Capitulo seis.

Era mais ou menos cinco horas da tarde quando Tenten resolveu se levantar da cama. A brisa que entrava pela janela acariciou-lhe o rosto. A cortina balançava em movimentos ondulatórios e, mesmo que a rua fosse pouco movimentada, conseguia escutar sons de buzinas e vozes. Caminhou até a janela e a fechou, impedindo que o barulho de fora lhe perturbasse. Por fim, virou-se e encarou a parede rosa de seu quarto sem nenhum interesse, a mente vazia e o coração também.

Havia se passado três semanas desde o ocorrido na boate e, desde então, estava vegetando. Era como se fosse uma máquina e não um ser humano. Apenas movimentava-se mecanicamente, da escola para casa e de casa para a escola, com pausas para comer e tomar banho.

Não sentia fome, não queria sair da cama, não queria mais ter uma vida. A beleza que enxergava nas coisas mais simples não estava mais ali. Tudo muito monótono, muito cinza. Ia para a escola apenas por que seus pais a obrigavam. Se não fosse por isso, passaria o dia deitada, olhando para o nada, ou melhor, vivendo o nada.

Talvez fosse essa a sua sina.

Na primeira semana do acidente, a cidade virou um verdadeiro caos. Revistas e jornais fizeram de tudo para entrevistar a família Nara e Namikaze, mas obviamente ambos negaram-se a dar qualquer detalhe sobre o ocorrido. Seria ruim pros negócios e para a reputação de famílias tão famosas. Alguns alunos foram entrevistados, mas a maioria correu da boate no momento em que o tiroteio começou. No final de tudo, as investigações não chegaram a lugar algum.

Estava cansada de toda aquela monotonia e da angustia que fez morada em seu peito. Apenas cansada de todos e de tudo. Soltando um suspiro, despiu-se e caminhou em direção ao banheiro.

Ligou o chuveiro e deixou a água quente cair sobre sua cabeça. Gostava de pensar que a água era um tipo de energia que poderia levar todas as feridas de seu coração embora. Era um dos poucos momentos em que conseguia ficar em paz, sem pensar em morte, sangue ou qualquer outro tipo de coisa sombria.

Escorou o corpo na parede e fechou os olhos, deliciando-se com a água que escorria por seu corpo e com as carícias do vapor quente.

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— Tenten, pelo amor de Deus, você é louca? – acordou com os berros e as batidas insistentes na porta do banheiro. O coração estava acelerado por conta do susto. Pelo amor, será que não poderia ficar em paz ao menos um pouco? – Tem meia hora que você tá de baixo desse chuveiro. Tá achando bom por que não é você que paga as contas. – mesmo que estivessem separadas por uma parede, a morena conseguia sentir o ódio da mãe.

— Tá bom, tá bom. – desligou o chuveiro. – Já desliguei. – gritou desanimada.

— E desce para jantar.

Ten apenas rolou os olhos, desligou o chuveiro e se enrolou em uma toalha. Deu de cara com o espelho e gemeu de desgosto. Estava péssima. Até por que a pobrezinha sequer conseguia dormir. Os pesadelos constantes com Neji morrendo ou soltando gritos angustiantes lhe atormentavam.

Estava prestes a sair do banheiro, mas antes resolveu pentear os cabelos e escovar os dentes. Finalizando, voltou para o quarto. Sua mãe já havia se retirado, porém deixou uma muda de roupas passadas em cima da cama. Dali mesmo retirou o que iria vestir: um vestido simples e floral na cor nude.

Depois da parte chata de tomar banho e se vestir, Tenten se jogou na cama, esticou os braços e puxou o notebook para si. Colocou-o entre as pernas e o ligou.

Mexeu no Facebook, fez as pesquisas que tinha que entregar no dia seguinte e até mesmo jogou um joguinho ou outro. Foi a única coisa que lhe ajudou a manter a mente ocupada ao ponto de não pensar em nada que pudesse prejudicar seu emocional.

Até que o telefone tocou.

Abaixou a tela do computador, pegou o celular e viu que se tratava de uma mensagem. Era a Hinata.

"Estou te esperando. Se for vir mesmo é melhor se apressar".

Ai, droga. Estava com a mente tão longe que quase tinha se esquecido. Jogou o notebook para o lado e caminhou quase que tropeçando até o guarda-roupa. Retirou de lá um casaco de couro branco, se enfiou nele de qualquer maneira e correu para fora do quarto.

