Tennensi Reformatory

32 Ação e Reação


Notas iniciais
Oi galera, capitulo divamnte betado pela GabsBooBearJujuba verde.
Eu to afim de saber o porque que a maior parte dos meus leitores andou sumindo do nada. A lista de comentários que antes que antes precisavam de dois dias para chegarem no 30, agora leva o mesmo tempo para atingir os 17.
Sei lá, não é que eu esteja reclamando mais pá, eu acho que é um pouco de falta de consideração dos leitores que não comentam e mesmo assim aparecem lá na MP, pedindo capítulos maiores, e tals. Galera eu super intendo que vocês tem esse direito de pedir o que pode acontecer na historia, dar a critica e tals. Mais sei la quem critica elogia né?

Segunda feira, sete horas da manhã. Exatamente sete horas da manhã.

Não me lembro de já ter acordado antes por livre e espontânea vontade nesse horário, mais hoje havia um motivo especial. Eu tive medo de voltar a fechar os olhos e o maldito Calliel voltasse a perambular pelos meus sonhos. Pode não parecer, mas acredite sonhar com o loiro é ainda pior que tê-lo do seu lado.

Cheguei à cozinha e para a minha desagradável surpresa meu pai estava lá. Lendo um jornal enquanto bebericava na xícara fumegante de seu café. Seus olhos se elevaram para mim e eu ignorei completamente, caminhado até a geladeira para pegar o leite.

– Costumamos dizer bom dia as pessoas que encontramos no inicio da manhã. Será que se esqueceu dos bons modos, assim como da educação? — Suspirei me sentando à mesa e preparando meu café com o leite frio. Odiava o leite fervido que os empregados sempre dispunham na mesa. Ele me embrulhava o estômago de tal maneira que eu perdia completamente o apetite.

Meu pai ainda variava os olhos discretamente para mim e para o jornal, eu sabia que a primeira coisa que eu falasse se tornaria motivo para uma nada pacífica briga, então assim que terminei o café, me retirei em silêncio.

Connor pediu para que eu o acompanhasse até o ponto de ônibus, onde geralmente pegava o ônibus escolar, e assim fiz. Foram menos de oito minutos de caminhada para ir, e ainda menos para voltar.

Cheguei em casa e logo vi na frente do meu portão o Honda preto estacionado. Apesar de não me recordar da placa, tinha quase certeza que esse era o mesmo carro que Adam havia usado para o passeio no sábado.

Entrei pela grande porta principal e cômodo da sala de estar estava vazio, talvez fosse apenas um dos caras engomadinhos que trabalham com o meu pai. Subi para o quarto e vejam só que elegante, tinha um loiro sentado na cadeira da escrivaninha, com os pés descansando por cima da mesma, enquanto sua mão desfolhava um álbum de fotos.

– Será que eu não deixei bem claro que odeio invasões? — Perguntei e ele me olhou surpreso como se nem se quer tivesse notado minha entrada no lugar.

– Sua empregada é quem faz questão disso. Você já tentou explicar pra ela que não estamos namorando? — Franzi o cenho. — Porque apenas no curto tempo em que ela me guiou da porta até o seu quarto, ouvi pelo menos uma cinco vezes comoeusou o melhor garoto que você poderia ter. — Arregalei os olhos.

– Madalene disse isso a você? — Ele fez um aceno com a cabeça. — Bom então é melhor eu conferir a adega de vinhos do meu pai, ela só pode estar bêbada. — Ele revirou os olhos com o ego ferido. — Agora volte ao assunto principal, o que está fazendo aqui às sete e quarenta da manhã? — Ele deu de ombros.

– Vim te buscar. Preciso de ajuda para fazer minha mala, estou indo para Boston, e estou realmente com muita preguiça de fazê-la. Então porque não vir até aqui e buscar a minha nem um pouco empregada nas horas vagas?

– Adam você tá brincando, não tá? É só empilhar roupas em uma mochila e pronto. Sua mala está feita. — Ele abriu um sorriso sacana.

– Então é exatamente isso que você irá fazer lá em casa. — Ele disse sorrindo, mas então o sorriso se desfez aos poucos quando encontrou um pedaço de papel na escrivaninha. — O que é isso?

