Tentação
29 - Capítulo 29
Eu estava com muitos problemas mais importantes do que a escola, mas eu não podia deixar de frequentá-la. Eu tinha uma vida e não ia deixar que ela acabasse desse jeito, tinha planos para o futuro, mesmo com todos esses acontecimentos, eu ainda sonhava me formar na faculdade. Ficar com Jess era o mesmo que andar ao lado da morte, era errado, era perigoso, mas eu estava disposta a enfrentar tudo e não desistir dos meus sonhos. Seria difícil, mas não custava tentar, na verdade eu iria me obrigar a conseguir.
– Senhorita Magda. – O professor de história chamou minha atenção. – Creio que seus pensamentos não estão nem um pouco ligados ao nosso assunto. – Ele sorriu ironicamente. – Te aconselho a parar de viajar na sua mente precária e voltar a sua atenção na minha aula, pelo contrário, teremos um problema.
O Sr. Dave tinha uma birra comigo, e eu não sabia o motivo, pensava mil vezes para não perder a cabeça e manda-lo pra... pra merda. Louis não havia aparecido na aula, seria impossível olhar pra ele e não sentir culpa, eu estava preocupada com ele, ele não havia entrado em contato comigo desde o dia em que ele surtou no jardim de casa.
As aulas haviam acabado, eu estava sentada em um banco no corredor esperando Edie sair da secretaria, ele estava tendo alguns problemas e tinha que resolver. Ramon não era mais visto, sua vida era o grupo acadêmico e imaginei que ele estivesse tendo um caso com a garota estranha que eu conheci na biblioteca, mais conhecida como Anna.
– Por que isso é tão demorado? – Ouvi Edie dizer enquanto empurrava a porta ao lado, saindo do local. – Elas são tão preguiçosas.
– Uma pena não resolverem isso. – Falei, me levantando.
– Vou fazer uma reclamação em breve. – Edie disse, mas ele estava blefando, ele era mais preguiçoso ainda, não iria perder seu tempo com isso.
– Tem visto o Louis? – Mudei de assunto. Estava contando com Edie para saber de algo, Louis podia não falar comigo, mas podia falar com Edie.
– Não. – Ele foi sincero, mas senti que estava escondendo algo.
– Não falou com ele? – Insisti.
– Eu não vou mentir pra você. – Ele me olhou, ainda andando junto a mim. – Louis me ligou. – Ele coçou o queixo, focando seu olhar para frente. – Ele disse que não era pra falar com você sobre, mas eu vou contar. Não gosto de esconder nada de ninguém, não quando não vejo motivos para isso.
– O que houve? – Perguntei, já preocupada.
– Ele vai ser internado, ele disse que aceitou a oferta dos pais, pelo bem dele.
– E por que ele não queria que eu soubesse disso? – Perguntei, magoada em saber que Louis estava querendo me excluir da vida dele de verdade. Éramos amigos, mesmo com todas as confusões eu jamais deixaria de ajuda-lo.
– Não sei, na verdade ele não queria que ninguém soubesse. – Edie entortou os lábios. Estávamos na porta de saída, o frio nos pegou quando nossos corpos passaram para o lado de fora, o sol estava fraco, e um tempo de chuva estava se formando vagarosamente. – Preciso ir. Combinei de encontrar Caroline.
– Estão juntos? – Minha vida estava tão anormal, que eu deixara de saber sobre meus amigos, tudo estava diferente, estávamos nos afastando, e a cada dia que passava parecia que apenas Jess fazia parte da minha vida.
– Sim... quer dizer, quase, é complicado. – Ele riu. – Vou nessa, nos vemos amanhã.
Sorri para Edie e acenei um tchau, fiquei o observando enquanto ele andava, passos curtos e rápidos, ele estava mesmo com pressa de chegar ao ponto marcado. Olhei firmemente do outro lado da rua e vi o Porsche do Jess. Atravessei a rua que não estava muito movimentada e puxei a porta, abrindo-a. Jess estava sentado confortavelmente no banco do motorista, ele usava uma jaqueta de couro e jeans escuros, seus cabelos estavam bagunçados e sua barba começara a aparecer.
– Está em condições de dirigir? – Perguntei, já dentro do carro.
– A dor é só no dia, mas as marcas continuam por um longo tempo. – Ele se aproximou e me beijou. – Tem algum compromisso agora?
– Não que eu saiba. – Olhei-o com dúvida. – Quer me propor um?
– Quero. – Ele sorriu, seus dentes eram perfeitos, seus lábios eram bem desenhados, e seu olhar sexy me derretia.