Como não conseguiu elaborar uma desculpa esfarrapada, apenas disse para a mãe que iria sair, que era urgente e que não tinha como desmarcar. Resolveu não contar para aonde iria já que a possibilidade da mãe não permitir era imensa. Enquanto Tenten falava, a senhora Mitsashi ficou um pouco atordoada, sem entender, mas só concordou e disse que iria guarda um pouco do jantar para que ela comesse mais tarde.

Ten apenas saiu, trancou a porta, guardou as chaves no bolso do casaco e correu para o ponto de ônibus que ficava bem próximo dali.

Esperou cerca de dez minutos até que ele aparecesse. Pegou uma cadeira vazia que estava próxima a porta do ônibus e mexeu no celular até finalmente chegar em seu destino.

Enquanto descia do ônibus, agradeceu baixinho aos céus por Hinata ter lhe lembrado, mesmo que no último momento. Caminhou com passos largos, desviando das pessoas que andavam de um lado a outro, apressadas. Por fim, parou em frente ao grande prédio.

Em letras grandes e de forma, estava escrito bem ao alto do edifício: Hospital Otsutsuki.

✖

Sasuke se olhou pela milésima vez no espelho. Estava impecável e sabia disso. Mas, por mais que soubesse que estava lindo de morrer, nunca havia se sentido tão nervoso em toda sua vida. Parecia que tinha um milhão de borboletas em seu corpo voando de um lado a outro, causando aquela sensação nauseante de frio no estomago. Sentiu um calafrio só de pensar.

Tentou refletir sobre seus futuros atos e tirou a conclusão de que estava ficando totalmente pirado. Cogitou em ligar para a mãe e implorar que fosse internado em um hospício. Provavelmente seria a coisa mais sensata que poderia fazer naquele dia. Pelo menos era algo mais sensato do que ir até a casa dela.

Tentou pensar que tudo daria certo, mas a verdade seja dita: estava se borrando de medo. Não sabia exatamente o motivo do pavor, mas estava ali, lhe angustiando e o tirando do sério. Talvez fosse medo de levar uma portada na cara. Mas, caso levasse uma não ficaria chateado, até por que, de certa forma, ele merecia (e reconhecia isso).

E, por mais que estivesse apavorado, a vontade de vê-la era ainda maior. Só para ver se tudo estava bem. Afinal, uma conferida não faz mal – foi o que disse para si mesmo.

Deu aquela ultima olhada no espelho. Ajeitou o casaco jeans, olhou o horário no relógio de pulso e se apressou em sair do quarto. Já era quase oito horas da noite e chegar tão tarde na casa de uma moça de família não seria algo muito decente a se fazer. Não que Sasuke fosse uma pessoa realmente decente, mas era bom manter as aparências, principalmente depois de tudo.

Estava no hall de entrada quase saindo de casa, quando algo lhe puxou pela jaqueta. O moreno bateu com tudo na parede do lado, mas foi bem mais esperto. Abaixou e deu um soco forte na barriga de seu oponente, que caiu de bunda no chão sustentando no rosto um olhar surpreendido.

— Essa doeu. – Itachi acariciou o local atingido, logo acima do umbigo. O sorriso sarcástico foi substituído por uma careta de dor. Reprimiu os lábios tentando conter um gemido. Sasuke encostou-se à parede e encarou o irmão com indiferença. – Você tá ficando bom, hein, moleque.

— Aprendi uns truques.

— Sei. – olhou-o, desconfiado. Levantou-se e ficou de frente para o irmão mais novo. Deu uma analisada no caçula de cima a baixo, enfiou as mãos no bolso e fitou-o nos olhos. – Tsc. E pra onde você pensa que vai a essa hora?

O Uchiha mais novo rolou os olhos, entediado.

— Vou visitar alguém. – disse ainda portando a postura despreocupada. – Não que isso seja da sua conta.

— Alguém, é? – o olhar de Itachi era quase que perverso. Abriu um sorriso malicioso e passou a mão no cabelo. – Certo. Não vou me intrometer. Mas já fica aviso pra você voltar rápido. Se nossa mãe chegar e perceber que você não está em casa –

— A coisa vai ficar feia. – completou a frase, desanimado. Não era a primeira vez que se ferrava por desobedecer à mãe. Naquela casa, Sasuke era a pessoa que mais entendia o verdadeiro significado de mexer com os nervos de Mikoto. – Novidade.

Itachi continuou parado de frente para o irmão, como se esperasse que ele contasse quem iria visitar. Puf, Sasuke indo visitar alguém. Essa era nova. Vendo que o caçula não iria desembocar tão cedo, soltou um suspiro frustrado e desistiu. Estava cansado demais para se intrometer em assuntos de crianças.