– Um recado que me deixaram na secretaria. Madalene anotou para mim, mas deve ser um engano, fala sobre um tal deStuartvir pegar a encomenda às sete e trinta e cinco de hoje. — Ele correu os olhos pelo papel e travou o maxilar. — Eu não conheço nenhum Stuart e já são quase oito horas, então está nítido que realmente foi um engano.

Eu podia ver os olhos de Adam ainda presos ao papel, com um tom de verde tão intenso que passou por mim que ele pudesse saber algo sobre o assunto. Mas então ele relaxou os ombros e se levantou colocando o papel outra vez em seu lugar.

– Vamos? — Perguntou

– Como se eu tivesse opções. — Resmunguei pegando uma jaqueta qualquer que estava em cima da cama e saindo do quarto junto ao loiro.

Avisei Madalene que estava indo na casa de Calliel, e ela me lançou um sorriso safado. Droga, minha empregada virou uma assaltante noturna da adega de vinhos.

Chegamos à casa de Adam e assim que entramos eu me deparo com um casal assistindo televisão no sofá do que me parecia ser uma sala muito ampla e refinada, com um lustre perpendicular cumprido, e cortinas que iam do chão ao teto na cor creme.

– Já voltou? Quem é sua amiga? — A mulher loira de cabelos presos no alto e um nariz tão empinado quanto o da minha mãe cantarolou do sofá.

– Hm... O nome dela é... Natascha McSider. — Instantaneamente os dois pares de olhos do casal voltaram-se para mim.

– Filha de Julian McSider e Lovitcs McSider? — O homem falou. E eu acenei com a cabeça um pouco desconfiada.

– Que honra tê-la em nossa casa, somos grandes admiradores do serviço de seus pais. — Disse a loira.

– E deles também é claro. — Completou quem eu jugo ser o marido da mãe de Adam.

Quase deixei escapar a pergunta se eles eram mesmo tão admiradores de um cara que tira assassinos da prisão. Mas Adam me obrigou a ficar calada.

– Por favor, Owens sem pedir esmolas para a visita. Não é educado. — Quase ri com o sarcasmo que Adam havia colocado na voz para falar com o padrasto, e tive que me aguentar muito mais quando vi sua cara de reprovação.

Adam me puxou para o segundo piso da casa e chegamos ao que julgo seu quarto. O quarto estava semi-escuro de modo que a claridade que entrava era a mesma que penetrava o tecido fino da cortina azul escura. O quarto de Adam apesar de grande era pouco menor que o meu, parecia ter uma grande janela e uma sacada, as duas superfícies de vidro cobertas pelo tecido azul da cortina. As paredes eram brancas e assim como o quarto do reformatório, o da casa de Adam era ridiculamente organizado de mais para ser o quarto de um garoto, também tinha um guarda-roupa mediano e uma escrivaninha, e existia uma outra porta que deveria dar ao banheiro.

Entrei junto dele, e o loiro caminhou logo para as cortinas abrindo-as e deixando que a claridade e a brisa um pouco fria da manhã invadisse o ambiente. Logo depois abriu as portas do guarda-roupa e na minha direção arremessou uma mochila preta vazia.

Suspirei de irritação, entendendo o que ele queria dizer. Me levantei e fui até o seu guarda-roupa inutilmente organizado por ordem de cores.

Pior que ter que organizar uma mala para o Adam, era ter omalado Adam do seu lado dizendo o que pode e não pode ser colocado dentro dela. Foram quase quatro horas separando roupas, calçados e tudo o que Adam precisava para alimentar sua vaidade. Cheguei a cogitar a possibilidade deesqueceras cuecas, mas Adam deve ter imaginado isso, então conferiu todo o compartimento íntimo antes de terminarmos.

– Você é, com certeza, o cara mais cheio de manias que eu conheço. — Resmunguei me jogando sobre a sua cama. Ele riu se jogando do outro lado.

– Só porque não gosto de listras e golas? — Perguntou e eu olhei pra ele com uma das sobrancelhas erguidas.

– Adam você fez outra mochila, inteiramente ocupada por higiene e beleza. Você dedica mais horas ao seu cabelo do que uma garotinha de quinze anos. E olha que você não tem nem metade da quantidade de fios.

– Pode assumir que eu sou o loiro mais gato que você conhece. — Revirei os olhos e ficamos em silêncio.

