Tequila Com Limão
2 O Acidente
Notas iniciais
Tudo começou naquele dia frio, em uma manhã chuvosa de agosto. Carolina sentia-se triste, estava deixando tudo para trás, amigos, amigas, colegas de uma vida inteira. O tempo fechado era representado em seu semblante cabisbaixo.
–Filha... – Chamou sua mãe, que estava ao lado de Jhon, seu marido, no banco dianteiro do carro.
–O que? – Respondeu olhando a chuva cair enquanto o carro se movia rápido.
–Chegaremos em meia hora. Anime-se! Você fará novos amigos rápido. – Disse Kathe tentando consolá-la.
–Não quero novos amigos mãe. – Ela falou encerrando o assunto.
–Carolina, não seja tão dura com sua mãe. Estamos fazendo isso para melhorar sua vida, querida. – O pai falou prestando atenção ao espelho para olhá-la nos olhos.
–Jhon! Cuidado! -Kathe gritou.
Jhon voltou rapidamente o olhar para a estrada, pisou no freio e o carro derrapou na pista, o caminhão que vinha sem controle tombou a carroceria por cima do carro. Após acontecer isso, Carolina acordou espremida entre ferro amassado, cacos de vidro e sangue. Seus olhos se encheram de lágrimas com a visão que tinha a sua frente.
–Mãe! Pai! – Ela gritou antes de seus olhos escurecerem.
Ouviam-se freadas desesperadas de carros e vozes ao redor do local, as pessoas viam aquela cena horrorizadas, sons de sirene tomaram conta, gritos pedindo ajuda vinham do caminhão, nada ouvia-se do carro onde Alexia se encontrava.
–Aqui! Rápido! – Uma voz fora do carro gritou chamando por ajuda.
–Quantos estão dentro?
–Um homem e duas mulheres, uma jovem, deve ser filha...
–Rápido, tragam as macas!
O carro amassado entre as rochas de um enorme morro dificultava a retirada de seus passageiros, o movimento lá fora era tenso e afobado, qualquer minuto poderia ser fatal, poderia significar uma vida, ou, as três.
–Estão mortos. – Um bombeiro disse.
–E a garota atrás? – Outro perguntou.
–Não sei, é difícil alcançá-la, precisamos agir logo.
–Tragam alguma coisa que sirva de alavanca! Vamos tirá-la daqui! – Uma voz com esperança.
Houve um movimento fora do carro, contagens regressivas e a porta de trás conseguiu ser arrancada com o esforço de três homens.
–Vamos, tirem-na dai!
–A maca! Tragam a maca! Ela está viva!
Algumas pessoas comemoraram enquanto a jovem garota era retirada do carro e colocada em uma maca. Rapidamente Carolina foi levada a ambulância, colocaram nela oxigênio, o estado era muito grave, sua respiração desacelerava mais a cada minuto, logo estava praticamente imperceptível.
–E os outros ocupantes do veiculo? – um enfermeiro perguntou.
O outro só balançou a cabeça negativamente.
–Coitada... – respondeu num sussurro. – E os do caminhão?
–A mulher estava grávida, foi levada a outra cidade, mas acho que não vai sobreviver...
–Ela está... sozinha... – a voz era desolada.
Depois disso a conversa foi cessada, Carolina teve uma convulsão, os enfermeiros tentavam estabilizar o quadro dela, mesmo sem recursos suficientes.
–Vamos! Não podemos perdê-la! – a voz dos enfermeiros ficava cada vez mais distante.
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