Tentação
18 - Capítulo 18
Jess era o tipo de Bad-Boy que todas as garotas adorariam ter por perto, ele era atraente em tudo que fazia, até mesmo sentado como uma pessoa normal me olhando com aqueles olhos escuros cheios de segredos.
– Provavelmente. – Ele piscou jogando seu olhar para baixo, nessa hora meu coração disparou, se ele visse o livro seria constrangedor, até porque ele queria que eu confiasse nele, então seria muito chato se ele soubesse que eu estava pesquisando sobre o que ele realmente era. O “provavelmente” dele me deixou mais nervosa ainda, minha mãe estava longe, mas não se podia duvidar que eles poderiam ir atrás dela. – Mas como eu disse, – Ele continuou, voltando a me encarar. – eles precisam de confiança para poderem fazer algo contra você, as pessoas são fracas e eles usam essa fraqueza para se usufruírem dos humanos. – Suas mãos estavam apoiadas no queixo. – Não se preocupe, não é tão fácil assim, e eu estou aqui, nada vai acontecer.
– Não suportaria ver alguém que eu gosto se machucar. – Falei sério, eu ficava triste em saber que algo ruim poderia acontecer.
– Entendo. – Ele disse, mas aquilo foi só para me confortar, porque eu sabia que ele não sentia nada por ninguém, ele não entendia a parte de se preocupar com alguém, ele só entendia a parte de se aproveitar. Ele pareceu ler meus pensamentos. – E quando digo que entendo, eu realmente entendo, agora pelo menos. – Ele pegou minha mão. – Também não suportaria ver você machucada, ainda mais se for por minha culpa. – Seus olhos eram sinceros e tão bonitos, que me convenceram.
– Aí está você. – Louis apareceu. – Vim até aqui te buscar para você ajudar a encontrar meu carro.
– Gordon. – Eu disse. Ele sabia que o carro estava lá, não precisava da minha ajuda.
– Eu já fui lá, Mag. – Ele não estava feliz. – Eu sabia que seria uma má ideia deixar meu carro naquele lugar.
– Você está pedindo ajuda pra uma garota? – Jess ergueu seu olhar para Louis. – Não pode fazer isso sozinho? – Os lábios de Jess estavam curvados e seus dentes brancos estavam a mostra.
– Meu assunto é com ela. – Louis fuzilou Jess com os olhos. – Mag? – Ele queria uma resposta.
– Tudo bem. – Ergui as mãos. – Eu ajudo.
– Ótimo. – Louis falou virando sua cabeça para olhar Jess.
– Maravilha. – Jess se levantou da cadeira, pegando seu livro de química. – Minha garota é boa em tudo que faz. – Ele bateu no ombro de Louis. – Já que não consegue fazer isso sozinho, ela te ajuda. – Jess se aproximou de mim e beijou minha testa. – Te vejo mais tarde. – E saiu com seu andar másculo e extremamente sensual.
– Minha garota? – Louis me olhou sério. – Tá de brincadeira. – Riu sem humor. – Eu não vou com a cara dele.
– Ele diz o mesmo sobre você. – Era engraçado ver Louis todo indignado, eu me divertia. – Então vamos atrás do seu bendito carro. – Esperei que ele virasse as costas para mim, peguei o livro embaixo da mesa e enfiei ele na primeira prateleira que vi.
Louis seguiu o caminho todo sem dizer uma palavra, ele usava uma camisa azul e bermudas folgadas. Tive que simular mal estar pra conseguir sair da escola, e eu não estava nem um pouco afim de presenciar as últimas aulas. Andar até a casa de Gordon me deixou cansada pra caramba, o carro não estava lá, como Louis disse. Rodeamos todos os quarteirões e não achamos a grande máquina verde enferrujada.
– Péssima ideia ter deixado ele aqui. – Louis falou insatisfeito.
– Se ele não tivesse pifado, as coisas seriam diferentes.
– Ele só pifa com você. – Ele falou se sentando na calçada. – Você deve ser a pior inimiga dele.
