Tequila Com Limão
33 Amanda
Notas iniciais
Capítulo 32 — Amanda
Amanda desembarcou do avião na sexta-feira como programado, entrou no salão do aeroporto e logo em seguida abriu um sorriso quando viu seu irmão segurando uma plaquinha branca com a palavra “Estranha” escrita nela. Correu até ele e o abraçou forte. Mudar-se para o Canadá havia sido a melhor decisão que tomara na vida, o lugar tinha mudado-a completamente, ficou mais forte, aprendeu a caminhar sozinha e a enfrentar seus medos, mas sentia muita falta do irmão. Daniel sempre cuidara dela, porém, ela precisava descobrir quem realmente era sozinha e conseguiu.
—Hey, senti sua falta babaca. — Ela o abraçou apertado.
—Já mostrando as garras, meu deus, Chad não conseguiu lavar essa sua boca suja com sabão ainda?
Amanda deu um soco no ombro de Daniel fazendo ele gemer de dor.
—Não enche. — Disse e depois acabou rindo. — Estou pensando em dizer a ele que mudei de time, o problema é que no fundo acho que ele pode ser uma garota, sério, ele canta Adele enquanto está no chuveiro!
—Oh, e como você sabe que ele canta no chuveiro? — Daniel olhou desconfiado para ela.
—As paredes do apartamento são finas, idiota.
—Aham, sei. — Daniel riu. Então pegando a mala da mão da irmã eles foram em direção a saída do aeroporto. — O pessoal está ansioso para ver você de novo, estão planejando algo. Mas não diga que eu avisei.
—Todo o pessoal? — Amanda perguntou ficando séria por um instante. Ela tinha ido embora principalmente por causa de Tom, eles haviam se envolvido e resumindo, ele a deixara quebrada.
—Tom foi embora, eu acho. Faz tempo que não o vejo na cidade. Não se preocupe. De qualquer forma, se ele chegasse perto de você eu provavelmente o deixaria inconsciente.
Amanda soltou um suspiro, certas feridas podiam doer muito, mesmo depois de anos.
—Não se preocupe, já aprendi a me defender. — Ela disse sem parecer nem um pouco abatida.
Daniel sabia que a irmã havia crescido muito vivendo sozinha no Canadá, ele só não tinha percebido o quanto. Eles passaram por muita coisa crescendo sem a mãe e depois perdendo o pai, e quando Tom machucou Amanda física e emocionalmente foi a gota d'água.
Depois de arrumarem as coisas em um táxi foram para o apartamento de Daniel, passava das três horas da tarde, assim ele sugeriu que a irmã descansasse um pouco antes de eles irem para a praia encontrar os amigos. Depois que ela foi para o quarto ele ligou para Nath e avisou que Amanda tinha chegado, assim combinaram de se encontrarem todos por volta das seis horas.
—Ótimo, estou com hã... — Nath fez uma pausa, depois continuou — a Carol e a Mona agora, vamos ir na casa da Annabel preparar algumas coisas para levar mais tarde. Hã... Nos encontramos lá então.
—Ok. — Daniel respondeu depois desligou o telefone com um suspiro. Encostou a cabeça no sofá e fechou os olhos. Carolina.
Nathália desligou o telefone e as três saíram de casa para ir até a casa de Annabel. Foram caminhando pela rua e ela fingiu não notar como Carolina ficou depois que ela atendeu o telefonema de Daniel. Estava na cara que a amiga sentia falta dele mas estava tão determinada a não dar uma chance ao amor deles que chegava a doer em Nath, a angústia era quase palpável.
Chegando na casa da amiga, as quatro prepararam algumas coisas e depois foram para a praia, já eram quase seis horas, no meio do caminho encontraram o restante do grupo, os meninos tinham ficado responsáveis por arrumar alguma música e eles fizeram isso, assim, prepararam uma fogueira e arrumaram as coisas enquanto mais algumas pessoas chegavam, logo um grupo com umas trinta pessoas havia se formado ali por perto, a maioria das pessoas era do bairro e frequentadores da praia, todos se conheciam por ali e sabiam que Amanda tinha voltado, estavam lá para revê-la e participar da roda em torno da fogueira.
