Teoria Da Eevolução
1 Capítulo 1 - Um dia como nenhum outro
De sua poltrona favorita, ele observava a noite pela janela enquanto fumava um de seus charutos. Qualquer um que o visse daquela forma poderia imaginar a sua tranquilidade, mas essa aparência escondia a profunda ansiedade que sentia: aquela era a noite, nada poderia dar errado.
Era rico e esperto o suficiente para pagar alguém competente para realizar o serviço de maneira rápida e discreta, pois seus planos não poderiam suportar qualquer falha nesse momento. Estava tão perto de conseguir seu merecido tesouro, perto de encontrar uma peça chave para a sua busca de vida.
Pela janela, ele olhava para o céu da cidade, esperando por notícias que as estrelas não poderiam lhe dar.
Capítulo 1 – Um dia como nenhum outro
Havia na esquina da rua número 13 um pequeno e velho estabelecimento chamado Volt’s Café, que servia café velho com torradas velhas e uma variedade de velharias que pudessem encontrar em seu estoque – ao menos as boas o suficiente para não serem jogadas fora. Seu dono era o Sr. Jolter, uma criatura de temperamento tão espinhoso quanto seu próprio corpo e que gastava a maior parte do dia tratando mal as pessoas ao seu redor, fossem elas empregados ou os raros clientes.
Bem, não que houvesse mesmo “pessoas” por ali, não naquela terra. Essas criaturas, por demais estranhas, costumavam ser encontradas perdidas em florestas ou vivendo em bandos nômades e pouco se podia compreender sobre elas, tirando o fato de que não possuíam qualquer tipo de poderes para se defenderem e sabiam apenas grunhir sons sem sentido. O povo de Eevland era de outro tipo, mais civilizado e organizado em sua vida sobre quatro patas: eram todos pokémons – mesmo que eles não soubessem bem exatamente de onde esse termo teria nascido.
Na verdade, eram mais do que isso. A população era formada basicamente por um tipo de pokémon com características muito peculiares, os eevees. Há muitas e muitas eras, pouco depois de os Alakazam inventarem a escrita, um grupo dessas criaturas seguiu em rumo a uma terra onde poderiam viver entre si e formar uma sociedade pacífica longe de seus parentes distantes. Isso se devia ao fato de que praticamente todo e qualquer Pokémon, ao atravessar a puberdade, sofria uma mudança drástica em suas formas físicas, mas de uma maneira progressiva e previsível. Ninguém achava estranho, por exemplo, aqueles ratinhos amarelos que soltavam raios virando ratões com ainda mais carga elétrica; ou até mesmo aqueles peixes com cara de palermas se transformando em serpentes marinhas gigantes – quando conseguiam sobreviver por tempo suficiente sem serem devoradas, é claro. Esse rumo certo era natural, era a lei da natureza.
Mas não funcionava assim com os eevees. Tratava-se de uma raça bastante estranha, pois ao alcançar a maturidade, um eevee fazia bem mais do que crescer para uma forma maior ou com mais pelos: eles poderiam virar muitas outras coisas! Por “coisas” devem-se entender as suas possíveis sete formas maduras, cada uma com suas peculiaridades.
Os “flareons” costumavam ocupar a maior parte da região norte, conhecida como o “Vale do Verão Ardente”. Seu temperamento não era menos quente que as chamas violentas que eles podiam lançar garganta a fora – mas ao menos eram todos muito calorosos. Possuíam uma beleza que muitas vezes escondia a sua ferocidade, mas não é como se só soubessem resolver suas desavenças cuspindo fogo.
Ao noroeste se encontravam os “jolteons”, de pelo dourado pontiagudo como agulhas e de uma impaciência monstruosa para a resolução de seus assuntos. Apesar de não serem grandes pensadores, eram os gênios da tecnologia, talvez por serem os únicos dentre os sete a serem capazes de produzir descargas elétricas a partir do próprio corpo. Sua terra era a “TechnoTown”, nome que resolveram adotar acreditando que “Vale das Tempestades” soava um tanto ultrapassado.
