Terrara: Guerra Familial

8 Capítulo 7 - A Verdadeira Magia Negra


Notas iniciais
Bem, gente!Aqui está mais um capítulo de Terrara!Bem... agora sim, começa a verdadeira guerra, a verdadeira ação!Espero realmente que gostem! Pois me esforcei!E nesta nota quero agradecer especial ao TYRAS, por estar me ajudando, me apoiando e me incentivando a escrever Terrara. Ele que betou esse capítulo, ou seja foi o primeiro a ler!Mas por curiosidade, quem será o primeiro a mandar review? O.oBOA LEITURA, PESSOAL!XD

A cidade de Krisalia estava a alguns metros dos dois magos negros, ainda era cerca de dez horas da manhã, contudo, a penumbra das nuvens negras ao céu dava a sensação de noite, uma noite sóbria. Marcada pelo sorriso malicioso de Mordekai que se dirigia a Emanuel Okamoto com grande desdém, afinal aonde já se viu um príncipe se tornar mago? Afinal ele devia é estar no seu mundinho real, gastando seu ouro, se fartando de bebidas e mulheres, mas não. Estava bem ali na sua frente agora e era famoso, tinha status de arquimago e aceitara o desafio de Mordekai sem mais nem menos, realmente era...

– Um tolo. – disse Mordekai. – És um tolo em me enfrentar, Príncipe Ichiro.

– Humf! Eu acho que você devia se sentir honrado em me enfrentar, afinal estou perdendo meu tempo com você. – retrucou Emanuel.

Todavia Mordekai se pôs a gargalhar.

– Ora, ora, vejo que você mantém sua soberba real! Mas me diga, ó grande príncipe, se eu não sou digno de lhe enfrentar, porque aceitou meu humilde desafio?!

– Fiz uma promessa a certa pessoa.

– Suponho que seja a uma mulher, é claro. – Mordekai riu. – Pobre coitado, irá morrer por sentimentos de uma moça qualquer. Aceite meus pêsames.

– Faça de suas palavras, as minhas.

– Hã?!

Emanuel corria em direção ao outro mago enquanto murmurava “SAVERT!”. Uma esfera de coloração lilás se formou na mão do Okamoto e este a lançou contra seu inimigo. Mordekai conseguirá proteger seu rosto, porém a esfera explodiu bem a sua frente, liberando uma tênue nuvem de fumaça que embaçava sua visão.

O príncipe sem demora bateu sua mão no chão, bem em frente ao outro mago e conjurou:

GRITO DA MORTE!

Algo emergiu da terra, um pequeno tufo que Emanuel puxou com toda sua força. Levantando um cadáver já em decomposição até a parte do tronco e completamente enfaixado a não ser pela boca. A qual estava toda aberta e de repente começou a gritar. O cadáver se remexia todo dentre das faixas, o príncipe o segurava com força, mas o odor que o mesmo exalava era insuportável.

O grito daquele defunto se tornava cada vez mais estridente, tão agudo que parecia cortar os tímpanos. Entretanto Mordekai apenas ria, agora cinicamente, como se não estivesse acreditando na cena que via.

Emanuel apenas franziu seu cenho e soltou o cadáver que logo em seguida sucumbiu de volta a terra, findando o grito mortal.

– Príncipe Ichiro... – o sacerdote de Kisara olhava nos olhos do outro. – Acha realmente, ou pelo menos acreditava de fato, que magias de morte instantânea iriam funcionar comigo?

O Okamoto permaneceu calado.

– NÃO ME FAÇA RIR! SAVERT AIOR!

Mordekai berrou furioso. Suas vestes balançavam e amarrotavam com a força dos ventos que emergia de seus pés. O chão sobre seus calcanhares ganhara uma coloração roxa misturada com o preto da noite e esse adquiriu um incessante brilho que logo deu lugar a seis tentáculos duas vezes maiores do que qualquer humano. Aqueles tentáculos obscuros expeliam um líquido pegajoso e sinistro que tinha o cheiro de peixe morto. O sacerdote de Kisara fez um rápido gesto com a mão e aqueles grossos músculos marinhos envolveram o Príncipe Ichiro em um piscar de olhos, apertando seu corpo e o sufocando naquela gosma fedorenta.