— Tsc. Certo. Vou lá para cima tomar um banho. Mas já deixo claro que não vou me responsabilizar se minha mãe descobrir. – retirou a chave do bolso e jogou para o irmão, que a pegou com facilidade. Depois se virou e saiu dando um bocejo.

— Irritante. – murmurou baixinho, antes de sair e trancar a porta.

Pegou o elevador, desceu até o estacionamento e retirou de um dos bolsos seu bem mais precioso. Desligou o alarme e adentrou o Nissan-GTR prateado, enfiou a chave na ignição e ligou o carro. O motor rugiu e Sasuke sorriu de prazer. Em questão de dois minutos estava fora do prédio, andando nas ruas a toda velocidade.

Depois de pegar um transito pesado, em meia hora conseguiu chegar a seu destino: um bairro nobre e pouco movimentado. As casas eram maravilhosas, totalmente exuberantes. Estacionou sua máquina, saiu e ligou o alarme. Itachi o mataria caso aparecesse um arranhãozinho na lataria.

Seus olhos pararam exatamente na casa do outro lado da rua. Ao ver aquela maravilha moderna e perceber que realmente tivera a audácia de ir até ali, sentiu o nervosismo voltar com tudo. Engoliu o seco enquanto caminhava em direção a quase mansão. Era imponente, branca e quase que inteiramente em vidraças escurecidas, que impossibilitavam ver o que ocorria lá dentro. O jardim era florido, a grama esverdeada e o ar limpo.

Novamente, disse a si mesmo que estava ali apenas para dar uma conferida. Era só para ter a certeza de que tudo estava nos eixos. Não possuía lá muitos vínculos afetivos com ela, mas sabia que tinha uma parcela de culpa pelo o que aconteceu.

Atravessou o jardim rapidamente e bateu a campainha. Em menos de um minuto a porta foi aberta, revelando-a. Os longos fios dela estavam soltos, desgrenhados e levemente úmidos. O corpo esculpido tapado apenas por um short moletom e uma blusinha larga de malha, revelando as coxas bem torneadas, com alguns hematomas leves. Pela primeira vez, em todos esses anos, pode vê-la sem maquiagem.

Por alguns instantes, ficou encantado, até que o sorriso do delicado rosto feminino se desfez, sendo substituído com uma expressão de pânico. Pelo visto ela estava esperando outra pessoa.

Sasuke conteve a decepção.

— O que você está fazendo aqui? – estava surpresa. Na verdade parecia mais em choque do que realmente surpresa.

O moreno engoliu o seco, encarou os orbes azuis e abriu um sorriso pequeno, tentando disfarçar seu constrangimento e a vontade de se jogar em um buraco.

Estava sendo pior do que imaginava.

— Boa noite pra você também, Ino.

✖

Naruto ainda estava tentando engolir tudo aquilo que estava acontecendo. Por mais que tentasse fazer a ficha cair, parecia que tudo não se passava de um sonho ruim. Até por que isso era a única coisa que ele queria que fosse. Um sonho ruim, apenas. Um mero pesadelo. Afundado em uma poltrona desconfortável e com os olhos vidrados na parede branca, o loiro tentou pensar em qualquer coisa que tirasse toda aquela amargura de seu coração, mas nada vinha a sua cabeça.

A porta ao seu lado foi aberta, tirando-o de seus devaneios. Não precisou se virar para saber de quem se tratava. A porta foi fechada e, segundos depois, pôde sentir algo quente segurar em seu ombro e apertar aquela região. Apenas levou sua mão até ali e segurou a outra pequena mão que lhe apertava com força.

Levantou o rosto e encarou os desolados orbes perolados.

Havia se passado apenas três semanas, mas foi tempo o suficiente para detonar a garota. Hinata estava um caco. Ainda carregava uma aura angelical, mas parecia que qualquer coisa que a tocasse, seja um carinho ou até mesmo o sopro de uma brisa, a quebraria no meio. Estava muito magra e pálida como um cadáver. Apesar de carregar um sorriso pequeno nos lábios, suas feições não escondiam o quanto estava esgotada.

— Obrigada por me acompanhar até aqui. – a voz feminina saiu baixa, mas não o suficiente para que o loiro não escutasse. Os olhos perolados se encheram de lágrimas, mas ela se segurou. Não queria chorar ali. O loiro apenas retirou a pequena mão de seu ombro, virou-a e depositou um beijo leve na palma. Logo depois puxou a morena, forçando-a a se sentar na poltrona ao lado.