– Posso ir embora agora? — Perguntei e seus olhos pararam em mim por segundos.

– Não. Preciso de uma distração até a hora da minha viagem. — Dei de ombros me levantando.

– Compre um cachorro. Esse é o fim do meu expediente. — Ia sair, mas ele segurou meu pulso me fazendo voltar a cair com as costas na cama. Seus olhos estavam fixos em mim e seu sorriso não era nada mais ou nada menos que uma mera lembrança.

Seu corpo pouco elevado sobre o meu, me dava a estranha sensação de desconforto, e de aconchego ao mesmo tempo.

– Você fica. — Ele disse. Dessa vez, sério e até um pouco ríspido.

Eu não sabia por quanto tempo conseguiria resistir às crises de bipolaridade de Adam, sem partir para a agressão física. Com certeza não seria muito tempo.

– Eu estou indo. — falei pausadamente quase soletrando.

Espalmei a mão em seu peito e o empurrei com a força que consegui me levantar logo em seguida. Para meu azar a força que eu tinha sobre Adam era muito menos da que se precisava para fazer com que ele recuasse. Adam se levantou e se pôs em minha frente, firme e com os mesmos olhos verdes intensos de quando leu o bilhete.

Troquei de direção para desviar do corpo do loiro e o mesmo me segurou outra vez firme pelo braço e me encostou na sua porta de madeira.

– Você não vai sair Natascha. Eu não quero que você saia. — Ele gritou.

– E por que diabos você acha que tem que querer? Eu vim até aqui apenas porque você me mandou arrumar a maldita mala. E agora... — Ele me interrompeu.

– Eu estou te mandando ficar Natascha. — Ele disse baixo, mas as suas palavras ainda soavam graves em meu ouvido, ele não tinha o direito de me mandar. Não desse jeito.

Adam repousou a cabeça sobre o meu ombro, mas ainda mantinha sua mão grudada aos lados da porta, me impedindo de sair. A respiração quente que batia em meu pescoço mostrava como ele estava ofegante e irritado, mostrava como ele queria com todas as suas forças me manter ali.

Senti um calafrio quando algo um pouco mais frio e úmido que a respiração de Adam atingiu o fim da linha de meu pescoço entre meus ombros e minha clavícula. Senti seus lábios macios encostando lá de forma tão delicada que era quase impossível associar o beijo ao seu intermédio. Algo como uma série de calafrios me percorreu quando a boca de Adam subiu mais um pouco para uma parte delicada do meu pescoço. Ouvi o barulho estranho que suas mãos fizerem quando desceram pela porta e repousaram em minha cintura. Já as minhas permaneciam lá, pregadas ao lado do meu próprio corpo. Senti o leve sugar dos lábios de Adam em minha pele, e tentei me convencer de que isso era apenas a sua carência por sexo, talvez a minha também por desejar tanto isso de uns segundos pra cá, mas cada vez era mais difícil acreditar nisso, quando a ordem dos fatos me atingia. Sempre que uma briga acontecia entre nós acabávamos com os lábios colados.

Era como se tivessem voltado para o início da aposta. No primeiro dia tive que fazer um trabalho para Adam. Falei sobre todas as leis da física criadas por Newton, meu velho amigo Nestor. Aquilo se parecia ridículo na época. Xinguei tanto a própria matéria e tudo aquilo que a mesma poderia sustentar, que meu falecido colega Nestor resolveu usar a mim e ao Adam como um exemplo de suas leis.

Toda a ação requer uma reação.

Nós praticávamos diversas vezes a ação.Brigar.E diversas vezes a reação me veio como um tapa na cara.Beijar.

Porém, só agora eu comecei a desconfiar que Adam estava apenas arrumando uma maneira simples de me fazer ceder as suas regras. De aceitar as ordens que ele me impõe. Uma pequena fagulha de raiva se acendeu em mim. Logo virou uma espessa chama.

Subi minhas mãos para os seus ombros, quando ele resolveu que a marca em meu pescoço já deveria estar boa o suficiente ou chamativa o suficiente. Ao mesmo tempo em que queria jogá-lo para longe com todas as minhas forças, queria prendê-lo ali e continuar com o beijo exasperado que ele me lançava. Por mais tempo do que posso imaginar a segunda vontade dominou a mim completamente. E eu só pude perceber isso, quando minhas costas já não estavam mais na porta, e nossas blusas não estavam no corpo.

