Terrible Love
7 Não há volta
Notas iniciais
As imagens de Edward e sua esposa rodeavam a minha mente, eu via a felicidade deles e fiquei curiosa. Uma curiosidade quase mortal, eu sabia que saber da vida deles era me torturar porque a causa de tanto sofrimento era eu, mas era inevitável. Eu tinha sede por mais. Por isso, quando não trancavam a porta do quarto eu ia até a sala e ficava ali vendo as coisas que Edward guardava, fotos deles mais novos, casando e outras em diferentes lugares. Eles foram para Paris, tinha fotos deles em Londres e outras caseiras. Em todas ele sorria abertamente e sempre estava tocando ela em algum ponto. Edward era um homem carinhoso e apaixonado.
– Não acho que deitar no chão seja o ideal. – a voz da empregada me tirou dos pensamentos. – Vamos tomar um banho, acho que o café precisará ser servido aqui mesmo.
Eu não questionei nada do que ela falava, só que eu tomava café com ele então por que hoje isso seria diferente? Ela fez seu ritual de me esperar enquanto tomava banho e eu fiz o que sempre fazia, tomava o meu banho o mais rápido possível e sem nenhum produto que eu costumava usar. Quando voltei para o quarto eu vi a bandeja no chão, alguém tinha posto aquilo ali e a empregada fez uma cara quando percebeu.
– Já disse que isso é algo errado.
Ela disse e virou as costas. Eu chorei enquanto tomava café e depois que ninguém veio buscar resolvi descer e levar até a cozinha, nos últimos tempos eu queria muito esticar um pouco as pernas. Para não ter atritos eu verifiquei o corredor, depois de esperar algum movimento eu só saí com a bandeja e fui até a cozinha com ela, a empregada que estava me atendendo sempre me olhou. Ela estava sentada e levou um susto ao me ver.
– Não faça mais isso. Nunca mais.
– Eu...
– Eu sei. – ela pegou a bandeja e eu me virei para voltar para o quarto que me sufocava. Pelo menos eu havia conseguido andar um pouco. Voltando eu ouvi uma voz de mulher e fiquei pensando que essa deveria ser a razão de Edward não ter me chamado para o café, quem deveria ser? Ele precisava me esconder não é mesmo? Uma risada mais alta foi ouvida e eu não resisti em me arriscar e tentar ouvir algo.
– Edward não pode ficar nesse castelo a vida toda.
– Irina, não estou preso aqui. – disse firme.
– Eu sei que não, mas precisa sair, ver seu pai e amigos. Isso foi trágico, mas a vida continua, ela nunca iria querer ver você desse jeito.
Eu ouvi a respiração pesada. Falar dela era penoso.
– Eu a amava, ela se foi, preciso de tempo.
– Seu pai disse que... que você está bem... não vejo isso...
– Estou bem Irina, só é recente. Não mande ninguém aqui, não darei permissão para que entre e só recebi você por consideração a minha esposa. Ela a amava muito e sei que tinha coisas delas que você poderia querer.
Nessa hora o silêncio foi profundo. Eu queria entender.
– Eu queria as cartas, ela estava com ela na semana do acidente, seria...
– Ela iria fazer uma surpresa para seu aniversário. – Edward tinha uma voz distante e eu imaginava como era difícil lidar com esses planos frustrados. Ela tinha uma vida e de repente não tinha, planos e sonhos todos no lixo. – Eu separei, mando alguém te dar. Não estou disposto agora, obrigado pela visita...
Ele estava com uma voz profundamente triste e eu subi rapidamente antes que ele me visse. Quando voltei para o quarto eu via que isso era um abismo chamando outros abismos. Fiquei sentada no chão sem me mexer durante um tempo e a noite chegou, não sei como e nem quando, só que ela vinha e eu nem me dava ao trabalho de acender a luz e ver o quarto de bebê em que eu vivia. Não via mais motivo para nada. Então em algum momento eu parei de fazer qualquer outra coisa, se a empregada pedia para mim tomar banho eu tomava, mas não estava realmente ali. Comia automaticamente e o mais rápido para não precisar olhar para Edward ou qualquer outra pessoa. Eu era dor e a dor estava em mim como o ar.
EDWARD
Eu estava cansado de resistir. Eu queria me entregar a vontade de nunca mais sair de casa ou nunca mais ver ninguém. Despedir todos e jogar aquela garota na rua. Eu a odiava. Com todo meu ser eu a odiava.
– Edward.
Olhei para meu pai que estava na porta do escritório.
– Irina me disse que você a expulsou.
– Ela exagerou.
– Ela é irmã de Kate Edward e sempre foi muito amiga, você precisa trata-la bem.
– Não a quero mais aqui.
Meu pai fechou a porta e sentou na cadeira a minha frente.
– Não foi mais a empresa. Estamos todos preocupados.
– Eu voltarei semana que vem.
– Como ela está?
– Isabella?
– Claro!Não a vi por aqui.
– E você acha que vou deixar aquela garota ficar andando pela casa. Nossa casa?
