Tennensi Reformatory

14 Sem brigas dessa vez.


Notas iniciais
Oração: querido deus faça que todas as minhas leitoras esqueçam as notas finais anteriores, e que minha vida dure mais do que apenas até o ultimo ponto final desse capitulo. Amém.
-> Leiam as notas finais.

Betado pela jujuba verde *-* GabsBooBear.

– Pronto, esse é o último. — Falei para Adam. Estava no quarto dele há horas, dobrando e entregando uniformes nos quartos. Escrava, sim ou claro?

– Esse eu entrego. — Ele disse rápido, era o uniforme de Brandon Stuart.

– Eu não tenho medo desse cara. E sei me defender sozinha. Com licença. — Disse dando as costas. Porém uma mão firme segurou meu braço, fazendo-o latejar um pouco.

– Eu disse que eu quero entregar esse. — Ele falou me olhando nos olhos. — Não quero você nem perto de Brandon ouviu? — Eu não sei dizer, nos seus olhos parecia brilhar preocupação, mais sua voz soava com raiva. Fiquei em silêncio. Ele arrancou a roupa da minha mão.

–Talvez você devesse lembrar que não é meu pai. — Disse depois de um tempo, a expressão não havia mudado, e ele ainda segurava firme o meu braço.

Sem dizer uma palavra ele me largou e saiu do quarto me deixando sozinha. Deus, seria necessário muita paciência nesses próximos três dias.


[...]

– É impressão minha ou todo mundo nesse reformatório tá estranho hoje? — Michael disse entrando no meu quarto sem ao menos bater, enquanto eu arrumava minha mochila com roupas para daqui a duas horas entrar no mesmo carro que Adam.

– Você já tentou bater na porta antes de entrar?

– Não jogaria fora a chance de ver uma ruiva nua na minha frente. — Reviro os olhos e ele ri levantando as mãos em ato de rendição. — Viu a Becca?

– Na enfermaria cuidando da Lola.

– Da Lola? — Ele arregalou os olhos.

– Parece que ela andou brigando com alguma garotinha mimada por ai e levou um TC. -Tratamento de Choque. Michael arregalou os olhos. — E você? Notícias do Mason? — Ele balança a cabeça negando, Mason estava sumido há dois dias. — Será que aconteceu alguma coisa?

– Não se preocupe sumir é da natureza dele. Ele vai aparecer antes de você voltar. Tenho certeza. — Dei de ombros. Batidas na porta se fizeram ouvir. — Entra. — Gritei, e o loiro brotou na soleira da porta. Adam batendo na minha porta... Isso era novidade.

– Mandaram nos avisar que seu carro já está no portão. — Havia algo diferente em sua expressão. Claro que eu percebi isso desde hoje cedo quando entreguei os uniformes, mais depois do "surto" com Brandon, parecia pior. — Michael? — Ele perguntou estranhando a presença do outro loiro, que deu de ombros em resposta.

Fechei o zíper da mochila e coloquei-a por um dos ombros.

Casa, aí vou eu... Ou nós, que seja.


A viagem foi longa, o único som que se ouvia dentro do carro era a voz do locutor de uma rádio local, era um dia frio e os vidros do carro estavam fechados, e o aquecedor ligado, e devido a nossas respirações tínhamos que desembaçar os vidros de tempos em tempos. Seria ridículo esperar que o motorista do carro fosse meu pai, era quase óbvio que ele não gastaria seu tempo comigo, a não ser que isso tivesse algo a ver com o seu serviço. Quando era menor, mais ou menos na idade do Connor, costumava pensar que se algum dia eu cometesse algum crime bem grande, eu teria a atenção do meu pai. Hoje eu sei que estava errada. Ele não dedicaria seu tempo me defendendo.

– Chegamos crianças. — Caleb, o motorista de anos da família falou estacionando o carro. — Mocinha, seu pai e sua mãe estão em uma reunião importante, Connor foi deixado na casa de um coleguinha depois da escola. Madalene — a governanta — e os outros empregados estão ao seu dispor. – Sorri, agradeci e sai do carro.

