Terra de Ninguém
1 Capítulo 1 - Piloto
Notas iniciais
TIMMY'S P.O.V.
Tudo começou quando eu nem era nascido. O Apocalipse que durou mais de cem anos. Ou melhor, bem mais do que cem, duzentos, trezentos anos. Durou uma eternidade. Infelizmente, tudo começou em 2031, quando os sinais começaram a vir, segundo os livros. Os malditos sinais da Bíblia. Os sinais no céu, na terra, na água... E então houve o que eles chamaram de Apocalipse Bíblico. Vieram os quatro cavaleiros e o diabo andava solto pela terra. Mas, então, quando o diabo percebeu que os humanos deviam sofrer mais ainda, ele inventou de burlar as regras do Apocalipse. Ele, agora que Deus estava desaparecido, inventou de trazer de volta os mortos. "E os mortos ressuscitarão". Segundo o livro — o único que eu li em toda a minha vida- era defunto/ morto-vivo pra tudo quanto é lado. E, bem... As pessoas se assustaram, a maioria não soube se defender e acabou virando defunto-vivo também. São os que chamamos de Defuntos.
Agora que conhece um pouco da história de como o mundo acabou, podemos começar nossa história.
Era um dia comum de inverno. Nevava, e eu usava a roupa de sempre: um jeans surrado, uma blusa de mangas compridas e meu eterno boné azul. Nunca parei para analisar minha aparência num espelho, mas, antes que perguntem, sou alto, tenho cabelos loiros e olhos cor-de-mel. Eu ando com um grupo chamado... é, ainda não demos um nome para ele, mas vou pensar nisso. Estavam lá Juwes Weir, Lava Battlefield, Elle Halshford e Rafa Morgan. Eu era o único garoto lá no meio. Pois é, alguns dão a sorte grande. Mas, de qualquer forma, eu me chamo Timothy Battlefield, mais conhecido por Timmy.
Nevava. Nossas roupas já não era o suficiente para nos manter aquecidos. As meninas andavam em dupla, abraçadas. Elle e Lava, Rafa e Juwes. E sobrava para eu andar só e mais á frente. Meus sapatos já pareciam blocos de gelo em meus pés. Mas, finalmente, avistei uma cabana que parecia um tanto... assustadora. Ouviam-se rugidos de lá, o que significava apenas uma coisa: Defuntos.
Peguei o primeiro galho de árvore que avistei e o coloquei por cima do ombro, segurando sua ponta com a mão. Lava, minha irmã mais nova, se afastou de Elle e pôs a mão em meu ombro. Mesmo ela sendo a menor do grupo, podia-se considerar que era uma das mais inteligentes.
—Timmy... -Ela sussurrou. -Tem condições de atacar os Defuntos?
—Calma... Só irei assustá-los.
—Eles são Defuntos! Não se assustam.
—É, nisso você tem razão. Mas, vou dar um jeito de tirá-los de lá. Ok?
Lava, mesmo relutante, concordou e voltou até Elle. Olhando de relance para as garotas, pude distinguí-las pelas cores dos cabelos— e pelo tamanho deles. Elle tem cabelo "médio", preto e castanho escuro nas pontas. Rafa tem cabelos longos vermelhos como uma placa de "PARE", e sim, eu já vi uma placa de "PARE". Juwes tem cabelos curtos e negros. E Lava é loira como o irmão. Voltando minha atenção à cabana, segui andando até a mesma, e esperei um pouco, para ouvir melhor os ruídos. Eram grunhidos e não ruídos. E também havia o barulho de correntes. Chutei a porta com o máximo de força, o que me levou a cambalear para trás, e fez a porta abrir, por milagre. Ao retomar o equilíbrio, entrei no local e vi um garoto—um Defunto—tentando se livrar das correntes que amarraram em seus braços e pernas. Ele estava a alguns passos de distância.
—Desculpe, amigo, mas você não pode "viver" enquanto estiver assim.
Ao ter dito tal frase de efeito, bati com o galho na cabeça do Defunto. E repeti o processo várias vezes até a cabeça dele começar a "sangrar" um tipo de gosma que se tinham em Defuntos. Ao vê-lo cair no chão, quebrei as correntes e puxei o Defunto para fora, avisando as meninas que estava tudo limpo. Pelo menos, por aquela noite. Assim que entraram, fechei a porta.
—É a vez de quem ficar de guarda? -Indagou Elle.
—É a vez da Lava. -Respondeu Juwes.
E, infelizmente era. Eu sempre ficava nervoso quando minha irmã ficava de guarda. Não porque ela era nova... na verdade, sim, porque ela era nova. Nasceu em meio ao Apocalipse, assim como eu. Ela saberia se virar, mas... duvido muito que ela não seja um alvo fácil.
—Certo. Timmy, me dá isso. -Lava apontou para o galho em minhas mãos.
Relutante, entreguei. Assim que Lava o pegou, ela caminhou em direção á porta, fechada e ficou andando por entre a porta e a única janela que havia. Deitei-me num canto enquanto as garotas se distribuíam pelo local. Não demorou muito para elas pegarem no sono. Era sempre assim. Lava estava bocejando. Sinceramente, eu tinha vontade de ficar no lugar dela, mas... ela tinha de aprender a se defender caso eu morresse. E com esse pensamento, meus olhos foram se fechando e eu fui pegando no sono gradualmente.
Acordei ao som de um grito. Levantei-me rapidamente e vi que nenhuma das garotas estavam ali. Tinham me deixado ali? Corri para fora da cabana, e fitei as garotas de costas. Suspirei e tentei olhar além delas. Haviam dois garotos, parecidos conosco. Um deles era ruivo e o outro tinha cabelos negros. (Que lindo, se eu me juntasse seríamos os meninos superpoderosos.). Assim que me aproximei mais, os fitei.
—Este é o líder de vocês? -Indagou o ruivo.
—Ei, que história é essa? Me elegeram líder? -Indaguei.
—Tommy... Eles tem armas. -Falou Lava.
—Não responderam a pergunta. -Replicou o moreno.
—Não temos um líder exato. -Respondi.
Os dois garotos se entreolharam e levaram as mãos ao cinto, onde haviam armas.
—Mas não somos Defuntos. -Afirmei.
—Como podemos saber disso? -Perguntou o moreno.
—Porque estou falando com vocês, babacas. -Respondi.
—É, faz sentido. -O moreno suspirou. -Vamos, temos um longo dia pela frente até o acampamento. Demoramos muito para achar vocês.
—Ei, não vamos a lugar nenhum! -Elle protestou.
—Como quiserem. Fiquem na área cheia de "Defuntos". — O ruivo esboçou um sorriso.
—Vamos ver o que tem esse acampamento. -Falei. -Mas, com uma condição.
—Olha, vocês não estão podendo escolher muito. -Falou o moreno.
—É, mas, quero proteção máxima a essas garotas. -Disse eu.
—Veremos. -Sorriu o ruivo.
E então, mudamos o rumo do caminho. Iríamos seguir eles. Mas, algo não me cheirava bem naquilo. Devia ter alguma coisa errada, ou algum deles soltou pum.
—Qual os seus nomes? -Indagou Rafa.
—O meu é Martin. -Disse o moreno. -O meu amigo é Dimitri.
Caminhávamos em meio á floresta. Ainda meio congelados. Como aqueles caras não sentiam frio? Eram robôs ou coisa assim, só podia. De qualquer forma, nosso caminho não pararia por aqui. Tínhamos muito pela frente.
Fale com o autor