Tenten Hiden
6 Capítulo V
— Abra bem seus olhos, Ohana, e preste atenção em cada movimento meu — aconselhou Tenten.
As duas já estavam no campo de treinamento ao sul da Vila. Tenten, preparando-se para mostrar suas habilidades à prima, pegou um dos pergaminhos presos na sua perna, girou-o habilmente entre os seus dedos e, em seguida, abriu-o. Um estalo se fez, uma fumaça branca saiu do pergaminho e, depois, uma enxurrada de kunais e shurikens surgiu, rasgando a fumaça e cravando-se nos alvos de madeira a cerca de 20 metros distância da kunoichi.
— Incrível – exclamou Ohana admirada. Levantou-se do chão onde estava sentada e correu em direção à prima – Eu não consegui ver nada. Tudo que lembro é de você ter pegado o pergaminho, mas, depois, como num piscar de olhos, as armas ninjas já havia atingindo os alvos. Você é muito rápida.
— Isso é porque você não é uma ninja como eu. Escapar de um ataque como esse é fácil quando você é bem treinado – confessou.
— Mesmo assim ainda é incrível – rebateu Ohana. Os olhos da menina pousaram no pergaminho nas mãos de Tenten e, curiosa, perguntou – Mas como você consegue tirar essas armas de dentro desse troço aí?
— Isso é um pergaminho, Ohana – afirmou – E, com ele, consigo invocar as armas graças as minhas habilidades em Fuinjutsu.
— E o que seria isso?
— Fuinjutsu é uma técnica que permite ao usuário selar qualquer coisa, sejam armas, objetos dos mais variados, seres vivos e até mesmo ninjutsus elementais. Sou uma especialista nesse tipo de técnica e, assim, consigo selar e invocar minhas armas através desses pergaminhos.
— Isso é espantoso – comentou Ohana intrigada – E pensar que com um pergaminho como esse eu poderia guardas milhares de coisas.
Tenten deu uma risada abafada ao ver a reação da prima. Os olhos de Ohana percorriam todo o pergaminho, examinando cada detalhe, algo que pudesse lhe mostrar algum sinal de que havia armas seladas naquele rolo de papel, mas tudo que viu foram apenas alguns ideogramas, os quais ela ignorou.
— Bem, você não poder selar nos pergaminhos tudo o que quer. Isso vai depender da quantidade de chakra que você tem.
— Quer dizer que a quantidade de armas que você pode selar é proporcional a quantidade de chakra que você tem, Tenten? Então você deve ter muito chakra para guardar tudo isso, né?
— O suficiente para selar os armamentos que preciso nas missões – declarou encabulada.
A kunoichi sabia que a quantidade de chakra que possuía não era tão grande, mas estava satisfeita com o que tinha, pois conseguia selar o número de armas necessárias para utilizar nas missões. Nunca passou por alguma situação em que seu estoque de armas seladas esgotou-se antes completar suas missões.
— O que você guarda nesses pergaminhos além de suas armas? – quis saber Ohana.
— Além de armas, selo objetos e matérias essenciais para a viagem ou para dificuldades que eu posso vir a enfrentar nas missões designadas a mim, como, medicamentos, comida, cordas, barracas para descansar e outras coisas. E posso também selar ninjutsus, principalmente os do estilo fogo.
— Ninjutsus também? E do estilo fogo? Como os dragões de fogo lançados pelos ninjas que já ouvi em algumas histórias contadas pelo meu pai? – perguntou, com seus olhos arregalados mirando Tenten.
— É... Não bem como nas histórias que você conhece, mas sim. Não é nada tão incrível, afinal não sou usuária de ninjutsu. É mais como...
— Tenten você é muito forte – exclamou Ohana, interrompendo a prima – Você é incrível. Sempre ouvi histórias sobre ninjas como você, mas nunca pensei que poderia conhecer um. Você pode selar armas em pergaminhos e também dragões de fogo, além de ser muito rápida.
— Não sou tudo isso. Eu...
— É claro que sim. Não seja modesta. Você numa luta é surpreendente porque ninguém sabe o que você pode invocar dos seus pergaminhos. Isso deixa o inimigo em desvantagem, pois ele sempre vai ser pego de surpresa a cada nova arma que você invoca ou de algum ninjutsu que irá lançar contra ele. E você pode invocar mais de um elemento, o que a torna versátil no campo de batalha... – a menina continuou apontando as vantagens e elogiando as habilidades da kunochi, mas Tenten ignorou o que ela dizia.