O carro arrancou e Jess pegou um caminho conhecido, durante todo o trajeto eu me mantive com a mesma postura, braços cruzados apoiados na janela do carro, o vento jogava meus cabelos para todos os lados, algo daria trabalho mais tarde. Jess estava me levando para a ponte, pelo que pude notar. Mas não paramos lá, continuamos pela estrada de terra e chegamos a um lugar isolado, e nesse lugar, uma grande casa chamava atenção. Era de arquitetura velha mas ainda era bonita e elegante, os tijolos do muro estavam em péssimas condições, e as grades não pareciam muito novas.
– Vem. – Jess abriu a porta e veio em direção a minha.
– O que é isso? – Eu estava de boca aberta, aquilo era uma mansão, mesmo sendo velha, era linda. – Você mora aqui? – Perguntei, nunca havia visto aquela casa por lá, não ter chegado muito longe quando frequentava o lugar era um motivo de não ter visto ela.
– Sim. – Ela pegou minha mão. – É aqui que eu moro.
Jess me guiou até a entrada da casa, as portas eram de madeira grossa, pesada e bem desenhada. Dentro do lugar, algo inimaginável, móveis não muito simples, pintura escura, piso de madeira, um lustre incrível na sala chamava atenção. Tudo era incrível, cada objeto daquele lugar me dava inspiração, aquilo tudo era de um ótimo design.
– Uau. – Soltei, boquiaberta. – Não sabia que seu gosto era tão bom. – Debochei, olhando cada canto.
– É. – Ele sorriu. – Herança de família.
– Há quanto tempo essa casa existe?
– Muito. – Ele coçou a cabeça. – Já disse sobre reencarnação, como eu consegui meu corpo novamente... – Ele pausou, se sentando, enquanto eu ficava de olho em cada objeto da casa. – Essa foi minha casa, minha infância toda foi aqui, e minha adolescência também. – Jess parou, esperando que eu dissesse algo.
– Ah, continue, quero saber.
– Depois as coisas mudaram. – Ele respirou fundo. – Eu me envolvi com drogas, entrei em um lugar totalmente errado do mundo. Minha vida foi extremamente cheia de sujeira, depois de conhecer o lado obscuro do ser humano. – A voz de Jess falhou.
– O que aconteceu nesse período? – Perguntei, dando mais atenção a ele, me sentando ao seu lado.
– Para se tornar um demônio, é necessário pecar. – Sua voz estava dura. – E eu fiz isso.
– O que você fez, Jess? – Jess me assustava as vezes, na verdade ele me assustava sempre que a nossa conversa pulava para a parte obscura do seu ser.
– Isso não importa agora. – Jess colocou seu indicador em meus lábios, bloqueando para que eu não falasse mais. – Eu sou diferente, e não me arrependo do passado, se não passasse por tudo isso, não conheceria você. – Ele me beijou. Eu estava disposta a questioná-lo, fazer várias perguntas, queria saber de tudo, não queria que ele escondesse nada de mim, mas daquele jeito era difícil, só um toque e eu era toda dele.
Jess me puxou pela cintura me dando beijos no pescoço e na minha boca, o beijo ficava mais quente a cada segundo, minha preocupação aumentava e diminuída, nunca havia passado por essa situação. As mãos dele me apertavam e eu o puxava mais pra perto de mim, e quando o clima estava prestes a explodir, eu me afastei.
– Não estou pronta. – Soltei, sem fôlego.
– Tudo bem. – Jess falou baixo, me abraçando. – Desculpe, fui longe demais.
– Não, não se desculpe... Eu só... você entende? – Falei confusa, e com vergonha da situação.
– Não, eu não entendo. – Ele ergueu uma sobrancelha. – Tem que ser muito louca para rejeitar um cara tão sexy e sedutor como o Jess. – Ele brincou.
– Idiota. – Ri, tampando meu rosto com as mãos.
– Parece um pimentão agora. – Ele falou puxando minhas mãos, me dando um selinho. – Está com fome?
– Você é com cozinheiro?
– Não sei. – Ele me olhou.
– Se você for bom, minha resposta é sim, se não for, minha resposta será não. – Me levantei. – Gosto de comer comida bem feita.
– Exigente. – Ele me puxou pelo braço, me fazendo cair em seu colo. – Arraso na cozinha, baby. – Ele piscou. – Vamos lá, vou ensinar você a fazer um prato suculento.
– Ok chefe. – O segui, segurando seus ombros.
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