia esforço para conseguir tal feito.

— Eu queria muito, Kiba, mas hoje não vai dar. Já está muito tarde, minha mãe vai me encher de coisas para fazer. Dia da faxina, sabe. – Ele pareceu um pouco desapontado. Para falar a verdade, a própria Hinata estava desapontada, já que queria muito ir. – Mas podemos marcar para o final de semana, que tal?

O moreno abriu um lindo sorriso, animado.

— É claro. Eu te busco em sua casa. – Ah, a oportunidade perfeita. Um final de semana com Hinata era tudo o que mais queria.

— Ótimo. Nos vemos no sábado. Ah, meu número...

Hinata repassou o número dela para o rapaz, que saiu quase que saltitando pelo corredor. Riu da animação do Inuzuka e tornou a olhar para Naruto, que parecia mais pensativo que o normal.

Só que Naruto não estava pensativo, muito pelo contrário. Estava era incomodado por ter se sentir um verdadeiro intruso na conversa dos dois, como se aquele tal Kiba fosse o melhor amigo de Hinata e não ele.

— Acho melhor irmos, Naruto. – Ajeitou a mochila nas costas, a voz despertando o loiro dos próprios devaneios.

— Certo. – Começou a caminhar ao lado dela, porém notou que tinha algo faltando ali. Sentiu como se tivesse se esquecido de alguma coisa... e então um estalo veio em sua mente. Deu um tapa na própria testa, pensando que não poderia existir um ser mais idiota do que ele. – Esqueci a droga da mochila na sala e aquele pulguento do seu amigo sequer pegou para mim.

Hinata colocou a mão na boca e começou a tremer os ombros. O loiro rolou os belos olhos azuis diante daquela cena e apenas disse:

— Pode rir.

O corredor foi tomado pela gargalhada da morena e, bem, foi uma coisa bem esquisita. O som da risada dela se aproximava ao de uma foca morrendo sufocada e isso fez com que a situação se tornasse hilária. Naruto não aguentou e também começou a gargalhar.

Abraçou-a pelo ombro e, enquanto caminhavam rindo, perguntou: — O que você acha de passarmos em uma lanchonete antes de irmos para casa? Estou morrendo de fome.

— Ótimo. – Respondeu com um lindo sorriso.

Naruto sorriu de volta e, antes que saíssem do colégio, pensou que não importava o que o tal Kiba fizesse ou o que acontecesse. Hinata sempre seria sua e ele sempre seria o melhor amigo dela. Estaria com ela em todos os momentos, afinal, melhores amigos não se separam.

Ao menos era isso que pensava. E Naruto ainda não entendia que nem sempre as coisas saem do jeito que a gente pensa e deseja. É a vida. É inevitável.

Notas finais
Comentem e deixem uma escritora feliz! Tô um pouco desanimada, então quem quiser deixar um 'gostei' ou 'não gostei', fique a vontade. Aos leitores interessados em minhas obras, tenho outras fanfics postadas e já finalizadas. Uma delas é 'Quatro Estações' com apenas quatro capítulos e outra é Himawari, uma one-shot. É só visitar meu perfil. As demais fanfics estão paradas e provavelmente continuarão assim. Beijos. Até o próximo!