Capitulo dois

Naruto nunca se esqueceu da ultima vez em que viu Hinata, há exatos cinco anos atrás. Era o penúltimo dia de aula, inicio do inverno. Ela conversava com Ino Namikaze alegremente, as bochechas coradas pelo frio e o cabelo curto balançando por causa do vento gélido de inverno. Ambas esperavam os pais.

Hinata era o tipo de garota que exalava graciosidade até o ultimo fio de cabelo. Naquele dia, mesmo que ela estivesse enfiada em um casaco que mais se parecia com um saco, e por mais que ela fosse mais baixa do que as outras garotas e mais recatada, ela nunca pareceu tão bonita. Ele não soube exatamente por que a achou tão bonita; talvez por que naquele dia estivesse resfriado, ou talvez fosse o fato de ele saber que aquela seria a ultima vez em anos.

Quando Naruto estava no avião – exatamente no outro dia – ele tirou a conclusão de que um dia se reencontraria com Hinata. Tudo bem que isso devia ao fato de Kushina e Suzuki serem muito amigas, e ele agradecia aos céus por isso. Por conta disso, em especial, ele já havia imaginado mil e uma coisas que poderia dizer quando definitivamente se reencontrassem, mas parado ali no meio do corredor de molhos com uma caixa de sabão em pó nas mãos, Naruto se sentiu um retardado.

Acontece que, desde que partiu, a imagem que guardou de Hinata foi a que tinha em suas memórias: uma garotinha tomando sorvete com ele nos finais de semana, a menina que se trancava na biblioteca lendo livros desinteressantes e que o escutava falar de seus amores infantis.

Naruto guardou a imagem de Hinata como sendo uma garotinha.

Mas, diante dela naquele supermercado imenso, ele concluiu ela já não era uma garotinha – foi como receber um balde de água fria na cabeça; chocante e, de certa forma, interessante. Hinata, diferente da garotinha de anos atrás, era uma mulher. Uma mulher bem feita e muito bonita, inclusive.

Não que Hinata fosse feia antes, mas agora ela realmente conseguiu alcançar um parâmetro de beleza bem elevado. Seu corpo se tornara cheio de curvas exorbitantes, os cabelos estavam bem mais longos, os lábios carnudos e a pele de um branco quase que cadavérico. Antes ela parecia uma tábua de passar roupa, mas agora ela tinha peitos. Peitos enormes. Os olhos continuavam grandes, arredondados e refletiam a mulher madura que ela se tornou.

Ela estava maravilhosa e parecia não perceber isso – o que, de fato, a tornava ainda mais atraente. E pensar nisso o fez querer bater com a cabeça na parede até que pudesse cair desmaiado.

Claro, não pôde deixar de notar que a única coisa que ela realmente não mudou foi o gosto por conforto – a calça moletom e o casaco velho denunciaram-na. Sorriu consigo e percebeu que do nada Hinata ficou vermelha como uma pimenta.

E ele também ficou vermelho ao notar o quão descuidado foi por encará-la descaradamente – o que, obviamente, não ajudou em nada na situação que já estava sendo bem constrangedora.

Sentiu uma dor inusitada na bochecha direita. Sua mãe tinha uma pontinha de ódio no olhar, e puxava sua bochecha com tanta vontade que ele pensou que a qualquer momento poderia arrancá-la do lugar. Gemeu de dor e começou a se debater inconscientemente.

– Você por acaso é surdo garoto? – o loiro fez vários nãos com a cabeça. – Eu to falando com você há um tempão. – Mentirosa, Naruto pensou consigo, mas logo sua mãe apertou ainda mais a bochecha e ele não pensou em mais nada que não fosse em dor. Kushina começou a sussurrar perto do rosto de Naruto, de forma que só ele pudesse escutar. – Levante esse queixo e, pelo amor de Deus, para de babar em cima da coitadinha. Você tá parecendo um retardado que nunca viu uma garota bonita na vida, seu idiota. – e levou o seu olhar para Hinata, que fazia sons estranhos por segurar uma risada. – Hina, meu amor, esse idiota aqui vai te ajudar a recolher as compras. – a ruiva soltou a bochecha do filho, que começou a massagea-la constantemente. – Enquanto isso eu vou terminar de pegar alguns mantimentos. Já sabe, se esse menino fizer alguma coisa é só me gritar.