— Como foi? – mesmo sabendo qual seria a resposta, perguntou.

— Horrível.

— É. Imaginei.

Hinata soltou um suspiro e jogou a cabeça para trás. Pensou em como estava sendo difícil em casa. Pensou nos pais cansados e preocupados e na irmã que tinha pesadelos todas as noites por causa de tudo o que estava acontecendo. Lembrou-se do quão doloroso foi escutar o choro da mãe durante a madrugada. Fechou os olhos com força e sentiu o coração pesar.

Naruto, vendo na situação em que se encontrava a morena encostou seu ombro no dela e desejou que aquele pequeno contato ao menos transmitisse um pouco de carinho ou conforto.

— E como está Ino? – os orbes perolados se voltaram ao amigo. A preocupação era evidente em sua voz. – Não tive tempo de visitá-la por que... bem, acho que dá pra imaginar o porquê.

Ele apenas concordou com a cabeça.

— Assim, a Ino não está na melhor das situações. – Ao ver que Hinata estava prestes a entrar em pânico por causa de sua afirmação, apressou-se em se explicar melhor. – Só que ela não está exatamente abalada, até por que bebeu tanto no dia da festa que não se lembra de um terço do que aconteceu. – rolou os olhos. – Mas meus tios estão surtando. Estão com medo de virem atrás dela de novo. Meu tio mesmo quase pagou um exército de seguranças pra ficar na cola da Ino toda vez que ela sair. Mas dá pra entender... – voltou seu olhar para a parede. — Se a polícia não tivesse chegado a tempo, aqueles bandidos teriam a levado e só Deus sabe o que fariam com ela.

Hinata sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo ao se lembrar dos toques nauseantes do bandido que tentou lhe abusar.

— E as investigações? – tentou mudar de assunto, ainda sentindo o estômago queimar.

— Ainda não conseguiram concluir nada. A única coisa que estão cogitando é que a gangue/organização ou sabe-se lá o que eles são queria o dinheiro do resgate. Provavelmente alguns milhões, já que meu tio é muito rico e, como podemos dizer... famosinho aqui em Tóquio. – passou a mão pelo cabelo.

A morena sentiu-se exausta depois daquela conversa. Com Naruto também não foi diferente. Afinal, aquilo não era coisa pelo qual adolescentes deveriam passar. Por um momento, sentiram falta do que eram suas vidas há três semanas, quando nada daquilo havia acontecido. Sentiram falta das coisas banais do dia a dia, como ir ao shopping, fofocar e caminhar à toa pelas ruas num domingo à tarde apenas para ir numa sorveteria em um domingo qualquer.

Foram retirados daquele pequeno momento nostálgico ao escutarem a voz de Tenten ecoar por toda a barulheira típica de hospital. Os dois olharam para a Mitsashi, que caminhava com passos largos até ambos. Hinata se levantou e abriu os braços para a amiga, que correu até ela.

— Que saudades, Ten. – Hinata sussurrou, quase sufocando a amiga.

— Também tava morrendo de saudades. – as duas se soltaram e Tenten deu um aceno para Naruto, que o retribuiu. – Oi, Naruto.

— Olá.

Depois do breve cumprimento, a Mitsashi voltou seu olhar para a perolada.

— E... como ele está?

— Bem. Quer dizer, não exatamente bem, mas está melhor que antes. – soltou um suspiro. – Já é a terceira que ele teve que fazer. Mas, tirando o fato que faz quatro dias seguidos que ele está dormindo, os médicos disseram que a recuperação vem sendo relativamente rápida.

Tenten sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo.

— Que bom. – foi tudo o que conseguiu dizer.

Os três ficaram se entreolhando por o que pareceram horas. Foram retirados de seus devaneios perturbadores ao escutarem um pigarro. Ambos desviaram sua atenção para a direção do pigarro. Uma enfermeira ruiva, alta e dos olhos verdes encarava os três com um olhar sério, quase que impaciente. Parecia querer saber o que diabos três adolescentes estavam fazendo ali, parados no meio do corredor do hospital.

— Posso ajudá-los?

— Ah, sim. Estamos no horário de visita do quarto 201. – Hinata apontou com o queixo para a porta do qual havia saído.

A enfermeira apenas olhou para seu relógio de pulso.

— Tem mais alguém para entrar? Por que se tiver é melhor ir logo. Falta dez minutos para o horário de visita terminar.

Tenten quase engasgou.

— Eu. – levantou a mão rapidamente.

— Certo. – a enfermeira analisou a Mitsashi e deu uma breve olhada para sua prancheta. – Me acompanhe.

