Terrible Love
44 Diga sim
Notas iniciais
3 meses depois
– Chegou mais um. – fiz uma careta vendo o buquê de flores a minha frente. O que eu faço com ele? É bonito.Era um lindo buquê de margaridas com um vaso de cristal. O que eu faria com esse? Já mandei quatro para o apartamento de Alice e Jasper, ela disse que não queria mais nenhum sob hipótese alguma, mandei dois para Victória e dois para Rose.
– Ligue para Rose e peça o endereço de Blue Lake, encaminhe para lá por favor.
A empregada sorridente saiu e eu me voltei para o livro que estava lendo. Histologia Avançada. Eu já tinha lido duas vezes, mas ainda queria rever alguns conceitos e detalhar melhor alguns pontos. Os bebês hoje estavam inquietos demais e meus pés um pouco inchados o que significava que eu queria passar minha manhã com eles para cima e muita paz.
– Vamos almoçar fora? – a voz de Edward me fez olhar para sua direção e sorrir.
– Que convite inesperado senhor Cullen. Não deveria estar trabalhando?
Ele se sentou do meu lado e sem eu precisar pedir começou a fazer massagem nos meus pés. Eu sorri aliviada.
– Mas eu estarei trabalhando, é um cliente e eu adoraria apresentar a minha família a ele. Victória me avisou que não estaria no hospital hoje, está se sentindo bem?
– Oh sim, ontem passei da hora e estou com o dia livre, George conversou com o diretor do hospital sobre grávidas e médicas. Você tem alguma coisa haver com isso?
Edward me olhou com a cara mais arteira possível e eu imaginei nosso filho fazendo isso, seriam dois aprontando e sorri. Feliz e satisfeita.
– Você vai?
Nessa hora uma empregada entrou com outro buquê. Mas esse vinha com uma cesta cheia que Sue carregava.
– Bom dia senhor Cullen, apronto a mesa para dois?
– Vamos almoçar fora, me dê aqui, quero ver.
Sue colocou a cesta em sua mão e a empregada esperou minhas ordens.
– Blue Lake senhora? – ela sugeriu divertida.
– Isso! Fale com Rose, são dois!
Ela saiu sorrindo e Edward abriu a cesta com muito interesse. Ele tinha se tornado um fofoqueiro. Tirou vários produtos de bebê cheirando cada um, eu conhecia a linha. Tinha ganhado uma semana passada. Mandaria essa cesta para a filha de uma empregada que estava grávida, satisfeita com minha decisão eu olhei para Edward que pegava um lindo macacão.
– Deixa isso, vou encaminhar para a filha de Mel que está grávida.
– Ganhou uma dessa já?
– Sim, do General Hospital de Nova York.
– E mandou sua resposta. Sim, não.
Edward me olhou feio de repente.
– Você precisa continuar estudando. Não quer mais nenhuma especialização, curso ou algo assim?
Mordi os lábios.
– Tem os gêmeos Edward e estou no hospital, não vou abandonar eles.
– Você não vai abandonar ninguém, não precisa ser depois que eles nascerem. É só.. organizar melhor as coisas.... seis meses depois...
– Mas é quando eles estarão engatinhando...sentando... não quero perder isso.
– Nem eu, mas sabe, um dia eles vão crescer e ficar bem grande como nós e eu não quero que você olhe culpada para trás pensando em tudo que poderia ser feito e não fez.
– Ninho vazio ou algo assim?
– Exato! – Edward disse satisfeito. – Bella, eles precisam que sejamos felizes para os fazer felizes, não estou pedindo para viajar para o exterior e os deixar aqui por um ano. Podemos estudar as alternativas e ver como elas se encaixam em nossas vidas, eu vejo essas cartas, presentes e propostas chegarem e você as coloca na gaveta no momento que as vê. Não analisa ou revê as opções, eu sei que nunca será completa se não fizer mais que ser mãe e esposa, eu sei que isso faz parte de você. É o seu sonho afinal de contas.
Respirei fundo sentindo a agitação deles ao ouvir a voz de Edward. Ele tocou minha barriga e sorriu com a agitação deles.
– Viu? Eles concordam e querem ir junto se puderem.
Eu ri com a animação de Edward e resolvi subir para me arrumar. Estava um sol, mas coloquei um casaco por cima do vestido verde que abrigava bem a minha barriga, um conjunto simples de brinco e cordão de brilhantes completaram o visual. Edward estava ao telefone quando desci e desligou assim que me viu. Eu peguei sua mão e senti as ondas de calor que sentia desde a primeira vez que fizemos isso.
– Vai ser rápido, não quero te cansar.
– Não se preocupe, eu estou bem.
Passei a mão pela minha barriga enquanto ele dirigia tranquilo. O restaurante era elegante e bem localizado, o recepcionista nos apontou uma mesa e agradecemos. Um senhor estava sentado e sorriu quando nos viu, eu imaginei que ele estava acompanhado de sua esposa. Edward me levava quando haveria mulheres, o homem se levantou e então Edward o cumprimentou.
