Ao chegarmos ao motel, Sammy distraiu a recepcionista enquanto eu subia com Nina até o quarto.

— O que vai fazer agora? – perguntou Sam já no quarto.

— Vamos procurar alguma coisa na internet, no diário do papai. Se não encontrarmos nada eu vou fazer o pacto.

— Não você não vai, eu não vou deixar.

— É minha alma Sam, eu faço o que eu quiser. – nos encaramos por um tempo.

– Vou ligar pro Petter e contar o que houve.

Enquanto ele falava com Petter, liguei para o papai. Na terceira chamada ele atendeu.

— Oi filho. – disse ele.

— Oi pai, eu preciso de ajuda.

— O que houve?

— Minha namorada morreu pai e a culpa foi minha, eu tenho que traze-la de volta pai, por favor, me ajude. – minha voz já estava embargada e as lágrimas voltaram a cair.

— Espere Dean, porque foi sua culpa?

— Depois que um metamorfo quase matou ela, eu a abandonei pensando que iria protegê-la, ela veio atrás de mim e nos discutimos. Falei coisas horríveis para ela, então ela pegou o carro e saiu em alta velocidade o carro capotou penhasco a abaixo e ela está aqui, morta, na minha cama.

— Filho eu realmente sinto muito, mas não podemos fazer nada a não ser deixa-la ir. Eu sei que dói já passei por isso, mas com o tempo você acaba se acostumando.

— Não pai, não quero me acostumar. Quero-a de volta eu a amo! Custe o que custar, vou trazê-la.

Desliguei o telefone e respirei fundo.

— Acabei de falar com Petter, ele está transtornado e está vindo aqui. – disse Sammy.

— Tudo bem, vamos começar a pesquisar.

Revirei completamente o diário de papai, mas não havia nada ali dizendo o que poderia ser feito para trazer uma pessoa de volta a vida sem ter de vender a alma. Sammy estava pesquisando na internet, mas também não havia encontrado nada.

Frustrado e confuso peguei as chaves do carro e sai.

— Dean? – gritou Sammy, quando fechei a porta.

Eu iria fazer o pacto não tinha jeito. Eu arranquei a vida dela e agora era meu dever trazê-la de volta, querendo ou não eu havia sido o culpado. Parei o carro em uma encruzilhada, mas a duvida tomou conta de mim, não ligava para minha alma, contudo Nina iria odiar essa ideia e tenho certeza de que ela estava com muita raiva de mim, no céu, por eu ter cogitado essa ideia. Esfreguei as mãos no rosto e sai do carro. Estava em pé no meio da encruzilhada, havia algumas casas pequenas por perto um vento muito forte soprou e virei meu rosto. Vi uma enorme cruz com luzes azuis, erguida no alto do que parecia ser uma igreja.

Nina sempre teve muita fé, talvez ela quisesse que eu fosse até a igreja para rezar por ela, ou talvez estivesse me avisando que lá eu poderia encontrar alguma resposta. Entrei no carro e dirigi até a pequena igreja. Estava vazia e com pouca iluminação, era estranho estar em uma igreja eu nunca havia estado em uma. Cheguei perto do altar, havia uma mesa forrada com uma tolha branca e um crucifixo bordado, era igual ao que Nina usava.

— Deus? – falei caindo de joelhos. – Sou eu Dean Winchester, se puder me ouvir traga Nina de volta, por favor, sei que sou um pecador e talvez o maior, mas me escute Deus me de algum sinal...

Nada. Uma figura apareceu no meio da igreja, um homem bem velho e com uma batina.

— O que houve meu filho, porque tanto desespero? – perguntou ele.

— Minha namorada morreu Padre, eu não consigo aceitar. – falei levantando-me.

— Venha vamos acender uma vela para ela e rezar um pouco.

Eu assenti e assim fizemos. Meia hora depois eu me sentia um pouco mais aliviado. Quando estava indo embora ele disse.