Adam se sentou a beira da cama levando meu corpo junto, fazendo-me sentar com as pernas entre as suas, e de frente para o seu corpo.

– Natascha.– Foi um breve sussurro que saiu da boca de Adam quando minhas mãos puxaram firme seu cabelo loiro para trás, expondo seu pescoço a minha boca.

Algo em minha cabeça gritava para eu ir até o fim, me dizia que aquilo seria bom pra nós dois, algo me dizia que eu estava desejando aquilo há muito mais tempo que deveria, algo me ensurdecia dizendo que eu queria Adam Calliel com todas as minhas forças.

Então no meio de todos esses gritos algo sussurrava, era o pingo da minha sanidade me dizendo para me afastar e ir embora agora. Dizendo-me que eu não deveria provocar esse lado de Adam, que poderia ser perigoso para nós dois. Uma vez poderia ser agradável, mas se permitisse duas, poderia ser viciante. E todo mundo sabe que o fim dessa história não é bom.

Então os gritos cessaram e a sanidade voltou a reinar.

Já estávamos os dois deitados na cama, com as pernas pra fora. Eu ainda estava por cima dele o que me facilitou muito quando fui levantar. Adam não me impediu, foi pego de surpresa e provavelmente assim como eu, acostumava seu corpo a brisa suave e fria que adentrava pelas janelas.

Juntei a minha regata vermelha e tornei a vesti-la, procurei por minha jaqueta e cheguei a conclusão de que ela estava longe demais do meu alcance, e eu não daria tempo para Adam reagir. A propósito ele já estava se sentando.

– Eu... tenho que ir. — Disse e fui para a porta encostando-a sem muito barulho. Contei até três antes de deixá-la, eu ainda estava lutando arduamente com o meu próprio desejo. Sentia a queimação em meu corpo, e a maior parte dos meus músculos se moviam involuntariamente enquanto tremiam, eu queria me livrar daquele cheiro que eu sabia bem diferenciar. Era a mistura de um perfume forte, no qual o próprio frasco deveria ser o dobro do valor de qualquer perfume que eu costumava usar. Junto ao cheiro marcante do perfume a própria essência de Adam vinha misturada ao costumeiro cheiro de cravo que eu não sabia o porquê de estar sempre impregnado por sua pele. Tudo isso, parecia contar como a assinatura registrada de Adam, eu estava cheirando atudo issoagora, e qualquer um que conhecesse Adam o suficiente para reconhecer o seu cheiro, saberia que eu recebi aassinaturado loiro.

Não que a marca em meu pescoço já não deixasse isso bem claro.

Por sorte atravessei a casa sem dar de cara com os donos, apesar de ter cruzado com alguns empregados que perguntavam se eu precisava de ajuda. Saí de dentro da grande mansão e olhei pra trás agradecendo por Adam não ter vindo atrás de mim. Mas praguejei mentalmente quando descobri o motivo.

Ele já me esperava do lado de fora da casa. Vestia de volta a sua blusa e parecia ter se recuperado rápido do provocativo estado de excitação, a não ser por seus cabelos desarrumados e sua boca mais vermelha do que o normal, tudo parecia estar nos conformes com o loiro. Me perguntei como ele podia ter chegado tão rápido ao lado de fora e a minha resposta veio acompanhada de uma leve risada interna da minha própria situação.

Ele era o dono da casa, deveria conhecer todas as saídas que tinham na mesma, e obviamente também pelo fato de ser dono da casa, não entrou duas vezes em corredores errados, indo parar em um corredor de portas fechadas e depois em uma sala que me lembrava muito uma biblioteca.

– Você esqueceu isto. — Ele disse um pouco mais baixo do que de costume, e eu me senti pregada ao chão, não entendi direito o porquê de nenhum tipo de ironia ou piada de humor negro não saiu da minha boca. Não entendi porque me sentia presa aquele lugar como se a grama de baixo dos meus pés estivesse me segurando. Não entendi porque os olhos de Adam estavam em um verde tão claro que se assemelhavam ao azul. Não entendi porque a voz de Adam não escondia o ligeiro tom de magoa.