Kushina murmurou algo para Naruto – que ele não entendeu – saiu rebolando sob seu salto agulha, carregando a própria cestinha de compras e deixando os dois jovens para trás.

Hinata estava vermelha, um pouco descabelada e ainda segurava a risada engasgada enquanto observava Kushina desaparecer entre as prateleiras de mantimentos. Naruto olhou-a de canto e pensou que ela ficava linda daquela forma, logo deu um jeito de espantar esses pensamentos.

– Ela continua a mesma.

– Eu que o diga. – forçou uma expressão de cansaço e ambos riram. Não tardou muito para que parassem e então um silêncio constrangedor perdurou sobre eles. Naruto se agachou e começou a colocar as compras da morena na cesta. Hinata fez o mesmo, agachou-se e recolheu uma caixa de cereais que estava um distante deles. – Realmente eu não esperava te encontrar justamente aqui. – sua voz saiu um pouco rouca, ela não o respondeu. Ele tinha uma lata amarelada na mão e a observava como se fosse à coisa mais interessante do universo. – Ervilhas? Sério que você gosta disso? Dessa eu não sabia.

Hinata deu de ombros, evitando olha-lo.

– Não é só por que fomos amigos de infância que você saiba tudo sobre mim, Naruto.

Naruto apenas jogou a lata na cesta e olhou diretamente para o rosto de Hinata. Ela se sentiu envergonhada por um momento, mas logo a sensação passou e se tornou uma onda de irritação ao ver a expressão de divertimento no rosto do loiro.

– Desculpa ai, Senhorita Histeria. – ele abriu um sorriso de canto ao ver o horror nos olhos da morena.

– Eu não sou histérica. – ah, sim, ela estava emburrada. E ele não soube como pôde achar aquela expressão tão graciosa. Ela aparecia uma criança de quatorze anos, com as bochechas estufadas e coradas (o biquinho nos lábios só a deixava ainda mais adorável).

Ele pensou seriamente em dizer que ela parecia uma criança com aquela cara, mas tentando evitar algum acidente futuro (como, por exemplo, um pote de molho quebrado em sua cara), ele preferiu guardar aquilo para si.

Sério mesmo? Então o que é todo esse papo de “Não é por que fomos amigos de infância que você saiba tudo sobre mim” – ele afinou a voz ao repetir a fala dela, e Hinata supôs que ele estava imitando-a. – Isso daqui não é uma daquelas novelas mexicanas que você costumava assistir, só pra ressaltar. E fala sério, eu te conheço tão bem que sei até quando você tá com vontade de ir ao banheiro. – Hinata pensou em bater nele até que ele pudesse ficar inconsciente. Mas, como provavelmente seria presa por tal ato, talvez bater nele com uma caixa de cereal fosse menos grave. Sem contar que a caixa estava pertinho de sua mão; era apenas pegar e arremessar. — Oi? Terra chamando Hinata. – balançou a mão na frente do rosto dela.

Ela rangeu os dentes.

– Você definitivamente não mudou em nada. Continua irritante, talvez até um pouco pior que antes. – sorriu satisfeito ao notar a pontada de raiva na voz dela.

– Obrigado pelo elogio, muito reconfortante.

Hinata girou os olhos e continuou pegando as coisas em silencio, apenas observando vez ou outra o local. Um funcionário passou pelo corredor empurrando um carrinho de caixas de papelão. O som de seu fone de ouvido estava tão alto que Hinata pôde identificar a música que ele escutava: Kiss, Prince.

Havia uma mulher grávida no final do corredor analisando uma lata de molho. Com a outra mão ela segurava uma garotinha muito fofa de mais ou menos cinco anos que tinha uma expressão emburrada. Provavelmente queria ter ficado em casa com seus brinquedos ou programa de televisão. A garotinha de certa forma lembrava Hanabi.

– E como está a sua irmã? – perguntou como se tivesse adivinhando seus pensamentos. Hinata deu de ombros e respondeu calmamente.

– Está bem. Energética da mesma forma, mas um pouco folgada para o meu gosto. – disse enquanto se lembrava do episódio que ocorrera na cozinha. Ah, ela ainda teria sua vingança. – Há quanto tempo você chegou? – hesitou um pouco antes de perguntar, mas acabou o fazendo ao perceber que o clima entre eles estava bem amigável.

