Notas iniciais
11 de julho de 2022

os dedos que eu coloco na garganta

não me levam aos ossos

não me tiram dos destroços

como veneno de aranha, arranho e escama

desfalece (apenas para os porcos)

com angústia de dentes grossos

que me sepultaram nessa lama.

suplico que seja lâmina, essa cama

já basta eu (somente mente) lânguida

neste inferno dos meus supostos esboços.

num mar eterno de cansaços,

uma tortura mitológica me chama

sem parar, o vozerio nessa amálgama

não me impede de cair aos pedaços.

[distante]

e eu suplico, não sendo esguia o suficiente para ser bruxa, mas morta o suficiente para lançar feitiços:

por favor, me deixem cair aos pedaços.