Tentação

44 - Capítulo 44


Jess desligou o motor do carro já em frente à minha casa. Estava tarde, a noite estava silenciosa, ruas sem movimento. Observei a frente da minha casa e vi que as luzes já haviam sido apagadas. Respirei fundo, antes de dizer algo a Jess.

Ele estava sério, mas não parecia estar com tanta raiva como antes. Sua expressão era neutra, nunca consegui decifrar nada vindo de Jess, talvez ele ainda estivesse nervoso ou não.

– Sua mãe deve estar preocupada. – Jess falou, coçando seu queixo. Era possível ver os pelos de sua barba que tinha sido feita a quase três dias. – Acho melhor você entrar. – Ele não me olhou, simplesmente ligou o carro e acelerou levemente. Eu engoli seco, fiquei desconfortável com a atitude dele.

– Não vai me dizer o que aconteceu? – Perguntei baixo. Ele me olhou, seus olhos se desligaram dos meus segundos depois que eles correram até minhas pernas descobertas.

– Podemos conversar depois. – Ele disse.

– Ou podemos conversar agora. – Insisti. – Philip se foi? – Perguntei, e um desconforto tomou conta de mim.

– Sim. – Sua mandíbula ergueu.

– Isso é bom. – Sorri aliviada, mas depois fiquei séria novamente. Jess não estava afim de comemorar. – Qual é o problema? – Perguntei me aproximando dele até que meu rosto tocasse sua bochecha. Minhas mãos seguraram seu rosto, queria que ele olhasse pra mim.

– Meu pai se vingará de vocês. – Seus olhos encararam os meus.

– O que? – Perguntei confusa. Não sabia do que Jess estava falando.

– Philip me disse isso antes de eu matá-lo. – Jess respirou forte. – Tomas está morto. – Ele concluiu.

Sim. Tomas estava morto porque Philip o matou, mas Tomas não era o pai verdadeiro. Ele havia me contado toda a história antes do Philip acabar com sua vida.

– Tomas não era o pai de Philip. – Falei.

– Isso significa que o verdadeiro pai do Philip é um demônio, e um demônio vingativo. – Ele tirou minhas mãos do seu rosto. – Temos um problema maior agora.

– O que pretende fazer? – Perguntei, tentando me controlar. Eu estava com medo, eu tinha medo do Philip e agora o pai dele está por aí e parece ser muito pior.

– Achá-lo. – Ele falou decidido.

– Como?

– Eu não sei. – Ele desviou seu olhar, parando-o em minha boca. – Preciso pensar. – E então ele voltou sua atenção para a rua. – Precisa ir agora.

Eu me ajeitei no banco e abri a porta do carro, puxei a manta e antes de pôr meus pés para fora, Jess segurou meu ombro.

– Desculpe por mais cedo. – Falou com sua voz rouca. – Não quis agir daquela forma.

– Tudo bem. – Eu voltei e beijei seus lábios. Eu precisava tocá-lo. – Eu entendo, não precisa se desculpar. – Falei roçando meus lábios nos dele a cada palavra.

Saí do carro e corri até a porta da frente de casa. Jess já não estava mais em frente à minha casa quando eu abri a porta. A sala estava escura, e a casa parecia tão vazia. Subi as escadas vagarosamente, segurando a manta em meu corpo eu cheguei em meu quarto.

– Ei. – Ouvi um sussurro vindo do outro lado do corredor. Kane estava com a cabeça para fora do seu quarto, com uma expressão extremamente raivosa. – Mas que droga é essa? – Ele perguntou, me olhando de cima a baixo, com uma careta.

– Longa história. – Falei.

– Você tem sorte de ter um irmão como eu. – Ele continuou sussurrando. – Mamãe não descobriu nada, e você vai ter que me pagar. – Ele fechou a porta antes que eu pudesse protestar.

Me joguei na cama e fiquei pensando em tudo o que havia acontecido. Pensei em ligar pro Louis e me desculpar, mas achei melhor deixa-lo quieto. Eu teria que explicar tudo o que estava acontecendo porque ele iria conseguir me convencer e as coisas poderiam ficar piores. Eu não queria mais gente correndo perigo.

Eu dormi por mais ou menos uma hora. Meus olhos se abriram violentamente e eu estava soando. Havia tido um pesadelo onde todas as pessoas que eu gostava estavam mortas. Eu não conseguia respirar e meu coração estava acelerado. O cheiro de Jess estava em meu nariz, por conta da camiseta que eu usava, que aliás estava molhada com meu suor.

