Notas iniciais
Oiee Lindas e Lindos!!! Podem comemorar pois eu voltei rapidinho *-* Sei que o ano novo já passou, mas eu particularmente amei essa one, então espero que vocês gostem também! Próximo capítulo temos Casal Bônus! Não esqueçam de votar nos comentários! Boa Leitura!

Talvez fossem os fogos de artifício, ou as luzes da cidade, ou os gritos de viva, ou então a felicidade geral da nação, ou melhor que isso, a taça de champagne espatifada sobre o mármore escuro que cobria o chão do luxuoso hotel; talvez fossem todos esses motivos e muitos outros mais que faziam Uzumaki Naruto se sentir tão solitário na noite de ano novo. Seu autocontrole, não tão existente com os problemas da vida, já havia a muito deixado os aposentos de seu quarto em Paris.

Quem diria que algum dia ele estaria se arrependendo de todas as decisões que o tinham levado ao sucesso e a riqueza dos quais desfrutava agora; quem diria que ele, sim, ele, tão carismático e popular entre as pessoas conhecidas ou desconhecidas, fugiria de uma badalada festa para desejar a si mesmo, sobre uma meia luz artificial e uma garrafa do melhor Moet & Chandon da cidade, um feliz ano novo que tinha apenas de novo o fato de ela ter reaparecido em sua vida.

Ah! Se ele soubesse que ela estaria lá, deslumbrante em um vestido que combinava perfeitamente com a cor de seus olhos verdes, acompanhando um de seus novos sócios, só Deus sabe que ele teria cancelado tudo e dado meia volta em seu jatinho para Nova Iorque. Se ele tivesse sido mais cuidadoso teria reconhecido seu nome na lista de acompanhantes e teria evitado tamanho constrangimento, seguido de raiva, seguida de solidão. Naruto teria fugido se pudesse, e dessa vez, só ele sabe o quanto se odiava por isso; pela covardia, pela vergonha de não ter lutado o suficiente, e ainda estar fugindo com o rabo entre as pernas como um cão miserável.

A melhor parte de toda a humilhação, com certeza, foi a sua primeira etapa, ou seja, ser surpreendido quando Uchiha Sasuke lhe apresentou a mulher mais linda de toda Europa, tanto em sua própria opinião quanto na dele, Haruno Sakura. Não que ele não tivesse conseguido disfarçar, mas cá entre nós meros mortais, quem não engasgaria ao ouvir a costumeira voz tão suave e sincera, soar tão dura e zombeteira. Obviamente, o espanto do loiro não teve nada haver com a mudança, mas sim, com a causa dela, no caso, ele.

O imponente relógio de ouro em seu pulso marcava exatamente vinte três horas e vinte minutos; o que segundo o melhor pensamento que Naruto poderia ter, significava que em breve ele seria capaz de responder às mensagens que receberia e então, dormir um sono profundo que incluía uma boa dose de esquecimento. Dose essa que seria bem vinda, uma vez que suas lembranças se agitavam, tentando romper barreiras que ele até já esquecera onde ficavam.

O inesquecível dessa noite seria a corrente elétrica que percorrera todas as células de seu corpo quando as suas mãos se encontraram com as dela após um bem intencionado convite para dançar. O calor que subiu pela espinha do Uzumaki quando ele revisitou a proximidade que eles eram capazes de ter; as delicadas mãos em sua nuca, esmeraldas contra safiras fazendo o restante do mundo desaparecer, o perfume característico que o envolvia em neblina, cegando o vez ou outra, os lábios que pareciam se tocar mesmo a centímetros de distância, o corpo magro e firme colado ao seu, a prova viva de que eles sempre seriam conectados com uma intensidade que poucos deixariam de notar.

