Teoria do Caos
2 Prólogo do Início
Notas iniciais
Não farei promessas em relação ao próximo capítulo... Tenho pouco tempo. Mas farei o possível pra ser rápido.
E quando os quatro descerem à Terra, o Bem prevalecerá.
E sem oportunidades de sofrer, o ser humano viverá.
_Olhem! É uma das Restituidoras!
O grito ecoou pela longa e larga passarela. Em ambas suas laterais grandes e belas casas de madeira se erguiam, revelando uma humilde opulência daqueles que nelas habitavam. Todas essas moradias pareciam irradiar uma luz aconchegante e vivificadora; no entanto, se se prestasse atenção o suficiente, notaria-se que tal luz era na verdade o reflexo do que se podia ver no alto: uma infinidade de pontos luminosos que enviavam incessantemente cargas de magnífica luminescência aos que se encontravam abaixo.
Indivíduos das mais variadas formas podiam ser vistos naquela rua, tendo todos eles, porém, duas características em comum: eram todos belos e alegres com suas existências. Todos eles eram de uma simplicidade enorme, e não trajavam roupas d\'ouro, tampouco se enfeitavam com asas angelicais nem auréolas luminescentes. Pelo contrário, vestiam roupas simples, com cores suaves como o branco e, mesmo tendo formas variadas, em sua maioria se assemelhavam com humanos.
A declaração de um deles fez com que os outros voltassem boquiabertos os olhos ao local onde o dedo do que gritou apontava. Lá, uma forma também humana, porém simultanemante distinta de todos os outros, vinha em direção deles.
Tal forma não vestia roupas leves e de cor suave como os demais indivíduos, e sim roupas feias para a maioria, surradas e aparentemente sujas. Tal vestimenta consistia numa camisa de mangas longas marrom e com manchas de sujeira; longas calças da mesma cor mas de um tom mais forte, sem nenhum símbolo ou listra as enfeitando; sandálias de madeira bastante amarelada, revelando sua idade; e no topo de sua cabeça, uma toca amarela, igualmente suja, que cobria a maior parte de sua cabeça, deixando fora apenas algumas mechas de um cabelo com um tom meio esverdeado.
Sua face era bela, mas não pelo simples fato de ser realmente bela, e sim por sua feição ser concomitantemente doce e alegre, como se estivesse dando boas vindas a todos que acabaram de chegar e desejando um bom dia a todos que já estavam no recinto. Seus olhos marrons dançavam uma belíssima canção, buscando outros seres para os quais ela poderia sorrir. Ah! o seu sorriso. Ele envolvia a todos, como se emitisse uma suave melodia, e fazia com que eles o retribuíssem com tudo de bom que possuíam.
Rodeando-a vinham dois beija-flores, que deixavam um rastro de luz e um perfume divino por onde passavam. Eles valsavam uma melodia sublime, realçando a beleza da figura humilde e bela a qual seguiam.
_Olá. — Diz a bela criatura sorrindo preocupada para um dos que estavam na rua – O senhor parece estar se sentindo pouco bem. Precisa de ajuda?
_Oh! senhorita Partilha, por favor, não há necessidade. — Diz o homem com aparência humana, longa barba branca estirando-se até a barriga e olhos profundos e azuis. Ele tenta se levantar apenas para cair onde já estava sentado.
_Por favor, permita-me. — Diz Partilha antes de soprar um suave assovio clamando pela ajuda dos seus fiéis servos voadores, os quais rapidamente envolvem o homem num redemoinho de luz branca. Após finalizado o espetacular processo, o homem parece estar completamente renovado, e se levanta surpreso com a leveza que sente, leveza de outrora que há muito lhe deixara.
_Vejam! Estou bem! Bem como nunca! — Diz o homem, pulando e gritando com todo o ar de seus pulmões agora rejuvenescidos. Ele então vira-se para Partilha e se ajoelha perante a ela – Louvada seja! Tu que és a razão do bem haver no Tudo! Obrigado! — E então se volta para a multidão, correndo saltitante.
