Pet e Sammy foram espertos e saíram de perto muito antes do aviso do anjo.

– Ai! – falei.

– O que é isso? – perguntou Sammy.

– Esses círculos de fogo representam a vontade dela em viver, em amar, representa o quanto ardentemente ela ama quando está apaixonada! – explicou Jev. – Ela é capaz de dar a vida pela pessoa que ama. – olhou para mim.

Duas asas gigantes saíram das costas dela ficamos todos espantados e ao mesmo tempo maravilhados observando aquele raro fenômeno, mas as asas ficavam mudando de cor; ora eram brancas, ora eram pretas, os dois círculos voltaram a parecer um preto e um branco.

– E esse representa o que está no sangue dela, ela tem o bem e o mau dentro dela por isso as assas mudam de cor.

– Mas Jev ela sempre deixou claro a Fé dela, a devoção em Deus, então ela já escolheu o lado dela. – falou Sam.

– Tecnicamente não – falou se levantando, juntando-se a nos perto de uma janela do outro lado do quarto. – ela é sim uma pessoa muito devota e boa, mas o lado ruim dela muitas vezes fala mais alto, principalmente quando ela está com raiva, ela se deixa levar.

– Por isso os olhos dela mudam de cor. – falei.

– Exatamente, uma hora estão castanhos claro o que representa a parte boa e passiva dela “o lado da mãe” – falou fazendo aspas com as mãos. –já quando ficam castanhos escuro ou preto é o lado ruim e agressivo querendo entrar em ação “o lado do...” enfim... A coluna dela esta se reconstruindo.

Quando o fenômeno terminou o corpo de Nina caiu suavemente na cama, todos chegamos mais perto, chequei seu pulso e estava batendo, fraco, mas estava batendo. Olhei com alegria para Jev.

– Obrigado! – falei a voz tremula.

– Só fiz meu serviço.

E em segundos Nina abriu os olhos e estava ofegante, agitada.

– Ta tudo bem, tudo bem anjo. Você está de volta. – falei caindo de joelhos a seu lado.

Todos estávamos comovidos com a volta dela, seus olhos estavam mais claros que o normal e percorriam o quarto.

– O que ela tem? – perguntou Sam.

– Ela tem que se acostumar ao novo ambiente, à adaptação dela vai ser um pouco... hã... digamos que ela voltou diferente.

– Como assim? – perguntei.

– No céu Nina...

– Você não tem permissão para falar! – interrompeu Castiel.

– Ah ótimo! – zombei. – Continue Jev.

– Não pode acabei de receber ordens para não deixa-la lembrar.

– Lembrar de que? – silêncio. – Responde Castiel, lembrar de que? – gritei levantando-me.

Nina reagiu de maneira estranha.

– Para de gritar! – falou sentando-se na cama e colocando as mãos nos ouvidos.

– Tudo bem Nina ninguém vai gritar – Pet disse o olhar percorrendo a todos enquanto abraçava Nina que tremia e ainda estava agitada. – esta tudo bem você está de volta.

– Responde Castiel. – pressionou meu irmão.

– Castiel o que ele disse? – perguntou Jev.

– Ela tem que esquecer tudo, desde sua estadia no céu até o ato heroico de Dean.

– Como é que é? – falei cerrando os olhos.

– Por quê? – perguntou Jev.

– Porque se ela sofreu abuso quando adolescente foi necessário para ela ser forte emocionalmente e ela não pode lembrar o que viveu no céu porque inimigos podem usar essa lembrança para distorcer a realidade, plantar na cabeça dela que estamos querendo manipula-la e não ajuda-la.

– Você não vai apagar a memoria dela, eu não vou deixar! – gritei novamente, olhei para Nina que ainda estava com as mãos nos ouvidos fitando a cama. Não foi assim que eu imaginei a volta dela.

– Ah você vai deixar sim, por bem ou por mau, mas como eu sei como você é então... fico com a segunda opção.

E lá foi ele novamente usar seu truque de prender as pessoas na parede, até Petter embarcou nessa. Nina olhou para Castiel confusa os olhos arregalados.

– Jev faça alguma coisa, me tire daqui! – gritei.

Mas ele continuou imóvel enquanto Castiel se debruçou sobre ela, olhou fixamente em seus olhos e em uma fração de segundos Nina desmaiou.

– Não! – caímos todos no chão. Corri para perto dela. – Você não tinha esse direito.

– Eu já falei que foi necessário, agora pare de fazer escândalo e vamos voltar para Penrose.

– Como assim vamos?

– Nos precisamos ir é nossa obrigação treina-la e a você também Sam. Embora seu sangue seja do demônio creio que possamos usar seus poderes para o bem.

– Tudo bem. – falou Sam.

– Tudo bem – bufei. – você matou Kate e apagou a memoria de Nina, todo o meu esforço e o de Kate foram em vão... quer dizer você apagou a memoria dela mas não a minha, eu vou contar tudo a ela.

