Porque sou o único a estudar história da Terra e de Aurum?

Ambas as matérias são interessantes — saber como era a vida na Terra, aprender a história de Aurum. Mas todos escolhiam Direito ou Medicina, na esperança de serem escolhidos para ser eleito para trabalhar no Tribunal e no Hospital.

Eu sou o único estudante de História.

Passei meu cartão na caixinha ao redor da porta, e meu ID apareceu na tela.

Coloquei minha mão sobre o identificador, e a porta da Videoteca se abriu.

Milhares de fitas, de todas as épocas da Terra — desde vídeo caseiros até documentários e filmes.

Peguei minha favorita, um documentário de alguém chamado "BBC" sobre a bomba de Hiroshima.

Guerras Mundiais Terrestres.

Meu assunto favorito.

Coloquei-a no player e comecei a assistir.

Ao terminar, coloquei-a de volta no lugar, desliguei a TV e andei até a janela.

Já estava noite — o segundo sol já tinha se posto. O relógio marcava 30 horas, e a lua estava alta no céu. Mesmo assim, tinha vários estudantes sentados sob as árvores de folhas pratas, e acima da grama meio azulada.

Lá, abaixo, podia-se ver os lírios, flutuando sobre a águida [N/A: água ácida, somente os Aurum podem tômá-la.], emanando sua luz.

Lembro quando um garoto, numa aposta, pulou de uma das pontes. Tinhamos acabado de chegar, e não tinhamos conhecimento do que era a águida. Ao vermos que ele não voltara, fomos procurar, não achando nada do garoto.

Ergui o olhar para meu reflexo na janela: uma barba rala, meus olhos castanhos decorados com bolsas roxas por causa da falta de sono, e meu cabelo castanho espetado completamente dsarrumado. Ajeitei meus óculos e me virei.

Ajuntei minhas coisas, e saí da Videoteca, e começei a andar pelos corredores da faculdade.

As pessoas se afastavam de mim, como se eu tivesse alguma doença.

Quando alguém estuda história, em vez de alguma outra coisa, você é tratado como se fosse louco.

Não que isso me incomodasse...

Saí da faculdade e começei a andar para casa.

Eu tinha uma casa pequena, mas confortável. Três quartos, dois banheiros, uma sala de estar/jantar acoplada com a cozinha. Isso tudo ficava dividido em dois andares.

Cheguei em casa e destranquei a porta, e ao entrar, tranquei-a de novo.

Joguei meu casaco no sofá e subi para minha biblioteca.

Olhei as prateleiras, e tirei o holograma que tinha escrito "Boston (2013)" em couro.

Aquilo ocorrera à mais de 700 anos.

Abri, e logo o holograma se projetou em 3D. Estiquei minha mão e selecionei a pasta de imagens.

Várias coisas sairam daquela pasta: vídeos e fotos.

Girei as opções, e selecionei a "Bombs Explosions".

O vídeo começou a rodar: pessoas correndo, e logo a primeira explosão.

Saí da pasta e entrei na de notícias. Peguei a que tinha o título "Achado o culpado das bombas de Boston" e li-a.

O nome do culpado era Christopher Smith, e ele tinha cabelo raspado e olhos negros.

Senti minhas pálpebras pesando. Desliguei o holograma, e guardei-o.

Andei para meu quarto.

Ele tinha uma cama branca, e mais hologramas.

Tirei minhas calças, feitas de um tecido chamado "jeans" e minha camisa branca, e vesti uma calça de moletom.

Deitei-me em minha cama, e peguei o holograma do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, e comecei a ler-o.

Caí no sono quando Hagrid dizia a Harry que ele era um bruxo.