Ele veio em minha direção com a mão que segurava o meu casaco estendida para frente. Ele me entregou e eu o vesti, apesar de não estar sentido frio, e ainda ter todo o calor que Adam me provocou preso em minha pele. Apenas coloquei porque vi nisso um espaço de tempo pequeno, porém existente para que eu não precisasse olha em seus olhos.

– Eu... tenho que ir. — Repeti a mesma última série de palavras que eu havia dito como se minha mente estivesse programada para dizer apenas isso. Finalmente consegui levantar meus pés para voltar a caminhar em direção ao portão.

Ele permaneceu lá, parado.

– Natascha? — Parei subitamente, mesmo querendo obrigar meu corpo a andar. Ouvi os passos dele pelo farfalhar da grama e já fazia ideia do quão próximo ele estava de mim. Novamente estávamos frente a frente e eu desviei os olhos.

Isso o irritava, ele já havia me dito em algum momento no reformatório. Mas eu tinha o pressentimento que era apenas isso que poderia me assegurar de não cometer uma loucura quando estávamos tão próximos como agora.

Adam segurou meu queixo e me forçou a olhá-lo, ele estava sério e a única coisa que me parecia estranha demais para eu dizer o significado, era o pequeno vinco em sua testa.

– Você pode me mandar parar quando isso acontecer de novo. — Ele falou baixo como se só nós dois pudéssemos ouvir isso. — Euprecisoque você me mande parar. — Sua voz não mostrava nada além do quanto lhe custava esse apelo. Eu sabia do que ele falava, porém mesmo assim eu não entendia o porquê disso. — Se eu não escutar você, faça como fez hoje.Me faça parar. Me obrigue. De as costas e vá embora.Mas jure que não vai deixar as coisas irem longe demais, jure ruiva. — Ele falou a última parte mais alto e nossas testas estavam quase se encostando.

Engoli em seco enquanto calafrios corriam por mim ouvindo o tom de desespero que soava na voz de Adam. Ele estava com medo e eu não sabia por quê. Eu nem sequer já havia visto Adam com medo antes, mais eu sabia que era isso. A sua voz, o vinco na sua testa, seus olhos quase azuis. Tudo isso era novidade para mim, uma novidade que denunciou o medo do loiro.

– Eu tenho que ir, estou falando sério Adam. O Connor ele já deve ter chegado e...

– Só jure! — Ele pediu então de novo ele engoliu em seco.

Eu não podia jurar uma coisa que provavelmente não teria forças para cumprir.

Estava pronta para mentir para Adam jurando por tudo o que ele precisasse apenas para me ver longe daquele ridículo cheiro bom e de todas aquelas coisas novas na expressão de Adam. Então eu fui salva por uma brusca freada no portão do loiro.

Pelo menos assim pensei até ver o meu pai saindo aos nervos da porta do motorista.

Adam me largou com o susto que o barulho dos pneus do carro se arrastando pelo asfalto fizeram, porém olhando para a face do meu pai nesse momento, eu me sentia muito mais segura em meio aos braços do loiro.

Adam caminhou até o grande portão a passos lentos e eu permaneci parada. Em nenhum momento meu pai olhou para o loiro seus olhos estavam fixos e estáticos na minha direção.

O loiro abriu o portão que fez o comum barulho de dobradiças que precisam de graxa e cedeu a passagem para o meu pai ainda receoso do que podia acontecer. Teoricamente falando as chances de ele ter vindo me abraçar e dizer que me ama eram quase menos que nada. Meu pai deu um passo para dentro, e então outro e outro. Quando dei por mim ele estava correndo na minha direção.

Meu corpo não demorou a ser arremessado para o chão, e uma dor perturbadora se instalar em minha cabeça. O braço de meu pai pressionou forte o meu pescoço e respirar se tornou difícil.

– Me diga que você está com o Connor aqui para o seu próprio bem. — Eu não conseguia responder. — Abra essa maldita boca e me responda. — Ouvi uma voz gritar ao fundo mais não consegui entender o que falava.

