A semana passou rapidamente, Nina e eu estávamos cada vez mais próximos de vez em quando eu dormia na casa dela, as escondidas claro, e saiamos também. No ginásio de basquete da escola montaram um tatame e claro Nina estava competindo realmente era uma excelente lutadora, como já era esperado ficou em primeiro lugar. Ela era a pupila do diretor, a cada vitória ele vibrava se enchia de orgulho e eu também. A competição interna era aberta aos pais e amigos dos alunos e como nada é perfeito, Michel deu as caras por lá e chegou justamente quando eu estava parabenizando ela dando aquele abraço apertado que ela tanto gostava.

- Hei, parabéns gatinha. – falou ele.

- Obrigada. – disse ela num tom duro.

- E esse cara ai quem é?

- Jeremy, sou inspetor. – respondi.

- E para ser um inspetor você não acha que esta agarrando de mais? – falou observando que eu ainda segurava a cintura de Nina.

- Só estou dando os parabéns a ela.

- Tá bom, já deu agora a solte, vamos comemorar sua vitória Nina vem.

A raiva tomou conta de mim, eu não a soltei ela também não se moveu, não tinha nenhuma vontade de ir a lugar nenhum com aquele cara e fechei a cara e fiquei encarando ele. O clima ficou bem pesado algumas pessoas olhavam para nós, mas e daí? Minha vontade era de dar uma bela surra nesse cara.

- Michel já chega, não quero ir a lugar nenhum com você vou ficar aqui. – disse ela.

- Você vai vim comigo agora! – nesse momento ele tentou segurar seu braço, mas ela foi mais rápida e desviou, ele pegou em seu kimono.

- Larga ela. – falei soltando a mão dele do kimono puxando-a para trás de mim. – Nem tente encostar um dedo nela, você vai se dar mau.

- Escuta aqui cara...

- Rapazes, rapazes o que está acontecendo? – perguntou o diretor.

- Esse cara esta tentando levar Nina a força para algum lugar.

- É verdade diretor. – falou Nina. – Mas eu não quero ir, o Jeremy esta tentando fazer com que ele de o fora daqui.

- Rapaz ouviu a garota. – disse o diretor, Michel olhou-me firmemente e depois para Nina e foi embora.

- Jeremy precisamos conversar.

- Claro diretor, Nina qualquer coisa me chama.

- Tudo bem.

Acompanhei o diretor até a sala dele.

- Sente-se, olha filho você é muito jovem eu entendo, mas estou percebendo que você e Nina estão mais chegados um no outro.

- Ah, sim ela me ajudou quando precisei e nós ficamos amigos.

- Amigos?

- Sim.

- É só isso mesmo? – ele estreitou o olhar.

- Sim é só isso, bons amigos.

- Que bom você tirou um peso de minhas costas. Pode voltar.

- Obrigado diretor.

Nós teríamos de ser mais cuidadosos o diretor estava começando a desconfiar, mais tarde eu teria uma conversa com Nina sobre isso, mas no momento queria comemorar junto com ela. À noite fomos a um parque de diversões depois ficamos um pouco na minha casa.

- Dean! – falou uma voz familiar.

- Kate?

- Sim sou eu.

- Onde você esta?

- Isso é uma das coisas que vim te dizer Dean, estou ficando cada vez mais fraca, você já esta ai a um bom tempo embora eu seja forte todo mundo precisa de um descanso por isso você não consegue me ver.

- Eu sinto muito.

- Sente muito? Garoto quando você voltar vou te dar um belo soco, depois de me recuperar claro. Mais uma coisa, que diabos pensou que estava fazendo quando contou a verdade para Nina?

- Contando a verdade para Nina. – brinquei. – Olha eu não podia deixar que ela se afastasse de mim foi uma medida desesperada.

- Serio? Então não conte mais nada a ela sobre o futuro dela, você já falou de mais e isso não é bom.

- E os arcanjos desconfiam de alguma coisa?

- Acho que não.

- Acha?

- Eu estou em transe junto com você há quase uma semana, não sei o que esta acontecendo, mas tomei todos os cuidados possíveis vai ser muito difícil eles me pegarem. Ah e caso você sinta alguma coisa como febre, tontura, ânsia de vomito é sinal de que minhas forças estão no fim.

- Aguente só mais um pouco Kate, Nina é importante para mim e para o mundo todo.

- Homens, alguns são uns bandos de canalhas como você era, mas quando se apaixonam ficam pior que garotas. Agora tenho que ir, preciso economizar minha energia.

Nina havia dormido em minha casa, tinha ficado desesperada de manhã, mas logo inventou uma desculpa para a avó:

- Desculpa vó, Petter e eu estávamos jogando Guitar Hero e acabei dormindo aqui. – disse pelo telefone.

Uma pausa.

- Relaxa vó assim que sair da aula já vou para casa, tchau, tchau! – e desligou.

- Pude ouvir os berros dela daqui. – brinquei.

- Ela nem se importa comigo não sei o porquê de tanta preocupação. Sou um fardo para ela, mas ano que vem saiu daquela casa.

- Um fardo? Sempre achei que os avôs adorassem seus netos.

- Bem minha vó me adorava, quando eu estava longe claro, dificilmente ela me elogia ou algo assim, sempre ignorante. – ela respirou fundo.

- E esse Petter é o que seu? – perguntei.

- É um grande amigo, passamos a infância grudados, no entanto os pais dele foram para outra cidade e nos separamos ele veio essa semana me visitar já que sábado faço quinze anos, eu disse que não ia ter festa e tudo mais, mas ele insistiu em vir.

Olhei nos olhos dela e vi uma dor imensa tomando conta deles, sua mãe morreu quando ela era tão pequena e frágil, não fazia tanto tempo que seu pai havia morrido muitos acontecimentos para uma pessoa só. Acho que em algum momento ela deve ter sonhado com uma festa maravilhosa com os amigos e familiares, vestido longo e bonito, valsa com o pai, mas tudo foi dilacerado, arrancado dela de forma brutal, por causa de uma guerra entre anjos e demônios, tudo por uma guerra que nem perguntaram se ela queria fazer parte.

Toc,toc,toc

- Deve ser nosso café. – falei pegando cinco dólares da carteira para dar de gorjeta a recepcionista.

- Bom dia! – falou.

- Bom dia, o que aconteceu com a outra?

- Esta de folga. – falou, seus olhos voaram rapidamente pelo quarto e pararam na direção de Nina. Entrei em seu campo de visão.

- Obrigado. – falei pegando a sacola com nosso café e dando-lhe o dinheiro.

- De nada. – seu olhar voltou para mim.

- Sentiu isso? – perguntou Nina quando fechei a porta.

- Senti o que?

- Um arrepio, uma sensação estranha.

- Não senti nada. – disse por fim.

Nina só sentia isso quando um demônio estava por perto, e se aquela mulher era um demônio não pude saber já que não haviam luzes ligadas ou qualquer outro aparelho ligado.

Na escola eu entrei primeiro depois ela, lá o diretor havia me dado à missão de espalhar cartazes na escola sobre um baile que haveria no dia seguinte.

“Já tem um par para o baile de sexta senhorita Graham?” enviei um torpedo para ela.

“Ainda não senhor Salvatore, ou melhor, Winchester.”

“Então acabou de encontrar ;).”

“Perfeito.”

E a conversa se encerrou ali, dispensei todas as salas mais cedo por ordens do diretor, já que o baile seria no dia seguinte e a maioria das meninas estavam desesperadas porque não haviam comprado vestidos, sapatos e marcado hora no salão, fizeram até um abaixo assinado com mais de cem assinaturas para que saíssem mais cedo.