Abri os olhos com dificuldade devido à claridade, quando consegui me acostumar com a luz do ambiente estava deitada em um quarto branco, um aparelho indicava meu batimento cardíaco, alguém estava cochilando no pequeno sofá, era Dean.

— Dean! – sussurrei sorrindo.

— Nina! – disse ele vindo em minha direção. – Você está bem meu anjo, graças a Deus.

— O que houve?

— No momento isso não importa, quando se recuperar falamos sobre, isso. – uma lágrima rolou em seu rosto enquanto ele me beijava. – Eu te amo tanto anjo, tanto.

— Eu também te amo muito meu amor.

Um tempo depois, Sam e Pet foram me visitar. Como estava me recuperando bem, as enfermeiras tiraram todos os aparelhos do meu corpo e na manha seguinte eu teria alta.

Conforme dito pelo medico, de manha voltei para casa. Agora eu conseguia pensar com mais clareza, eu havia sido atacada por um metamorfo e sangrei quase até a morte.

— Como vocês souberam que eu corria perigo?

— No caminho para cá, eu tive um sonho de que você estava em apuros, Dean dirigiu o mais rápido que pode e graças a Deus chegamos a tempo de impedir uma tragédia. Quando chegamos você estava quase desmaiando, matamos o metamorfo e a levamos para o hospital, você não tinha quase nenhuma gosta de sangue no corpo, fizeram varias transfusões de sangue até que suas plaquetas começaram a subir e o terceiro dia você já mostrava melhoras.

— Terceiro dia? – perguntei assustada. – Quanto tempo fiquei no hospital?

— Uma semana. – respondeu Dean. – A pior semana de todas, não sabia se você ia sobreviver, as expectativas eram baixas anjo.

— Se você morresse nenhum de nós iria se perdoar. – completou Sam. – Porque não usou sua arma para tentar mata-lo?

— Minha arma não estava na gaveta e nem em outro lugar do meu quarto.

— Filho da mãe – disse Dean – ele sabia que não a deixaríamos sem proteção, esperou o melhor momento entrou pela janela do quarto de Sam, porque sabia que você nunca iria lá, veio até seu quarto e pegou sua arma.

— Desgraçado. Mais o importante agora é que eu estou bem, e vou continuar bem, acalmem-se.

Coloquei a cabeça dos dois em meus ombros e acariciei seus cabelos.

— Eu amo vocês!

— Nós também te amamos. – disse Sam

— Muito! – completou Dean.

Algum tempo depois, subi para tomar banho. Estava com pequenas cicatrizes no rosto, uma acima da sobrancelha e outra embaixo do lábio, uma cicatriz maior estava em meu braço esquerdo. Pelo o que me lembrava, o metamorfo tinha me ferido bem mais que aquilo, mas não havia mais cicatrizes em outro lugar, as lembranças daquela noite voltavam aos poucos o que me causavam arrepios.

— Dean preciso te contar uma coisa. – disse ao sair do banho.

— Pode falar linda.

— Lembra quando estávamos na sinuca que aquela garçonete ficou se oferecendo pra você e depois ela quase morreu?

— Lembro.

— Se eu te falasse que de algum modo fui eu quem causou aquilo, você acharia estranho?

Ele abriu um sorriso largo.

— Anjo, nada na minha vida é normal, mas explique melhor.

— Eu estava com muita raiva e desejei que ela sufocasse, em questão de segundos ela sufocou, fiquei desesperada e não sabia o que fazer, por isso fiquei transtornada, ora eu matei o demônio uma pessoa sufocando não me assustaria. Foi quando desejei que ela ficasse bem e ela ficou.

— Nossa, quer dizer que você pode matar alguém com a mente? Nunca vi isso antes, temos que investigar vou falar com Sam.

— Acho que não foi coincidência e se realmente eu puder matar alguém só em pensar, tenho que tomar cuidado. Outra coisa que me chamou atenção e que ficou latejando em minha mente foi as ultimas palavras do demônio antes de morrer “Você tem meu sangue Nina Graham. Você não sabe o poder que tem!”. Será que era sobre isso que ele estava falando?

