Terapia de Casais
1 Vitor e Bruno
Vitor e Bruno
Eles já entraram na sala discutindo certo assunto que não consegui compreender. Mas pelo o que eu ouvi, parecia algo que envolvesse ciúmes e brigas, mais um casal gay que me veio contar seus problemas.
Sou terapeuta de casais e a maioria deles que procuram o meu escritório, são gays. Não tenho nada contra com eles, adoro a minha profissão e me identifico com ela. Meu nome é Antônio Valente e agora lhes conto a história de Vitor e Bruno.
Era 16 horas e meu dia já estava um pouco corrido, tinha apenas 40 minutos com eles. Os dois adentraram na minha sala já manifestando do que se tratava o problema que eles passavam. Vitor era um rapaz baixo, em média 1,60 de altura, tinha cabelos curtos e castanhos escuros, sua pele era de um tom moreno claro, meio amarelado. Vestia uma calça jeans preta, um tênis branco com listras pretas nas laterais e uma camisa do time do Grêmio, preta com listras azuis claro na vertical. Seu corpo era um tanto musculoso, mas digamos de uma forma natural, no qual acorria na adolescência, não parecia fazer malhação. Bruno já era um pouco mais alto que Vitor, tinha o mesmo porte físico e sua pele era mais morena que a do parceiro. Seus cabelos eram lisos e pretos que caiam sobre a testa, usava uma calça jeans branca, sapatos vermelhos e uma camiseta preta.
Eu basicamente dei um basta na discussão dos dois com um “Boa Tarde!”. Vitor logo se pós a falar, ele era afeminado e com certeza demonstrava ser o passivo do relacionamento.
- Doutor, nós precisamos de ajuda. Estamos com um probleminha de ciúmes, quer dizer, um grande problema de ciúmes. O Vitor, ele me faz raiva de mais. Eu sou muito ciumento e trato ele como se fosse meu bebê, dá até pra entender o porquê, não é? Ele tem complexo com a altura dele, ele fica com raiva com a maneira que eu trato na frente dos amigos dele... – Bruno falava rapidamente e gesticulava os braços, enquanto Vitor se enterrava em uma das duas poltronas vinho que havia em frente a minha mesa, parecia está emburrado.
- Eu não tenho complexo com minha altura – Começou Vitor interrompendo Bruno e logo se ajeitando na poltrona – É que sei lá, é estranho, ele é maior que eu, eu queria poder proteger ele de alguma coisa, não sei se é esse o sentido... mas não posso passar uma postura protetora do jeito que ele me trata. Eu até gosto, mas só comigo... Eu tenho uns ciúmes filho da puta dele, e do jeito que ele me trata ele quer tratar os amigos dele... a gente acaba discutindo porque eu fico puto com isso – A voz do menor parecia com raiva de mim, achei isso por causa dos palavrões. Vitor realmente era muito engraçado, e o seu tamanho o deixava mais ainda. Aquele casal realmente estava me divertindo.
- Bruno você tem que saber que há diferenças em tratar o seu namorado de um jeito e tratar os seus amigos do mesmo jeito. Tem que haver diferenças, não pode ser o mesmo tratamento.
- Ah doutor mais as vezes ele exagera! Ele reclama com as roupas que eu uso, reclama quando demoro pra atender o celular, reclama quando passo tempo de mais com os meus amigos. O que ele tem de pequeno ele tem de ciumento.
- Para com isso! Tu ainda é pior comigo... Escuta Doutor, houve uma vez que ele me forçou, escute bem, ele me forçou... à vestir a porra de uma fantasia de joaninha para ir numa festa a fantasia que um dos amigos dele deu. JOANINHA! Tenho cara de viado pra usar fantasia de joaninha, Bruno?
- Mas tu tava muito fofo amor, todo mundo achou isso. E também você usou aquela fantasia diversas vezes quando tava somente eu e você, naquelas horas.
- Não temos problemas com nossa vida sexual pra você falar isso!
- Calma gente – Retornei ao controle da situação, evitando rir um pouco, eu realmente estava achando aquele casal um tanto engraçado. Não estava considerando como um deboche, eu estava gostando de ouvi-los – Vitor, o que você gosta no Bruno? Diga pra mim somente as coisas que tem nele que te fizeram querer namorar...
A sala se fez um momento de silêncio, os dois não se olhavam, apenas para mim. Antes de responder a minha pergunta, Vitor estralou os dedos de uma das mãos e logo começou a falar devagar e mais calmo.
- Bem, eu gosto muito dele. Ele é uma delícia, digamos assim (risos) Gosto do jeito que ele é fofo comigo, do jeito que ele me trata, ele é bem atencioso e sempre escuta o que eu tenho pra falar, ou me força quando eu não quero falar dos meus problemas, o que me deixa mais relaxado. Gosto do bumbum dele também (risos) sou apaixonado por ele. Nossa vida sexual é maravilhosa, não tenho do que reclamar, ele sabe do que eu gosto na cama, eu também sei do que ele gosta e a gente se entende. Eu sinto muito ciúmes dele, sei lá, tenho medo de perder, porque ele é meu sabe? Só meu – Vitor falava olhando para mim, ainda se recusando olhar para Bruno, que de relance soltava uns suspiros pelas palavras do outro.
- Isso é realmente bom Vitor. Entendi que o jeito com que ele te trata não é um problema pra você, o problema está em ele querer tratar os amigos também do mesmo jeito – Confirmei isso já me direcionando para Bruno – Sua vez agora!
- Eu não tenho problemas com a altura dele. Acho o corpo dele muito bonito e muito fofo. Eu acho que tenho uma queda por baixinhos (risos) Na verdade, ele não tem nada de fofo. O Vitor ele é bem sério, é meio estressadinho e sei como lidar com ele. Gosto quando ele pergunta as coisas que eu fiz no dia, gosto do jeito dele, eu realmente adoro, não sei nem descrever de maneira exata. Ele é protetor, ciumento, romântico quando ele sabe que to precisando ouvir coisas bonitas, firme quando eu to precisando ouvir conselhos. O que realmente me deixou apaixonado por ele, foi esse jeito que ele tem de saber o que eu realmente estou precisando, em termos de sentimentos. Ele sempre acerta meu momento – Bruno falava de forma mais calma e às vezes olhava para Vitor que ainda se mantinha de forma emburrada.
Sorri para os dois que me olhavam com curiosidade. Esse casal apesar de sofrer com ciúmes e maneiras de tratamento um com o outro, realmente se gosta e se identifica. É muito importante você também de adaptar aos defeitos do seu parceiro. Você não tem que amar apenas as qualidades, você tem que amar os defeitos. Se são qualidades não deve se preocupar com isso. Um relacionamento é praticamente feito apenas dos defeitos do que das qualidades dos dois.
Os 40 minutos passaram correndo, logo depois de conversarmos e trabalharmos em como resolveríamos a situação de Bruno e Vitor, diverte-me muito com as histórias que eram contadas pelo os dois, principalmente pelo o Bruno, que deixava Vitor em uma situação bastante constrangedora em algumas situações.
Os dois saíram da minha sala em uma situação completamente diferente do que tinha entrado. Bruno era alguém muito diferente de Vitor, eles eram bem opostos, tanto em comportamento quanto tratamento com pessoas. Formavam um lindo casal, e era desses que eu mais gostava de receber em meu consultório.
Até mais, beijos do seu querido terapeuta.
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