O Okamoto se contorcia desesperadamente, procurando respirar para sobreviver aquele ataque, mas estava difícil. Os tentáculos pareciam o engolir por inteiro, todavia seus braços ainda estavam livres, então teve uma ideia.

Esticou completamente seu antebraço esquerdo e em seguida o arranhou com sua outra mão, o arranhou com força, fazendo suas unhas arrancarem sua pele, deixando o antebraço em carne viva. E logicamente, sangrando.

Em busca de uma fuga desesperada e apostando tudo naquele plano, Emanuel balançou seu antebraço, fazendo sangue despejar sobre o chão. No momento seguinte, já com suas ultimas forças, esticou seu pescoço o máximo que pode, se livrando de um dos tentáculos que cobria sua boca e conjurou:

INVOCAÇÃO PROBIDA! ZAFÊNIX!

O sangue real sobre chão brilhou, apenas emitiu um rápido feixe de luz, pois no momento seguinte foi incinerado como se acabassem de jogar álcool em cima dele. O fogo era azulado com uma tendência para o lilás escuro, apesar disso brilhava e emitia calor como qualquer outro. Começou a flamejar sobre os grossos tentáculos, fazendo aumentar ainda mais a área do fogo.

Mas um ruído irrompeu toda aquela adrenalina e as chamas tomaram um tamanho colossal, do chão se levantou uma gigantesca ave dilacerando aqueles minúsculos tentáculos perante ela. Tal ser voador tinha suas asas cobertas pelas chamas que Emanuel invocara e a envergadura dessas era do tamanho de dez homens.

Aquela fênix das trevas chiava ferozmente.

Emanuel recobrira total controle do seu corpo e se afastara do sacerdote de Kisara, apenas o encarando, respirando já um pouco ofegante.

– Uma invocação proibida, não? – Mordekai riu. – Sacrificando seu próprio sangue, Príncipe Ichiro? Já está nesse estágio?! – o mago mais velho gargalhava.

– Você só me pegou despreparado por um momento. – retrucou Emanuel.

– Pura desculpa!

O príncipe rasgou um pedaço de sua roupa e enrolou no seu braço machucado, o apertando bem. Enquanto isso, Mordekai se pronunciou, sempre a olhar a fênix para não sofrer qualquer ataque surpresa:

– Príncipe Ichiro, por pura curiosidade de minha pessoa. Eu lhe pergunto... És de um reino que adora e glorifica Palacium, portanto é de se imaginar que despreze a magia negra. Contudo eu venho percebendo nesses poucos minutos do nosso encontro, que você não apenas usa a magia negra como forma de batalhar, mas acredita fielmente nela! Estando disposto a dar seu sangue para uma magia de invocação.

– Magia negra não é tão ruim quanto parece.

Mordekai olhou para o príncipe como se fosse esfaqueá-lo.

– “Não é tão ruim quanto parece”? A magia negra existe desde os primórdios, a magia criada e revolucionada por Kisara! A magia que devia glorificar somente a ela! A magia das trevas, a magia do mal!

– Não importa o quão má a magia negra pode ser, o que importa é os motivos pelo qual você a usa. E eu a uso para proteger minha família, a minha honra!

Mordekai ficou totalmente sério de novo. Não podia acreditar nas palavras daquele moleque. Usar magia negra para o bem? Que ultraje! Estaria estragando toda a reputação da magia negra, toda a reputação de Kisara, toda a reputação pelo qual Mordekai lutou a vida inteira. Magia negra era para mal, devia ser. Mas as palavras daquele príncipe feriram o orgulho do sacerdote de Kisara.

Agora realmente ele estava furioso, o sorriso que há pouco tempo estava nos seus lábios havia sido completamente aniquilado. Mordekai estava furioso, isso era certeza, ele cerrava seu punho com força e bufou uma vez, antes de sacar uma pequena adaga de sua cintura. Deslizou-a pelo seu antebraço, abrindo um longo corte que jorrou sangue sobre seus pés.

No momento seguinte ele guardou a adaga e magicamente o sangue começou a se mover sobre a grama, até formar um grande círculo. Mordekai nem ligou para seu ferimento apenas elevou sua mão ao nível da sua cabeça e disse:

– Eu vou lhe mostrar o que é magia negra, moleque. – e em seguida berrou: – INOVOCAÇÃO PROIBIDA! DÊMONIO BELFAGOR!