E caminhou em direção ao quarto sendo acompanhada pela garota. A enfermeira abriu a porta e deu espaço para que Ten entrasse. Ao adentrar no ambiente quente e abafado, sentiu uma sensação esquisita. A porta foi fechada a suas costas. Engoliu o seco.

Seus olhos pararam no corpo encolhido sobre a cama. Neji estava afundado no travesseiro felpudo e embrulhado até o quadril por uma coberta esverdeada. Estava sem blusa e uma gaze imensa rodeava todo o seu peito. O rosto, antes tão másculo e bonito, estava todo marcado por machucados e hematomas. Os longos cabelos estavam presos em um coque e seu peito descia e subia de forma tão imperceptível que nem parecia que ele respirava. Parecia desnutrido e a pele ainda mais pálida por conta da iluminação do abajur.

Tenten sentiu lágrimas descerem por suas bochechas ao sentir a dor – a mesma que sentiu quando pensou que ele estava morto – voltar com tudo naquele momento. Foi uma pontada no peito realmente ruim. Quase que uma dor física.

Aproximou-se lentamente do rapaz. O sentimento de culpa pesava em seu peito. As lágrimas não paravam de descer e um gemido estranho escapou de seus lábios. Não queria acordá-lo. Tinha vergonha que ele a visse daquela forma. Na verdade tinha vergonha de si mesma. Se não fosse por ela, Neji não estaria naquela situação.

Céus! Se não tivesse sido tão teimosa, Neji não teria levado um tiro. Meu Deus, ele quase morreu por causa de sua teimosia.

As lágrimas desciam cada vez mais e mais. Já estava ao lado dele. Secou as lágrimas e, hesitante, tocou o cabelo do rapaz. Rapidamente retirou seus dedos dali e levou a mão até o rosto, querendo se livrar das lágrimas que teimavam em sair. Foi ai que sentiu algo lhe puxar delicadamente pelo cotovelo.

Assustada, olhou para a mão grande e áspera e logo depois para o Hyuuga, que estava com os olhos semiabertos e o rosto carregando uma careta de dor. Neji não conseguiu falar, apesar de ter se esforçado bastante para fazê-lo. Com cuidado, a morena segurou na mão masculina e o olhou, quase que implorando para que não fizesse nada. Neji então apenas se acomodou novamente no travesseiro e voltou a fechar os olhos. Antes que ele voltasse a dormir, Tenten pôde vislumbrar do fraco, porém sincero sorriso no rosto do rapaz, como ele se estivesse feliz em vê-la.

Ver um sorriso no rosto dele depois de tanto tempo lhe deu forças. Mesmo que não fosse muito disso, a morena fechou seus olhos e fez uma pequena prece pedindo que todo o sofrimento do rapaz acabasse.

E então, Tenten foi embora do hospital. Saiu apenas fisicamente, por que seu coração permaneceu ali, junto com o dono dele.

Continua[...]

Notas finais
OLÁ MEU POVO QUE SAUDADES DE VOCÊS. Me perdoem aparecer assim, no final do capítulo, mas é que eu preciso URGENTEMENTE deixar esse recado para vocês. Bem, acho que já deu pra perceber que eu estou demorando - e muito - para postar os capítulos. É que eu tô no ultimo ano do ensino médio, e tem todo aquele preparatório para o ENEM, e isso sem falar no fato de que meu colégio é super puxado (um dos mais difíceis da cidade, inclusive). Ou seja, pessoal, tá bem difícil pra escrever. Uma correria louca! Mas fiquem calmos, não vou abandonar a história nem nada do tipo. Só queria avisar que esse ano os capítulos vão demorar mais para serem escritos. Mas juro que vou me esforçar para escrevê-los. POR FAVOR GENTE NÃO DESISTA DE MIM. Please! Espero que tenham gostado desse capítulo. Também espero que ele não tenha sido muito tedioso, mas é que é um capítulo necessário na história. Eu tive que fazer ele pra dar um empurrãozinho em certos acontecimentos. Perdoem meus erros gramaticais, não tive muito tempo de revisar. Mas hoje mesmo, se me sobrar alguns minutos, eu dou aquela arrumada básica de sempre. Sem mais delongas, por favor, comentem, deixem sua opinião, falem o que quiser a respeito. Gente, vocês não tem noção do quanto a opinião e os comentários de vocês é importante pra mim. Eles me motivam e MUITO. Obrigada a todos os que leram até aqui e a todos os leitores que me apoiaram . Beijos seus lindos ♥ Até o próximo.