Parei em frente ao grande portão branco bem desenhado, com o nome McSider gravado entre as grades, de onde estava já podia ver a grama do jardim na qual minha mãe sempre exigiu que estivesse limpa e bem cortada. A trilha de pedras pequenas cravadas no chão dando caminho para a enorme casa completamente branca, com apenas os vidros e portas em alguns tons acinzentados e pretos. Eu odiava aquela cor.

– A casa da minha mãe fica a uns 8 quarteirões daqui. — Adam falou me tirando dos devaneios.

– Aproveite a oportunidade, fuja enquanto dá tempo. — Ele solta uma risada pelo nariz.

–Tenho certeza de que nada é pior que aquele lugar. — Isso porque ele não conhecia a minha família.

Abri os portões, e caminhei pela grama úmida até a grande porta. Estava destrancada, abri-a e entrei junto do loiro. A casa parecia desabitada, aquele silêncio perturbador.

Como se não fosse assustador o suficiente uma casa inteiramente branca por fora, por dentro o seu estilo vintage era muito pior. Bom, era chique, "rústico" como minha mãe gostava de falar, as paredes tinham uma camada aveludada que me causava arrepios quando encostava. O chão era um assoalho escuro e bem encerado, as cortinas estavam todas abertas deixando o local ainda mais claro. Percebi os olhos de Adam avaliando cada canto que seus olhos enxergavam.

– Sinistro, não? — Ele riu.

– Reze para que minha mãe e a sua nunca se conheçam, essa é a casa dos sonhos dela. — Percebi nele que a expressão tensa de antes não existia mais. Ri.

– Vamos, não toque em nada. — Ele balançou a cabeça positivamente.

Faz um mês e uma semana que eu havia deixado minha própria casa, um mês que valeu por quase anos. Apesar de tudo estar igual, nada parecia a mesma coisa. Passamos pelo corredor no qual eu mais odiava. Dava caminho para as escadarias e não tinha como evitá-lo. Era um corredor largo, uma parede inteiramente de vidro, nesse momento coberto pelas cortinas, e do outro lado na parede branca, a geração da minha família em enormes porta retratos de formatura, presos na moldura preta que se realçava na parede branca. Meus bisavós, meus avós, meus pais. A parte materna e paterna da minha família presa a uma parede, a uma parede que já havia dois porta-retratos vazios pretos, esperando pela minha foto e a de Connor. Penduraram-nos na parede assim que descobriram que minha mãe estava grávida.

– Muita pressão? — Adam pergunta olhando para as fotos. Dou de ombros.

– Com o tempo a gente aprende a ignorar. — Ele ri e continuamos as subir. — Você deixa a suas coisas no meu quarto por enquanto, eu não sei qual dos quartos estão vagos. — Ele dá de ombros e entramos no meu quarto.

Por alguns segundos percebi o encantamento em seus olhos. Assim como o corredor uma das paredes do meu quarto eram de vidro, coisa que eu odiava, já que muitas vezes eu mesma esquecia de fechá-las e ao amanhecer me sentia tendo as córneas queimadas. As outras paredes eram lilás, ao invés do assoalho no meu quarto era um carpete parecido com os da parede porém cinza claro, a cama enorme na qual sempre achei excessivamente grande porém perfeita, a escrivaninha que por um milagre estava bem organizada e a as portas brancas do closet e do banheiro.

– Bacana. — Foi o que ele disse, se aproximando de um mural de fotos. — Quem são? — Vou até lá ver.

– Amigos. — Ele passou os olhos de foto em foto.

– Mania estranha essa de beijar os amigos. — Ele caçoou de uma foto na qual eu tirei uns três meses antes de ir para o reformatório. Estava na casa de uma amiga e ela quem bateu a foto, o primo dela havia me empurrado da escada e eu fiquei com um corte nos lábios, o babaca "deu um beijinho pra passar".

– Diga isso a ele. — Falei jogando a mochila no chão deitando na cama. — Ouvi batidas na porta.

– Zoe? — Era a voz de Madalene. Caminhei até a porta e a abri. Ela me abraçou. — Que saudades de você mocinha. — Ri.

– Eu também Má. — Madalene me criou, criou Connor também. Ela sabe muito mais sobre mim do que minha própria mãe, ela sabe minha comida preferida, meus gostos, conhece meus amigos, meus inimigos, sabe quando estou com algum problema e até quando apronto alguma coisa.

