Terra-morta
2 Capitulo I: O início do fim
Notas iniciais
Eu estou louco, só pode ser isso! Gustavo estava parado no centro da cidade, com Débora e Camila de ambos os seus lados.Ele havia se pronunciado no dia anterior e dito que sobreviveriam, por isso saíram à busca de suprimentos, era o que a mídia indicava, isso e ir para os grandes centros, mas Gustavo negou todos os apelos de Camila para tentarem ir para BH:
— Milhões vão tentar ir para lá irmã, e com tanta gente, mais infectados. – Ele havia dito pondo um fim a discussão.
Eles haviam dormido mal, preocupavam-se com as notícias, que iam de mal a pior, todas as programações foram suspensas e as emissoras emitiam grandes avisos e plantões da situação. Tinham perdido contanto com várias cidades, inclusive BH, fato esse que perturbava muito os jornalistas.
Mas Gustavo de alguma maneira sabia que seria assim, “O Fim do Mundo” eles diziam na Internet, e devia ser mesmo, pois quando Débora falou para irmos a procura de sua família, encontraram todos canibais e com fome, Gustavo conhecia os sogros a tempo suficiente para saber que nunca fariam mal a uma mosca, mas lá estavam, gemendo e se arrastando na direção deles. Não foi fácil, mas Débora pôs um fim neles e por isso havia chorado a noite inteira, não ajudando em nada a grande massa confusa de pensamentos que assolava Gustavo.
E lá estavam eles, buscando suprimentos, no centro de Barbacena. Ele portava uma barra de ferro e Camila uma faca de cozinha, Débora tinha o seu arco e flecha na mão com uma flecha já na corda. Ela sempre gostou de arcos. E a cena que presenciavam era de tal forma dantesca que Gustavo tinha medo de se aproximar mais. O centro de Barbacena é uma rua continua de 500 metros, cheia de lojas e que ficam no térreo de prédios de apartamentos, existem duas praças, uma no inicio e uma no fim, assim como uma igreja em cada uma das pontas. Todo o comprimento de igreja a igreja estava salpicado de mortos, a fonte parecia estar esguichando sangue para cima, por conta dos cadáveres que estavam na água. Pombos se banqueteavam das órbitas dos mortos e bicavam seus rostos. Carros encontravam-se por toda a rua em um ultimo engarrafamento quando as pessoas em desespero foram como uma grande manada para o matadouro.
Vários cadáveres estavam com perfurações na cabeça e vários outros pareciam ter morrido sangrando pois descansavam sobre grandes poças do líquido vital.
Um caminhão militar, logicamente proveniente da EPCAR estava parado a cem metros dali, vários soldados estavam caídos no chão ainda segurando suas armas, todos tinham ferimentos fatais, mas não provenientes de tiros.
— Parece que houve uma guerra aqui. – Disse Débora.
— Uma guerra Débora, não seja idiota, em uma guerra ambos os lados tem chance de sucesso, o que os militares fizeram foi uma chacina, de pessoas inocentes! – Disse Camila entre os dentes.
Débora já preparava uma resposta, mas Gustavo cortou ambas:
— Guerra ou não, muita gente morreu. E podemos precisar daquelas armas. – Apontou para os soldados mortos.
— Sim, podemos fazer uso das armas. – Disse Camila com má vontade, Camila era uma pacifista nata e não gostava de nada que fosse mais violento que Mario Bros.
— Pois é, vamos lá então, se virem um dos canibais, lembrem-se que apenas um dano direto na cabeça os matará. – Dito isso Gustavo começou a caminhar por entre os antigos habitantes de Barbacena, a maioria havia sido abatida pelos tiros dos soldados, mas alguns jaziam com muitas mordidas pelo corpo todo, com olhos vidrados e bocas escancaradas em gritos silenciosos.
— Meu Deus... – Resmungou Camila.
Andaram mais um pouco até avistarem o primeiro, estava debruçado encima de um cadáver, e dele se refestelava, era uma mulher, com os braços vermelhos até os cotovelos e com carne pendendo da boca, ela grunhiu e virou a cabeça para nosso grupo, antes de se levantar havia uma flecha plantada onde antes ficava seu olho direito.
— Belo tiro meu bem. – Elogiei e segui o caminho, parando apenas para dar cobertura a Débora enquanto ela arrancava a flecha da cabeça do monstro: — Vamos lá, mais cinquenta metros e estaremos no caminhão.