"Não é bem assim", pensou ela. Ouvir Ohana falar tudo aquilo a incomodava, porque não era o que a ninja enxergava em si. Ela queria contar o quão se sentia inútil, e como se sentia deixada para trás por conta de suas habilidades. Sempre se viu como peso em seu time. Enquanto os seus amigos de equipe possuíam técnicas incríveis e tornavam-se cada vez mais fortes, ela parecia caminhar a passos curtos e arrastados, ofuscada em meio à genialidade e força de vontade dos seus companheiros. Sentia que as suas habilidades e perícias em armamentos ninjas em nada contribuía para missões e que não existia nada em que se destaca-se em relação aos amigos. Isso a machucava porque fazia a sentir descartável e apagada em meio a ninjas tão talentosos. Ignorando esses pensamentos, ela disse:
— Ohana, afasta-se um pouco. Irei começar meu treino e é melhor você não ficar muito perto para não se machucar. Sente-se ali – apontou em direção às árvores do bosque que rodeavam o campo de treinamento.
A menina caminhou até o lugar indicado por sua prima, sentando-se em baixo da copa das árvores que produziam sombra sobre o solo. Acomodou-se ali, protegendo-se do sol, e ficou atenta observando o treino da sua prima.
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Algumas horas se passaram. Tenten corria por todo o campo, lançando suas kunais e shurikens nos alvos de madeira fixados no solo, mostrando a Ohana as mais variadas técnicas que possuía, além da diversidade de armas que carregava consigo. Suas mãos moviam rapidamente os pergaminhos, suas pernas eram ligeiras, permitindo que ela se movimentasse com agilidade. Seus saltos eram incríveis e ela girava graciosamente no ar, invocando uma chuva de armas que perfuravam o solo. Para alegria de Ohana, ela invocou alguns dragões de fogo e, ainda, pôs em prática seu taijutsu.
Apesar de estar atenta ao seu treino, Tenten sentia certo incomodo. Parecia que havia mais pessoas naquele campo, escondidos entre as árvores do bosque, observando-a sorrateiramente. Isso a inquietou desde quando pediu para que sua prima afastasse, mas ela ignorou, achando que não passava de uma paranoia sua, e continuou em seu treinamento diário.
O céu já começava lentamente a alaranjar, anunciando o fim da tarde. O chão estava repleto de armamentos ninjas e o cansaço já dominava o corpo da kunoichi. Ela estava parada, contemplando o início do por do sol, como sempre fazia ao final dos treinos. "Acho que já trenei o suficiente por hoje", disse em seus pensamentos. Assim, virou-se para o local onde a prima estava acomodada para avisá-la que era hora de voltarem para casa, mas, infelizmente, teve uma desagradável surpresa. Para seu espanto, Ohana não se encontrava mais lá.
— Ohana, onde você está? Apareça. Mamãe já deve estar nos esperando para jantarmos – sua voz ecoou por todo o campo.
Um receio começava a desabrochar nela. Não se lembrava de ter visto a prima levantando-se de onde estava e, caso isso tivesse acontecido, logo perceberia a ausência da menina.
— Ohana, deixe de brincadeira e apareça.
Um som agudo e ligeiro chamou a atenção de Tenten e, virando para vê do que se tratava, a kunoichi visualizou um objeto branco e pontiagudo surgir dentre as árvores do bosque e vir na sua direção. Ela, rapidamente, abaixou-se para se esquivar e viu, o que parecia ser uma lança de gelo, cravar-se no solo a poucos metros atrás dela. Espantada com aquele ataque repentino, ela gritou:
— Que brincadeira é essa?
— Para quem se considera uma ninja você é bem desatenciosa, garota – disse uma voz, que parecia de um homem, vinda do bosque.
Tenten escutou alguns passos sobre as folhas secas caídas no solo. Distinguindo os sons, ela percebeu que se tratava de cerca de duas pessoas. Empunhou uma kunai em sua mão direita e esperou que os dois indivíduos se aproximassem.
— Uma ninja com perícia em armas. Que monótono. Você não se cansa de sair correndo por aí lançado kunais e shurikens? – perguntou desdenhosamente o homem.