– Senhor Carton essa é a minha esposa Isabella Cullen.
– É um prazer conhecer a famosa senhora Cullen.
– Obrigada.
Eu sorri realmente tímida e então nos sentamos recebendo logo o cardápio.
– Edward me contou que está procurando se especializar em alguma área médica relacionada a acidentes de grande nível?
O olhei deixando o cardápio de lado. Edward parecia entretido com as opções no cardápio.
– Sim, acidentes graves.
– Pretende atender no hospital ou ir nos lugares?
– Os dois, emergência é uma área vasta e pouco explorada. Os médicos hoje querem clínicas e pacientes que venham até eles.
Senhor Carton sorriu amigavelmente.
– Antigamente ser médico era abrir mão de sua vida particular e íntima, muitos deixavam suas esposas dormindo e iam ver seus pacientes em distancias absurdas. – ele suspirou cansado – Hoje os médicos e suas tecnologias acham que tudo se resolve com clique, não há mais nomes, história ou até mesmo comprometimento. O importante é solucionar e não ouvir atentamente.
– Com certeza, se disputa cirurgia como se naquela mesa não houvesse um pai ou uma mãe de família, uma irmã ou até mesmo uma filha. Uma lástima os médicos às vezes pensarem em status e não em atendimento de qualidade.
– Emergência é pressa e confiança senhora Cullen, como se sente vendo a morte ao seu lado?
Eu sorri.
– Não sou Deus, muitas vezes posso ajudar, mas tenho consciência que Ele decide quem vive e quem morre. Já vi hemorragias estancarem com um procedimento que em um outro paciente não obtive o mesmo resultado e ele acabou vindo a óbito. Partos que teriam tudo para dar errado no final irem bem com a medida certa do medicamento e partos normais e tranquilos darem errados. Senhor Carton, médicos precisam aprender que a vida e a morte não são deles.
Edward fez um sinal para garçom e todos nós pedimos. Senhor Carton e eu continuamos nossa conversa com Edward atento a tudo que dizíamos, interagindo um pouco entre uma refeição e outra. Discutimos sobre vacinas, tratamentos alternativos, cirurgias médicas desnecessárias e gastos hospitalares excessivos. Foi um almoço agradável.
– Foi um imenso prazer te conhecer senhora Cullen, inesquecível realmente.
– O senhor é muito gentil, quantas experiências trocamos... muito bom.
– Sinta-se a vontade para fazer parte do nosso programa de especialização a distancia quando quiser, Yale está oficialmente lhe fazendo uma proposta e vejo que tudo que o senhor Cullen falou é mais que verdade.
Minha surpresa não foi disfarçada. Aquele era Michael Lee Carton, diretor do Programa de Ensino a Distancia de Yale. Eles estavam iniciando sua primeira turma e recebendo currículos.
– Vou evitar uma briga de casal desnecessária. – disse divertido. – Conheço Edward há alguns anos e a pouco soube que ele era o marido da famosa Isabella Cullen. Eu pedi para ele arrumar esse almoço, mas ele foi relutante e disse que não queria pressionar sua esposa, mas veja Isabella você é a candidata perfeita. Um ótimo currículo e uma futura mãe, temos seis meses de aulas on-line que podem ser feitas a medida que você pode fazer e provas com datas flexíveis. Um estágio que deve ser feito durante um ano e mais inúmeras facilidades para pessoas que querem estudar, mas não podem. Temos recebidos currículos até do exterior e isso nos tem feito pensar em abrir mais uma turma, estamos felizes com nosso mais novo curso e seria uma honra ter você conosco.
– Isso me deixa... feliz. Que proposta maravilhosa.
Ele sorriu satisfeito.
– Me diga se aceitar, ficarei feliz em ligar para o reitor de Harvard e dizer que roubamos sua aluna brilhante.
Ele riu feliz e se levantou.
– Obrigada pelo momento agradável, foi um prazer e uma honra.
Ele se foi me deixando com Edward.
– Comida maravilhosa não?
O olhei feio.
– Edward Anthony Cullen.
Ele riu e me ajudou a levantar. Na volta eu não pude deixar de pensar na proposta e quando cheguei em casa tratei logo de enviar meu currículo e minhas recomendações assinadas pelo correio, eu sabia que Edward sorria satisfeito atrás de mim e passei o resto da tarde respondendo aos vários cartões que tinha recebido das Universidades agradecendo e negando com muito carinho.
– Telefone senhora Cullen. É a senhorita Alice.
Agradeci e peguei o telefone do escritório.
– Preciso de sua ajuda.
Eu nem disse oi e ela já foi me fazendo sorrir.
– O que aconteceu?
– Eu caso semana que vem.
Gargalhei.
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