Terras Gélidas: Conto de um Sobrevivente
4 Revelação
A distância entre nos era de quase 5 metros, mas mesmo assim consegui olhar atentamente para o rosto daquela pessoa. E foi nesse instante que percebi que era um homem, levantei um pouco a cabeça para olhar seu rosto e seu corpo.
Lentamente fui notando sua aparência, a pele branca em seu rosto era lisa, ele tinha um curto cabelo loiro que estava jogado para trás, os seus olhos castanhos eram escuros. O rapaz devia ter aproximadamente 20 anos, sua altura era por volta de 1,70. Seu corpo não era muitos músculos, notei por conta da camiseta branca de manga curta, que deixava seus braços de fora. A calça que estava vestindo era diferente da minha, parecia ser mais leve como a de um pijama, não conseguia ver se havia bolsos nela, ela era cinza. Ele calçava um par de botas preta que era parecido com o que eu estava quase segurando.
Voltei a olhar para o rosto dele, nos olhamos fixamente por breves segundos. A expressão em seu rosto era de surpresa, mas, ao mesmo tempo, de felicidade, sua respiração estava tão leve que mesmo com o silêncio daquele lugar, quase não se ouvia. Inesperadamente ele começou a caminhar em minha direção, seus passos eram leves, e a cada passa meu coração se acelerava. Quando havia menos de meio metro de distância entre nos, ele parou de andar e se agachou encostando os joelhos no chão. Em menos de 2 segundos após agachar, ele se jogou em minha direção, não me deixando nem ter tempo para reagir. Para minha surpresa, ele me abraçou bem forte enquanto colocava seus braços entre os meus.
Enquanto me abraçava, ele disse com sua voz vibrante:
— Pai.
A palavra Pai ressoou em meus ouvidos, eu queria responde algo a ele naquele momento, mas isso deixou a minha cabeça ainda mais confusa.
— Pai?
Perguntei, reagindo à sua afirmação.
Ele deixou de me abraçar e foi um pouco para trás com o corpo. Ele continuou olhando fixamente para mim.
— Sim, você mesmo.
— Mas… Como? Eu nem sei quem você é.
— Você ainda deve estar confuso, venha, levante-se.
— Mas, espere, qual é o seu nome?
Perguntei ao rapaz.
— Pode me chamar de Luci por enquanto.
Disse o rapaz com um sorriso no rosto
— Está bem.
Respondi a ele, e pensei em qual de fato era seu nome, pois achei que Luci era apenas um apelido. Decidi acreditar nele, pois só havia por enquanto nos dois naquele lugar, se ele quisesse ter feito algo contra mim ele já teria feito. Ele era a única pessoa que poderia me dar as respostas que tanto procurava naquele momento.
Alguns segundos depois, Luci já havia se levantado rapidamente. Quando comecei a me levantar meu corpo ficou fraco, comecei a sentir uma estranha tontura, apoiei rapidamente a mão direita no chão para eu não cair. Minha cabeça ficou pesada, estava começando a ficar difícil de pensar. Luci estendeu sua mão direita com a palma para cima em minha direção, notei que em sua mão ele usava aquela pulseira que eu havia visto anteriormente. Em cima de sua mão havia uma embalagem transparente com um tipo de barrinha de cereal dentro.
— Coma, você não deve ter comido nada até agora certo.
Disse ele.
— Obrigado.
Respondi agradecendo enquanto esticava meu braço esquerdo para pegar aquela barrinha, rapidamente peguei a barrinha sua mão para abri-la. Já aberta, dei uma pequena mordida. O sabor de frutas secas misturado com nozes preenchia a minha boca. O leve toque de canela e sua base feita de chocolate dava um sabor levemente amargo, mas que não perdia o doce gracas as frutas secas, a cada mordida o gosto da canela preenchia ainda mais o interior da minha boca. Após poucos segundos eu já havia comido ela inteira e nem havia percebido.
— Você tem mais?
Perguntei para Luci e enquanto levantava minha cabeça para olhar em direção a dele.
— Só havia essa comigo, mas logo você vai comer algo decente. Vamos, já conseguir se levantar?
— Vou tentar.
Respondi um pouco melhor do mal-estar que eu estava antes.
Luci esticou novamente a mão em minha direção, mas dessa vez vazia. Com eu ainda olhando para seu rosto, ele apenas deu um sorriso, com isso eu tinha certeza que sua mão estava ali para me ajudar a levantar.
Coloquei minha mão esquerda em cima da sua palma formando um tipo de gancho com os dedos. Eu lentamente consegui me levantar com a ajuda de Luci. Já em pé soltamos as nossas mãos, ele as colocou ambas as mãos no bolso da calça que antes não era possível ver.
— Siga-me.
Ele disse com um sorriso. Fiquei em silêncio e apenas comecei a segui-lo. A porta já estava aberta, então apenas a atravessamos. Enquanto passávamos uma luz do outro lado da porta batia em meu rosto, fechei os olhos e rapidamente os abri. Já estávamos do outro lado da porta e Luci parou por alguns segundo, nesses segundos consegui olhar o ambiente ao meu redor. A porta dava para um longo corredor, ele estava vazio, não havia nenhuma pessoa nele. O corredor era tao longo que com só era possível ver seu final devido a uma bifurcação que havia em ambos os lados. No corredor também havias várias portas, do lado das portas havia um tipo de placa de ferro, pensei ser algum tipo de sensor para abrir as portas. Nas paredes a palavra P.A.Z era escrita várias vezes entre uma porta e outra, a palavra paz era escrita em branco, mas devido à passagem de tempo algumas letras estavam ilegíveis, as paredes parecia ser feitas de concreto e sua cor era cinza. Havia também muitas rachaduras em sua superfície, algumas eram bem fundas, mostrando que houve uma grande passagem de tempo no local, devido a isso um odor de umidade estava no ar. Olhei para o chão, ele também parecia ser feito de concreto, as rachaduras que vi anteriormente nas paredes também estavam presentes no chão. Luci começou a andar para o lado direito do corredor, em silêncio eu o segui. O local estava tão silencioso que era possível ouvir apenas nossos passos, o ambiente ficava mais frio cada vez que ficávamos mais longe do quarto onde estávamos. Continuamos andando por mais alguns minutos e nos deparamos com a bifurcação. Ele sem hesitar foi para o lado esquerdo da bifurcação, eu parei para observar o que havia no outro lado, mas uma porta de ferro a poucos metros da minha frente bloqueava completamente minha visão. Sem saber o que havia do outro lado, voltei a olhar para o caminho que Luci virou, ele notou que eu havia parado para olhar o outro lado. Sem eu perceber, ele estava parado e com a cabeça virada de lado olhando para mim. Assim que virei para o lado em que ele estava, ele voltou a andar e voltei a segui-lo.
Enquanto andávamos, notei que esse corredor estava praticamente igual ao anterior, a única diferença visível era a distância entre as porta. No anterior a distância entre cada porta era por volta de 10 metros, nesse outro a distância era por volta de 5 metros. As rachaduras nas paredes também estavam presentes, a palavra P.A.Z nas paredes também estava escrito de branco.
Continuamos andando por pouco menos de 2 minuto, Luci parou em frente a uma das portas, esticou a mão direta em direção à placa de ferro e a porta se abriu.
— Entre. Contarei o que aconteceu com você.
Disse Luci com um tom serio.
Eu segui em frente e comecei a entrar na sala.
Fale com o autor