Terrible Love
24 O acidente - última cena
Notas iniciais
Eu demorei a dormir pensando no beijo que Edward me deu. Não foi exatamente um beijo, foi a expectativa de um beijo. Durante a noite eu me perguntei o que tinha sido exatamente aquilo e como deveríamos seguir daqui por diante. Ele me beijou, isso só me deixou claro que era algo que ele queria e não que eu tinha forçado a ser feito. Não queria Edward por obrigação, pena ou remorso. Eu o queria porque ele era especial e eu sabia bem o quão bom ele poderia ser.
Olhei o relógio e vi que era hora de levantar e ir para o hospital, me arrumei rapidamente, prendi meus cabelos num rabo de cavalo e coloquei um vestido branco que Alice me deu em algum natal. Ele era bonito e delineava meu corpo perfeitamente. A surpresa veio quando eu abri a porta, tinha pétalas de flores rosas e brancas pelo chão, muitas e muitas, faziam um verdadeiro tapete até o final do corredor. Sorrindo e animada eu segui o caminho feito até a sala de jantar. Sue estava acabando de arrumar a mesa quando me viu e sorriu.
– Bom dia minha querida como está hoje?
Olhei para o chão e a mesa farta, com um lindo jogo de porcelana branca e uma toalha rosa que completava todo o conjunto.
– O que seria isso? – eu estava achando divertido e lindo demais.
– Bom, Edward hoje de manhã pediu para fazer isso para a mais nova médica do hospital. E pediu desculpas por não estar aqui quando acordasse e me fez ter certeza que iria comer pelo menos metade. – eu e ela olhamos a mesa. – Bom, metade da metade.
– Me faz companhia?
– Claro querida.
Sue sentou na minha frente e eu olhei a mesa com mais atenção. Estava tudo perfeito e lindo, diversos pães, bolos, sucos, frutas e uma infinidade de geleias coloridas e outros alimentos.
– Ele... se esforçou não?
– Ele acordou bem cedo e fez tudo praticamente sozinho, eu só ajudei em como colocar a mesa.
Isso me surpreendeu e enquanto comia um delicioso pão com geleia de damasco eu fiquei pensando se ele sempre foi assim, claro que deveria, Kate sempre estava radiante nas fotos. Sue se servia de café.
– Pergunte querida, não é bom ficarmos com cosias na cabeça.
– Como...
– Bom, conheço um pouco de tudo e conheço um pouco de você já.
– Ele sempre foi assim?
Sue tomou um pouco de seu café sem ser abalada pela pergunta, era como se esperasse por ela.
– Edward é intenso. Quando odeia, odeia mesmo com tudo que ele tem dentro de si. E quando ama, ama para sempre e se esforça para fazer aquilo dar certo. – mais um pouco de café e ela continuou calmamente. – Se ele sempre foi assim? Querida ele é assim. – disse rindo – Esse é o Edward, intenso, romântico, apaixonado e muito dedicado a tudo que faz. As pessoas acham que o sucesso dele vem de algum dom, mas não, ele só é esforçado e curioso. Nesses últimos dois anos fez alguns cursos de tudo que se possa imaginar, se ele tem alguma dúvida procura alguém para resolver isso.
– Ele foi assim com ela?
– Tome seu café, essa conversa não precisa ser pesada. – eu percebi que estava com a xícara perto da boca, ainda aguardando a primeira resposta.- Sim...
– Ele é assim, entenda. Quando ele ama ele ama e pronto.
– Ele me ama?
– Sabe meu amor, eu sei que nem tudo é um conto de fadas, mas há muito amor. Das duas partes.
O telefone tocou e ela foi atender. Respirei fundo e continue tomando café, aproveitando cada parte do que ele tinha feito para mim. Tudo o que foi feito, foi para mim. Levantei satisfeita e feliz da mesa e fui em direção ao meu quarto pegar algumas coisas para ir para o hospital, George já deveria estar me esperando na frente da casa e quando vi já eram quase onze horas.
– Bom dia.
Olhei para trás e vi Edward de terno. Lindo como sempre. Sorri, ele estava na porta que deixei aberta e corri para ele. Eu não sei porque fiz isso, mas eu queria estar com ele. Nos abraçamos e senti seu cheiro mais uma vez, era disse que eu precisava para continuar meu dia.
– Gostou da surpresa?
– Eu amei! Lindo!
Estávamos pisando nas pétalas naquele momento.
– Precisei sair cedo, um empresário tinha um voo cedo e queria minha presença antes de ir.
– Alguma coisa importante?
– Só conselhos para as próximas fusões que ele está pretendendo fazer.
– Conseguiu ajudar?
– Eu espero que sim. Está indo para o hospital?
– Sim, só vim pegar minha maleta e os documentos.
– Então vamos.
– Vai me levar? – perguntei boba e ele sorriu.
– Vim aqui para isso, George já está lá.
Eu peguei a maleta e coloquei meus documentos dentro com algumas outras coisas que poderia precisar. E assim que fechei a porta Edward pegou a maleta carregando e pegando minha mão com a outra. Andamos de mãos dadas e eu amei isso, simplesmente perfeito.
– Tenham um bom dia!