Descer para a região sudoeste só poderia significar uma coisa: hora de comprar agasalhos. Enquanto os flareons vivam num verão eterno, seus parentes gelados “glaceons”, talvez pela baixíssima temperatura que liberavam de seus corpos, habitavam a “Colina do Inverno”, onde não havia mesmo outra estação do ano. E, como tal, eram reclusos e pouco comunicativos, ocupando-se prioritariamente com a muralha na borda do território, que servia para manter longe grupos de pessoas que vagavam por lá constantemente. Desconfiavam até de suas próprias sombras.
Na região sul estavam os “vaporeons”, separados de seus vizinhos ao norte por um imenso lago que também alojava as suas moradias, pois é claro que eram capazes de simplesmente se mesclarem à água quando desejassem. Tranquilos e pensativos, os vaporeon eram donos de uma alma artística e contemplativa genuína e construíram assim o “Vale dos Corais”, prédios róseos cuidadosamente edificados sobre as águas do lago, mais para impressionar seus parentes distantes que para habitarem realmente.
Os parentes do sudeste se davam muito bem com os vaporeons, pois se travam de um povo natureba e que construía suas moradias diretamente nas árvores. Os “leafeons”, como eram chamados, eram os grandes produtores de alimento para todos, com suas intermináveis plantações dos mais diversos vegetais. Se relacionavam com outros pokémons que gostavam da natureza e, assim, eram uns dos mais visitados dentre todos os sete por povos forasteiros. Apesar de bastante receptivos, cultivavam também o rancor quando enganados por alguém. E, acreditem, ninguém gostaria de ter uma chuva de folhas cortantes voando em sua direção.
A nordeste estava a região mais curiosa de todas, conhecida como o “Vale dos Dois Mundos”. Tal nome poético surgiu pela desavença entre os dois últimos tipos de eevees adultos, que possuíam crenças profundas sobre a vida e a forma como os outros deveriam leva-la. De um lado estava o povo do dia, com suas misteriosas habilidades de ler mentes, prever as mudanças no tempo ou até mesmo o futuro, capazes de controlar os objetos ao seu redor com sua vontade. Esses eram os “espeons”, criaturas com feições profundamente sérias que contrastavam com sua pelugem rosada e muito delicada, como verdadeiros estudiosos sem muito potencial físico. Do outro lado, contudo, estava o povo da noite, aqueles que adentravam nos mistérios das sombras para controla-las ao seu favor, capazes de provocar medo ou brincar com sentimentos. Tratavam-se dos ”umbreons”, seres de pelo profundamente negro e opaco, com marcas místicas espalhadas pelo corpo e um belo par de olhos muito vermelhos que poderiam surgir das trevas apenas para finalizar seu golpe. Bem, para simplificar, um acreditava nos poderes solares e o outro nos lunares. Brigaram, discutiram, se ofenderam e ficaram nisso por séculos – rixas religiosas sempre causam grandes dores de cabeça. Decidiu-se então que o dia pertenceria aos primeiros e a noite aos segundos, ambos extremamente afastados de todos os seus demais parentes, exceto nas ocasiões em que eram procurados para darem conselhos.
É sabido, contudo, que bisavós, avós e até mesmo pais podem manter vivas as tradições de anos. Mas jovens sempre serão jovens e foram eles que se aventuraram primeiro em direção ao centro do território, conhecendo seus parentes distantes e tirando suas próprias conclusões durante o processo. O resultado disso levou algumas eras para ser formulado completamente, mas basta dizer que com o tempo cada região passou a viver apenas à sombra do passado que possuiu um dia: famílias cheias de história e que se orgulham de seus costumes enquanto a vida de verdade acontece em outro lugar. Nasceu assim “O Centro” – não havia necessidade de um nome melhor –, a parte de Eevland que a faz ser considerada uma cidade grande, cheia de barulho e problemas como qualquer outra deve ser. E é para lá que, depois dessa aula de história e geografia, devemos retornar, direto para o tempo atual. Para o Volt’s Café.
