Tomei banho, vesti vestido e sapatilha. Uma hora depois a campainha tocou, Pet e eu descemos em direção ao Jaguar branco.

— Uau!

— Lindo não é, papai me deu de presente.

— Que mais adorável.

— Pois é, para onde vamos? – perguntou ele.

— Shopping?

— Pode ser, quero mesmo ver a nova coleção da Ralph Lauren.

Seguimos em direção ao shopping ao som de um cd de rock que fiz para ele.

— Você ainda tem esse cd?

— Claro você me deu quando fui embora, desde aquele dia eu o escutava sem parar, fiz inúmeras copias dele era uma maneira de me manter perto de você. – trocamos um olhar.

— Que lindo – disse encostando a cabeça em seu ombro. – todas as noites eu lia aquela cartinha que você fez pra mim com aqueles bonequinhos de palito que você dizia que éramos nós dois. Eu senti muito sua falta.

— Eu também. – completou ele dando um beijo em minha testa.

Deixamos o Jaguar no estacionamento e seguimos em direção as lojas, Pet comprou várias camisas da Ralph Lauren e uma feminina para mim, já eu comprei alguns vestidos e sapatos. Duas horas depois fomos almoçar.

— Que pulseira bonita. – observou ele.

— Obrigada, Dean que me deu, estava a meu lado quando acordei.

— Que romântico. – disse ele colocando a mão no coração, nós rimos. – Você está aqui e não vai comprar nada para ele?

— Bem observado – pensei por um momento – não sei o que da a ele.

— O que ele gosta?

— Já sei! Lembra aquela jaqueta de couro que vimos?

— Hm, aquela jaqueta faz o perfil dele.

— Vai ser aquela mesmo!

A jaqueta era linda uma Triton Rock preta com bolsos por dentro e por fora, um zíper sendo um bolso falso no peito. Como Pet havia dito, fazia muito o perfil dele, era misteriosa e linda. Saímos do shopping cheios de sacolas, mal esperava para ver Dean vestido na jaqueta, tentei ligar para ele algumas vezes, mas ninguém atendeu já estava começando a ficar preocupada ainda não havia tentando o numero de Sam, disquei o numero e apertei o botão para ligar.

— Oi Nina. – atendeu Sam.

— Graças a Deus vocês atenderam o que está acontecendo?

— Desculpe estávamos ocupados e Dean se esqueceu de colocar o celular dele para carregar.

— Já acharam o metamorfo?

— Ainda não, tudo leva a crer que era uma pista falsa a que achei, mas não vamos voltar enquanto não pegarmos esse desgraçado.

— Tudo bem, Dean está por perto?

— Sim. – e passou o celular para ele.

— Anjo. – disse ele. – Desculpa pro não ter dado noticias.

— Vocês me deixaram preocupada, da próxima vez lembre-se de que tem uma pessoa em casa que fica aflita toda vez que vocês saem para caçar.

— Desculpa linda não vai se repetir. E... você gostou do presente?

— Eu amei Dean é lindo.

— Nossa – disse em um tom de alivio – que bom que gostou. Linda vou ter de desligar agora, até depois.

— Até. – e desligou.

— Cara, cadê aquele “eu te amo” meloso e apaixonado onde seus olhos brilham e você fica toda boda? – perguntou Pet.

— Nossa você entende bastante disso, pra falar a verdade, nós nunca falamos “eu te amo” uma para o outro.

— O que? – ele berrou incrédulo. – Porque não?

— Não sei.

Realmente eu não sabia o porquê, já havíamos tido varias chances de falar “eu te amo”, mas nunca falamos era estranho pensar que já estávamos juntos há algum tempo e nunca havíamos falado isso.

— Mais ai mudando de assunto – comecei – eu tenho que contar uma coisa pra você.

— Está gravida? Quer que eu seja o padrinho? Claro que aceito.

— O que? Não claro que não, que ideia. É sobre ontem à noite, eu acho que tenho poderes.

— Poderes? Cara, você é bizarra.

— Eu estou falando serio Pet, uma garota ficou se insinuando para Dean na Sinuca, depois de tirar satisfação com ela, desejei que ela sufocasse e aconteceu depois desejei que ela voltasse ao normal e ela ficou bem. E não me venha dizer que foi coincidência.

— Eu não ia dizer isso, você está contando isso para a pessoal errada tem que falar com Dean ou Sam eles vão poder te ajudar.

— Eu ia contar, mas fiquei muito transtornada ontem e hoje de manha eles saíram muito cedo de casa, mas assim que chegarem eu conto.