Eu me levantei, meio tonta e desci as escadas para tomar água na cozinha. Ainda estava escuro, no relógio os ponteiros marcavam duas horas e meia da manhã. Os grilos estavam cantando do lado de fora. Busquei por um copo e peguei a jarra de vidro da geladeira, depois de me servir eu sentei na bancada de mármore e respirei profundamente. Ainda conseguia ver o sonho perfeitamente.

Um barulho abafado veio lá de cima. Eu estremeci na hora, desci da bancada e deixei o copo na pia. Meus pés estavam descalços, e isso era bom. Poderia andar sem fazer barulho. E como pensado eu subi as escadas devagar, do lado da porta do banheiro havia uma vassoura e eu a agarrei. Não era uma arma legal, mas ajudaria um pouco. Não havia ninguém no corredor, pensei em abrir a porta do quarto de Kane e chama-lo, mas não queria que ele corresse perigo. A porta do meu quarto estava aberta como eu havia deixado, então fui em direção a porta do quarto da minha mãe que ficava a frente da minha, quando botei minha mão na maçaneta uma outra mão tapou minha boca e me puxou para dentro do meu quarto.

– Bela arma. – Jess disse.

– Mas que droga. – Eu estava respirando desesperadamente, imaginei que fosse outra pessoa querendo minha cabeça fora do meu corpo. Talvez o pai de Philip.

– Desculpe. – Ele disse, fechando a porta atrás dele.

– Não faça mais isso. – Soltei a vassoura e me sentei no chão, com as mãos no coração.

– Achei que já conhecesse meu toque. – Ele sentou do meu lado.

– Não tem como conhecer nada quando tem demônios atrás de mim e meu namorado decide me assustar no meio da madrugada. – Eu estava com raiva.

– Seu namorado? – Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha. – Isso ainda não é oficial, aliás sua mãe me odeia.

– Ela não pode odiar alguém que ainda nem conhece direito. – Falei, e ele sorriu.

– Vim buscar minha manta. – Ele falou.

– Não está falando sério. – Eu ri.

– É minha, eu vim busca-la. – Ele parecia estar falando sério, mas a “seriedade” acabou logo depois. – E também quero minha camiseta, apesar de que você fica muito bem com ela, mas prefiro você sem ela. – Ele sorriu, um sorriso malandro e ao mesmo tempo sexy.

– Pare. – Eu ri, colocando minha mão em sua boca para que ele parasse de me deixar com vergonha.

– Porque está acordada a essa hora? – Ele perguntou, sério.

– Sonho ruim. – Eu disse, respirando fundo, tentando esquecer o pesadelo horrível. – Porque realmente veio aqui?

– Para ter certeza de que você está bem. – Ele falou, mexendo em meus fios louros. – Não vai me dar a camiseta? – Sua voz baixa e rouca entrou nos meus ouvidos. Eu estremeci.

– Não precisa dela. – Falei com dificuldade na voz.

– Mas preciso que a tire. – Ele me encarou.

Suas mãos puxaram meu rosto para mais perto do dele, nossas bocas se encontraram e eu pude sentir sua respiração pesada e seu cheiro, ele me queria e eu o queria mais que tudo. Passei minhas pernas por cima dele, e fiquei em seu colo, o beijando sem intervalo. Suas mãos passaram por toda minha perna descoberta e pararam na minha cintura. Puxei sua camisa para cima, e a passei por sua cabeça a arrancando.

Seus músculos ficaram à mostra. Eu estava preparada, e ninguém poderia incomodar naquele momento.

Jess me levantou, minhas pernas estavam em volta da sua cintura. Ele me colocou na cama, deixando seu corpo sobre o meu. Seus lábios estavam em meu pescoço e seguiram me beijando até o começo da gola da camisa que eu usava. Suas mãos agarraram o fim da camisa e puxaram-na para cima, eu não estava usando mais nada na parte de cima. Os olhos dele estudaram a parte nua do meu corpo, meu rosto queimou de vergonha. Talvez ele tenha percebido meu nervosismo.

– Acho que... – Eu comecei, quando ele me cortou.

– Xiu... Não diga nada. – Ele sussurrou, colocando seu dedo indicador nos meus lábios. – Você é linda e eu a amo. – Ele me beijou intensamente. A única luz que havia no quarto era da Lua. – Se entregue a mim, eu sou seu e você é minha e sempre será.

Então eu me entreguei a ele como nunca havia me entregado a ninguém. Jess era especial demais e eu o amava tanto quanto ele amava a mim. Estava tudo bem naquele momento, nada era errado e não havia preocupações.