Eu sinto a melancolia nas paredes dessa casa,
Seus choros desbotaram a tinta azul.
E quanto mais vejo a ideia rasa
De que a vida era linda de norte até o sul,
Mais desespero acumula-se nas calhas.

Há tantas goteiras no teto,
Gotas espessas e escuras.
A gente se acha tão esperto
Quando na verdade só juntamos amarguras
E as guardamos num suposto lar,
Onde a segurança deveria estar presente,
Mas nós nunca queremos voltar
Para um lugar tão deprimente
Que é nosso próprio reflexo.

Há tantos buracos a serem desviados,
Buracos antes preenchidos com prazeres,
Prazeres que fedem ao som dos fracassos
Junto com a ansiedade dos nossos maus seres.
Os fragmentos de vidro que cortam-me o pé
Fazem-me ver o monstro o qual me tornei.
O chão molhado com lágrimas de mulher
Lembra-me o tempo em que amava o rei
O qual reinava minha felicidade.

As paredes dessa casa vão cair
E não sabe-se o que há lá fora.
Talvez seja melhor que aqui
Ou talvez eu não consiga ir embora
E a casa desmoronará dentro de mim.