Lentamente despede-se o Sol

Sobre campos banhados de ouro,

E cavalga o vento ligeiro

Uma canção de ninar conhecida.

A floresta se emudece observando

Alva e plena a Lua ascender

Trazendo consigo incertezas

Aos corações dos homens, e

Angustia aos corações dos amantes

Mas não temo a escuridão da noite ou seus mistérios

Meu espírito se liberta sob luar

E na companhia das criaturas noturnas

Eu cultuo as estrelas.

Posso sentir, tão doce quanto mel,

Perfume de Dama da Noite preencher o ar,

Meu corpo não mais tem peso

E sem asas me elevo com a brisa.

Sou uno com as colinas anciãs,

Sou eu a memória do vento,

Eu sou cada centelha de fogo que flutua

Sem rumo, mas jamais sem propósito

Eu canto a caçada das corujas

E meu coração rimbomba com os tambores dos Xamãs

Sou tudo o que percebes sem ajuda dos teus olhos

Aquele ao final do caminho e no início dele,

Sou o sábio e o tolo,

Me confundo com o antigo e o que é jovem,

Caminho com as Eras desde o nascimento das estrelas

Eu cacei com os primeiros Lobos e corri ao lado dos primeiros Cavalos

Sou Mestre da minha alma e Aprendiz de minha paixões

Não tenho nome, muito menos uma casa

Sou fruto do amor entre o Céu e a Terra

Filho da Sol e da Lua.

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