– Há mais ou menos uma semana. – olhou para cima, pensativo. – Não sei ao certo, mas tenho quase certeza de que cheguei há cinco dias. Ainda estamos nos instalando em um apartamento aqui no centro. A única coisa que deu pra fazer nesse meio tempo foi a minha matrícula em um colégio.

– Ah, sim. E como foi morar no exterior?

– Hn, esquisito, eu devo dizer. Os costumes de lá são bem diferentes, mas da para se acostumar. – a julgar pela expressão em seu rosto e a falta de emoção na voz, Hinata teve a certeza de que ele queria evitar ao máximo o assunto Exterior. Registrou isso em uma nota mental, deu de ombros e continuou quieta. – Parece que terminamos de recolher as coisas. – Naruto olhou em volta de si conferindo se havia mais alguma coisa no chão. Levantou-se ao perceber que de fato não havia mais nada e estendeu a mão para que ajudar a morena a se levantar. O loiro notou que ela ficou meio hesitante antes de pegar em sua mão, mas no fim o fez. Ele a puxou e ela rapidamente ficou de pé, segurando a cesta com o antebraço.

Quando Hinata retornou seu olhar para o Uzumaki, quase caiu para trás. Ele estava a encarando descaradamente como se estivesse captando cada detalhezinho de seu rosto. Sentiu suas pernas tremerem e o rosto ficar vermelho e a situação não melhorou nada quando ela viu que Naruto também estava vermelho feito uma pimenta.

– Certo. – começou a falar, um pouco nervosa. Olhou para os lados como se buscasse algum jeito de sair dali o mais rápido possível e realmente era o que ela queria – Eu já estou indo. – se virou, começou a andar, mas logo parou abruptamente. Virou o pescoço e, com um sorriso sem graça, apenas disse: — Obrigada por me ajudar a, sabe, pegar as compras.

– Não tem de quê.

Hinata se virou e continuou andando, os ombros doendo e as costas tensas. Ela foi bem firme levando em consideração o fato de que ela estava ao ponto de correr e se jogar no meio da rua. Estava prestes a sair daquele corredor, quando escutou a voz do Uzumaki atrás de si, chamando-a. Parou abruptamente e se virou sentindo-se um tanto confusa com aquela situação.

– Sim? – arqueou a sobrancelha direita sem perceber, deixando sua expressão facial graciosa.

Naruto parecia bem nervoso – mesmo que ele disfarçasse bem, ela notou (resultado de anos e anos de convivência). Mesmo que os ombros estivessem relaxados, a coluna se mantinha ereta e tensa como se alguém estivesse cutucando-o. Os olhos ganharam um brilho diferente e as bochechas coraram levemente.

– Eu senti saudades.

✖

Como havia previsto, aquele foi um longo domingo. Depois do supermercado ainda teve que aguar as plantas que ficavam na sacada, limpar o quarto de seu primo – aquilo não poderia ser chamado de quarto e sim de lixão – e por fim, colocar comida para Marshmallow, seu gatinho de estimação que parecia odiá-la.

E, como se não bastasse, não dormiu praticamente nada durante a noite. Claro, na manhã de segunda feira isso ficou bem evidente – havia olheiras (que mais se pareciam com hematomas) ao redor de seus olhos. Ela estava com a cara horrível. Não que fosse bonita, mas poxa, aquilo estava péssimo. Realmente péssimo.

Eu senti saudades.

O que foi aquilo?! Tá, ela sabia que ele sentiu saudades – foram anos e anos de amizade e do nada houve uma separação repentina, mas ele não precisava dizer isso em voz alta. Queria parar de fazer papel de trouxa, mas em sua atual situação seria bem difícil.

Tentando afastar qualquer pensamento que envolvesse o dia anterior, começou a passar base no rosto com cuidado para não manchar seu uniforme limpo e passado. Quando terminou, finalizou com um pouco de gloss e, como sempre, prendeu seu cabelo em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Alisou a saia azul marinho com a mão, enfiou seu Ipod na mochila, jogou-a nas costas e, descalça, saiu do quarto carregando consigo o próprio sapato.