– Como seu carro sairia daqui sem as chaves? – Perguntei me agachando para sentar ao seu lado. – Eu entreguei-as pra sua mãe.
– Eu sei. – Ele falou mexendo nos bolsos, puxando um chaveiro. – Elas estão aqui.
– Vamos ficar sentados aqui o dia todo? – Falei fazendo bico. Louis me olhou seriamente, e revirou os olhos.
– O que está rolando? – Ele encostou a cabeça na cerca de madeira e me olhou. – Você está namorando aquele cara?
– Não. – Nós realmente não estávamos namorando, não pelo que eu sabia. Jess e eu estávamos apenas no começo, um começo que poderia virar um namoro, talvez.
– Ele te chamou de “Minha garota”. – Seus olhos desviaram para seus chinelos, e ele começou a brincar com os pés. – Não acho que ele seja uma boa pessoa pra você. – Então seus olhos se ergueram e eu segui eles, olhando então para as pequenas flores rosas que estavam pregadas nos grandes galhos de uma bela árvore.
– Não é você quem decide, Louis.
– Sua teimosia me incomoda. – Ele se levantou, me dando as mãos para me ajudar a levantar também. – Ele é bem metido, né? – Suas mãos ainda estavam segurando as minhas.
– Você também é. – Sorri, soltando as mãos dele. – Temos um carro pra procurar.
– Droga. – Ele resmungou.
Bom... No final das contas, a lata velha do Louis tinha sido rebocada, pois é, ele havia estacionado em um lugar inapropriado, e olha que ele nem tinha bebido ainda.
Meu horário de serviço já estava batendo, quando cheguei ao Rock’s, Abgail quase me matou com seu olhar de psicopata. O chiclete estava na boca, e sua pinta se mexia com os movimentos. Ela esticou o pescoço para olhar o relógio e viu que eu estava atrasada por alguns minutos.
– Olha, hoje foi um dia chato. – Eu comecei. – Eu estava passando mal. – Menti. – Mas fiquei melhor e vim. – Sorri sem humor. – Seria pior se eu tivesse faltado. – Ela me olhou desgostosa.
– Pare de falar. – Ela ergueu seu indicador. – Odeio pessoas que não são pontuais. – Ela revirou os olhos e continuou a mascar seu chiclete. – O que está fazendo aí? Tem mesas sujas, não quero clientes insatisfeitos. – Então eu comecei meu trabalho, que me deixou a noite toda entediada. A garota que me ajudava havia faltado novamente, já estava começando a ter certeza de que ela teria sido demitida. Abgail não gostava muito dela, na verdade Abgail não gostava de ninguém.
Quando terminei de ajeitar as mesas mais tarde, com a lanchonete já vazia, eu me sentei junto com Abgail. Ela estava contando o dinheiro que entrara, e marcando em uma planilha feita em um caderno a caneta, e provavelmente ela não tinha usado régua. Depois de terminar suas contas ela amarrou elásticos em um bolo de notas e guardou em uma gaveta.
– Isso deve ser chato. – Tentei puxar assunto, eu deveria ter falado algo mais motivador, porém não pensei em nada.
– Chato é limpar mesas e servir comida. – Ela sorriu sem humor, debochando. Eu fiquei quieta, ok, ela tinha razão. – Então você está saindo com Jess. – O tom da voz dela não pareceu um tom de pergunta, e sim de afirmação.
– Se conhecem? – Perguntei.
– Claro. – Ela sorriu maliciosamente e aquilo me deixou muito desconfortável. – Já tivemos algumas conversas quando eu frequentava o bar.
– Eu acho que não é da sua conta o fato de estarmos saindo ou não. – Minha seriedade aumentou.
– Calma, garota. – Ela fez cara de nojo. – Não rolou nada entre nós.
– E se tivesse rolado? – Falei. – Não me importaria. – Falei fazendo barulho com a boca, tipo “Puuuf”, mas na verdade eu me importava sim, e fiquei satisfeita em saber que não rolou nada.