***
Era uma tarde quente na Rua 13 e o movimento por aquelas bantas da cidade continuava o mesmo, praticamente inexistente. Dentro do café, dois clientes esperavam para serem servidos sentados às mesas pouco confortáveis do estabelecimento. Ele ao menos era como a maioria dos prédios comerciais: circular, alto o suficiente para três ou mais eevees adultos montarem uns nos outros – não que eles realmente fizessem isso, mas era uma maneira de medir os lugares –, com assentos acolchoados pregados ao chão, onde qualquer um disposto a consumir poderia descansar seu corpo e aproveitar uma jarra de expresso velho. Não havia, entretanto, nenhum sinal de descansadores de caudas, peças geralmente encontradas em restaurantes finos e utilizadas para acomodar as caudas dos clientes. Todos sabiam que era falta de educação comer e ficar mexendo a cauda ao mesmo tempo.
Havia ali um balcão e, além, uma pequena televisão velha que anunciava o noticiário, ignorada por todos pela maior parte do tempo. O Sr. Jolter herdara o café de sua falecida esposa, Sra. Flarice, uma flareon a quem amou tanto quanto poderia amar alguém que colocasse comida e dinheiro dentro de casa. Não herdara, contudo, a habilidade administrativa dela, reduzindo o que fora um estabelecimento decente ao nível em que se encontrava. Nesse momento ele berrava, como gostava de fazer, feliz por ter uma razão para reclamar:
- Eevan, seu moleque! Se perdeu no caminho? Traga logo o maldito expresso! – gritou ele, provocando pequenas faíscas enquanto a baba voava de sua boca. – Depois você reclama de não ter descansadores de cauda aqui!
- Eu j-já...! – respondeu uma vozinha vinda além de uma porta redonda que levava para a cozinha, antes de ser interrompida por um barulho claro de louça se espatifando.
Era mais do que o Sr. Jolter necessitava. Sem nem olhar para os clientes, passou como um raio para dentro da cozinha, quase derrubando a porta em seu caminho. Como uma nuvem negra e muito carregada, ele despejou sua trovoada sobre seu pior funcionário – metaforicamente falando, claro.
- Seu paspalho infeliz, veja só o que fez! Vou fazê-lo pagar até o último centavo! – rosnou, babando mais um pouco.
Rodeado por jarras velhas reduzidas a pedaços estava um pequeno e franzino eevee, que no momento tentava desesperadamente limpar a sua bagunça. Ele era, de longe, a pior herança que o Sr. Jolter recebera: a cria de sua falecida esposa, um filho adotivo com quem ele pretendera nunca ter que se preocupar na vida. Mas lá estavam eles agora e era responsabilidade dele castigar o menino por existir. Isso ao menos o deixava mais relaxado, normalmente.
- Foi sem querer... – murmurou Eevan, sem encarar o padrasto.
- Chega de desculpas! Você me dá mais prejuízo que qualquer coisa nessa joça de lugar! Não sei porque me dou ao trabalho de aturar você...
- Deve ser porque esse lugar é meu, na verdade... – retorquiu o garoto, mais para si mesmo que para o jolteon raivoso à sua frente. Mas não falara baixo o suficiente.
- O QUE VOCÊ DISSE?! – faíscas ameaçadoras percorreram seu corpo gorduroso. – Com quem você acha que está falando? Você tem onde comer e dormir graças a MIM! Engula sua língua peluda antes de falar suas asneiras!
- Você sabe que não estou mentindo! – ele não sabia o que havia de errado consigo mesmo, mas sentia que daquela vez não deveria engolir as suas respostas – Minha mãe deixou o café para mim, ele só é seu até eu virar adulto!
- “Virar adulto”? Alguém como você provavelmente vai passar de um filhotinho fracote pra alguma coisa muito pior! Não consegue nem carregar um expresso sem causar...
- Virar qualquer coisa que não lembre você pra mim já tá muito bom!
Aquilo parecia ter sido demais para o Sr. Jolteon, que ficou paralisado por instantes com a insubordinação daquele moleque. Sua boca pendia aberta lerdamente enquanto Eevan disparava novas verdades contra ele.
- Você estragou tudo! Minha mãe nunca deixaria você transformar o café dela nisso! – gritou o garoto, seu corpo tremendo com uma fúria que parecia guardar a muito tempo. – E você vendeu os descansos de caudas dela! Sabia que ela se orgulhava deles! Nunca vou te perdoar por isso!
Antes que o jolteon se recuperasse do seu irônico estado de choque, uma voz vinda de fora da cozinha anunciou de uma maneira nada gentil:
- Somos da vigilância da saúde de Eevland e viemos vistoriar esse estabelecimento! Alguém nos atenda, por favor!