Caminhamos esse espaço sem conversar, com medo de chamar mais atenção das criaturas. Eles ouvem bem, na casa da Deh ao abrirmos a porta eles vieram do quarto, sem chamarmos nem nada. Gustavo e as meninas chegaram no caminhão e ele disse em um tom de voz alto o suficiente para escutarem mas não mais que isso:
— Camila, procure munição no caminhão, não baixe nunca a guarda, Débora, me ajude com e pegue alguns rifles e pistolas, se achar coletes também pegue.
— Por que coletes? Eles mordem geralmente mãos e pés. – Disse Débora enquanto Camila subia no caminhão e remexia os bancos.
— Porque, apesar de não me agradar, podemos entrar em conflito com outros sobreviventes, e coletes podem ser bons. – Quando ela olhou para ele descrente Gustavo apontou com a barra de ferro para a rua: — Veja bem, parece uma guerra você disse? Muito bem, se é uma guerra quero um colete! – Ela deu de ombros e começou a procurar pelas armas e coletes.
Após alguns minutos possuíam uma pilha com cinco fuzis e dez pistolas. A maioria descarregada, apenas algumas pistolas estavam carregadas, por isso tiraram os pentes dessas e deixaram em uma pilha separada. Pegaram três coletes e os deixaram próximos as munições.
— Vamos levar todas essas armas? – Perguntou Camila que saiu do caminhão com uma braçada de pentes de pistola e alguns de rifle.
— Não, apenas o suficiente para nós três. – Respondeu Gustavo se ajoelhando e pegando cinco pistolas e três rifles.
— Porque cinco pist... – Antes de Débora acabar a pergunta um dos soldados gemeu.
— Anda, estoure a cabeça dele antes de nos morder! – Gritou a Camila que no momento nada parecia de pacifista.
Débora estava puxando o arco e ia soltar a flecha quando o homem disse:
— Estou vivo! Não atirem! – A surpresa foi geral que Débora demorou alguns segundos para baixar o arco.
— Como sobreviveu? – Foi a única pergunta que Gustavo conseguiu formular.
— Os zumbis estavam ocupados com meus amigos, então fingi de morto, mas acabei tomando uma pancada na cabeça e desmaiei. Quando acordei, algum maldito zumbi me deixou alguns membros mais leve ahahahaha. – Ele estava sem as pernas, um canibal as tinha levado pelo visto e também parecia bêbado: — Não dói, usei a morfina do meu amigo médico ali e estava esperando morrer por perda de sangue até vocês aparecerem.
— Você... você disse zumbis? – Perguntou Débora.
— Sim gatinha, eles estão mortos, a principio achávamos que não, que era uma doença ou algo do gênero, mas pelo visto, morreram e voltaram para nos assombrar, agora você aí, com a arma. – Apontou para Gustavo: — Acabe comigo, fui mordido, vou me transformar logo logo, não sei como ainda estou vivo... ande logo, posso sentir a vida se esvaindo e quando estiver acabado vou voltar e não tanto tagarela como agora.
Gustavo pegou a Taurus 9mm e apontou para a cabeça do soldado. É misericórdia, ele está te implorando, não há porque ter medo. Mas ele hesitou e foi o suficiente para o soldado reclamar:
— Ande logo, está com medo de que? Ah, foi bom ter demorado, não atire, o barulho, vai atrair muitos, você, gatinha, use o arco. – Ele fechou os olhos e pôs-se a esperar pela morte.
Débora estava tremendo quando ergueu o arco, o homem pedira a morte mas não é fácil para ninguém executar a sangue frio, uma coisa é quando você está sob a perspectiva de levar uma bela mordida, e outra de matar um homem ainda consciente.
Gustavo segurou a mão de Débora e depois apoiou a mão em seu ombro, de tal forma que fosse mais fácil para ela. Foi limpo. Um silvo e a flecha estava no meio da testa dele, nem sentiu, mas mesmo assim, Débora soluçou e estava prestes a cair no choro não fosse Gustavo ali do seu lado.
— Pegue uma arma Camila, me dê duas e mais duas para a Débora, divida a munição e pegue um rifle. – Pegou ele mesmo um e deu o outro para Débora: — Vamos embora, temos que pegar comida.
— Sim. – Disse Débora, ela parecia um pouco abatida, mas Gustavo ignorou o fato. Ela supera.
Gustavo liderou-os até o super mercado mais próximo, a uns poucos cinquenta metros dali.
— O que é para pegar?
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