Partilha sorri e vê que aquilo era pelo visto o único problema por hora. Não costumavam haver muitos problemas por ali, já que todos os habitantes do local sabiam se cuidar muito bem. Mas Partilha sempre foi caridosa, e mesmo em lugares onde sua ajuda parece desnecessária ela se mostra pronta para servir. Ela era, como o homem bem havia dito, a razão do bem haver em todos os lugares da Existência. Embora, claro, ela nunca fosse ratificar tal afirmação. Ela então prossegue no seu trajeto, rumo ao estábulo.
Durante o caminho, teve que parar inúmeras vezes para ajudar. Um vez a uma moça que precisava pregar um aviso na parede de casa, outra a uma flor que, de acordo com Partilha, não estava “muito colorida”. Quando finalmente chegou ao estábulo, já seria noite, se não fosse dia sempre naquele local. Afinal, ela estava no Sol.
O estábulo tinha a aparência de uma clareira gigantesca. Era como se o ambiente urbano simplesmente sumisse, dando espaço para aquele enorme campo se estender até onde a vista alcançava. E até onde essa mesma vista alcançava, não havia nada além do campo. Mas um assovio escapado dos lábios de Partilha bastou para que um ser de suprema beleza permitisse ser visto. O mais curioso era que essa beleza, assim como a de Partilha, não era visual. Aos olhos mundanos, aquele era um cavalo qualquer. Bem cuidado e de boa aparência, tendo crina e olhos negros e pelo marrom. Comum. Ledo engano. Quanto mais ele se aproximava, mais um sentimento de bem se sentia ao redor. Finalmente ele alcançou Partilha, que aguardava pacientemente a criatura com sorriso e braços bem abertos.
_Humildade! Onde estava esse tempo todo? — Indaga Partilha, abraçando o cavalo como se fosse sua irmã. Para Partilha, todos o eram.
_Perdão, Partilha, não queria preocupá-la. Estava com os outros três em Syclus, atendendo a um chamado. Como era algo de pouca importância, nós quatro resolvemos fazer sozinhos, ao invés de atrapalhar você e suas irmãs.
_Mas Humildade! Syclus não é um corpo celeste de nossa responsabilidade! Você sabe que há outros responsáveis pela ordem de sistemas fora do nosso! Você sabe que eu gostaria de ajudar a todos, mas cada Virtude tem muito o que fazer somente com o que o Criador lhe confiou. Podemos ajudar com o pensamento, mas estar lá é correr risco demais.
Humildade permaneceu calado por um momento, mas depois assentiu, aceitando seu descuido.
_Peço perdão novamente, Partilha. — Diz Humildade, ajoelhando-se defronte a ela.
_Ah, por favor, Humildade! Já é a segunda vez que me fazem isso em um curto espaço de tempo! E você sabe que está perdoado, só estou lembrando-o de nossas responsabilidades. Agora levante-se, por favor.
_Sim. — Responde Humildade, levantando-se – E por que você está aqui exatamente, Partilha? Somente para isso?
_Não somente isso. Sempre é hora de servir. Vamos em mais uma de nossas visitas à Terra. Lembra da primeira vez em que fomos? — Pergunta Partilha, enquanto monta no dorso de Humildade.
_Lembro claramente como a Luz. Quando o primeiro homem andou por sobre a Terra, nossos serviços se fizeram necessários. — Responde Humildade, antes de atirar-se em direção ao campo, sumindo em meio ao pólen luminescente que saltava do solo a cada passo que dava em direção do além-da-vista. Aquelas minúsculas partículas douradas dançavam acompanhando o vento. Tão pequenas, tão pouco notadas quando poucas e separadas, mas tão belas quando juntas e aos montes. Dançavam como se não houvesse amanhã. Para elas apenas o hoje existia. Talvez por isso fossem tão belas.
Notas finais
Paz e Luz.
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