Tequila Com Limão
4 Presente
Notas iniciais
Três dias após o acidente, Carolina abre os olhos. Ela está em um quarto branco que cheira mal. Um homem calvo, que aparenta ter pouco mais de cinquenta anos, vestido com um jaleco branco se aproxima da cama com uma prancheta, ajeita os óculos e a olha nos olhos:
– Como se sente? – Ele pergunta calmo.
–Com dor. – Ela responde sem entender o que se passa ao seu redor.
–Ah, sim... Essa dor vai passar com analgésicos.
–O que aconteceu? Onde eu estou? – Ela ainda parece confusa.
–Você sofreu um acidente de carro e está num hospital. – O médico responde fazendo algumas anotações na prancheta.
–Mas... eu.... eu não lembro de nada...
–Vamos fazer alguns exames. –Ele a olhou um pouco preocupado.
–Doutor, porque eu não me lembro de nada ?
–Você está com amnésia. Consegue lembrar seu nome? – Ele pergunta para ver o grau do problema em que se situa Carolina.
–Não... – responde confusa. – Eu acho que é... ah... eu não faço ideia... – Ela balança a cabeça negativamente.
–Tudo bem, fique calma. – Ele a tranquiliza. – Vamos fazer alguns exames.
O doutor leva Carolina para uma outra sala branca, cheia de aparelhos estranhos, que ela jamais vira. Depois de alguns exames com raio x e outras maquinas que viam seu cérebro por dentro e após mais algumas anotações, o doutor volta-se para ela:
–Você vai ficar bem logo. A amnésia é passageira. – Os dois voltaram para o primeiro quarto, aquele do cheiro ruim. Carolina deitou-se na cama.
–Quem eu sou doutor? – Ela pergunta confusa.
–Seu nome é Carolina Vasconcellos, seus pais, – o doutor começa a falar receoso – chamavam-se Katherina e Jhon.
Ao ouvir aqueles nomes a cabeça de Carolina começa a doer, uma dor insuportável, ela leva as mãos aos olhos para cobrir as lágrimas que começam a cair. Porque ela chora se não se lembra de nada?
–Carolina, você está bem? Lembrou de alguma coisa? – O doutor senta ao lado dela na cama.
–Eu... eu conheço esses nomes, conheço estas pessoas, mas... não consigo vê-las. Minha cabeça está doendo doutor! – ela diz ainda chorando.
–Tome isto, amanha você ficará melhor e talvez consiga lembrar... de algo... – Ele diz ainda receoso entregando-lhe um comprimido.
–Obrigada. – ela agradece, toma o remédio e após breves segundos olhando aquele teto branco adormece.
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