E afinal de contas Sasuke sempre fora perceptivo, não expandira o império da família sem tal qualidade; e encurralando Naruto com perguntas indiscretas, e afirmações que ninguém mais arrancaria dele, o fez louco de raiva. Raiva de toda a sua história, de suas atitudes, de sua fraqueza, de seu amor por Sakura que jamais cessava; raiva dela e de seus lindos cabelos cor de rosa, que emolduravam um rosto perfeito, com olhos brilhantes e sorriso alegre. E tomado por essa raiva, em tal virada de jogo, deixando a ira se infiltrar por de baixo de sua pele, após delicadamente sondá-la com um pedido de desculpas, desejando tê-la em sua vida outra vez ou um mero perdão para poder seguir em frente, ele pedindo com licença a todos, fugindo, como de costume, a avistou novamente, e com todo o ódio que tinha por si mesmo e pela vida que levava sem a Haruno, lhe despejou com um violento aperto no braço “Você não tinha nada melhor pra fazer no ano novo do que aparecer aqui e estragar tudo?!”

Que tipo de homem diz isso à mulher que amou durante uma vida toda?! Que tipo de monstro cobra isso de uma mulher que ele mesmo abandonou?! Só um bem desprezível como ele, que fora incapaz de lutar por ela no momento onde ela mais precisava de alguém para ganhá-la. Como ele como fora capaz de agredi-la daquele jeito?! Como fora capaz de proferir tais palavras contra ela depois de tudo: do amor incondicional, dos sonhos e planos para o futuro, dos momentos de felicidade, dos momentos de dor, quando ele lhe segurou a mão enquanto seu bem mais precioso era levado...

Mais vidro quebrado, dessa vez a garrafa contra a parede, ele não ligava se acabasse chamando atenção na manhã seguinte. O que lhe preocupava era se permitir visitar tais pensamentos; tais lembranças Naruto havia a muito se proibido de reviver; uma noite chuvosa, o vento característico do outono de Nova Iorque, sangue nos lençóis, uma Sakura em agonia, o parto as pressas de um bebê já morto, lágrimas, gritos, dor, medo. Ele segurando a delicada mão entre as suas, chorando as suas mesmas lágrimas, tentando fazê-la viver de novo, fracassando miseravelmente, também, quem alegraria uma mãe que perdeu o seu primeiro filho; um filho não planejado, mas amado e esperado desde que se fez presente até o seu oitavo mês como uma prova irrefutável do amor deles.

Faziam o que exatamente? Cinco? Seis anos? A quem ele pretendia enganar afinal, sabia perfeitamente o tempo transcorrido: sete anos, três meses e dezessete dias; quase um ano a menos do tempo que fazia desde que vira a Haruno pela última vez. Odiava aquelas quarenta e oito horas mais do que qualquer coisa em toda face da Terra; vivera um inferno de dor e raiva nos dias transcorridos entre uma data e outra. Foram os piores meses de sua existência, vendo Sakura definhar aos poucos, desestabilizada, frágil, doente, apática a tudo e a todos; apesar do que acontecera, nada traumatizara Naruto como essas visões, nem seu filho morto por um segundo em seus braços, nem a partida egoísta que escolhera por vontade própria; nada podia apagar a tortura que fora ver a mulher que mais amava desistir de viver.

A teria matado pensou com amargura o loiro; sabia, no fundo de seu coração que ao ir embora fizera a rosada acordar de seu luto, despertar em medo. O Uzumaki sabia também que havia jeitos melhores de fazer tal coisa, mas não se sentia em poder na época de escolher algo bom, só algo que os manteria vivos. Pois teriam morrido sem necessariamente seus corpos pararem de funcionar; mortos vivos em um apartamento silencioso, infeliz e vazio.

Vazio...

Era assim que Naruto se sentia novamente: vazio, perturbado, confuso, infeliz, miserável, medíocre, tão longe de onde gostaria de estar, tão distante dos sonhos que cultivou, e torturantemente tão perto do amor que jamais morreria em seu peito. Eram sentimentos conhecidos, ele notou; era sempre acometido por eles depois das lembranças do que vivera e do que poderia ter vivido. Era um covarde, o famoso Sr. Uzumaki dono das empresas Uzumaki; era exatamente isso, um covarde, nem poderoso ou imponente, nem popular ou audacioso, mas sim, covarde, um fugitivo que preferira salvar-se, viver uma vida sozinho do que morrer ao lado de Sakura. Sempre pensara que a escolheria em qualquer situação; que grande mentira havia pregado nos outros e em si mesmo, não tivera sequer coragem de se despedir com decência; uma carta sobre o travesseiro e os passos mais difíceis e silenciosos que já dera.