— Não sei, vamos falar com Sam.

Nós três conversamos por muito tempo sobre o assunto, pesquisamos em alguns sites de lendas e sobre poderes psíquicos, mas nada era realmente concreto. Contudo chegamos à conclusão de que eu tinha realmente aquele poder, em nosso mundo não existiam coincidências, o fato de ter sido gerada com a ajuda do demônio era o que mais nos dava certeza de que eu, provavelmente, tinha muitos poderes. Outro fato lembrado por Sam era de que meus olhos tinham mudado de cor no momento exato em que desejei a morta da garçonete, de castanhos passaram para pretos o que sustentava mais a ideia de que...

— Estão querendo dizer que sou filha do demônio? – perguntei com a voz alterada.

— Acalma-se ainda não sabemos, são só hipóteses – disse Sam.

— E se for verdade?

Todos nós nos entreolhamos, mas ninguém falou nada.

— Ah que ótimo! – disse em um tom mais alto e comecei andar de um lado para o outro do quarto de Sam.

— Nina presta atenção! – Dean me segurou pelos ombros. – Os seus pais são se sempre serão Victoria e Harry, agora se realmente você tiver o sangue do demônio, for filha dele...

— Continue. – pedi.

— Eu não sei.

— Olha Nina, se isso se confirmar, não deve ser de todo mal.

Olhamos incrédulos para Sam.

— Ah claro que não é de todo mal, eu só sou filha do demônio. Normal!

— Entenda, você é uma pessoa boa, tem Fé, é uma garota exemplar você pode usar seus poderes para provocar o bem, sabendo controlar seus dons e usando nas pessoas certas, ou seja, coisas sobrenaturais você vai praticar o bem.

Pensei por um momento e respirei fundo.

— Pensando por esse lado não parece ser tão ruim, mas ainda sim é ruim. Mas mudando de assunto, eu não sou a única que tem poderes aqui. – olhei para Sam. – Será que você também é filho do demônio?

— A respeito de mim não sei o que dizer, não tem como eu ser filho do demônio pelo menos eu acho que não.

Perguntas brotavam em nossas mentes enquanto fitávamos o vazio, não conseguíamos encontrar respostas para nenhumas delas só sabíamos que Sam e eu éramos especiais e dotados de poderes que desconhecíamos e que aos poucos vinham aparecendo sem nem sabermos o motivo.

— Amor com tanta coisa que vem acontecendo, esqueci de perguntar se você viu o que eu comprei para você. – disse a Dean, quando estávamos no quarto.

— Vi sim meu anjo e adorei. – ele pulou da cama, abriu sua parte no guarda-roupa e vestiu a jaqueta. – Você acertou em cheio obrigado meu amor.

Ele veio ao meu encontro e me beijou.

- E tem uma coisa que nunca deverá deixar de usar. – disse ele tirando minha pulseira do bolso da jaqueta, colocou-a em meu pulso e a beijou. – Nunca!

— Nunca! – disse por fim.

Quando nos demos conta já estávamos na cama.

— Você tem que descansar, Nina foi o que o medico receitou.

— Não estou cansada, só estou procurando uma forma de relaxar e achei que você pudesse me ajudar, mas acho que não. – me fiz de vitima.

— Ei quem disse que não posso fazer você relaxar. – disse ele prendendo minhas mãos e me beijando.

Depois de algumas horas pude perceber que a tarde passou rápida e que já era noite. Dean me acordou algumas vezes para me dar os remédios contra dor e rapidamente voltávamos a dormir um nos braços do outro, era bom saber que pude ter mais uma noite em seus braços. Afastei todo e qualquer pensamento relacionado aos últimos acontecimentos só queria ouvir o som de seu coração batendo rápido e de sua respiração leve depois de uma tarde de amor.