Como de costume, a família se mantinha unida para café da manhã na cozinha, mas por estar quase atrasada apenas pegou uma torrada por cima do ombro de Neji, enfiou na boca a caminhou até o genkan para calçar o sapato. Quando fechou a porta ela ainda pôde escutar os gritos da mãe dizendo para que ela largasse de ser mal educada e que devia ao menos cumprimentasse a família antes de sair. Hinata girou os olhos e jogou as chaves da porta no bolso do canto da mochila, começando a caminhar pelas ruas movimentadas de Tóquio.

O trajeto para o colégio não era muito grande. Sempre parava em uma lanchonete simples que ficava ao lado da Comic World, comprava um suco e esperava no ponto seu ônibus chegar. Naquele dia não foi diferente; passou na lanchonete, comprou seu suco e, bem, tirou a conclusão de que a vida estava de brincadeira com a sua cara.

Mesmo que estivesse bem longe, ela pôde visualizar o ônibus parado bem em frente ao ponto. O seu ônibus. E ele estava prestes a dar partida.

Hinata não pensou duas vezes. Correu feito uma louca atropelando quem visse em sua frente. Por um momento pensou que, se estivesse em uma maratona, provavelmente chegaria em primeiro lugar, no mínimo em segundo. Ofegante e suada, conseguira chegar a tempo, sã e salva – tá que algumas pessoas tiveram o pé pisoteado, outras pessoas caíram no chão devido o impacto, mas não é algo que venha ao caso.

Dentro do automóvel tinha cheiro de cigarro e café. As pessoas, em sua maioria, carregavam uma expressão de tédio profundo. Um jovem à sua esquerda estava dormindo jogado de qualquer jeito na poltrona, e praticamente babando no vidro da janela. À direita havia um homem de mais ou menos cinquenta anos que a encarava de cima a baixo como se ela fosse o caçador e ela, sua presa. Hinata respirou fundo tentando manter a calma, tomou o restinho de suco que sobrava e caminhou para a poltrona vaga na terceira fileira à direita.

Bem vindos à vida no ônibus – um circo e um zoológico ao mesmo tempo. Um local onde pessoas dormiam e assediavam descaradamente jovens inocentes.

Quando chegou ao colégio, Hinata quase gritou de alegria. Quando saiu do ônibus – ainda sendo encarada pelo velho tarado – teve a aquela deliciosa sensação de liberdade que experimentava durante todas as manhãs. Ajeitou a mochila nas costas e caminhou lentamente para dentro do colégio.

Quando atravessou os extensos corredores e chegou à sala de aula, se direcionou até o seu assento marcado – penúltima cadeira, quarta fila ao lado da janela. Largou suas coisas em cima da mesa e se direcionou até onde suas duas amigas se encontravam.

Ino Namikaze, como sempre, estava impecável. Os cílios enormes sob os olhos azuis estavam cheios de rímel, a pele aparentava ainda mais pálida por conta do pó e o cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo. Hinata pensou que a loira ficava bonita em qualquer coisa, e a prova disso era o fato daquele uniforme ridículo cair feito uma luva no corpo esbelto da amiga – o que era, de certa forma, invejável. E claro, ela teve a quem puxar. A loira era praticamente uma cópia de Naruto, tanto que qualquer pessoa que os visse diria que eram irmãos e não primos. Quando a Hyuuga deu um ‘Ohayo’ em alto e bom som, Ino sequer desviou seu olhar já que estava muito ocupada lendo uma revista sobre coisas fúteis – era a cara dela.

Já Tenten respondeu com um abraço tão apertado que as vísceras de Hinata quase saíram pela boca. A Mitsashi não era o tipo de garota que sabia dar carinho para demonstrar afeto. Desde que se conheciam, Ten – apelido carinhoso que dera a amiga – era bruta, mandona e barraqueira nata. Já até chegou a pensar que fazer barraco fosse um hobbie dela. E, apesar de ser dura na queda, a fisionomia de Tenten não revelava nada disso, muito pelo contrário. Ela parecia ser a pessoa mais angelical existente na face da terra – claro, não possuía uma beleza exorbitante como a de Ino, mas era bonita o suficiente para que alguns garotos caíssem aos seus pés. Naquele dia em especial, o cabelo – que sempre mantinha preso em dois coques – estava solto, a pele bronzeada e os olhos castanhos rodeados por uma fina camada de lápis.

Hinata começou a se sentir um alien perto das duas amigas.