– Ele é um gato, mas é tão ignorante.
– Não tive o azar de conhecer o lado ignorante dele. – Sorri.
– Que ótimo. – Ela puxou a tampa vermelha de cima da caneta e virou para tampar a ponta. – Mas ele não tem uma reputação muito boa, ele é o perigo, seria meio impossível não imaginar que ele já tenha sido preso.
– Sabe que eu até gosto do perigo. – Falei apoiando meu cotovelo no balcão.
– Eu adoraria ouvir mais da sua voz, porém seu horário já deu. – Ela apontou pro relógio. Abgail não era de conversar, achei estranho ela tocar no assunto sobre Jess e eu, não tinha nada a ver com ela, a não ser que ela teria tido uma paixãozinha por ele. Abgail não era feia, mas se eu fosse um homem, nunca teria algo com ela.
Depois de pegar minha bolsa, saí do estabelecimento, e como sempre, estava sem carona. Pegar um taxi estava fora de questão, meu dinheiro não era o suficiente e a última vez que fiz isso, não foi agradável. Quando me conformei que teria que andar até chegar em casa, ouvi o barulho do porsche de Jess. Ele só aparecia quando eu precisava, isso me encantava.
– Carona? – Jess abaixou o vidro preto.
– Por favor. – Falei entrando no carro.
– Como foi a caça ao carro do seu amigo. – Ele falou saindo com o carro.
– Descobrimos que ele foi rebocado. – Coloquei o cinto.
– Que pena. – Jess estava sorrindo enquanto falava.
– Você sempre aparece quando eu preciso. – Falei.
– Isso é bom. – Ele me olhou, o sorriso dele era tão bonito, seu rosto ficara tão angelical, mas sabíamos que ele não tinha nada de angelical, somente o sorriso que poderia ser um grande enganador.
– É... é bom. – Então pensei na vez em que fui seguida. – Já me seguiram uma vez. – Olhei pra ele, seu rosto estava neutro.
– É perigoso andar nas ruas a essa hora da noite. – Eu estava a espera de que ele dissesse, “Oh, esqueci de contar, mas eu também segui você, foi mal”, porém ele não disse nada.
– Abgail me pareceu muito interessada em você hoje. – Puxei a conversa, para saber mais sobre ele ter tido papos com ela.
– Abgail? – Pude ver sua sobrancelha erguer.
– A moça da lanchonete.
– O nome dela é esse? – Nós estávamos quase em casa.
– Achei que soubesse.
– Não, eu não sabia. – Então ele parou o carro em frente da minha casa. – Por que ela estaria interessada em mim?
– Eu não sei. – Tirei o cinto e peguei minha bolsa. – Ela disse que vocês já conversavam quando ela frequentava o bar, e disse que você é perigoso, algo assim. – Ele continuava com a mesma expressão, neutra. – E ainda acha que você foi preso alguma vez.
– Todos que me veem acham isso. – Ele sorriu. – Talvez eu a conheça por vista, mas nunca a conheceria por nome, e que nome. – Ele riu.
– Bom. – Abri a porta do carro. – Preciso ir agora.
– Eu adoraria ser convidado para conhecer sua casa. – Ele se aproximou mais, mexendo em meus cabelos.
– Não posso. – Lucia ficaria furiosa se eu levasse um garoto para dentro, ela surtaria e com certeza iria falar com minha “madre”.
– Se o problema é alguém me ver, — Ele olhou para a casa. – eu sei subir em árvores.
– Não, Jess. – Soltei uma risada, eu não achava uma má ideia, mas ao mesmo tempo achava errado. – Não vai fazer isso. – Eu o beijei. – Não hoje. – E saí do carro.
– Ok, eu aguento esperar. – Ele lançou aquele sorriso que só ele tinha, um sorriso que me derretia, e se eu fosse um pouco mais fraca, ele me levaria pra cama apenas curvando os lábios e mostrando os dentes.
Fale com o autor