Tequila Com Limão
28 Dias que seguem
Notas iniciais
Capítulo 27 — Dias que seguem
Daniel ficou alguns instantes ainda olhando para a porta da casa fechada, tudo estava errado. Quando finalmente tinha se aproximado de Carolina, ela se afastou completamente outra vez, colocou sua armadura para evitar ser quebrada, para evitar sentir-se daquela forma, ele queria entendê-la, queria respeitar, dar tempo a ela, mas, ao mesmo tempo, queria mantê-la nos braços pelo dia inteiro e colocar um sorriso no seu rosto, ele não queria se manter afastado.
A única coisa que ele tinha conseguido era fazê-la chorar outra vez e isso o deixou triste. Ele baixou a cabeça e deu as costas para a casa indo embora. A chuva ainda estava fraca e Daniel não se importou, na verdade gostava e deixar os pingos caírem em seu rosto, de alguma maneira fez ele acreditar que não estava realmente chorando naquele momento.
Carolina não era sua namorada, eles não tinha nada na verdade, mas, ao mesmo tempo, tinham tudo, aquele laço, aquele sentimento dentro do seu peito toda vez que olhava para era não podia ser nada, era forte demais, era real de mais, era quase palpável o modo como seu coração se sentia em relação a ela. E ele sabia que a maneira como ela o olhava significava que também sentia aquilo, mesmo que quisesse esconder.
Já em seu apartamento, mudou de roupa e sentou na sacada vendo a chuva cair, começou a dedilhar em seu violão uma melodia triste e lembrou de como foi tê-la nos braços, do seu corpo junto ao dela embaixo do cobertor, o cheiro dos seus cabelos...
Enquanto isso, em seu quarto, Carolina tentou secar as lágrimas quando sua tia bateu na porta e entrou em seguida com uma caneca de chá.
—Querida... Tome este chá, você vai ficar doente com toda a chuva fria que pegou.
—Estou bem, tia. — Ela disse sentando na cama.
—Sim, com certeza está. — A tia disse soltando um suspiro. — Posso ver isso no modo como está agarrada a esse travesseiro. Daniel magoou você? Ele sempre me pareceu um garoto bom.
Carolina fungou ao perceber que a tia sentava ao seu lado na cama e acariciava seus cabelos. Seu peito doía, mas ela não conseguia se abrir com sua tia, queria que sua mãe estivesse ali.
—Querida... Sei que é difícil, mas essas coisas acontecem, nos desentendemos com aqueles que amamos, mas tenho certeza que as coisas voltaram ao normal logo.
—Eu não amo Daniel. — Ela disse encarando a tia. Não podia amá-lo.
A tia sorriu de modo complacente e continuou acariciando a cabeça da menina.
—Então porque está desse jeito por ele?
—Eu... Eu não... — Ela suspirou sentando-se na cama. — Não podemos ficar juntos, ontem vi uma garota beijando ele e foi... eu não quero me sentir assim novamente, ele disse que ela a beijou sem mais nem menos, mas mesmo assim... E se ele se for um dia? — Perguntou suplicando para a tia.
—Ah, querida! — A tia a puxou e a abraçou. — Sinto muito que isso tenha acontecido, mas você não pode passar sua vida afastando as pessoas. Daniel gosta muito de você, ele chegou aqui desesperado e quando eu disse que você havia saído ele passou o dia sentado na varanda. Você não pode viver com medo do que pode acontecer, porque o futuro é apenas isso, probabilidades, você não pode se agarrar somente as coisas ruins que podem vir a acontecer.
—Quando... quando mamãe e papai... — Ela suspirou buscando forças, nunca tinha conversado sobre o acidente com a tia. — quando tudo aconteceu... eu quis morrer, desejei com todas as minhas forças não sair daquele hospital depois que... — As lágrimas vieram aos seus olhos e ela não conseguiu segurá-las. — Não sei se consigo sobreviver a algo como aquilo outra vez, é por isso que não posso ficar com Daniel, se ele se for mais tarde, eu não... — ela deixou as palavras morrerem enquanto mais lágrimas irrompiam.
—Shh... Tudo bem, querida. — Sua tia a abraçou novamente e permaneceram assim durante muito tempo.
Mais tarde na cozinha conversando com o marido, Anne suspirou se perguntando se algum dia sua sobrinha superaria o que havia acontecido aos pais. Seu coração se partia toda vez que olhava para a menina e via sua irmã refletida naqueles olhos, porém tão sem vida, tão triste... E por mais que Carolina não admitisse a tia pôde ver o quanto ela estava apaixonada por Daniel e compreendeu tudo que a assustava.
—Ela tem medo que ele se vá mais tarde. — Disse para o marido enquanto se apoiava na pia. — Queria que ela ao menos desse uma chance a isso, ela precisa voltara sorrir.
—Dê um tempo a ela, querida. — Martin disse abraçando a esposa e beijando o topo de sua cabeça. — Tudo ainda é muito recente.
Naquela noite Daniel foi até o quiosque na praia e subiu ao palco com seu violão, seus dedos dedilharam canções lindas e tristes, o pequeno público daquele dia nublado pareceu gostar, aparentemente a chuva fina lá fora combinava com a melodia, quando desceu do palco e sentou-se em um banco afastado apoiando aos mãos no balcão, Markus veio até ele.
—E aí. — Cumprimentou o amigo sentando ao seu lado.
Daniel só balançou a cabeça.
—Está tudo bem com você?
Daniel quase deu uma risada. Nada estava bem. Doris, a senhora que atendia o balcão colocou um copo de cerveja na frente dele e ele deu um gole.
—O nome disso é Carolina? — Markus perguntou depois de deixar o amigo permanecer em seu silêncio por um tempo.
—Ela terminou qualquer coisa que talvez tivéssemos começado a ter porque tem medo que eu a deixe. — Ele disse tomando mais um gole. — Cabeça-dura.
Markus sorriu solidário.
—Pelo menos ela não está tentando invocar o diabo para levar você pro inferno como a Nathália fez comigo.
Daniel olhou para o amigo confuso, Markus deu de ombros.
—Ficamos aqui e ali depois da praia, mas sabe como é, a gente não se acerta...
—Você quer dizer que você disse ou fez alguma merda, não é?
—Ela se irrita com tudo. — Markus disse rindo.
—Aham. — Daniel sorriu, sabia que Markus gostava de Nathália mas ele não era dado a namoros sérios e Nath não era o tipo de garota para uma noite só apesar de ter um estilo “foda-se todo mundo”. Eles conversaram durante mais algum tempo sobre as garotas até Markus dizer:
—É amigo, acho que estamos encrencados.
—Nem me fale. — Daniel concordou pensando em tudo que sentia por Carolina e em como ela queria mantê-lo afastado por medo do que poderia vir a acontecer.
—Você vai desistir? — Markus perguntou.
—Você por acaso vai? — Daniel devolveu com um pequeno sorriso, então deu outro gole em sua cerveja.
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