Naquele momento os dois, eevee adulto e jovem, chegaram à mesma conclusão numa só troca de olhares: por mais que desejassem levar aquela briga adiante, nenhum deles desejava perder o estabelecimento. A desavença poderia esperar e Eevan tinha certeza de que iria pagar caro por sua ousadia, mas não ligava mais. Tratou de pegar uma velha vassoura de boca e varrer para longe os cacos de louça, enquanto o Sr. Jolter seguiu para o balcão, falando num tom de voz educado que jamais pertenceria à sua personalidade, fazendo-o soar como alguém com problemas mentais.
Eevan seguiu com todo o lixo que pôde carregar, além da louça quebrada, para os fundos do café, feliz por poder sair da presença daquele ser odiável que fora forçado a aguentar durante o último ano, após a morte de sua mãe.
Uma vez lá fora, deixou-se cair sobre o traseiro peludo e olhou para o céu, que estava num azul vibrante e indiferente ao seu sofrimento. Era simplesmente impossível absorver a morte de sua mãe, não importa o quanto tentasse. Aquela era uma verdade pesada por demais para ser simplesmente encarada. Por que, dentre tantos habitantes na grande cidade de Eevland, justamente a sua mãe tivera que adoecer e morrer? Por que não o jolteon maldito com quem ela se casara?
As lágrimas brotavam como numa cachoeira sem fim, escorrendo e se perdendo por entre os pelos de seu rosto, num choro pela injustiça que a vida desejava que ele engolisse goela abaixo.
***
- Tem certeza de que esse é o melhor lugar para a gente se encontrar?
- Não se preocupe, eles são sempre barulhentos desse jeito, mas estão ocupados demais consigo mesmos para nos darem qualquer atenção.
Os clientes que ali estavam não se moveram nem um centímetro quando ouviram os gritos vindos da cozinha, ou mesmo quando a vigilância de saúde, representada por dois enormes glaceons de aparência assustadora e brancura impecável, invadiu o lugar. O que tinham vindo discutir era de grande importância para ambos. O flareon, desconfiado, acompanhava com o olhar enquanto o dono do estabelecimento dava explicações débeis sobre a situação do estabelecimento. O vaporeon, no entanto, se limitava a checar apenas o noticiário de vez em quando, logo voltando sua atenção para o seu companheiro.
- Esqueça-os, Flare. – disse o segundo, movendo sua cauda de peixe num sinal de indiferença.
- Para que me trouxe até aqui, Vaporis? Estamos sentados nessa espelunca há tempo demais e você ainda não me deu um motivo para continuar aqui... – respondeu o primeiro, impaciente.
- Faz muito tempo que não tenho notícias suas, meu amigo. Muito tempo desde que você se desligou da força.
- E você sabe muito bem que tive minhas razões. O serviço secreto já não é mais para mim, Vap.
- Mas mesmo assim você não interrompeu as suas atividades, não é mesmo? – afirmou o vaporeon, encarando-o nos olhos. – Continua procurando por uma forma de se vingar.
- Se é isso que seu serviço de inteligência descobriu sobre mim eu devo dizer que estou decepcionado, Vap. – comentou o flareon, sorrindo brevemente. Seus olhos, contudo, assumiram tamanha intensidade que poderiam cuspir fogo a qualquer momento. – O que ele fez conosco... para isso não existe perdão. Demorei muito tempo para entender o que havia acontecido de verdade, mas agora já sei que ele é o verdadeiro culpado. E não vou deixa-lo escapar. E me diga logo o que quer de mim! – terminou, batendo com a pata sobre a mesa.
- Você continua o mesmo, Flare. É bom saber que o rancor que consumiu a sua alma ainda não o transformou em outro pokémon. – Vaporis inclinou-se para frente, passando a falar numa voz mais baixa – Tenho novas informações sobre o PHANTOM.
- Aquele gangster que você e seu irmão vivem caçando? Não me diga que já descobriu um jeito de captura-lo, porque ouvi dizer que ele é mais difícil de prender que uma sombra. E o que isso tem a ver comigo, de qualquer forma?
- Se você não for paciente poderá nunca ouvir a resposta.