O círculo de sangue emanou uma poderosa luz azul-marinho, tão forte que quase não podia se ver Mordekai. Mas a cena a seguir era arrepiante.

Um ser enorme começou a se levantar atrás do sacerdote de Kisara, seu corpo era imenso e muito musculoso, tinha a aparência humanoide, todavia dois chifres pontudos cresciam da sua cabeça. Sua pele era arroxeada e parecia escamosa. Seus olhos eram completamente brancos, demonstrando que não pensava por si só, estava totalmente sobe o controle de Mordekai. E não era tudo, em suas mãos carregava uma colossal clava de puro ferro. O demônio gigante chamado Belfagor estava ali, em carne e osso, trajando apenas um tipo de calça castanha que cobria apenas da sua cintura até os joelhos.

O Príncipe Emanuel arregalou os olhos de início, nunca tinha visto alguém invocar aquele ser. Ele exigia muito sangue e ninguém que o mesmo conhecia tinha tentado o invocar por medo da morte. Mas ele estava ali, bem a sua frente, não era hora de fraquejar agora. Se morresse ali, com certeza Mordekai iria atrás de Athos e mataria muitas pessoas inocentes se aquele demônio entrasse junto com ele na cidade. Ele tinha que derrotá-lo.

– Vai, Zafênix! – gritou Emanuel.

– Esmague esse passarinho, Belfagor!

Na cidade de Krisalia a guerra estava em sue ápice. Quando o exército da Aliança Familial adentrou a cidade, os samurais do Reino Obi ateavam fogo nos tetos das casas e em barracas comercias. Os habitantes indefesos como mulheres e crianças corriam desesperados, enquanto os homens tentavam atrasar os samurais com alguns utensílios domésticos afiados. Porém logicamente isso não era o suficiente para detê-los e nessa hora Athos gritou para que seus guerreiros protegessem os habitantes e avançassem sobre a cidade e sobre os samurais inimigos.

O Prescinato correu para uma casa que um samurai estava preste a jogar uma tocha flamejante e o interceptou com um rápido corte em seu tronco. Em seguida Athos começara a gritar para que os seus soldados se espalhassem por toda cidade.

A batalha já estava se tornando intensa e cada vez mais perigosa enquanto Athos enfrentava cerca de três samurais Obi ao mesmo tempo.

Um grito feminino rompeu a batalha, Athos levou sua atenção para uma mulher desesperada ali na rua. Ela gritava pelo seu filho que estava dentro de uma casa em chamas, seu marido tinha tentado correr pra dentro da moradia, entretanto um samurai o matou sem piedade. O que só fez a mulher berrar ainda mais.

Athos derrotara um dos samurais que enfrentava cortando sua garganta e depois deixou os demais para seus soldados, enquanto corria desesperado em direção a mulher.

Aquela pobre mãe já chorava enquanto via seu filho na janela do segundo andar de sua casa em chamas, ele estava com medo de pular. O garotinho soluçava pela mãe e de repente a casa tremeu, a base estava cedendo por causa das chamas, Athos não conseguiria chegar a tempo mesmo que fosse com toda sua velocidade.

Então o Prescinato olhou para sua katana envolta da bainha preta que liberava uma aura sombria. O garoto se auto-repreendeu ao ter pensado em usar aquela espada, todavia segurou na sua bainha e murmurou:

– Sinto muito, Danielle... – o jovem Prescinato continua correndo, mas agora com o olhar determinado para a garotinha na casa disse: – Você está aí?

– Ainda pergunta? – uma voz sinistra que apenas Athos conseguia ouvir se manifestou e soltou várias risadas em seguida.

– Eu preciso do seu poder...

– Você sabe as palavras mágicas! – a voz agora tinha um tom mais animado e ria tão sinistramente que chegava a dar medo.

Athos hesitou por alguns segundos, mas então sacou a espada com toda determinação, gritando:

– FLAMA MINH’ALMA!

