Tequila Com Limão
16 Tom
Notas iniciais
Capítulo 15 – Tom
Carolina entrou em casa e subiu para o quarto, foi até a janela com a luz apagada e viu Daniel indo embora. Suspirou. Precisava se afastar dele, não poderia se aproximar mais, correria o risco de se apaixonar por ele e isso não podia acontecer. Não suportaria perdê-lo. Mas ele era tão insistente o tempo todo! Isso a deixava maluca, ele não podia simplesmente se afastar dela como ela havia pedido?
Colocando uma camiseta velha deitou-se na cama e ficou pensando no que faria para afastá-lo. O jeito mais fácil seria andar com algumas pessoas de sua escola e evitá-lo o máximo possível.
O final de semana passou e Carolina não saiu de casa, conversou pelo telefone com Nathália que agora tinha seu número residencial e combinaram de ir até a praia no domingo à tardinha com mais um pessoal. Perto das cinco horas, Nathália chegou a casa de Carolina no domingo.
–Olá! – Anne atendeu a porta. – Você é a Nathália?
–Sim, senhora. – Nathália sorriu.
–Carolina já está descendo. – Anne sorriu enquanto Carolina aparecia nas escadas, estava vestindo uma calça jeans e uma camiseta preta.
–Oi. – Carolina sorriu. – Tia, vamos para a praia, volto mais tarde.
–Tudo bem querida, divirta-se.
As duas saíram e foram para a rua, Nathália estava levando uma mochila nas costas, usava uma bermuda e uma blusa de mangas compridas que estavam remangadas até os cotovelos.
–Estou levando marshmallows, vamos fazer uma fogueira à noite.
–Ah, legal. – Carolina sorriu. – Adoro marshmallows.
Logo chegaram a praia e havia uma pequena turma reunida em um circulo conversando, a maioria dos outros banhistas já começava a arrumar suas coisas para voltar para casa. Os amigos começavam a juntar lenha para a fogueira. Carolina foi apresentada a todos por Nathália.
–Pessoal, essa aqui é a Carolina, Carolina, esses aqui são Marcus, Annabel, Jeni, Lucas, Mona, Carlos e aquele é o Tom. – Ela apresentou apontando para cada um.
Carolina reparou que Annabel parecia ser a menina “fofa” do grupo, ela usava uma saia comprida e florida com uma blusa branca, os cabelos loiros encaracolados estavam soltos e os olhos eram de um azul lindo, Marcus era alto e magro, com os cabelos um pouco desgrenhados nem curtos nem compridos, um meio termo. Lucas era moreno e os cabelos eram curtos, tinha olhos castanhos, parecia que malhava um pouco, Jeni era simples, com uma bermuda curta e uma blusa de alças azul, seus cabelos eram castanhos e os olhos também, era bonita. Mona se destoava das outras meninas por ter um estilo bem diferente com seus cabelos vermelhos e bem curtos, um corte quase masculino, usava brincos de argolas, uma saia no estilo exército e uma blusa preta colada ao corpo mostrava que ela tinha uma barriga sarada. Carlos usava calças largas e uma camiseta regata, tinha várias pulseiras no braço esquerdo e outras na perna direita, os cabelos eram curtos e pretos, tinha olhos azuis bonitos. Tom se destoava tanto do grupo quanto Mona, eles só não ficavam isolados porque eram ambos diferentes. Tom estava usando uma calça preta e camiseta da mesma cor, seu cabelo era preto arrepiado, parecia ter gel, tinha algumas tatuagens nos braços fortes, era mais alto do que ela e parecia ter um corpo com tudo no lugar, não que ela tivesse reparado muito nisso depois de perceber aqueles olhos verdes fitando-a longamente.
–Olá. – Carolina falou desviando o olhar do dele e ficando com as mãos nos bolsos de trás do jeans.
Todos a cumprimentaram, Tom demorou-se um pouco segurando sua mão, ela percebeu e novamente ele a estava fitando com aquele olhar. Carolina soltou sua mão da dele e sentou-se perto de Mona que lhe deu um cutucão de leve.
–Tom está de olho em você. – Ela disse e riu.
–O que? Hã, ah, não... – Ela deu de ombros. – Deve estar estranhando Nathália ter trazido mais alguém junto. Gostei da sua tatuagem no ombro. – Carolina disse reparando na águia no ombro dela.
–Fiz quando tinha quinze anos, tenho outras nas costas e pernas. – Ela disse.
Conversaram todos até começar a escurecer, então acenderam a fogueira e começaram a assar os marshmallows. Tom sentou-se ao lado de Carolina depois de assar um, Mona estava conversando com Marcus agora.
–Olá. – Ele disse.
–Olá. – Carolina respondeu mordendo seu marshmallow, ela constatou que ele era bonito, realmente, mas por um momento, muito pequeno, viu-se comparando-o a Daniel e percebeu que ninguém conseguiria superar o cabelo bagunçado de Daniel e os olhos verdes que ele tinha, nem aquele sorriso torto quando ele inclinava a cabeça para o lado e a encarava.
–Você está viajando agora né? – Tom falou olhando a garota a sua frente, ela parecia estar com os pensamentos longe.