– Altas novidades pra vocês. – Ino começou a falar enquanto fechava a revista, chamando a atenção das duas garotas para si. – Estão vendo aquele garoto ali? – apontou com o queixo para um menino sentado na penúltima cadeira, terceira fila. Ele era branco como papel, possuía cabelo e olhos negros e um sorrisinho irritante estampando seu rosto. Dois garotos de outra turma conversavam com ele.

– Está falando de Sai? – Tenten perguntou sem qualquer emoção na voz. Estava escorada na mesa com os braços cruzados. Ino afirmou com a cabeça, e apoiando-a na mão, olhou para o garoto com uma expressão sonhadora tão adorável que fez Hinata se lembrar de patinhos e unicórnios.

– Saí com ele durante esse final de semana.

– Não é de se admirar, você sai com todos os garotos do colégio. – Ino ignorou o comentário da Mitsashi.

– Ele é um fofo. E gatinho.

– Se isso pra você for a definição de bonito eu não quero nem imaginar o que é feio. – Ten falou com uma careta de nojo e Hinata gargalhou. Ino jogou a revista na cara de Tenten, que conseguiu pegá-la antes que acertasse seu nariz.

A loira, entediada, desviou seu olhar para o outro lado da sala, encarando o grupinho que estava em um canto. Hinata e Tenten acompanharam a amiga e fizeram uma careta. Havia duas garotas que tagarelavam sem parar. Uma usava óculos, os cabelos vermelhos e olhos da mesma cor chamada Karin. A outra tinha o cabelo estranhamente roxo, os olhos lilases e se chamava Konan.

Desde que entrara no Watakino, Hinata pensava e refletia sobre qual das duas era a mais insuportável. Até então não havia chegado a conclusão alguma.

– Tá faltando mais uma Falsiane ali no grupo. – Tenten, novamente, soltou sua língua afiada. – Será que brigaram?

– Duvido. Sakura deve estar no 3-C babando em cima do Uchiha. – Ino deu de ombros e voltou a abrir a revista. Os olhos azuis ficaram vazios e Hinata fez um esforço para não sentir pena da amiga.

Ino e Sakura Haruno eram amigas inseparáveis desde criança, juntamente de Tenten e Hinata. Quando completaram quinze anos ambas encheram o saco dos pais até que todos concordassem em colocar as quatro em uma mesma escola. Tudo foi muito lindo e maravilhoso no início, até Sakura se apaixonar por Sasuke Uchiha, um playboyzinho mimado. O problema foi que Ino também se apaixonou pelo Uchiha e então as brigas começaram. No final de tudo a Haruno se afastou das amigas e começou a andar no grupinho das mal amadas, como Hinata apelidara mentalmente. A Hyuuga sabia que Sak estava com peso na consciência, mas preferia não interferir em brigas que não a envolvesse.

– Tenho algo para contar. – Hinata começou o assunto para se livrar de toda aquela tensão repentina. As duas amigas viraram o rosto para ela, que se envergonhou de ter toda aquela atenção para si. – Vi Naruto no supermercado ontem.

Tenten começou a tamborilar os dedos no queixo.

– Ué. – olhou para Ino. – Você não disse que ele iria voltar só no mês que vem?

Hinata ficou estática no lugar.

– Como assim vocês sabiam que uma hora ele voltaria e não me contaram? – incriminou-as, horrorizada com aquela situação. Sentiu-se totalmente excluída.

– Eu disse que ele voltaria só no mês que vem, mas parece que o tio Minato decidiu voltar por agora. – Ino abanou as próprias mãos na frente do rosto. – Sabe como são os negócios, né? Acho que ele queria fechar logo o contrato.

– Do que vocês estão falando?

– Ah, agora entendi... – Tenten começou a falar, mas logo foi interrompida.

– Será que dá pra vocês pararem de me ignorar?!

As duas pararam de conversar e olharam diretamente para Hina. A Mitsashi abriu a boca para falar, mas não disse nada. Olhou suplicante para Ino, que apenas fechou a revista calmamente e olhou no fundo dos olhos de Hinata.

– Não queríamos contar por que, bem, você sabe. Provavelmente você teria um surto.

– Talvez se vocês tivessem me contado eu teria me preparado bem mais. – fuzilou-as com o olhar.

– Tá, tá. – Tenten se intrometeu. – Agora nos conte como que foi.

– Como que foi o que?