– Não vai não. E sabe por quê? Porque se você fizer isso, seu pai e seu irmão morrem!

– Ah é?

– Sim, se não acredita paga para ver. – ameaçou cerrando os olhos. – Com um estalar de dedos eu faço os dois caírem duros agora mesmo.

– Dean sei que é difícil mas aceite você já viu como ele é. – falou Jev.

Esse Castiel está me dando nos nervos, só porque é um anjo acha que é Deus? Fica olhando a gente com cara de superioridade. Minha vontade realmente era pagar para ver, mas ele já causou muito estrago essa noite e com certeza não se sente culpado e não se sentiria culpado se tivesse que causar mais alguma. Respirei fundo e engoli em seco.

– Tudo bem Castiel, você venceu. Mas agora vamos quero ficar no quarto com Nina esperando ela acordar, não quero mais ter que olhar para essa sua cara!

– Só mais uma coisa. – falou. – Nina vai querer saber por que a trouxemos de volta e a historia é: você Dean implorou e implorou para tê-la de volta, nós como bons anjos e servos do Senhor demos a vida a ela, pois sua missão ainda não acabou. O que não deixa de ser verdade.

– Certo. – confirmei a contra gosto.

– E não conte nada sobre seu ato heroico, lembre-se que...

– Com um estalar de dedos você mata meu irmão e meu pai. Eu já sei! Mais que inferno, eu só quero ir embora e não olhar mais para você, pelo menos não hoje!

Jev ajudou Petter a organizar o quarto, Castiel tratou logo de sumir ainda bem. Desci as escadas da pousada com Nina em meus braços.

– Está tudo bem? – perguntou a recepcionista.

– Sim... hã... ela só teve uma queda de pressão vou leva-la ao hospital.

Ela assentiu e saímos, no carro Sammy deu a partida e lá fomos nós em direção a Penrose. No caminho fiquei olhando seu rosto esperando que em algum momento ela acordasse, sua pele estava muito fria e pálida, mas seu pulso já estava um pouco mais forte do que o da ultima vez que senti.

– Hm. – gemeu ela, apertando os olhos.

– Nina. – sussurrei, Sam olhou pelo retrovisor. Finalmente ela abriu os olhos.

– Dean?

– Sim sou eu, vai ficar tudo bem meu anjo, estamos indo para casa.

– Eu estou com frio. – sussurrou, na mesma hora tirei meu casaco e vesti nela, Sammy também tirou o dele e passou para mim para que eu pudesse vesti-la. Ahh Sammy você seria o cunhado perfeito se não fosse essa maldita ligação com minha namorada!

– Está melhor?

– Um pouco, parece que escalei o Monte Everest e quando cheguei ao topo levei uma surra de elefantes. – um sorriso se esboçou no rosto de todos nós.

Ela adormeceu de forma brusca e repentina, fiquei preocupado mas ela estava respirando e tinha pulso. Ao chegarmos em casa o carro de Petter já estava lá, subi com Nina no colo enquanto Sam estacionava o Impala.

– Como ela está? – perguntou Petter vindo em minha direção quando entrei pela cozinha.

– Está bem, já acordou mas voltou a dormir. A pele dela ainda esta muito gelada e pálida, isso é normal? – perguntei a Jev encostado na parede.

– Sim é normal, ela ainda tem que se adaptar e quando mais quente ficar melhor. – apontou para os casacos.

– Pet se Jev quiser comer alguma coisa... enfim você sabe onde fica.

– Anjos comem? – perguntou ele.

– Obrigado, mas não comemos.

– Enfim eu vou subir para ficar com ela até ela acordar, Pet você já é de casa então, se vira.

– Pode deixar.

Subi as escadas, ao chegar no quarto coloquei Nina na cama e fechei a porta. Deitei ao seu lado e fechei os olhos deixando uma trilha de beijos em seu cabelo descendo pelo pescoço e ombros, assim que ela acordasse novamente e estivesse mais consciente eu suplicaria pelo seu perdão por tudo o que fiz e disse. Mas uma angustia tomava conta de meu peito, não poder contar a ela a verdade que eu a salvei de Michel, que os anjos apagaram as lembranças dela, ter que fingir que nada aconteceu deixa-la pensar que foi estuprada... mentir para ela... isso é horrível, mas a angustia também não era só por isso tem toda aquela historia dela e do Sam e agora que ela estava de volta, e se ela se apaixonar por Sam? E se ele tentar conquista-la? Será que um sentimento tão forte que passou por diversas vidas vai passar por essa também e os dois vão se amar e eu serei jogado para escanteio? Eu não vou permitir, não vou permitir vou lutar até o fim mas não vou entrega-la de bandeja para meu irmão.

Notas finais
Pessoal a cidade citada, Penrose, fica no Estado Americano do Colorado no Condado de Fremont. E fica perto de St.Louis também citada ;)