— Ei, eles estão chegando! — Nath disse ficando em pé ao ver Amanda e Daniel se aproximando.
—Quem é viva sempre aparece! — Marcus gritou enquanto Amanda se aproximava e dava um abraço apertado em Nath, Mona e Annabel ao mesmo tempo.
—Que saudades, vadias! — Ela disse.
—Você devia vir nos ver mais vezes, sua babaca, sentimos sua falta, sabia?! — Mona falou.
—Ei, cadê o abraço no Marcão, hein? — Marcus abriu os braços para ela.
—Senti sua falta também, seu promíscuo. — Ela abraçou o amigo rindo.
—Promíscuo, eu? Por favor. — Ele riu piscando e dando um beijo na bochecha de Amanda.
Depois Amanda contínuo cumprimentando os demais amigos, algumas lágrimas apareceram nos olhos dela mas ela as disfarçou rapidamente. Olhando para o irmão percebeu que ele olhava por cima da cabeça dela, para alguém atrás dela, assim ela se virou e viu quem adivinhou ser Carolina, a garota também estava olhando por cima dela, mas logo em seguida desviou o olhar para encarar Amanda, ela abriu um sorriso e se aproximou.
—E você deve ser a Carolina! Prazer em conhecê-la. — disse.
—Hã, ah, sim, sou eu. Prazer em conhecer você também, Amanda.
Amanda sorriu e deu um olhar significativo a ela que prometia que elas voltariam a conversar naquela noite.
—Você está maravilhosa, sua vaca! Mas eu ainda estou decidindo se te dou ou não uns belos tapas por nos abandonar e ir viver no Canadá! — Mona disse abraçando a amiga outra vez. — Cara, sentimos sua falta. — Balançou a cabeça.
Carolina sorriu um pouco enquanto Mona levava Amanda para ver o restante das pessoas ali e reclamava pelo seu afastamento. Ela viu quando Amanda se aproximou novamente do irmão momentos depois, Daniel estava de costas para a fogueira olhando o mar, era fim de tarde, então ela o abraçou de lado e ele passou os braços ao redor dela a puxando para um abraço mais forte, em seguida Amanda sorriu um pouco e virando-se para o mar junto com o irmão, deitou sua cabeça em seu ombro.
—Vai ficar tudo bem, maninho. — Ela sussurrou.
Daniel suspirou e olhou para ela.
—Eu sei que vai, mas eu só queria poder ir lá e abraçá-la.
—Ei, meu abraço não é bom o suficiente? — Ela disse brincando tentando animá-lo.
—Seu abraço é maravilhoso. — Ele sorriu um pouco. — Obrigado por ter adiantado sua viagem.
—Você tem mesmo certeza que quer voltar comigo? Não seria melhor tentar recuperá-la?
Daniel olhou discretamente para trás, para onde Carolina estava, Carol conversava com Nath e não desviou o olhar da amiga, mesmo quando sentiu que ele a olhava. Daniel voltou a encarar a irmã.
—Eu disse que iria deixá-la ir, eu já fiz isso, e ela foi. Estou dando tempo a ela, eu sei que eu precisei de tempo para aceitar quando aconteceu com a mamãe e depois o papai, ela perdeu ambos no mesmo dia, Amanda, ela se sente sozinha, não aprendeu a viver com isso ainda, e o medo que nós sentimos... quero dizer... pelo menos tínhamos um ao outro... e mesmo assim eu demorei muito tempo para aceitar e para seguir em frente, você também, então eu só estou... dando tempo a ela.
—Tudo bem, mas seria bom você estar por perto quando ela percebesse que já consegue seguir em frente.
—E se ela decidir seguir em frente com outra pessoa? E se ela só não conseguiu seguir em frente ainda porque eu não sou a pessoa certa para ajudá-la a superar isso? E se... se talvez ela prefira seguir em frente com Eduardo ou qualquer outro? Eu quero que ela seja feliz, eu quero que ela siga em frente, só não sei se consigo estar perto dela quando ela seguir em frente com outro alguém, porque isso... isso me destruiria de novo. — Daniel confessa.
—Ok. — Amanda simplesmente sussurra e segura a mão dele apertando forte, então dá um beijo em sua bochecha quando sente que Daniel precisa ficar sozinho e lentamente se afasta.
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