— Filho aceite as coisas como elas são, infelizmente perdemos quem mais amamos, mas se pensarmos que essas pessoas estão em um lugar muito melhor fica mais fácil de aceitar. Além do que morrer é uma libertação, dizem que as pessoas boas vão embora mais cedo para não sofrerem mais nesse mundo caótico em que vivemos. Apenas aceite e a liberte.

No caminho para casa tomei a decisão mais difícil, era hora de deixa-la descansar em paz assim que Petter chegasse iríamos todos rezar por ela, entregaríamos o corpo às autoridades e faríamos um pequeno enterro. Só de pensar meu coração doía, mas eu teria que aprender a viver com isso e carregaria a culpa para sempre.

— Onde esteve? O que você fez? – berrou Sammy.

— Tomei a única decisão que poderia.

— Seu imbecil não acredito que vendeu a alma, como pensa que ela vai reagir quando souber o que você fez?

— Não Sammy. – havia um bolo em minha garganta. – Vamos entrega-la as autoridades e fazermos um enterro, ela merece. – falei desanimado.

Uma pausa.

— Sinto muito. – ele me abraçou. – Não queria que terminasse assim.

— Eu também não.

— Tem uma coisa, eu liguei para o papai ele está vindo pra cá. Pensei que tivesse feito o pacto e liguei desesperado para ele.

— Ele deve estar vindo furioso.

Fiquei o tempo todo ao lado de Nina, olhando para aquele rosto perfeito, o cabelo que eu amava pela ultima vez. Sammy também estava ao lado dela, a olhava como se suplicasse para que acordasse e dissesse “Estou bem” e não era só ele que desejava isso. Algum tempo Petter chegou, os olhos estavam vermelhos e fundos de tanto que chorou no caminho.

— Porque a deixou ir? Por quê? – falou ele para mim soluçando com a voz tremula.

— Esse não é o momento Petter. – sussurrou Sam.

Tirando os soluços e respirações pesadas, o silencio dentro do quarto era ensurdecedor o único barulho era a chuva caindo lá fora. Alguém bateu na porta, acreditava que fosse meu pai.

— Oi pai pode entrar. – disse Sam.

Ele olhou Petter e eu ajoelhados do lado da cama onde Nina estava, e depois olhou para ela.

— Era uma bela moça. – disse solenemente. – Posso falar com você filho? – andamos até a porta e ele sussurrou. – Diga, por favor, que não fez o pacto.

— Não fiz.

— Não minta para mim, seu irmão disse que...

— Eu não fiz o pacto, realmente cogitei essa ideia e sai disposto a isso, mas Nina não me perdoaria.

— Graças a Deus – suspirou aliviado. – e ele é o irmão dela?

— Não eram só amigos, mas se consideravam irmãos e ele sabe sobre as coisas que caçamos e tudo mais por isso pode falar abertamente.

— Contou a ele?

— Na verdade quem contou foi Nina, ele sabe guardar segredo. Ela era possuída por um demônio maligno Sammy e eu a ajudamos e acabei me envolvendo com ela enfim...

— Nunca te vi assim, sinto muito filho.

— Antes eu estava morto pro dentro, até que ela chegou.

— Você disse isso a ela?

— Não e só Deus sabe o quanto me arrependo, segui com a ideia estúpida de protegê-la, mas em partes ela não precisava de proteção, falei coisas horríveis fui um completo canalha.

— Você, você matou ela a culpa é sua! – berrou Petter vindo pra cima de mim, mas Sammy o segurou.

— Acalme-se rapaz! – ordenou papai. – Ninguém tem culpa não podíamos imaginar que isso iria acontecer. Sammy tire-o daqui.

E assim Sammy fez. Passei as mãos no rosto tentando secar algumas lágrimas.

— Eu acho que eu tenho a solução filho.

— Como assim?

— Quando você me ligou eu realmente não pensei nessa hipótese, mas Sammy me ligou desesperado e foi só assim que o nome dela veio em minha mente, Kate uma amiga que mora aqui perto, ela mexe com magia de todos os tipos talvez ela possa nos ajudar.

— Por favor, pai ligue para ela ou traga ela aqui! – supliquei.

— Tudo bem vou ligar para ela e vamos ver o que vamos fazer.