Tequila Com Limão
5 Lembrar, como dói lembrar
Notas iniciais
No dia seguinte, ela acorda, novamente naquele lugar que cheira estranho, hoje, ao invés do médico, encontra-se uma mulher loira, de mais ou menos trinta anos parada ao lado dela na cama.
–Carolina! – A mulher sorri contente ao vê-la.
–Quem é você? – Carolina pergunta confusa.
–Você não deve se lembrar de mim... Eu sou sua tia, irmã de sua mãe, faz dezessete anos que não te vejo. – A mulher explica.
–Não lembro mesmo... – Carolina concorda – Você me viu quando eu era bebê então ?
–Sim. Vi você nascer no hospital, cuidei de você nos primeiros meses, depois mudei-me com meu marido para cá, desde então, eu e sua mãe não nos encontramos mais. – O rosto da mulher entristeceu, ela deixou uma lágrima cair.
–Está chorando?
–Você não se lembra de nada?
–Não. Gostaria que alguém me explicasse...
–Eu acho que não posso fazer isso... mas o médico disse que você logo se lembraria, de tudo. – a mulher levou a mão ao rosto de Carolina e acariciou-o. – Vai ficar tudo bem.
–Bom dia. – o doutor entra no quarto e sorri.
–Bom dia. Doutor, eu lembrei das pessoas, dos meus pais, sonhei com eles ontem a noite, sonhem com um acidente... Onde eles estão?
–Carolina... – Doutor olhou para a tia da garota.
–Por favor doutor... eu gostaria de vê-los... talvez eu me lembre de mais coisas, tudo está tão vago...
O doutor já não sabia mais como falar.
–Carolina... seus pais... o acidente... não foi só um sonho... você estava com eles no carro.
Carolina ficou muda olhando o nada, era como se tudo estivesse voltando para sua cabeça, ela reviu a chuva, a velocidade do carro, a pista molhada, ouviu outra vez as palavras do pai e o grito de cuidado dado pela mãe. Seu coração parou por alguns instantes.
–Não! – ela gritou chorando, as imagens do carro amassado e do sangue ao seu redor vieram-lhe na cabeça.
–Calma querida! – sua tia lhe abraçou.
–Mãe! – ela gritou desesperada entre soluços. – Não! Não! – seu corpo tremia, aquela dor era insuportável.
–Acalme-se! – Disse o doutor.
O médico via o desespero da jovem garota, ele imaginava sua pequena menina, de apenas doze anos no lugar de Carolina. Ele parecia sentir a dor que ela sentia agora. Uma garota de apenas dezessete anos, o destino tira dela seus melhores amigos e logo em seguida, tira para sempre de sua vida os pais que ela tanto amava. Carolina sentia-se vazia. Sozinha. Ela estava sozinha.
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