Uma lágrima solitária percorreu um caminho lento até se alojar no queixo firme do loiro, amparada pela mesma mão que segurava a última bebida alcoólica do quarto; acabando com a metade restante do líquido dourado da taça, olhos vermelhos encarando o impecável reflexo no vidro, a sanidade que ainda acompanhava Naruto se esvaiu por um segundo. Faria diferente, teve certeza, se tivesse a chance; poderia ter feito diferente antes de arruinar tudo com aquela ira incontrolável que sentia de si próprio; provavelmente uma marca roxa de seus dedos amanheceria com a Haruno. Quanto ódio um homem era capaz de sentir pelas escolhas erradas que fez?! Se perguntou com amargura.

Caminhando em direção a uma das poltronas de couro preto enquanto desfazia o nó da gravata soltando a no pescoço, o Uzumaki ouviu um barulho mínimo na porta dupla de mogno; uma leve batida, fraca e singular, que teria passado despercebida para muitos, mas não para ele que se encontrava afundado no mórbido silêncio de sua mente. Ele duvidava que fosse o serviço de quarto, geralmente o mesmo vinha acompanhado de frases corteses. O mais provável, supôs, era que fosse alguém indelicado o suficiente para ter notado sua ausência e vindo perturba-lo assim mesmo com alguma estupidez.

– Me desculpe por estragar tudo! – a voz melodiosa e conhecida praticamente sussurrou do outro lado fazendo todos os nervos de Naruto congelarem. Ele ficou suspenso no tempo por um momento, paralisado demais para falar qualquer coisa que fosse, o coração pulando dentro do peito.

– Eu sei que você está aí. Não precisa abrir a porta. Sei que não é o que quer. Só escute. Eu sinto muito por ter arruinado a sua noite, sinto mesmo, do fundo do meu coração. Não era o que eu queria, eu juro. – Sakura pareceu suplicar a ultima parte, sentia-se morrer a cada respiração, suas mãos suavam, ela tentava em vão reunir mais coragem e ficar em pé, falhou miseravelmente na segunda tarefa, deixando-se cair com o ouvido escorado na porta.

– Eu não tenho direito algum de estar aqui, sei disso. Não tenho sequer o direto de te odiar pelo que fez comigo como faço às vezes, me desculpe, você fez o que era preciso, seguiu em frente com a sua vida. A culpa é minha de não ter conseguido fazer o mesmo com a minha. – ela continuou em tom verdadeiro enquanto sentia as lágrimas, suas velhas conhecidas, lutarem para sair, as fez voltar, não podia chorar agora ou suas palavras morreriam no silêncio.

O loiro achava que seus ouvidos estavam lhe pregando uma peça, não podia estar ouvindo aquelas coisas saírem da boca da Haruno, simplesmente não podia. Ele se movimentou até a porta, mão na maçaneta, corpo estático aproveitando o contato com o frio pedaço de madeira, achando que finalmente enlouquecera; sim, em algum ponto essa noite ele devia ter enlouquecido. Ela estava ali, tão perto como ele jamais achou que a teria outra vez, se desculpando; se desculpando por incomodá-lo! Se ele achou em algum momento que já tinha conhecido a ironia divina, tinha que admitir, não passava de uma criança sem conhecimento algum do significado da expressão até agora.

–Me perdoe, eu não fiz por mal, não brigue com o Sasuke, eu o usei para estar aqui, sempre soube quem ele era e aonde poderia me levar. Sei que está bravo, sei que me odeia, mas me perdoe, por favor, me perdoe por tudo. – Sakura suplicou outra vez com a voz instável, as batidas de seu coração ecoando em seus ouvidos, uma pontada de dor lhe fazendo suspirar pesadamente.

