Terror sem Fronteiras
1 Capítulo 1
Estava deitada em minha cama olhando as estrelinhas fluorescentes do teto do meu quarto. Pensava no meu grande amor. Senti calafrios e tinha miragens fantasiosas. Ouvi um ruído vindo do corredor principal. Vesti meu roupão, calcei os chinelos e lentamente abri a porta do quarto. Senti algo molhar a sola de meus pés, um cheiro forte penetrava em minhas narinas, e então olhei para o chão. Vi o corpo de meu irmão mais novo, David. Estava morto, seu sangue espalhou-se em uma enorme poça de sangue que me causava ânsia de vomito. Seu corpo estava todo perfurado, havia sido brutalmente assassinado a facadas e... Seu assassino ainda estava naquela residência. Imediatamente dei um grito e ajoelhei-me diante de seu frio cadáver. Esperava que alguém viesse me socorrer... Em vão. Esperei alguns segundos enquanto velava seu corpo adormecido por toda a eternidade. Observava seus cachinhos louros e seus olhos azuis escuros. Aquele anjinho de apenas 8 anos de idade que tanto me perturbava tinha sofrido muito ante de partir.
Com muita dificuldade levantei-me e fui em direção ao quarto de meus pais. O caminho era o mais longo possível. Ouvia vozes, gritos de socorro ecoavam em minha cabeça, via vultos e presenciava assassinatos, mutilações. Tudo aquilo era terrível. Chamava meus pais insistentemente, mas não recebia resposta alguma. Teriam saído? Mais arrepios me percorriam o corpo, quando de repente, topei em algo que não identifiquei. Minha cabeça latejava, levei a mão à testa e percebi que dela escorria sangue. Olhei para o chão e vi que havia tropeçado em uma... Mão!?! Uma mão com unhas compridas e pintadas de vermelho. Extremamente branca, por não apresentar mais sangue algum. Reconheci aquela mão que antes era quente e macia, a mão que todas as noites quando eu era pequena acariciava meus cabelos para eu dormir.
Sai gritando “MÃE... MÃE” enquanto ia em direção a seu quarto. Abri a porta rapidamente e com receio de ver algo que eu realmente não queria. Abri a porta e ... Meus pais estavam mortos. Seus cadáveres apodreciam como se já estivessem ali a dias. Assassinados com requintes de crueldade. Mutilados. Dentro de mim o terror aumentava. Lágrimas rolavam livremente em minha face. Meu pai, meu grande herói. Minha mãe, em quem sempre me inspirei e admirei meu irmão que tinha uma vida inteira pela frente... Todos eles mortos. Estava sozinha no mundo, ou seria morta dentro de alguns instantes.
Ouvi meu nome sendo chamado na sala de jantar. Desci as escadas lentamente e novamente: “Kate... Kate”, uma voz conhecida, porém destorcida. Senti um forte golpe em minhas costas, meus olhos ardiam de minha boca saia sangue. Caída no chão observei quando um homem alto e coberto por uma capa se aproximou com um facão manchado de sangue. Não ficaria sozinha neste mundo cruel e injusto. Iria encontrar minha família. Estava pronta. Fechei os olhos e...
-Kate... Kate meu bem. Seu pai e seu irmão estão mortos de fome, querem que eu sirva o café. Só falta você querida. – disse minha mãe.
Levantei-me e respirei tranqüila. Beijei as mãos de minha querida mãe e fui lavar o rosto. Olhei-me no espelho e conclui que tudo não passara de um terrível pesadelo em que lá, o “Terror era sem fronteiras”.
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