O que me incomodava era entrar no quarto de Anthony e sentir o cheiro dela, mesmo não usando mais nada que um sabonete ela tinha aquele cheiro de morangos que eu não conseguia sentir por muito tempo. Era desprezível.
– Edward quando eu concordei com essa loucura...
– Não preciso da sua aprovação!
– Precisa! Cárcere privado é crime!
– Não a vi gritando. – disse sarcástico.
– Onde ela está?
– No quarto...
– Qual quarto?
– Anthony.
Meu pai ficou horrorizado. Nos seus olhos tinha surpresa e horror.
– Onde ela está dormindo?
– Lá!
Ele respirou antes de continuar com aquela conversa.
– Aquilo não tem cama, não há armário, onde ela coloca as roupas dela?
– NO INFERNO! NO INFERNO!
Meu pai se levantou e ante de sair olhou para mim, nos meus olhos.
– Ela matou sua esposa e você vai mata-la, muito justo Edward. Eu criei um monstro.
E saiu. Não era um monstro, ela era. Era ela que merecia sim ficar naquelas condições. Eu a odiava e a queria fazer sofrer. Eu a chamei para jantar quando deu sete horas, ela se moveu e passou por mim. Olhei para o quarto de meu filho e todas as lembranças invadiram minha mente.
– Ela escolheu cada coisa que está nesse quarto. – Isabella pareceu levar um choque ao me ouvir. Eu nunca falava com ela. – Ela comprou o móbile em Nápoles, um artesão fez ele de acordo com alguma moda do século passado. Irina queria um colorido e cheio de coisas modernas, ela bateu o pé e disse que não, um de prata, que brilhasse ela disse quando Irina falou. — Olhei as fotos dela grávida. Isabella chorava, lágrimas finas. – Quando soube que estava grávida ela ficou duas semanas sem sair de casa, ela tinha medo de perder o bebê. Foi um esforço convencer ela que gravidez não era doença. Kate seria uma ótima mãe, a melhor. Eu tenho certeza que acordaria de noite. – lágrimas estavam descendo em mim também – Não se importaria quantas vezes precisaria trocar de fralda ou sujar suas mãos com alguma brincadeira, ela rolaria na grama quando ele fosse maior, jogaria bola e ensinaria ele a andar de bicicleta. Sabe o que ela era para mim? – perguntei olhando para ela, dentro dos olhos dela. – Ela era a luz e eu estou escuro como a noite. Não sei para onde ir.
Não tinha conseguido ser sincero assim com mais ninguém além dela. Comecei para torturar e acabei sendo verdadeiro demais.
– Ela te amou muito. – disse entre as lágrimas e soluços.
– Sim. Perdi a fome, pode comer sozinha.
E voltei para meu quarto, nosso quarto. O cheiro cítrico dela estava ali ainda e eu agradecia por ninguém entrar ali. A camisola dela ainda estava no chão e os produtos que usava para barriga do lado da cama. A imagem de Isabella me veio a mente eu me repreendi por pensar nela e por perceber que ela estava tão mal quanto eu.
– Não entendo Kate, se ela a matou e é irresponsável como disseram por que ela chora como uma criança? Eu poderia lidar com uma adolescente rebelde, alguém que justificasse meu ódio. Só que ela parece frágil e delicada demais. Eu detesto essa preocupação! Eu não quero me preocupar com ela Kate!
Eu gostava de imaginar que ela me ouvia.
– Eu sinto sua falta. Tanto...
Então mais uma noite eu deitei na cama apertando o travesseiro dela e acordei com o vazio. Nada de reclamações sobre o tempo, alguma mania esquisita ou desejo. O vazio que ela deixou.
– O senhor precisa dar um jeito naquela menina. – Sue estava a dias me repreendendo com o olhar, hoje ela resolveu exteriorizar isso.
– O que ela fez?
– O QUE O SENHOR FEZ! – ela pareceu se recuperar – Ela dorme no chão, não come direito, fica como um zumbi andando pela casa a noite mexendo nas coisas que você deixa de propósito para ela ver e há dias ela parece não estar no corpo. Isso senhor Cullen vai resultar na morte dela e eu não vou ficar aqui para ver isso.
– Com pena? Ela matou Kate! Sua Kate!
– Olha aqui senhor Cullen eu amava Kate como se ela tivesse saído de mim. Vi essa menina se tornar mulher e depois ela ser uma grande esposa. Não vou negar que estou sofrendo, todos estão! TODOS! Incluindo aquela infeliz que pegou o carro num mal dia e matou Kate!
– Resume o que aconteceu num mal dia? MAL DIA?
– Não há bom dia para morte. – ela disse sem se abalar com meus gritos. – Cansei de vigiar ela tomar banho, cansei de ver ela jogada pior que um animal! Eu vou embora e carregue você a culpa pela morte dela.
Quando ela fez menção de sair eu peguei sua mão delicadamente.
– Eu sinto muito... não vá...
– Tire aquela garota dessa casa. Devolva ela para sua família.
– Eu sou o marido dela e não vou devolver ela para lugar nenhum!
– Então adeus!
– Merda Sue! Eu a quero de volta! TODOS OS DIAS! Todos os dias eu a quero de volta.
– Ninguém voltará.

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