Naruto sabia que ela estava prestes a chorar, a conhecia o suficiente para dizer, e se odiava por isso; mais lágrimas que ele causara, mais lágrimas que ele não conseguia impedir. Estava sem reação, apenas capaz de ouvir; suas palavras morriam antes mesmo de chegar a boca, ele não podia fazer nada, não conseguia responder aqueles absurdos, não conseguia gritar que ela estava errada, que não deveria se desculpar por nenhuma daquelas coisas. A Haruno viera lhe procurar, o pensamento o acometeu de repente; não importava muito para que, mas ela viera até Paris com Sasuke para vê-lo. Tal fato o deixou momentaneamente eufórico; depois de tantos anos, ela ainda se importava com ele.

– Perdoe-me por dificultar o nosso início, pela chatice, por cobrar coisas de você que eu sequer queria; perdoe-me por ter engravidado quando não tínhamos condições para tal, dois universitários e uma criança nunca fora uma boa ideia; me perdoe por ter perdido o nosso filho, por favor, me perdoe também pela fraqueza, por não ter conseguido trazê-lo a este mundo com vida; me perdoe por abandonar você enquanto sofríamos a mesma dor que dilacerou nossos corações; perdoe-me por deixa-lo partir, eu jamais deveria tê-lo deixado passar por aquela porta, saiba que não há um dia sequer no qual eu não me arrependa disso. – a rosada declarou com uma convicção sofrida, soluços escapando por entre seus lábios, as lágrimas vencendo a como de costume.

O Uzumaki achava que aquele momento não poderia ser pior, mas podia. As palavras de Sakura atravessaram seu peito como punhais, rasgando e dilacerando sua carne, infiltrando-se em sua alma, chegando aos poucos a sua mente inquieta. Então em uma linha sinuosa entre raciocínio e confusão, ele percebeu claro como água que tudo se resumia a culpa. A rosada culpava-se assim como ele por todos os desenganos da vida deles até ali, a diferença era que ela não era culpada nem na metade dos aspectos que mencionara, já ele, era inteiramente responsável por tudo aquilo de que se culpava.

Ter a certeza de que a mulher que ele mais amava, carregava a culpa por acontecimentos sem culpados, vivia em remorso pelas coisas que ele fizera ou deixara de fazer corroeram Naruto como ácido; ele sentia suas entranhas queimarem, e seus olhos arderem; uma dor lancinante gritando dentro dele, não mais ódio ou raiva, não mais ira ou culpa, mas sim dor; sua velha conhecida, arrebatando lhe mais forte do que ele jamais pensou ser possível. Pela primeira vez ele queria morrer, afundar-se no sofá de couro preto a cinco metros de distância e morrer; pois sem dúvida a dor na voz de Sakura, seu desespero exprimido nos pedidos de perdão sem sentido eram suficientemente fortes para que ele desistisse de tudo.

– Mas acima de tudo, perdoe-me pelo egoísmo, por estar aqui depois de todos esses anos para vê-lo mesmo sabendo que você já superou o passado e é feliz sem mim. Eu sinto muito Naruto ter feito as coisas que fiz, tenho sido egoísta perturbando a sua paz, me intrometendo onde não sou bem vinda, não me despreze por isso, mas por tudo o que lhe é mais sagrado, por favor, eu imploro, perdoe-me por ainda te amar como amo, como sei que sempre amei, e como tenho certeza que sempre vou amar. – a Haruno terminou com sofreguidão em um átimo de coragem e loucura, pois não passaria mais nem um dia carregando aquelas palavras consigo. Havia limpado a sua alma, descarregado suas angustias, sabia, na pessoa certa, ainda que ela tenha se tornado uma estranha para Naruto, suas dores só poderiam ser compreendidas por ele. E sem mais forças para nada, exatamente na posição em que estava, no lugar onde estava, ela continuou a chorar; porque aquela era a vida dela, e ela já não se importava mais.