– Você cresceu. — A claro, vinte metros — E uau, passa um mês fora e arranja um namorado desses? — Corei no mesmo instante assim como ele, ela riu. – Opa, falei demais, não? Enfim só vim avisar que seus pais chegaram. — Ela disse e deu as costas.

– Má ele não é meu namorado. — Gritei para que ela pudesse ouvir.

– Fazer o que, ter um cara gostoso como eu de hóspede tem suas consequências. — Revirei os olhos.

– Vem vamos ver meus pais. Lembre-se só fale o que for absolutamente necessário. Evite contato direto com meu pai.

– Garota você por acaso é filha de algum bicho selvagem?

– Bem próximo a isso.


Saímos do quarto, descemos a escada e fui até a sala onde se ouviam vozes. Sabia que era de mim que falavam, e boa coisa obviamente não era. Não fiz questão de ouvir então tentei fazer o máximo de barulho que podia.

– Zoe, minha filha que saudade de você! — Minha mãe disse sorridente vindo me abraçar, retribui. Sentia o peso do olhar de meu pai sobre mim quando ela me soltou. Aproximei-me dele.

– Oi pai.

– Olá. — Nem um gesto, nem uma expressão, nem um sorriso.

Adam limpou a garganta ainda na porta. Idiota, não sabe o que significa só falar quando for absolutamente necessário, joguei um olhar reprovador para ele e mesmo assim o apresentei.

– Mãe, pai este é Adam Calliel. Um colega. — Minha mãe sorriu para ele e meu pai apenas trocou a posição dos olhos passando-os para o loiro. — Adam, essa é Elizabeth minha mãe. E Christopher meu pai. — Adam acenou.

– Devo me preocupar? — Meu pai perguntou voltando os olhos para mim. Cerrei os punhos e balancei a cabeça negativamente.

– Ele precisa de um quarto. — Falei.

– O seu está ótimo. — Meu pai respondeu.

– Um garoto no meu quarto? — Cruzei os braços e arqueei uma de minhas sobrancelhas. — Não tínhamos uma regra contra isso?

– Tínhamos regras contra várias coisas, mais de que adianta? Você fez questão de quebrá-las. Aliás você não fará nada com o garoto que já não tenha feito com outro. — Arregalei os olhos e engoli em seco. Certo, meu pai uma vez me pegou dormindo na cama com um garoto depois de uma festa. Eles tinham ido viajar eu não sabia que eles voltavam naquele dia.

– Eu não quero que ele fique no meu quarto. — Disse.

– Não é como se você tivesse opções, agora me dê licença tenho coisas mais importantes a fazer. — Ele saiu, olhei para minha mãe.

– Por favor, filha, tente fazer um esforço. Sem brigas dessa vez. — Respirei fundo e senti meus olhos marejarem. Dei as costas e não disse nada. Sem brigas dessa vez.

Notas finais
E cadê a pegação que todo mundo estava esperando em em? Pois é eu também não sei. SORRY!
Mais eu posso explicar... até já ensaie com a minha beta linda kkk
" Eu fiquei meio sem saída. O loiro não podia simplesmente agarrar a Nat (tá, podia) mais ia ser sem graça e ia ficar meio... ã?, e muito obviamente a ruiva não pode simplesmente estuprar o loiro, certo? (não) Mais eu juro que Logo, eu vou dar a todo mundo essa alegria certo?"
~ Diz o lado racional da Gabs que eu estou perdoada, por outro lado o lado FanGirl me fez sentir peso na consciência, mas enfim... TALVEZ no próximo...

Valeu aos trinta comentários, já disse que amo vocês? Vocês todos são um saco de jujubas coloridas (nas quais as verdes são a gabs e todo mundo já sabe!) sintam inveja... Vou responder os comentários agora e pedir desculpa pra um monte de gente linda e compreensiva (ou nem tanto) pela falta de beijo ok?
15 comentários capitulo novo, ou uma recomendação (sabe aquelas, que varias pessoas andaram me prometendo, mais elas acabaram morrendo no meio do caminho ;/ ).

XxXx, amo vocês ;3

( Sem mortes!)