Tentações, Segredos e outros Contos
3 Diz que
Notas iniciais
Voltei com mais um conto. Desta vez segui o padrão do primeiro conto, por mais diferente que possa ser. Esse, no entanto, é completamente original. Espero que te agrade.
— Claro que acredito, eu é que te contei. Tava na ata.— Eu não leio essas coisas, pra mim é perca de tempo, sempre ficamos sabendo mesmo... — Pois, se saírem, que não aceitem qualquer um. Lembra da 206? Vivia reclamando dos vizinhos.— Aquela criança só podia passar fome, um berreiro daquele não é normal.— Não duvido, magricela que só. A pobrezinha parecia uma ratinha. Pensei em levar comida pra ela.— E por que não levou?— Pega mal.— Isso é, iam achar que estava se intrometendo.— Última coisa que eu faria.— Mas e se era fome mesmo? Deveríamos ter falado com alguém... Poderia ser descaso. Quem sabe eles eram viciados. Tome exemplo o namorado da Jú do 401, homem mais mal encarado não tinha. Lembra dele? Perdeu a carteira esses dias, bateu na Westphalen, bêbado.— Nossa, e como soube?— Ouvi no biarticulado, mês passado. Voltei com a Dona Nadir. Ela que me falou.— Qual Dona Nadir?— A esposa do Juca, irmã da Soraia.— Aquela Dona Nadir? Ora, não ficou sabendo?— Sabendo do quê?— Diz que morreu.— Morreu?— Sim, morreu.— A Dona Nadir?!— É, morreu.
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