Enquanto seguíamos para minha casa, passamos por uma pequena academia onde havia um cartaz que dizia “Venha conferir nossa mais nova arte marcial: Muay-Thai com a Equipe Víboras...”. Pet e eu fizemos algumas aulas de Muay-Thai com éramos crianças com essa equipe, porém foi algo passageiro, decidimos subir para cumprimentar nosso antigo mestre que ainda guardava uma foto de toda a equipe da época e nós dois estávamos nela.

— Olha como você era gordinha. – disse Pet com um jeito brincalhão, olhei fixamente para ele. – É mais agora é outra historia, está linda tem até quadradinhos.

— Há, há, há. – soltei uma gargalhada sem graça.

— Ai Nina, que tal relembrarmos os velhos tempos e treinar só hoje aqui?

— É uma boa ideia, mas não da pra treinar de vestido e nem de calça jeans e temos que saber se nosso mestre vai deixar.

— Será um prazer treina-los novamente, como sabem sempre gostei de vocês dois meus alunos mais aplicados e os que respeitavam os adversários eu tinha e tenho muito orgulho de vocês. Não importam se tem dinheiro se não tiverem caráter, amor ao próximo e acima de tudo respeito.

Nós assentimos e sorrimos, acertamos a aula experimental com a secretaria. Pet me deixou em casa para que eu pudesse pegar meu calção e minhas luvas, era incrível, mas eu ainda as guardava com muita saudade do tempo em que eu me desdobrava em mil para conseguiu fazer o maior numero de artes marciais possíveis, eu não queria provar e nem mostrar nada pra ninguém, mas no tatame lutando, melhorando meus golpes e aperfeiçoando minhas técnicas, eu me sentia livre, me sentia feliz. Infelizmente depois de perder meu pai tive que parar de lutar definitivamente para ficar na casa de minha avó, uma mulher rabugenta e amarga. Quando completei dezesseis anos pude morar sozinha e comecei a me virar arranjando alguns pequenos trabalhos em um período em que não estivesse estudando, embora eu não tivesse tido uma boa estrutura familiar sempre fui boa aluna e tentava ser a melhor pessoa possível.

Pet buzinou e desci as escadas correndo, tranquei a porta e pulei para dentro do carro, já estava escurecendo e varias nuvens de chuva se formavam.

— Você também aguardou seu calção? – perguntei a ele.

— Não só ele como todo meu equipamento está até com cheiro de guardado, mas dá pro gasto.

— Da sim.

Chegando lá, cumprimentamos o mestre e fomos para o aquecimento, primeiro corrida depois abdominais e flexões. O treino foi pesado como sempre, vários chutes e socos no saco de pancada e para encerar o treino Pet e eu nos enfrentamos em uma luvinha, com muitos chutes, joelhadas e socos, por fim tiramos uma foto junto com o mestre para guardar de recordação.

— Enviarei para o e-mail de vocês, não vamos mais perder o contato está bem? – disse o mestre.

— Com certeza mestre.

Fizemos reverencia com as mãos juntas, em forma de respeito e agradecimento pela aula e fomos embora.

— Cara estou morto, vou acordar cheio de dores amanha. – disse Pet enquanto pegava o caminho para minha casa.

— Nossa nem me fale, mas eu sempre gostei de ficar dolorida...

— Masoquista.

— Nem tanto, quer dizer que treinamos bem e que vou perder algumas gramas.

— Hm assumiu que é masoquista, o Dean sabe disse?

— O que está querendo insinuar Petter?

— Nada. – ele riu. – Prontinho já está entregue.

— Até depois. – disse dando um beijo sem seu rosto.

— Até.

Meu apartamento estava escuro a não ser por um abajur aceso na sala, um arrepio tomou conta de meu corpo.

— Dean? – perguntei.

— Olá amor. – disse ele ao meu lado, meu coração disparou.

— Nossa, que susto! Porque está tudo tão escuro?

— Desculpe não era minha intenção, acabei de chegar.

— Hm que bom conseguiram voltar hoje, onde está Sam?

— Foi dar um volta.

Ao acender a luz da cozinha percebi que havia alguma coisa errada no olhar de Dean que sempre era leve e despreocupado, hoje havia um tom negro e suas pupilas estavam dilatadas. De repente as imagens horríveis daquele sonho voltaram como um turbilhão em minha mente, o que me fez fechar os olhos com força.

— O que foi? – perguntou.

— Não é nada só estou um pouco fraca, vou subir para tomar um banho e comer alguma coisa.

Ele me beijou, mas havia algo estranho naquele beijo não tinha emoção ou desejo, não era quente, suas mãos ao me tocarem me provocaram arrepios, estava gelada. “Metamorfo”, aquela palavra ecoou em minha mente se repetindo diversas vezes, interrompi o beijo e subi para o quarto tentando parecer calma.