Talvez ambos tenham se assustado com o barulho da porta; o loiro não tinha consciência de seus atos, agia porque tinha que agir, porque seus instintos lhe guiavam, e então deixara o luxuoso quarto escuro para se juntar a Sakura no corredor bem iluminado. A cena era desoladora ele conseguiu definir; a rosada parecia convulsionar de tanto que seus ombros se sacudiam, lado direito escorado ao mogno, mão esquerda tampando parcialmente a região dos olhos, que ele soube encaravam o chão para não ter que vê-lo, cabelo bagunçado e vestido amassado; qualquer um que passasse por ali, diria que alguém morrera, e ao final, ele pensou com amargura irônica, ele havia.

Naruto sabia que chorava também, silenciosa e copiosamente, sentia a cabeça girar e tinha um peso na boca do estômago, estava nervoso; irrompera porta a fora sem nem pensar. Sakura o amava ele pensou em jubilo, ela o amava! Sete anos e todas as bobagens que ele fizera e ela ainda o amava! E pensava que ele era feliz sem ela, com certeza o maior absurdo que já a ouvira falar, porque ela era a sua felicidade, a mulher que ele amava e nada nem ninguém poderia mudar isso. Apesar do desconforto, e da tormenta de sentimentos que o tomavam, ele avançou os poucos trinta centímetros que os separavam, Sakura descobrira os olhos e encarava o chão fixamente sem mais soluços ou movimentos bruscos, só esperando o que viria a seguir. O que veio foram as mãos do Uzumaki fechando-se sobre a lateral de seus ombros, era agora, ela pensou, que ele a jogaria para fora do hotel como merecia e jamais se veriam novamente.

– Nunca mais repita essas porcarias entendeu?! – o loiro vociferou em tom sério sacudindo a mulher em seus braços com firmeza.

Nada. Nenhuma resposta. Sakura continuava com o olhar voltado para o chão.

– Você entendeu?! – ele a sacudiu de novo, queria que a rosada prestasse atenção nele.

– Entendeu?! – mais uma sacudida, um pouco mais brusca que as demais, mas que fez com que as esmeraldas se levantassem para encarar as safiras, uma suplica silenciosa escondida ao fundo, lágrimas e mais lágrimas escorrendo pelo delicado rosto.

– Sakura você entendeu? Eu não quero nunca mais que você repita isso! São mentiras e você sabe! – o Uzumaki pressionou, levantando levemente o corpo magro do chão, rostos a um palmo agora. A Haruno tremeu, metade raiva metade aflição, formulando uma negativa, afinal, ela o amava sim, não era mentira, nunca seria.

– Minato ter morrido não é sua culpa, nem minha, nem de ninguém. Simplesmente não era pra ser, ou Deus não quis que fosse, eu não sei, nunca vou saber por que aquilo aconteceu conosco e com o nosso filho, mas não é nossa culpa, por favor, aceite isso como eu fiz! – ele começou calmo e cheio de pesar com o necessário a se dizer, surpreendendo Sakura, que parecia ter se esquecido do mundo e tinha toda a atenção dedicada a seu rosto. O loiro sentou-se devagar em frente a rosada, ainda segurava seus braços, agora pelos cotovelos.

– Saiba que a covardia foi minha ao ir embora sem dizer adeus não sua por ter me deixado ir. Eu fui porque quis ir, porque era fraco e ingênuo, e porque não podia mais aguentar um segundo sequer vendo você daquele jeito. Foi a maior burrice que já fiz tenha certeza disso! Deixar você é o maior arrependimento da minha vida! – ele confessou com pesar, suas mãos seguravam as da mulher a sua frente, a mulher que ele amava, aquela pela qual ele não se calaria.

– Nem todo sucesso que conquistei ou todo dinheiro que tenho puderam substituir você. Eu não sou feliz faz muito tempo; sou satisfeito ou contente, mas feliz? Não, eu não sou feliz. Sou incompleto, porque me faltam as suas cobranças irritantes, e os seus cascudos repreensivos; me falta lembrar com um sorriso que você costumava ser só minha amiga e que me achava um idiota.