A bainha negra de Athos começara a expelira chamas negras com grande ferocidade, as chamas se manifestaram tão rápido que envolveram o Prescinato em questão de segundos. O rapaz soltou um grito, mas logo sua boca juntamente com todo seu corpo foi devorada pelas chamas. Em um piscar de olhos aquele amontoado de labaredas obscuras deu um salto em direção ao céu.

Aquelas chamas agora pareciam um ser vivente, elas caíram novamente na terra e correram em disparada para salvar o garoto. A mãe da criança ficou atônita com aquela cena, todavia aquelas chamas eram tão rápidas que só se viu um vulto passando através da criança na janela.

No segundo seguinte a casa desabou por completo, se estraçalhando em milhares de pedaços de madeira e pedra.

As chamas negras agora residiam no chão e começavam a desaparecer, a criança que estava nos braços de Athos correu para sua mãe feliz da vida. O Prescinato soltou um longo suspiro e abriu um sorriso de uma orelha a outra.

Athos estava fisicamente mudado. Seus cabelos haviam passado da cor cinza para o preto absoluto. Seus olhos também cinzas agora pareciam dois rubis brilhantes, tão vermelhos como o sangue. Athos – ou seja lá quem era aquele – esticava seus braços, sua coluna e suas pernas. Ele se mantinha um tanto que curvado empunhando aquela katana, como se fosse uma serpente pronta para dar o bote.

– Faz tempo que não saio e vim parar logo em uma guerra, não? Que sorte a minha! – o “novo” Athos agora era dono da voz sinistra de antes. – Mas ninguém merece esse corpo humano, essa coisa limitada. Mas fazer o quê? Já sei... Matar! – ele começou a rir sozinho e dava gargalhadas gostosas sem mais nem menos.

A cabeça do rapaz começou a tremer e a balançar de um lado pro outro, mas ele deu um soco em si próprio e depois disse:

– Agora não, Athos! Me deixou sair, vai me deixar brincar um pouco também! – e ele soltou mais uma risada super aguda.

Um destemido samurai Obi vendo aquele rapaz rindo em pleno campo de batalha correu em direção a ele, preste a desferi-lo um golpe certeiro. Todavia o moreno espadachim defendera rapidamente e logo em seguida os dois começaram a digladiar em uma velocidade surreal. Enquanto o samurai usava as duas mãos para segurar sua espada, “Athos” não tinha esforço algum em usar apenas uma mão. Na verdade ele parecia só estar brincando com o aquele pobre samurai, pois no momento seguinte acertou a espada do seu oponente com tanta força que essa voou pelos ares.

O moreno sorriu de canto e chutou o samurai Obi bem na barriga. Tamanha fora a força que aquele voou em direção a uma carroça de feno como se fosse uma pedra em meio ao caminho daquele espadachim. E como se não fosse o bastante tal ataque, o novo Athos ainda espalmou sua mão direita, conjurando:

OGOF AIOR!

Uma esfera flamejante se formou em meio a sua mão e num súbito lançamento, arremessou-a contra a carroça de feno que em questão de segundos fora consumida completamente pelo fogo. Só se ouvia os urros de dor daquele samurai que queimava em meio ao fogo.

– Então... Quem é o próximo?! – os risos se tornavam cada vez mais medonhos.

Em busca de vingança uma enxurrada de samurais veio atrás do Prescinato, este ia de encontro a eles sem medo. Pulava sobre suas cabeças e as chutava sem piedade. Ainda em pleno ar, logo depois dos chutes, fazia questão de decepar a cabeça de um soldado Obi e em seguida chuta-la contra um samurai ante de cair no chão. Aonde neste já residiam todos os corpos falecidos da breve enxurrada de samurais.

Os soldados tanto do Reino Obi quanto da Aliança Familial ali ficaram estáticos, aquele Athos agia como um verdadeiro maníaco. Sentia prazer em matar, estava evidente. Mas uma coisa era certa, aquele não era Athos Prescinato, é lógico que não.

– Quem és tu? – questionou um soldado do Reino Obi.

– Quem sou eu? Ora, ora, sou o que todos temem! Sou quem todos um dia têm certeza que irão encontrar! Sou a coisa mais enigmática para todo ser vivo! Sou a coisa que um dia chegará até você sem que você sequer perceba, até mesmo quando você menos esperar! Alguns me chamam de a personificação do mal, mas acho um título muito forte para mim, apesar de interessante. – o ser no corpo de Athos riu. –Enfim, caro mortal... Sou o anjo da morte! Etrom é meu nome!