O dono daquela voz surgiu das sombras do bosque, acompanhado de outro homem. Os dois eram ninjas, Tenten tinha certeza disso, embora não reconhecesse seus rostos. O primeiro, o qual falara com a kunochi, era alto, de cabelos brancos que desciam até a metade da testa, vestia uma camiseta azul bem justa ao corpo, deixando os músculos de seu abdome e tórax bem visíveis. Usava também uma calça folgada e sandálias de madeira. Ele era magro, mas possuía o corpo definido, em seus braços era possível ver as linhas que dividiam seus músculos. Nas suas costas, carregava duas espadas embainhadas em formato de "x". A pele tinha um tom pálido, mas os olhos eram vívidos, como um animal peçonhento prestes a atacar sua presa. O outro, que parecia ser um subordinado, também era magro, trajava um tipo de túnica vermelha, tinha cabelos louros e compridos, mas não parecia ser tão ameaçador quanto o outro.
— Quem são vocês? Vocês não são de Konoha, não é mesmo? – interrogou ela, embora já soubesse a resposta.
— Se somos de Konoha? Claro que não somos dessa aldeia metida à salvadora do mundo ninja – respondeu o homem de cabelos brancos. A sua voz era carregada de um tom de sarcasmos e desdém, o que combinava com sua aparência.
— Então o que fazem aqui? E como conseguiram entrar? – Tenten não esperou que respondessem, pois um pensamento perturbador surgiu em sua mente – Vocês... O que vocês fizeram com Ohana? – esbravejou
— Está falando da menina de cabelos vermelhos? – um sorriso malicioso desenhou-se entre os lábios do ninja – Guns, apareça.
Para surpresa de Tenten, um terceiro homem surgiu do bosque e se posicionou ao lado dos outros dois. Ele era mais alto que os dois primeiros ninjas, seu corpo era assustadoramente musculoso, o tronco parecia ser tão grosso quanto o caule de um carvalho e seus braços eram largos e robustos. Ele era careca e trajava roupas justas que deixavam os músculos de todo o seu corpo em evidência. Sua imagem lembrava um minotauro.
O homenzarrão, que atendia pelo nome de Gus, segurava Ohana pelos cabelos. Vendo sua prima refém daquele homem e sendo tratada de forma tão humilhante, Tenten disparou na direção dos três ninjas.
— Desgraçados, soltem-na – gritou enquanto corria para alcançá-los.
— Estilo Gelo: Jutsu lanças flutuantes – pequenas esferas de poeira branca se formaram em torno do ninja o qual falara com Tenten e, em fração de segundos, deram forma a cinco lanças pontiagudas de gelo, pouco maiores que kunais, que flutuavam no ar – É melhor não se aproximar, garota.
Tenten não seguiu o conselho do ninja e continua correr na direção deles. Vendo a insistência da kunoichi, o ninja de cabelos brancos, com um movimento de suas mãos, disparou as lanças contra ela. Sacando um pergaminho da pequena pochete que carregava na cintura, a kunoichi invocou um bastão de metal e, girando-o na sua frente, rebateu as lanças do inimigo sem dificuldades.
Ela calculou a distância entre ela e os três ninja para que pudesse dar seu próximo movimento. Constatando que teria êxito em sua ofensiva, Tenten pulou no ar e deferiu um golpe de bastão, visando atingir a cabeça do homem de cabelos brancos, mas, esse, rapidamente, sacou uma das katanas embainhadas em suas costas e bloqueou o golpe.
— Você é teimosa, garota – disse o ninja segurando sua espada, bloqueando o bastão da kunochi.
— Quem são vocês? E o que querem conosco? — perguntou Tenten furiosa, com os pés firmados no solo e empurrando sua arma invocada contra a katana do inimigo a sua frente.
— Queremos a menininha de cabelos vermelhos – respondeu, com um sorriso malicioso no rosto e direcionando seu olhar a Ohana.
— Ohana? Mas o que vocês querem com minha prima? Ela é só uma criança – rebateu a kunoichi. O desespero aflorando em seu ser ao ouvir aquela resposta.
— E é exatamente isso que a torna tão valiosa para nós. Ela deve render um bom dinheiro.
