Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura.

Ao sair da casa de Aurora, Mariano dirigiu em silêncio em direção a saída da cidade. O rapaz pôs-se a pensar sobre o que havia acabado de fazer e tentava raciocinar sobre as responsabilidades que teria a partir daquele dia. Teresa, percebendo a expressão séria do jovem, logo o encheu de perguntas.

— O que foi Mariano? Porque está assim? Já se arrependeu de tudo?

— O que? Não, claro que não! Eu te amo Teresa, e estava pensando em tudo o que vai acontecer a partir de hoje.

— Como assim? Eu não entendi. — Respondeu Teresa tentando tirar o véu que ainda se encontrava preso em seu cabelo e a incomodava.

— Você acabou de formar, e tem tudo para ser uma grande advogada. Aliás, tenho certeza que você será a melhor do país em pouco tempo, porque é dedicada e responsável. — Disse Mariano vendo-a sorrir e acariciar seu rosto com muita ternura. — Entretanto, depois de hoje, não poderá mais trabalhar para o professor, por isso, terei que me esforçar ao máximo para lhe dar tudo aquilo que você merece. Eu te juro, que você não vai se arrepender de ter optado por nosso amor.

O brilho no olhar de Teresa desapareceu. Ela respirou fundo, terminou de arrancar o apetrecho de seu cabelo e inclinou sua cabeça levemente para trás fechando os olhos em seguida. Fugira com Mariano movida pelo amor que sentia por ele. Entretanto, acabara de perceber tudo o que perderia com essa atitude. Um sobrenome de prestígio, contatos, e uma carreira no melhor escritório de advocacia. Uma voz ecoava em sua mente: Seus clientes serão os “mortos de fome” da vila que você sempre desprezou, sequer poderão te pagar. Nunca sairá daquele local imundo e terminará como sua mãe.

— Não precisa ficar assim Teresa. — Falou Mariano parando o carro no acostamento ao perceber a aflição da garota. — Como eu disse, para dar o que você merece, sou capaz de trabalhar dia e noite.

— Tudo bem, eu confio em você meu amor. Se eu não confiasse, não estaria aqui. Mas você precisa se esforçar, pois precisamos sair daquele lugar o mais rápido possível, eu não quero ficar naquela vila por muito tempo, então é melhor você dar um jeito.

— Não vamos ficar, eu prometo! — Respondeu Mariano rapidamente.

— E para onde estamos indo? Você me sequestrou da casa da Aurora, e até agora não me disse para onde irá me levar. — Indagou a bela olhando para a estrada.

— A verdade é que eu também não sei. Minha intenção era impedir que você cometesse a maior besteira de nossas vidas, eu não planejei o resto. Para onde você quer ir? — Questionou o jovem dando-lhe vários beijos. — Não pode ser um lugar muito longe, pois você sabe que eu tenho que voltar para o trabalho. Temos apenas hoje e amanhã.

— Que tal irmos para Vera Cruz? Podemos aproveitar a praia, e não é fica muito longe daqui, vamos gastar umas 4 horas de carro. Você tem que conhecer o mar meu amor. É tão lindo... — Falou tentando lembrar da vez que estivera em Cancún com Luísa e Arturo.

— Então está decidido! Vamos para Vera Cruz e voltamos amanhã à tarde. — Respondeu Mariano. — Entretanto há uma coisa que eu gostaria que acontecesse durante essa viagem.

— E o que é? — Questionou Teresa confusa.

— Nosso casamento Teresa. Sei que esse não é o melhor lugar para te fazer o pedido, e também sei que gostaria que seus pais estivessem presentes. Entretanto, não vou deixar você escapar novamente. Por isso, nesse instante o que eu quero saber é: Você aceita ser minha esposa?

— Sim! Eu aceito, é tudo o que eu mais quero. Que ninguém e nada nos separe. — Respondeu dando-lhe um longo e apaixonado beijo. — Agora vamos, não temos muito tempo e está bem quente a estrada.

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Armando ficava cada vez mais preocupado a medida em que às horas passavam. O mecânico andava de entre os cômodos da velha casa, e vez ou outra, espiava os corredores, na esperança de avistar sua adorada Teresa subindo as escadas.

Refúgio, por sua vez agradecia a virgem, por sua filha ter feito a escolha certa ao menos uma vez na vida. Ela esperava que este, fosse um recomeço para a jovem advogada, que ao lado de Mariano, passaria a ter um pouco mais de sensatez.

— Meu velho, vamos dormir, está tarde e precisamos descansar um pouco. O dia hoje foi longo e cheio de surpresas. — Falou Refúgio em um tom amigável, se aproximando de Armando, e envolvendo-o em um abraço.

— Se você quiser, pode ir descansar. Eu vou ficar aqui na sala e esperar minha menina. Tenho certeza que ela chegará a qualquer momento. — Resmungou.

— Você está de mal humor desde cedo, desde que nossa filha foi embora com Mariano.

— É verdade, o professor é um homem muito bom, e não acho certo o que Mariano fez com ele.