Etrom correu para cima do samurai, enfiando a katana em seu peito, atravessando sua costa, agora encharcada em sangue. E findou dizendo ao seu ouvido:

– Considere-se feliz por eu ter lhe matado pessoalmente.

Etrom tirou sua espada de dentro daquele homem e voltou a fitar o campo de batalha. Ele era o centro das atenções de todos os olhos ali, sua espada estava banhada em sague que respingava ao chão.

Alguns soldados Obi ao longe começavam a empurrar uma catapulta, era uma catapulta improvisada feita pelos próprios aldeões de Krisalia que foram escravizados. Etrom ficou vendo aquela cena todo risonho. Eles estariam pensando em matá-lo com uma catapulta? Até que eles não eram tão burros quanto Etrom imaginava... Eram completamente idiotas. Onde já se viu, matar um demônio como ele? O mesmo se autodenominava demônio, pois era incrivelmente forte, sua velocidade era sobrenatural e já que as pessoas não lhe viam como santo, haveriam de vê-lo como demônio e nisso, Etrom não tinha qualquer objeção. Ele só queria mesmo era se “divertir”.

Os aldeões escravizados armavam a catapulta com uma pedra gigante, banhada em óleo, o qual logo foi acesso por um soldado Obi que carregava uma tocha.

Etrom permanecia imóvel, parecia querer que eles o acertassem e assim fora.

A catapulta fora lançada. Uma enorme pedra envolta em labaredas vinha em direção a Etrom, este começava a rir histericamente agora. Não entendia como humanos podiam ter uma razão limitada. O moreno chutou a pedra antes que o acertasse, esta se estilhaçou em milhares de pedaços que voaram sobre as casas que agora pegavam fogo.

O moreno nem ligou, correra em disparada para a catapulta com sua espada pronta para um ataque. Etrom começava a murmurar palavras mágicas em uma língua estranha e parou em frente à catapulta. Com seu sorriso maníaco, desferiu um corte de cima a baixo gritando:

ESPADA DE KISARA!

O corte ganhara uma dimensão utópica, labaredas negras jorravam do chão enquanto a catapulta partia-se ao meio. Gritos e urros foram ouvidos e estes pareciam vindos do submundo. Todavia, em questão de segundos estes desapareceram juntamente com a catapulta que agora na verdade só era um amontoado de cinzas.

Alguns soldados da Família Prescinato se revoltaram com a cena. Como Athos podia estar deixando Etrom assumir seu corpo por tanto tempo? Um soldado logo se manifestou:

– Athos! Volte logo! Não vê o que Etrom está fazendo? Quase queimou os aldeões escravizados! Se o deixar continuar fazendo o quer, isto vai virar uma carnificina!

– Ele não te ouve, seu idiota! – disse Etrom que em seguida fora acometido por uma convulsão repentina.

– Já chega, seu monstro! – dizia Athos.

– Posso ser um monstro, mas você precisa do meu poder! – Etrom tentava manter o controle.

Os dois agora disputavam o mesmo corpo, falavam a através da mesma boca, mas era uma cena horrenda de se ver. Athos arranhava seu próprio rosto se tremendo todo. Caíra sobre o solo e enquanto se contorcia todo, girava e girava batendo sua cabeça no chão e curvando suas costas tanto que parecia que ia quebrar ao meio.

Contudo a situação parecia estar dando resultado. Os cabelos negros de Athos começavam a ganhar um tom mais claro, todavia seus olhos continuam vermelhos, pareciam estar pegando fogo, estavam tão vermelhos que labaredas ardentes pareciam lamber seu globo ocular.

O Prescinato soltara um grito vindo do fundo de sua garganta, seu cabelo estava cinza novamente, mas seus olhos ainda estavam esbugalhados. Um segundo depois Athos desabou completamente sobre o chão, totalmente desfalecido, já sem forças.

Sua pele ganhara um tom pálido, seus olhos fecharam como se tivessem deixando a vida, sua respiração estava fraca. Seu corpo parecia não existir mais, não o sentia. Então mergulhou no seu subconsciente.