– Não se desculpe por Sasuke, por favor, ou parecerá que você se importa realmente com ele; e isso eu não posso aceitar. Você deve se importar só comigo e só amar a mim, porque sim e porque sou ciumento e porque sou egoísta. Todos somos egoístas, eu talvez mais que os outros. Me desculpe por essa noite e por todas as outras coisas! Me perdoe se você puder, se você quiser. – Naruto implorou com sofreguidão apertando as delicadas mãos entre as suas como em uma oração.

– Mas acima de tudo, perdoe me por ter sorrido com gosto ao ouvir você dizer entre soluços que ainda me ama, perdoe me, perdoe me, eu imploro Sakura, porque eu também te amo!

Foi em um piscar de olhos, na verdade, em um fechar de olhos; pois a próxima cena fora rápida e de repente. A rosada avançou sobre os lábios de Naruto, mãos tremulas segurando sua nuca, puxando lhe os fios dourados, uma dança antiga mas ainda sincronizada envolvendo suas línguas. Não havia proximidade suficiente, ele a agarrou pela cintura, espremendo seu tórax contra os seios medianos, suas mãos passeando pelas costas nuas que o vestido favorecia; ambos deitando-se no chão, ela sobre ele, pernas entrelaçadas no mármore frio, corações juntos, batendo ritmicamente como um só.

O mundo devia ter parado naquele momento, mas ninguém ali, era certo, queria descer; era bom sentir a tontura que a falta de ar os proporcionava, respirar não era importante agora, esperaram tempo demais para trocar aqueles beijos, separar-se para recuperar o fôlego não era uma opção viável. Sakura sentia o interior de sua cabeça ser feito de algodão, e só Deus sabe o quanto agradeceu por não estar em pé, pois suas pernas pareciam gelatina. Todo e qualquer que fosse o contato da pele do loiro com a dela, deixava lhe um rastro de fogo que seria difícil de apagar, e para ser sincera, ela nem sabia se era isso mesmo que queria.

Era um encontro de almas; almas feitas uma para a outra; almas que se amavam incondicionalmente, que criaram vida, que sofreram a mesma dor separadas; almas que talvez, só talvez, fossem capazes de permanecer juntas até depois da morte. A urgência daquele reencontro, o prazer e a alegria de tais almas fizeram fogos de artifício estourarem múltiplas cores no céu brilhante de Paris, os sinos das igrejas badalavam a epopeia do amor, as pessoas gritavam “viva” do lado de fora, saltitando pelo meio da rua, celebrando o destino ou o que quer que fosse.

Era o começo de um novo ano, de uma nova vida, o recomeço de um ciclo de trezentos e sessenta e cinco dias, era uma nova promessa de muitas outras promessas, de alegria e paz e prosperidade, era um ressonante momento mágico, onde o alinhamento dos planetas pouco importava, era gratidão e pedidos, lágrimas e sorrisos, era época de deixar tudo o que passou para trás, e de ter esperança de que coisas maravilhosas estavam por vir para ficar; e isso era exatamente o que Naruto e Sakura precisavam.

– Você não estragou nada vindo até aqui! – o loiro praticamente arfou nos lábios dela, fazendo a Haruno rir; uma risada baixa, alegre e luxuriosa, olhos brilhando, uma sensação esplendorosa preenchendo cada canto de seu ser.

– Feliz ano novo Naruto! – Sakura concluiu beijando o de assalto novamente.

Ah! Talvez, só talvez, ele estivesse errado, — deu graças a Deus por não ter voltado para Nova Iorque, por ser idiota e ter se isolado no quarto, por ela ser capaz de perdoá-lo e ele a si mesmo – mas se algum dia ele, sim, ele, Uzumaki Naruto achou que sabia o que era felicidade, ah, ele com certeza sabia, e esta era estar envolto nos braços carinhosos do amor de sua vida, Haruno Sakura.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado! Não esqueçam de deixar reviews, sei que ainda estou de castigo pelo sumiço, mas gostaria de ter um Casal Bônus sobre o qual escrever na próxima one! Então, comentem e votem! xoxo