Os olhos de Tenten arregalaram-se, um suor frio começou a brotar sobre seu corpo. Aqueles caras só podiam ser os sequestradores os quais Ino mencionara na noite passada, pensou. Mas como conseguiram entrar na vila? E por que querem levar logo Ohana?
O nervosismo começava a brotar em Tenten. Ela estava de frente para criminosos, sequestradores de garotas, e isso a assustava. Desviou o olhar para Ohana e viu a pequena prima com o semblante aterrorizado e com os olhos cheios de lágrimas. Precisava protegê-la, havia jurado para si mesma que não permitira que nada causasse mal a prima. Respirou fundo e deixou que o nervosismo fosse embora. Com a voz carregada de determinação e, pausadamente, indagou:
— Como vocês conseguiram entrar aqui?
Com um sorriso sorrateiro carregado de superioridade, ele respondeu:
— Temos os nossos truques, mas isso não é da sua conta.
— Vocês são responsáveis pelos sequestros de garotas nos arredores da vila nas últimas semanas? – continuou ela a interrogar o inimigo.
— Ora, ora! Parece que já somos conhecidos. E olha que nem precisamos ser heróis de guerra para conquistarmos fama, rapazes – comentou o homem em tom sarcástico.
— Responda – gritou Tenten.
— Fomos nós sim. E quer saber mais? Entramos na vila para acharmos mais garotas interessantes que pudessem nos gerar bons lucros. Sabíamos que o Festival da Primavera de Konoha começaria ontem e que ele reuniria pessoa de outras aldeias. Era a oportunidade que precisávamos para encontrarmos alguma joia rara e, graças a qualquer deus que não dou à mínima, achamos essa garotinha de cabelos vermelhos. Passamos a noite anterior seguindo os passos de vocês para encontrarmos o momento oportuno de captura-la. Infelizmente, ela vive grudada em você, mas isso não chegou a nos preocupar. Assim, resolvemos esperar que você terminasse seu treinamento para pegarmos ela, você baixou a guarda por conta do cansaço e nós conseguimos colocar a mão no que queríamos.
"Eles capturaram Ohana quando eu parei o treino e fiquei observando o por do sol. Foi por isso que não percebi o sumiço dela.", concluiu Tenten.
Cortando os pensamentos da kunoichi, o ninja afirmou:
— Levaremos a menina conosco e, caso não queira morrer, é melhor dar meia volta e ir para casa.
— Eu não vou permitir – ela berrou enfurecida.
Antes que Tenten pudesse fazer algum movimento para ataca-lo, ela foi surpreendida por uma corrente de ar frio que parecia emanar da katana do ninja de cabelos brancos.
— Estilo Gelo: Jutsu Ventania Gélida – ele invocou o jutsu, sem precisar fazer selos com as mãos para isso.
Assim, uma forte e violenta corrente de ar frio se formou, levantando Tenten a alguns metros do chão. A pressão da corrente parecia esmagar seus músculos, enquanto frio parecia atingir até seus ossos.
O vento cessou, deixando-a cair bruscamente no solo. Receber aquele golpe causou-lhe alguns hematomas e o frio que sentira fez com que a raiva que dominava o seu corpo se extinguisse. Agora, o cansaço causado pelo treino ressurgia.
"Esses caras são fortes. Eu não posso lutar contra eles sozinha, ainda mais depois de ter treinado por horas. Meu corpo esta cansado e meus músculos parecerem não reagirem. Eu tenho que pedir socorro, eu preciso de ajuda", refletia Tenten, enquanto esforçava-se para levantar do chão.
— Há! Esqueci-me de avisar-lhe uma coisa – disse o ninja – Se por acaso você pensa em pedir por reforço, é melhor desistir. O Jedi aqui – apontou para o homem de cabelos louros e revelou – é especialista em Genjutsu e, antes de capturarmos a menina, ele invocou um de seus genjutsus em torno de toda a área do bosque, exceto essa grande clareira aqui. Sendo assim, quem ousar entrar no bosque ficará preso num labirinto, correndo em círculos sem achar a saída ou local onde estamos. Você pode gritar o quanto for por ajuda, eles irão ouvir, mas não irão lhe achar.
— Droga! Não pode ser – praguejou Tenten para si, já de pé.
— Oromis, pare de brincar com essa garota, ela não é páreo para nós. Eu posso matar ela em seu lugar se quiser – disse Gus, que tampava a boca de Ohana com uma de suas mãos.