Os soldados Prescinato vieram de encontro ao seu comandante.

Fora da cidade de Krisalia, duas invocações proibidas já estavam se enfrentando. A fênix das trevas chiava e ia de encontro ao enorme demônio e com suas garras afiadas arranhava o rosto daquele monstro e tentava arrancar um de seus olhos. Todavia Belfagor podia ser lento, mas era dono de uma força monstruosa. Tentava agarrar o pássaro, mas esse se esquivava e era nesse momento que o demônio empunhava sua clava e investia contra a fênix.

Seus ataques também lentos eram facilmente perceptíveis para o pássaro flamejante, todavia uma hora a fênix tentou fincar suas garras no peito do monstro e arrancar seus olhos com seu próprio bico. Mas seu plano falhou, pois no momento de sua investida a clava veio pela sua direita e acertou em cheio, fincando seus espinhos no pobre pássaro.

A fênix tentou manter seu voo com asas agora feridas, mas estava difícil. Suas chamas estavam ficando fracas e em um golpe final Belfagor elevou sua clava aos céus e desceu com tudo sobre o chão, Esmagando Zafênix e a perfurando pelo corpo todo. O pássaro entrou em combustão, pegando fogo por todos os lados, e desapareceu por completo, deixando para trás um amontoado de cinzas.

– Essa é sua invocação proibida, Príncipe Ichiro? Não podia ter invocado algo mais decente, algo mais forte? – zombou Mordekai.

– Não devo lhe dar satisfação do que eu faço. Além disso, eu só queria testemunhar seu verdadeiro poder.

– Você acabou de me dar satisfação, seu moleque!

– Pouco me importa.

Realmente Emanuel tinha o dom de irritar qualquer pessoa que fosse. Mordekai, no limite da sua paciência, tremia de raiva, até que berrou:

– ESMAGUE ESSE MOLEQUE, BELFAGOR!

Novamente o demônio gigante levantou sua clava para mais um ataque, mas dessa vez Emanuel respirou fundo e aproximou suas mãos em frente ao seu corpo. Começou a murmurar dizeres mágicos e uma esfera transparente foi se formando na sua mão, era girava rapidamente e na medida em que Emanuel prosseguia com a conjuração a esfera ia ganhando um tom mais escuro, ficando cada vez mais preta.

De repente, o ar em volta do príncipe começou a ser sugado pela esfera em suas mãos e a mesma ganhara um poder de sucção incrível. Emanuel parecia não ser afetado por esse poder em suas mãos, mas tudo ao seu redor sim, a grama, por exemplo, era arrancada do chão para dentro daquela esfera negra. Então o príncipe olhou para o demônio que já estava abaixando sua clava e gritou, levantando a esfera em sobre a sua cabeça:

– Em nome do grande Arcano Turner, soberano da magia, mago das dimensões, ordeno que se abra perante mim e empreste-me seu poder... SUGUE MEUS INIMIGOS, BURACO NEGRO!

A clava mal chegara sobre a cabeça de Emanuel e estava se desintegrando aos poucos, estava derretendo e sendo sugada pela esfera giratória nas mãos do príncipe. A força gravitacional da esfera só continuava aumentando, a clava fora arrancada das mãos do demônio e sugada completamente pela esfera. Aos poucos o demônio foi sendo puxado contra sua vontade. Com medo, o demônio começou a correr na direção oposta a do príncipe, todavia a sua força não era o suficiente contra a gravidade do buraco negro. Suas costas começaram a perder forma, o espaço ali estava sendo quebrado. A grama voava para dentro do buraco negro e agora Belfagor, que não tinha mais forças para continuar a ir contra a força gravitacional, fora completamente puxado para dentro do buraco negro e seu corpo se distorcia todinho para dentro da esfera.

Quando Belfagor desaparecera em meio ao poder de sucção do buraco negro, Emanuel viu que já era a hora de cessar a magia. Pensou que Mordekai tinha sido puxado pelo buraco negro, todavia ele residia na frente dele, mais sério do nunca, seus pés estavam enrolados por tentáculos roxos e por isso não tinha disso sugado.

