Terceira Dimensão

8 Isso é uma Espada?


– E então? O que vocês ainda fazem aqui? – Michael falou aborrecido. – Voltem logo para as terras daquele maldito lobo chamado Sid!

Pude ver uma pequena lágrima saindo de seu olho machucado quando ele falou o nome do lobo.

– Sid matou meu pai. Ludi e eu vimos nosso pai morrer naquele covil, sendo decapitado por aquele lobo...

Ele fechou os punhos como se fosse bater em alguém.

Eu estava em dúvidas. Se Ludi teria visto seu pai ser morto por Sid, por que era tão leal ao assassino de seu pai?

– E por que Ludi é tão amigo de Sid, afinal? – Miranda perguntou por mim.

– Ele tinha somente um ano quando isso aconteceu. Eu, com doze, o segurava nos braços quando fomos chamar nosso pai no covil do Sid. Encontramos a porta redonda aberta e assim que entrei, vi uma luta entre os dois que acabou com uma cabeça rolando no chão. – Michael disse com lágrimas escorrendo pelos olhos. Ele logo passou a mão para limpar seu rosto. – Depois desse episódio, o levei lá outras vezes, quando ele já estava grande o suficiente pra lembrar-se das passagens de ida e volta.

– Eu não vou voltar lá, Harry! – minha namorada falou.

– Devem voltar. Pensando melhor, eu vou com vocês. Tenho algumas contas pra acertar com um certo lobo. – ele disse estralando os dedos de uma mão com a outra.

Michael foi ao seu quarto e três minutos depois, voltou com uma mochila militar nas costas.

– Já podemos ir para Richworld! – ele disse por fim.

– Já disse que não vamos voltar! – Miranda estava exaltada. – Entendeu ou precisa de outro olho roxo?

Um meio sorriso tomou o rosto de Michael por um momento.

– É, nós vamos ficar. – falei.

Virei-me para ver a face feliz de Miranda, que rapidamente transformou-se num certo desespero seguido por um abrir de boca.

Apaguei antes de ouvir o que ela iria falar.

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– Onde é que eu estou? – perguntei confuso, levantando-me de uma cama e vendo Michael em minha frente.

Antes que ele pudesse responder, Ludi apareceu ao seu lado, com um olhar triste. Tinham me trago para Richworld contra minha vontade.

– Ora, seu merda! – falei jogando o travesseiro em Michael. – Eu iria ficar em casa com Miranda. Onde está ela, afinal? O que aconteceu comigo para que eu apagasse?

– Bati em sua cabeça com um pedaço de madeira. Sua namorada não quis voltar, então eu a deixei.

Foi então que senti uma leve pontada do lado direito da minha cabeça.

– Você deixou Miranda sozinha na Terra? – perguntei me levantando e encarando Michael. – Você sabe tanto quanto eu sobre os perigos daqueles “policiais” e a deixa sozinha?

Eu já estava em pé na frente dele. Apesar de ser maior que eu e mais forte, não me intimidei.

– Era o único jeito. Precisávamos de você aqui! – era Ludi tentando me acalmar.

Meu punho cerrado foi de encontro ao rosto de Michael, deixando agora os dois olhos dele roxos. Ludi entrou logo entre nós dois, para que eu não perdesse o controle mais ainda. Tentei me livrar dos braços dele, mas resolvi ceder e cai em minha cama.

– Eu sei que ela ta correndo perigo lá. – Michael falou. – Mas eu não poderia forçá-la a vir.

– VOCÊ ME APAGOU PARA QUE EU VOLTASSE! PODIA TRAZÊ-LA TAMBÉM!

Ludi ajoelhou-se em minha frente e me encarou.

– É você quem deve estar aqui, mais que qualquer outra pessoa. – ele falou pousando suas mãos em meus joelhos.

– Já cansei dessa história de eu ser o escolhido, e blá blá blá... – disse me levantando e andando pelo quarto.

Havia uma mochila preta na cama de Ludi. Olhei curiosamente para ela e então lembrei que era a mesma que tínhamos pegue no apartamento dele. Cheguei mais perto da mochila. Não sei como explicar, mas parecia que havia algo dentro dela que me chamava, que quisesse que eu o possuísse em minhas mãos.

– Abra. – Ludi falou em meu ouvido.

Meio tenso e meio paralisado, fui para mais perto da mochila. Era como um ímã que me puxava. Abri cautelosamente seu zíper e pude contemplar o que havia dentro dela: um tipo de papel grande, como um pergaminho, dobrado; um celular com flip que mais parecia um morfador dos Power Rangers; uma garrafa térmica pequena, para água, talvez; e um pequeno livro, como uma agenda.

– É tudo de Markus. – Michael falou.

– E nada mais justo que fique com você agora. – Ludi concluiu, batendo em meu ombro esquerdo.

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À noite, deitei-me em minha cama e comecei a folhear o pequeno livro, e descobri que era um diário, de 1964 mais precisamente. Tinha anotados fatos sobre o golpe militar no Brasil e muitas, muitas coisas sobre Richworld. Contava também sobre o dia em que ele conheceu minha avó e em uma das últimas páginas, o dia em que meu pai nasceu.

Entre uma anotação e outra, existiam palavras que não fazia sentido, era somente uma mistura de letras. Entre o dia 31 de março e o 1 de abril tinha a primeira anotação:

IERTNOCNE MU OXURB EUQ UOMROFSNART A ADAPSE ME MU RALULEC

E entre os dias 30 de abril e 1 de maio tinha outra, dessa vez com números também:

EUGIL 7623658230 ES REVITSE ME OGIREP

Depois de pensar muito, consegui decodificar aquelas mensagens. As letras só estavam invertidas. E a mensagem tornou-se:

ENCONTREI UM BRUXO QUE TRANSFORMOU A ESPADA EM UM CELULAR

LIGUE 7623658230 SE ESTIVER EM PERIGO

Não era possível! Será que era o mesmo celular que estava na mochila?

Mesmo sem ter certeza, fui tentar naquele aparelho.

Assim que digitei os números e coloquei para ligar, o celular apagou. Tentei jogá-lo na cama, mas ele não desgrudou de minha mão. Houve uma explosão no celular, mas não senti nada. De repente, um clarão tomou conta do quarto, e uma espada apareceu em minha mão.

– Onde você conseguiu? – Ludi me perguntou ao entrar no quarto e me ver empunhando aquele instrumento. – Isso só pode significar uma coisa: está perto da guerra!

E aquela foi a última noite da terceira semana em Richworld. Na Terra: últimos minutos de segunda feira.

Notas finais
Estão gostando da minha fic? Pois comentem. Quero saber se estão gostando ou não ;)