Sue gritou de algum lugar da casa e rimos. Parecíamos um casal mesmo, fomos conversando sobre música e o clima, estava frio e eu esqueci meu casaco em casa. Edward disse que Sue mandaria alguém levar antes que meu turno acabasse, o que só aconteceria as cinco da manhã. Ele ficou surpreso com essa notícia, mas de qualquer forma entendeu e disse que daria algumas instruções para George. Não deu tempo dele explicar, tinham duas ambulâncias chegando e vi Victória fazendo sinal para mim.
– Preciso ir.
– Tome cuidado por favor. – tinha tanto carinho e preocupação em seus olhos que eu só pude sorrir diante daquilo.
Sorri para ele e saí do carro. Não deu muito tempo para nada, um acidente em uma rodovia e mais um incêndio nos mantiveram ocupados o dia todo. Foi uma agitação atrás da outra e eu gostava disso, eu realmente amava isso. Olhei meu relógio, era apenas uma hora da manhã quando eu estava me sentindo cansada e com sono, Victória estava em cirurgia e eu não poderia assistir aquela ou ajudar porque o diretor me instruiu a ter uma pausa, ele estava fazendo isso com todos que podia liberar e entrou em uma cirurgia para deixar alguns médicos mais descansados em um período de duas horas. Fui até a lanchonete para tomar um café e encontrei Alice sentada conversando com George, paguei meu café e fui sentar com eles estranhando a presença dela ali.
– Alice são... – olhei o relógio antes de responder – Uma e dez da manhã.
George levantou e depois de me cumprimentar saiu para ficar um pouco mais distante.
– Eu estou fazendo residência aqui também, peguei o plantão da noite porque pelo que parece é mais agitado a ala psiquiátrica a noite.
Sorri para ela e abracei pegando ela de surpresa. Ela riu da minha reação.
– Seremos então companheiras?
– Claro, achou que eu iria para longe?
Fechei minha cara.
– Está tão grudada em Jasper que me abandonou.
Ele sorriu e bebeu mais um pouco de café.
– E você e Edward como estão? Não tenho recebido mais ligações desesperadas....
Eu fiz um resumo de tudo que tinha acontecido e ela ouviu comentando alguma coisa em determinados momentos, eu falei do beijo deixando ela eufórica apesar de realmente não ter sido um beijo e das flores. Eu amei as flores.
– Isso é ótimo, estão se entregando sabia disso?
– É estranho como as coisas mudaram, mas estou tão feliz Alie. Não sabe o quanto.
– Eu posso imaginar – ela disse rindo. – Mas quase deu seu primeiro beijo de verdade?
– Sim, quase....
Eu tinha muitas dúvidas para tirar com ela em relação a tudo. Eu sabia que ela e Jasper deveriam estar indo mais fundo, bem mais fundo em comparação a mim e a Edward, mas eu não queria falar disso podendo ser chamada a qualquer momento e então só me restringi a falar de coisas mais superficiais apesar de ter certeza que Alice estava esperando algo a qualquer momento. Ela foi chamada primeiro que eu, um suicídio e um bipolar dando algo trabalho, em seguida Victória precisou de mim no atendimento, alguns casos de cortes, feridas e febre. O tempo passou mais rápido do que eu esperava.
– São cinco horas senhora Cullen.
Sorri ao ouvir a voz de Edward atrás de mim. A menina com quem eu estava conversando na entrada do hospital sorriu ao vê-lo.
– Esse é o senhor Cullen? – ela perguntou divertida.
– Prazer, Edward Cullen, esposo dessa médica brilhante.
Ela sorriu e se apresentou. O dia não tinha nascido ainda.
–Tem mais alguma coisa para fazer Bella?
– Não, deixa só avisar..
– Pode ir querida! Com um marido desses eu não ficaria nem mais um segundo! – ela olhou para Edward – Prazer Victória, estou ajudando e sendo ajudada. Sua esposa é simplesmente uma médica maravilhosa.
Os olhos dele brilharam e ele sorriu.
– Eu sei. Tenho sorte.
– Agora vão e só me apareça aqui depois de oito horas de sono Isabella.
Victória tinha uma ideia irreal do que era ser médica, oito horas de sono é muita coisa para qualquer residente e médico. Eu conseguia sobreviver com apenas metade disso durante meus últimos anos de faculdade. Edward abriu a porta para mim e foi para o seu lado passando correndo pelo volante. Olhei minha maleta atrás do carro e sorri, ele deve ter pedido alguém para buscar minhas coisas na sala de Victória.
– Como foi seu dia? – ele deu partida e vi pelo retrovisor o carro de George.
– Cheio, muitos pacientes, espero que mais tarde esteja melhor.
– Turno da noite de novo?
– Sim, mas depois é folga.
– Isso é perfeito!
– Como foi seu dia?
Ele tinha almoçado com Emmett e depois resolvido algumas coisas em outra cidade, ele estava tentando me explicar o quê quando um carro passou por nós em alta velocidade e acabou batendo em outro que estava mais na frente indo na direção oposta. Eu gritei no susto e depois de alguns meros segundos o carro saiu sem prestar a devida ajuda ao outro carro. Edward parou o carro e eu saí correndo assim que ele fez isso. Eu não pensei em mais nada quando vi o estado do outro carro e quando cheguei perto a cena me deixou ainda mais assustada. Era uma mulher, loira e grávida. Eu senti alguém atrás de mim.
– Kate...
Sim, ela era bem parecida com Kate e seu último estado. Grávida e num acidente de carro. Era como se voltássemos há muitos anos atrás e estivéssemos revivendo um grande e terrível pesadelo.
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