–Ah, desculpe, não, eu só...
–Tudo bem. Também fico assim as vezes. – Ele deu de ombros. – Quer um gole? – Só então Carolina percebeu que ele estava comendo marshmallows e tomando alguma coisa, era tequila.
–Quero. – Ela pegou a garrafa e bebeu disfarçando a careta quando o líquido queimou a garganta. Ela não era mais a mesma, mudar seus antigos hábitos talvez fizesse com que acreditasse nisso. Não era mais a boa menina que chegava na escola no horário certo, não fumava e não bebia. Todos morreriam, mais cedo ou mais tarde, de que adiantava não fazer aquelas coisas? Viveriam mais tempo, não teria câncer, cirrose ou algo do tipo por isso? Bobagem. Todos morrem um dia. E ela decidiu que não estava afim de morrer sem aproveitar o que a vida podia lhe oferecer.
Tom começou a conversar com ela, ele parecia ser aquele tipo de garoto com quem antes ela nunca falaria, julgaria como um idiota qualquer que gosta de beber só pela graça de se mostrar para os outros, um pequeno lado dela ainda o achava um pouco assim, porque ele parecia fazer aquilo só para ser o ''bad boy'' da turma, mas tentou ignorar isso. Ele era diferente de Mona, Mona tinha aquele jeito todo próprio dela mas parecia ser uma pessoa diferente, com a cabeça mais centrada, Tom parecia um garoto revoltado com o resto do mundo, simples assim, apesar de em alguns momentos ficar bastante quieto e distante.
Já eram quase onze horas quando Carolina decidiu ir embora. Ela avisou Nathália e Tom se ofereceu para acompanhá-la.
–Vou com você. – Ele disse ficando em pé. Carolina percebeu o olhar que Nathália lançou a Tom.
–Eu vou com ela, não se preocupe, Tom. – Nathália disse.
–Não precisa, gente, posso ir sozinha. – Carolina falou tentando focar os olhos em Nathália, ela estava um pouco tonta por conta da tequila, dividira uma garrafa com Tom.
–Não esquenta, Nati, vou levar ela. – Ele disse parecendo estar brabo com Nathália por ela ter se intrometido. Carolina franziu o cenho e deu de ombros.
–Vamos lá, então. Tchau pessoal. – Ela se despediu e Tom a seguiu.
Os dois já haviam andado duas quadras, Carolina estava caminhando um pouco tonta e Tom estava ao seu lado dando risada de alguma coisa que ela não sabia o que era. Ela olhou para frente e percebeu Daniel vindo na direção contrária deles, ele estava com a testa levemente franzida encarando Carolina, depois olhou para o lado e viu Tom, uma carranca se formou no rosto de Daniel. Ele estavam há uma distância de menos de três passos.
–Ora, ora, Daniel! – Tom falou quando avistou Daniel. – Quanto tempo!
–Tom. – Daniel falou numa voz fria. – Olá, Carolina. – Se dirigiu a ela sem amenizar a voz. Carolina sentiu um frio percorrer sua espinha, o álcool da tequila parecia ter evaporado de seu corpo por um segundo.
–Oi. – Carolina falou olhando para ele. Ela sentiu seu estômago se contrair levemente.
–Vocês já se conhecem? – Tom perguntou com uma sobrancelha erguida e um sorriso zombeteiro no rosto, como quem diz “ela está comigo agora”.
–Já nos vimos por aí. – Daniel falou. – O que você está fazendo com ela?
–Levando para casa. – Tom sorriu e passou o braço pelo ombro de Carolina que franziu o cenho. Os punhos de Daniel se fecharam. Tom teve a intenção de fazê-lo entender as coisas de modo errado e conseguiu.
–Eu estou indo para a minha casa. – Carolina falou. – Tom está me acompanhando até lá. Estávamos na praia com alguns amigos.
Daniel olhou para ela.
–Achei que você não estivesse afim de novas amizades. – ele disse lembrando o modo como Carolina o tratou quando ele tentou se aproximar dela.
–Ela sabe escolher. – Tom piscou para ele. – Agora se nos der licença, estamos indo.
Daniel encarava Tom com um olhar gelado. Carolina percebeu que eles não se davam nenhum pouco bem. Os dois passaram por Daniel, o braço dela roçou no dele levemente e ela sentiu um arrepio novamente. Se encararam nos olhos, os verdes dela com os verdes dele. Quando ela virou o rosto sentiu ele suspirar.
–Vou com vocês até lá então. – Falou, virou-se e caminhou ao lado de Carolina, ela estava entre os dois. O braço de Tom não estava mais sobre os ombros dela.
Carolina encarou Daniel surpresa e ao mesmo tempo aliviada, ela não sabia por quê, Tom não gostou nada daquilo percebeu. Caminharam os três até a casa dela com poucas palavras trocadas, algumas pareciam indiretas entre Daniel e Tom, mas ela não conseguiu entender porque eles pareciam não se dar bem. Quando chegaram a casa dela ela deu tchau aos dois e entrou sem olhar para trás. A ideia era afastar Daniel e não ficar grata por ele acompanhá-la até em casa junto com Tom. Balançou a cabeça e foi para o seu quarto.
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