– Você sabe. Como que foi reencontrar Naruto. – A loira girou os olhos, como se fosse o óbvio.

– Normal. Até amigável demais, se querem saber. – deu de ombros.

– Até parece que não se importa. – Ino soltou, com um sorriso de canto.

– E eu realmente não me importo. – as três sabiam que não passava de uma mentira deslavada.

Elas ficaram se olhando por longos segundos e, finalmente, o sinal tocou e salvou Hinata daquela situação esquisita. Acenou para as amigas e caminhou em direção a sua cadeira. Sentou-se ali e, respirando fundo, esperou pelo professor.

Todos já estavam em seus devidos lugares quando Kakashi Hatake apareceu na sala. Os cabelos grisalhos estavam ajeitados, usava um blaser por cima da camiseta e calça jeans. Metade de seu rosto estava tampado por uma mascara que Hinata se esforçava para entender o porquê de usar aquilo. Muitos boatos corriam à solta pelo colégio; diziam que ele tinha uma deformação horrível na face, outros falavam que ele fora amaldiçoado e por isso deveria usar a mascara. No fim de tudo, ninguém sabia ao certo o motivo.

– Abram os cadernos e o livro na página 110. Hoje faremos uma revisão sobre o fim da União Soviética. – Ah, como amava história. – Mas, antes de começar, quero convidar aqui à sala o mais novo aluno transferido. Ele é o neto da nossa querida – a parte do ‘querida’ saiu com mais sarcasmo do que ele planejava. Alguns alunos deram risadinha. – diretora. Entre, Uzumaki.

Hinata acordou de seus devaneios a partir do momento em que escutou a palavra Uzumaki. Seus olhos se direcionaram para a porta e, se não tivesse autocontrole o suficiente, teria derrubado todo o seu material no chão.

Lá estava a criatura trajada no uniforme – blusa social branca, calça preta, sapato de couro preto –, o cabelo loiro mais bagunçado que o normal e o ombro relaxado. A palavra que usaria para descrevê-lo naquele momento seria ‘despreocupado’. Os olhos azuis passearam por toda a sala e pararam diretamente nela. Por mais que tenha sido rápido, ela teve a certeza de que viu sarcasmo e diversão nos olhos do loiro. Antes que pudesse conferir, ele já havia virado o rosto.

– Este é Naruto Uzumaki, neto da diretora Tsunade. Naruto, você se sentará na cadeira vaga que está ali – apontou. Droga, droga, droga, droga. Aquilo era um pesadelo, um terrível pesadelo. –, que fica bem atrás de Hinata Hyuuga. Pode se assentar para que possamos dar inicio à aula.

Hinata olhou para Ino e Tenten, desesperada. As duas estavam se contorcendo na própria cadeira, vermelhas. Parecia que teriam uma crise de riso a qualquer instante. Elas sabiam... Traidoras.

Enquanto observava Naruto caminhar em sua direção, Hinata desejou com todas as suas forças e com todo o seu coração que o mundo acabasse naquele momento.

Continua [...]

Notas finais
Olá migos do coração, tudo bem com vocês? Espero que sim. Quem tá animado com a volta as aulas? Bem, eu não estou nem um pouquinho KKK XD. Primeiramente, MUITO OBRIGADA A TODOS QUE COMENTARAM. Sério, fiquei realmente feliz :) Obrigada, de coração, a todos que favoritaram, comentaram e estão acompanhando a fanfic. Seus lindos. Gostaria de afirmar que não gostei muito de escrever esse capítulo. Sei lá, simplesmente não gostei KKK. Mas enfim, sei que provavelmente tenha ficado chatinho, mas eu precisava desenvolver uma coisinha aqui, outra ali. Gente, críticas são muito bem vindas, comentários, sugestões... Fiquem à vontade! Podem dizer pra mim o que quiserem, se gostaram ou não gostaram. Não sou aquele tipo de escritora chata, críticas e sugestões ajudam e muito, vocês não tem ideia. Pessoal, quanto ao próximo capítulo, ainda não sei quando postarei. Minhas aulas ja começam semana que vem, ou seja, ralação total. Mas assim que eu terminar eu postarei. Só pra tranquilizá-los já quero deixar avisado que eu já comecei o próximo, e pretendo não demorar muito. Então fiquem de olho. É isso amorzinhos, até a próxima, beijinhos!