Ambos se olharam firmemente por um segundo. Aquele era mais que um encontro profissional, eram dois velhos amigos que não se viam há muito tempo finalmente trocando algumas palavras. Flare não iria a lugar algum e Vaporis sabia disso.
- Ok, me desculpe. Prossiga.
- Pois bem, há fortes indícios de que esse maldito gangster esteja trabalhando para seu alvo, Flare.
- PHANTOM e...?
- Exatamente, o que me traz ao melhor agente que conheço para lidar com a situação ao nosso lado. – mais um momento de silêncio se seguiu entre os dois, enquanto o jolteon balofo explicava seus estoques de suprimentos um tanto inadequados para os brutamontes gelados. – Há algum tempo não confio mais nas forças secretas, não depois da ascensão daquele monstro ao poder. Mas não é de se espantar que ele tenha conseguido esse feito.
- Ministro d’O Centro... não sei porque ainda me surpreendo com a quantidade de mentes iludidas nessa cidadezinha. – resmungou Flare, franzindo o cenho.
- Nem todos deixaram suas vidas para trás e foram conhecer o mundo lá fora, Flare. Certamente uma viagem ao monte Vulpix deve ter mudado a sua visão sobre nossa cidade. Mas é aqui que esse perigo mora e é com ele que precisamos lidar. Sei que ainda está se instalando por aqui e que tem muito que acompanhar, mas vai entender agora o motivo de eu ter te trazido para cá e fazê-lo esperar tanto tempo. Olhe para o noticiário e escute com atenção.
Dito isso, ambos se viraram para a pequena televisão, onde passava uma chamada sobre um evento beneficente prestes a acontecer na próxima semana. Uma leafeon muito bonita falava para a câmera, recortada contra uma mansão de paredes muito amarelas e uma estátua monumental encoberta por um pano.
- “... Pronto para inaugurar sua terceira escola e orfanato, o Sr. Joltz promete uma grande festa para o dia da abertura, mostrando que suas patas estão abertas para aplicar dinheiro no cuidado das crianças de Eevland”.
A imagem cortou para um jolteon de aparência absurdamente diferente do que dirigia aquele café: trajava uma elegante veste de gala negra sobre seu pelo dourado e espetado, com pontas brancas, que demonstravam a sua idade um pouco avançada e possuía um olhar profundo e cheio de significado, agora direcionado para os expectadores, enquanto falava numa voz grave e firme:
- “As crianças são nada menos que o nosso futuro, nossa aposta de melhoria. Os tempos já foram melhores para o nosso povo, quando aqui chegamos há muitos e muitos anos. Tudo que pretendo é ajudar nossos jovens a criarem um futuro melhor com suas próprias forças, não importando qual sua origem”.
Aquele rosto, aquela voz... o coração de Flare batia com violência, bombeando para cada canto de seu corpo o ódio que sentia, fazendo seu sangue ferver. Literalmente, pois só voltou a si ao notar a fumaça subindo ao seu redor – seu calor intenso havia marcado de negro o assento e a mesa, onde suas patas estavam apoiadas. Olhou ao redor apenas para ver o jolteon gordo, os dois agente de saúde e seu amigo encarando-o de volta.
- Hey, você! Digo, se-senhor... – começou o dono do café, obviamente tentando controlar seu temperamento – o senhor precisará pagar por isso....
- Não se preocupe, – respondeu Vaporis, se levantando e indo em direção ao balcão. Ali, se aproximou do caixa, que era basicamente uma placa eletrônica onde os fregueses colocavam suas patas para fazer transferências de dinheiro direto de suas contas (a época de objetos metálicos com valor de pagamento já havia passado) – pokémoney não é um problema. – Continuou ele, fazendo um depósito grande o suficiente para que todas as mesas do lugar fossem trocadas. Mais uma vez o Sr. Jolter se viu lerdamente pasmo, enquanto seus dois melhores clientes em tempos deixavam o Volt’s Café sem olhar para trás.
Então, chegara finalmente a hora de voltar à ativa. A reação de Flare fora resposta suficiente para Vaporis se sentir satisfeito: ele estava dentro.
E, lá atrás, o velho Sr. Jolter, em sua velha cafeteria, só pôde concluir: “... mas que dia!”.
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