Tequila Com Limão
21 Um momento ou dois
Notas iniciais
Capítulo 20 – Um momento ou dois
—Nós devíamos voltar, logo Nathália vai começar a procurar por mim. — Carolina falou agora com os pés no chão, o corpo todo tremendo, ainda abraçada a Daniel, o beijo que haviam acabado de trocar tinha balançado todo o seu mundo juntamente com todas as coisas que ele contou. Os olhos dele estavam semicerrados, sua respiração presa na garganta.
—Você tem razão. — Ele se afastou um pouco, controlando o seu corpo depois da onda avassaladora de desejo que o possuiu. Ter Carolina em seus braços era como uma droga altamente viciante, ele não queria mais soltá-la.
Ficaram ainda alguns minutos se encarando, os rostos próximos, olhos nos olhos. Daniel ergueu a mão e tocou o rosto de Carolina, então aproximou-se mais e lhe deu um selinho demorado, depois se afastou e sorriu para uma Carolina ainda de olhos fechados.
—Vamos voltar. — Ele sussurrou em seu ouvido enquanto ela abria os olhos e respirava fundo, o coração batendo acelerado cada vez que Daniel tocava sua pele.
Ele recolheu as coisas e jogou tudo na mochila, depois começaram a caminhar lado a lado sentindo a areia sob os pés. Subiram a duna e viram as luzes do lugar onde o pessoal estava reunido curtindo o luau.
—Vão falar se virem nós dois caminhando juntos daqui... — Ela falou.
—Você se importa? — Daniel perguntou com uma sobrancelha erguida.
—Nenhum pouco. — Carolina sorriu, então Daniel passou um braço sob os ombros dela e continuou caminhando ao seu lado até chegarem perto da fogueira.
Algumas pessoas olharam para os dois juntos, outras nem deram bola. Tom não gostou nenhum pouco do que viu e fechou a mão com força em um punho cerrando os dentes. Quando Daniel sentou na areia, Carolina, absorta a todo o resto ao seu redor, sentou entre as pernas dele, ele pareceu surpreso no início, mas logo em seguida passou os braços ao redor do corpo dela e a puxou para mais perto.
Carolina estava mais solta, sem ligar para nada ao seu redor, sem se preocupar com o futuro, somente aproveitando aquele momento com ele. Talvez fossem as doses de tequila que ela havia tomado, talvez fosse algo mais. No momento, ela só queria os braços dele ao seu redor e que o resto fosse para o inferno, toda a dor, todo o medo, todo o sofrimento.
—Aha, vocês dois estão aí. — Nathália se jogou na areia ao lado dos dois. — O que estavam fazendo sozinhos atrás daquela duna, hein, espertinhos?
—Você está bêbada? — Carolina ergueu as sobrancelhas.
—Eu? Eu não. — Ela riu tomando mais um gole da bebida que tinha nas mãos.
—Tem certeza, Nath? — Daniel perguntou rindo.
—Eu estou ótima, tomei só um golinho, é meu primeiro copo.
Ela ergueu a bebida quase derrubando tudo no chão.
—A primeira? — Marcus apareceu ali rindo. — A primeira depois da décima né?
—Você está controlando quanto eu bebo? Vá cuidar da sua vida. — Ela disse irritada.
—Eu estava cuidando da minha vida até você derramar um copo desse negócio aí na garota que estava comigo. — Ele ergueu uma sobrancelha, Nath virou os olhos.
—Ela estava sendo ridícula, por favor. Só faltou erguer a saia pra você no meio de todo mundo.
Carolina olhou para Daniel confusa, ele sussurrou “longa história” em seu ouvido e segurou o riso.
—E você não estava com ciúmes, estava? — Marcus perguntou pegando o copo das mãos de Nathália e dando um gole na bebida.
—Ciúmes de você? — Ela deu uma gargalhada. — Nem nos seus sonhos.
—Aham.
—Vai a merda, Marcus. Eu tinha dez anos quando falei aquilo, era uma menininha, já mudei de ideia faz tempo.
—Então eu não sou o cara mais gostoso da cidade e você não me ama mais? — Ele colocou a mão no peito fazendo cara de triste enquanto zoava Nathália.
—Você nunca foi, querido. Eu era uma menininha apaixonada pelo vizinho, se toca. — Ela riu dessa vez mostrando o dedo do meio para ele. — Você é muito chato, muito certinho, muito água com açúcar. — Ela deu de ombros pegando sua bebida de volta.
Carolina observava tudo confusa, Nathália e Marcus se conheciam desde crianças então e ela tinha sido apaixonada por ele? Marcus recebeu as palavras de Nathália com o sorriso presunçoso de desfazendo aos poucos.
—Água com açúcar? — Marcus perguntou.
—Totalmente. — Nathália disse e ficou em pé um pouco tonta.
—Água com açúcar! — Ele olhou incrédulo para um Daniel que ria muito agora. — Ela vai ver quem é água com açúcar!
Sem perder tempo Marcus ficou em pé e puxou Nathália pelo braço fazendo com que ela se virasse rápido demais, a bebida virou inteira na camiseta dele, mas ele nem deu bola, segurou o rosto dela firme com as duas mãos e invadiu sua boca sem pedir permissão. O copo caiu na areia enquanto Nathália movia suas mãos para os cabelos de Marcus e correspondia ao beijo com paixão.
Gritos e assobios preencheram o ar e Carolina sorriu balançando a cabeça. Aquela estava sendo uma grande noite.
Marcus se afastou de Nathália ainda segurando seu rosto, alguma coisa havia mudado em seu olhar e ambos pareciam absortos.
—Por que você fez isso? —Nathália perguntou, agora parecendo mais sã, o choque deixou sua mente mais clara.
—Você estava nervosa. Água com açúcar faz bem. — Ele falou olhando os lábios dela.
Nathália não sabia o que dizer, então simplesmente deixou que ele a puxasse para um lugar ao redor da fogueira e a sentasse entre suas pernas. Alguém por ali gritou um “finalmente” e Daniel olhou para Carolina.
—O que foi? — Ele perguntou vendo que ela parecia confusa.
—Hã? Não, nada, eu só não sabia que eles, hum... que a Nath gostava do Marcus e ele dela pelo jeito... —Carolina sorriu e ficou feliz pela amiga.
Enquanto a música tocava algumas pessoas em volta da fogueira dançavam e falavam besteiras, muita gente estava bastante bêbada, alguns dormindo na areia mesmo, a maioria ficaria pela praia e veria o sol nascer daquele jeito.
Daniel abraçado ao corpo de Carolina deu um beijo em seu ombro fazendo com que ela virasse o rosto para ele, em seguida ele deu um selinho em seus lábios e ela sorriu.
—Obrigada por isso. Essa é minha melhor noite, em muito tempo. — ela disse para ele.
—A minha também, doce Carolina.
Então Daniel segurou seu rosto com uma mão e a beijou outra vez. Depois ela recostou a cabeça no peito dele enquanto ele mantinha suas mãos em volta do corpo dela. Seus olhos foram de fechando lentamente e com um pequeno sorriso no rosto ela percebeu que teve mais de um momento perfeito naquele dia e não soube dizer qual dos dois foi o melhor.
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