— Você é apressado demais, Gus. Ela realmente não pode nos entreter muito, mas, para mim, matar uma presa, seja ela qual for, é algo que deve ser lento e doloroso – afirmou ele com seu sorrisinho debochado e os olhos cintilando, como um animal prestes a devorar sua presa.
— Oromis, caso não tenha percebido, estamos numa vila cheia de ninjas fortes. Não podemos nos por em risco por conta de suas esquisitices. Já pegamos o que queríamos, é melhor irmos embora – aconselhou Jedi.
— Ok! Eu entendi – disse Oromis desanimado – Já que temos nossa mercadoria. Vamos embora – ordenou firmemente.
Os três viraram-se, ignorando Tenten, para, novamente, entrarem no bosque, levando Ohana com eles. A kunochi não poderia permitir que isso acontecesse, não poderia deixar sua prima ser levada por aqueles sequestradores. Ela tinha que agir.
— Oromis, cuidado – gritou Jedi.
Cerca de dez kunais, lançadas por Tenten, vieram na direção do ninja de cabelos brancos.
— Você não desiste mesmo, garota. Estilo Gelo: Jutsu Ventania Gélida.
O vento frio de Oromis, emanado pela katana, ricocheteou as armas com facilidade, mas, para sua surpresa, aquilo fora uma mera distração. Tenten havia saltado no ar e girava como um pião, segurando um pergaminho aberto que acompanhava seus movimentos. E, surpreendendo ainda mais Oromis, um grande número de armas, desde kunais, shurikens gigantes, espadas, lanças e entre outras armas pontiagudas, surgiram do pergaminho e foram disparadas em uma velocidade incrível contra ele.
— Olhem que espetacular – disse Oromis com um semblante escancarando admiração com o que via e, subitamente, mudou para uma expressão apática e sem interesse – Mais do mesmo – E, dessa vez, sacou a outra katana – Estilo Gelo: Jutsu Katanas Gêmeas.
Movimentando as duas katanas na vertical, Oromis invocou duas fortes correntes de ar frio. A pressão era tamanha que cortou todas as armas de Tenten antes que elas o atingissem, reduzindo-as em pedaços.
— Impossível – deixou escapar Tenten, incrédula ao ver o que o Jutsu de Oromis foi capaz de fazer com suas armas.
Com a kunochi já no solo, após ter saltado no ar, Gus surgiu, numa velocidade surpreendente para seu tamanho, ao lado dela e desferiu um soco no estômago de Tenten, fazendo-a inclinar para frente e cuspir sangue.
— Tenten! – gritou Ohana, que tentou correr em auxílio a sua prima, mas foi agarrada por Jedi.
— O... Oha.. na – balbuciou Tenten, contorcendo-se no chão.
O soco que levara foi o suficiente para extinguir as únicas forças que a restavam. Ela não conseguia mais levantar, respirava com dificuldade e sua visão ia, aos poucos, turvando-se.
— Agora ela vai morrer como você queria, Oromis, lentamente e com muita dor – afirmou Gus, que direcionou um olhar de desprezo para Tenten e, em seguida, caminhou de volta até onde os seus companheiros estavam.
Não restavam mais forças para a kunochi, seu corpo reclamava por descanso, embora seu espírito ansiasse por livrar a prima das garras daqueles sequestradores. Entretanto, as necessidades do corpo falaram mais alto e Tenten continuou caída no chão, vendo aqueles monstros levaram Ohana. Sua visão estava embaçada e tudo que pôde ver foram os pés dos três ninjas e de Ohana se afastaram e entrarem no bosque. Fracassara novamente, não cumprira com a promessa imposta a si mesma de proteger a prima e, agora, Ohana estava sendo levada para longe de tudo que conhecia para ser feita de mercadoria por ninjas inescrupulosos.
Não sentia mais seu corpo, a dor no estomago desaparecera, mas uma grande ferida se abriu em sua alma. Caída ali, sozinha, naquela grande clareira, ela foi lentamente perdendo a consciência, enquanto o crepúsculo tingia o céu.
— Desculpe-me, Ohana – disse baixinho e com dificuldade.
Seus olhos fecharam, deixando uma lágrima cair e umedecer o solo.
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