Emanuel separou suas mãos e a esfera negra foi se dissolvendo no ar, perdendo sua força e desaparecendo em meio aos ventos.

– É... – começou Mordekai. – Eu realmente tenho que lhe parabenizar, você sabe usar muito bem a magia negra. Ninguém até hoje tinha derrotado Belfagor sob meu controle.

– Não preciso dos seus elogios. – Emanuel estava mais ofegante do que nunca agora, tinha gastado muita magia com o buraco negro.

– Bem... Eu nunca imaginei que chegaria a esse ponto. Mas eu devo demonstrar respeito perante um oponente que derrotou uma das minhas mais fortes invocações. – Mordekai puxou um pedaço do seu robe, o rasgando por inteiro, o que revelou um símbolo, na verdade um brasão em sua roupa, um escudo azulado com três torres espalhadas sobre ele. Emanuel arregalou os olhos, incrédulo, mas apenas disse:

– Família Amorim?

– Meu verdadeiro nome é Adoniram Malzahar Amorim. – este sorriu.

– Pensava que a desgraçada Família Amorim estivesse extinta.

– Não, Príncipe Ichiro. Existem apenas dois Amorim vivos hoje, contando comigo é claro. Mas deixemos os detalhes de lado, vejo que você conhece muito bem a Família Amorim!

– Como não poderia? A família dos ditos “desalmados”.

Mordekai riu.

– A família com o dom mágico de manipular a alma. – continuou Emanuel.

– Só porque podemos selar nossa alma a outros objetos e invoca-los a nosso bel prazer.

– Se fosse apenas isso, seria bom. – prosseguiu o príncipe. – Os Amorim também podem selar a alma de outras pessoas a objetos mundanos.

– Eu sei, adoro fazer isso.

Mordekai sorriu, levantando seu braço direito espalmando sua mão em seguida a qual ganhou um tom esverdeado e em um piscar de olhos, o sacerdote de Kisara segurava em sua mão um cetro feito de platina, cheio de pequenas esferas de vidro penduradas das mais variadas cores, as esferas tinham o tamanho de petecas. Mordekai alisava as pequenas esferas como se sentisse prazer só de vê-las, e na ponta do cetro haviam duas esferas esverdeadas que pareciam duas esmeraldas.

– Príncipe Ichiro, você demonstrou ser um oponente de valor e de grande respeito, ficarei feliz em eternizar sua alma junto a uma esfera e coloca-la pendurada no meu cetro. – o sacerdote de Kisara riu cinicamente.

– Vai ficar querendo.

– Tolo! Você é da realeza, iria se encaixar perfeitamente ao lado destes aqui... – Mordekai alisou as duas esferas verdes. – O casal real do Reino Miranda.

O Okamoto ficou sério, desferiu um olhar ameaçador para o seu oponente e disse:

– Devolva-os!

– Hã?

– Agora!

– Não me diga que... Ah não creio, Príncipe Ichiro! A garota para qual você fez alguma promessa foi Rafaela Miranda? – Mordekai se pôs a rir. – Eu sabia que deveria ter matado aquela garota quando tive chance, mas o casal real do Reino Miranda era muito forte, ambos tinham um grande domínio sobre a magia. Mas não estou reclamando, afinal pude lhe conhecer Príncipe Ichiro e sei agora você vai lutar com tudo que tem para conseguir a alma desses dois aqui.

Mordekai ficou batendo aquela duas esferas verdes, rindo descontroladamente, era incrível como o destino gostava de brincar com ele, jogando agora Emanuel Okamoto contra ele, em nome de Rafaela Miranda.

Entretanto Emanuel não ria nem sequer um pouco, agradeceu a Palacium por ter encontrado Mordekai e agradeceu mais ainda por Mordekai não ter matado os pais de Rafaela completamente. Mas o príncipe estava com raiva, não admitia que um mero humano, um Amorim, brincasse com as almas dos outros. Iria derrota-lo, estava terminado e sabia que magia usar.

Notas finais
Esse capítulo não teve parte narrada pelo Neto Kristain, mas teve luta e no próximo capítulo acaba! O//Mas e ai, ficou bom?Do que gostaram? Ou não gostaram?Merece review?Até a próxima! O//XD