— Bom, o Mariano não fez nada sozinho... Nossa filha foi embora com ele porque quis, ele não a obrigou. — Rebateu Refúgio em tom de desaprovação. — De qualquer forma, trata-se da felicidade dela, e se ela escolheu Mariano, devemos apoia-los.

— Você não tinha essa atitude quando ela decidiu se casar com o professor.

— Eu sempre soube que a felicidade dela é o Mariano. Teresa estava deslumbrada pelas coisas que poderia conquistar ao lado daquele homem... nunca amou Arturo de verdade.

— Minha filha não é assim. E é melhor você ir dormir, antes que a gente acabe discutindo.

— Tudo bem meu velho, o pior cego é aquele que não quer enxergar. De qualquer forma, eu estou cansada, vou descansar. Boa noite, não demore ir para a cama. — Disse Refúgio indo para o quarto em seguida.

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Arturo estava destruído devido aos últimos acontecimentos do dia. A tão aguardada felicidade novamente transformara-se em um grande pesadelo. O ódio pelo jovem taxista consumia seu coração, e se o encontrasse, seria capaz de mata-lo. O advogado tentou descansar, deitou em sua cama, porém, essa parecia grande demais neste instante. Olhou para a cabeceira de sua cama, e viu a foto de Teresa. Levantou e decidiu ir até seu escritório no andar de baixo, onde poderia beber e esquecer tudo aquilo. Desceu as escadas vagarosamente, para que ninguém o escutasse. Entretanto, foi surpreendido por Luísa e Fernando que estavam na sala.

— Arturo, o que faz aqui? Pensei que já estivesse dormindo. — Falou a jovem encarando-o.

— E você acha que eu consigo dormir? Tudo o que eu queria é saber onde aquele maldito taxista se enfiou. Eu seria capaz de acabar com ele, caso aparecesse na minha frente.

— Você tem que se acalmar Arturo. Não deve tomar qualquer tipo de decisão de cabeça quente, pois pode se arrepender depois. — Falou Fernando dando as mãos a Luísa que estava sentada ao seu lado. — Eu sou seu irmão, e você sabe que eu quero o melhor para sua vida.

— Não se preocupem comigo, não vou fazer nenhuma besteira, embora vontade não me falte. Quando esse pesadelo acabar, eu me casarei com Teresa, e a levarei para a Europa por um tempo. É o melhor... — Falou vendo-os concordar.

— Se quiser, pode ficar uma temporada em minha casa na Espanha. Tenho certeza que Teresa adoraria o lugar, e minha mãe adoraria ter vocês por perto. — Interviu Fernando solícito às necessidades do amigo.

— Eu agradeço sua oferta, mas quando eu disse que a levaria para a Europa por um tempo, estava me referindo a alguns anos... Meu escritório é e posso abrir uma filial em qualquer lugar.

— Você tem certeza? — Questionou Luísa. — Não deveria tomar uma decisão como essas apenas para afastar a Teresa do Mariano. Além disso, ela acabou de formar, provavelmente quer consolidar sua carreira, adquirir capital...

— Há uma coisa que eu não havia contado para ela, porque queria fazer surpresa. — Disse Arturo empolgado.

— E o que é? — Questionaram Luísa e Fernando quase ao mesmo tempo.

— Tornei Teresa minha sócia no escritório. Assim, ela terá direito a uma porcentagem sobre os lucros de todos os casos do escritório. Além disso, com o valor obtido no caso do Sainz, e eu investi em um empreendimento que o Rubens me ofereceu e também os coloquei no nome da Teresa, para que ela possa ter o próprio dinheiro.

— É uma ótima surpresa Arturo, mas conhecendo Teresa, não sei se ela aceitaria tudo isso. — Disse Luísa em um tom de desaprovação.

— E porque não aceitaria? — Indagou Arturo.

— Teresa não é vista com bons olhos, por ser de origem humilde. E com isso, você dá a entender que está querendo comprar o amor dela. Presenteando-a com roupas, carros, dinheiro. E não é isso que minha amiga sempre quis.

— Bobagem Luísa! Isso mostra o quanto seu irmão quer protege-la, inclusive financeiramente. — Falou Fernando.

— Sim, sabemos as intenções de Arturo, mas os outros não.

— Eu não me importo com o que as pessoas pensam. E não permitirei de forma alguma que as pessoas falem mal dela. Sobretudo, este não é um assunto que eu pretendo discutir. É algo que já está feito. — Respondeu o advogado de forma rude.

— Me desculpa, não quis me intrometer em sua vida. Sabe que sempre contará com meu apoio para todas as suas decisões!

— Eu sei que sim. — Respondeu balançando a cabeça e dando um sorriso forçado.

— Agora deve descansar. Tenho certeza que Teresa não gostaria de ver você neste estado.

— Será que ela está bem? — Indagou Arturo tentando imaginar o que sua noiva estaria fazendo neste instante.

— Claro que sim. Mariano foi audacioso, e usou de artimanhas para leva-la embora, mas não seria capaz de machuca-la. Você sabe disso. — Respondeu Fernando. — Quando ele perceber que toda essa loucura é inútil, a trará de volta.

— Assim espero. — Respondeu Arturo. — Assim espero.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.