Logo meu pai não estava mais em cima de mim e o ar voltou com tanta força aos meus pulmões que eu tossi diversas vezes tentando recuperar o ritmo estável. Quando me pus sentada meu sangue gelou Adam e o meu pai estavam rolando na grama como duas crianças. Meu pai poderia ser mais forte que o loiro, mas em matéria de experiência o Adam era muito mais sábio. Porém mesmo assim o loiro não acertou um só golpe em meu pai, desviou com esmero dos golpes dele, mas se negou a machucá-lo.

– Chega. — Falei alto e Adam me olhou dando a oportunidade perfeita de ganhar um soco em seu maxilar, porém desajeitado demais para causar grandes estragos. — Pai, para! — Falei me colocando entre ele e Adam, sabia que era burrice, mas não tinha o por que colocar Adam no meio de tudo isso.

– Onde está o Connor? — Ele gritou.

– Não sei! — Disse. — Em casa, no ônibus, na escola. São muitos os lugares porqueeutenho que saber. — Ele deu uma risada irônica.

– Porque foi com você que ele foi até o ponto hoje de manhã, ou disse que foi, já que o motorista do ônibus negou tê-lo visto, assim como os trabalhadores da escola e os colegas de classe. Me diga Natascha para onde você o levou? — Meus olhos marejaram. Deus Connor havia sumido e meu pai estava me culpando por isso.

– Droga não foi eu! Eu o deixei no ponto e voltei para casa. Pergunte para Madalene ou Adam, eles viram a hora que eu cheguei. Foram menos de quinze minutos. Como o senhor acha que eu posso tersumidocom o meu irmão de treze anos em quinze minutos.

– Comparsas. — Ele gritou.

– Não! Eu já disse droga, eu o deixei no ponto e voltei para casa! Pare de me culpar! Você não tem provas. Talvez ele esteja com amigos, ou por aí. — Eu sabia que era mentira, meu irmão nunca ficariapor aísem avisar ninguém. E era esperto o suficiente para matar aula e voltar no horário certo.

– Não volte a por os pés naquela casa. Nem pense em dirigir a palavra para a minha família. Eu não quero mais você nem como uma estranha em minha vida. — Ele tinha tanto ódio em suas palavras que foi impossível impedir as lágrimas. — Suas roupas estão no carro eu pedi para Madalene empacotar todas. Se for voltar para buscar algo, torça para não cruzar no meu caminho. — Então deu as costas me deixando lá, sem chão, sem motivação, sem casa, sem irmão, e o pior de tudo, sem família.

Senti meus joelhos fraquejarem e caí Minha cabeça ainda doía, mas eu nem me importava, nenhuma dor física se comparava a emocional que eu estava sentido agora. Eu tinha as mãos na cabeça como se isso a impedisse de latejar, não ajudava em nada, não diminuía as dores e nem faziam os soluços do choro cessar. Me sentei sobre os calcanhares e ouvi passos se afastando ao mesmo tempo que Adam rumava para longe de mim. Ficar sozinha era o que eu precisava.

Só que a solidão não durou. Adam voltou carregado de bolsas que eu julgava estarem carregadas por minhas roupas. Era verdade, meu pai me odiava.

E o que mais me corroia por dentro era saber que meu pai era o cara que libertava assassinos por achar que eles merecem uma segunda chance para procurar redenção, porém condenava a própria filha por simplesmente não agir como todos os McSider.

– Na.. Natascha. — O loiro hesitava para saber como deveria agir nesse momento. — Vamos entrar. Você toma um banho e se acalma. Pode ficar na minha casa até encontrarem seu irmão, eu ligo para o meu pai adiando a viagem, ele vai entender.

– Eu quero ir pro reformatório Adam. Agora. — Disse olhando em seus olhos tentando controlar as lágrimas. Atualmente Tennensi tem sido o único lugar que posso chamar de lar.

– Só... vamos entrar ruiva. Preciso te contar uma coisa importante e... pode ter a ver com o sumiço do seu irmão. — Pisquei. Não, Adam estava blefando. Tinha que estar.

Ajudei o loiro comas malase fomos para o quarto dele, para a minha sorte não cruzei com os donos da casa outra vez. Adam abriu a porta para que eu entrasse. Olhei para a cama bagunçada e seu lençol amarrotado me lembrando do que por pouco não fizemos. Ironicamente isso parecia ter acontecido há muito tempo.

Suspirei e me encostei na parede olhando para o loiro, uma ou duas lágrimas ainda insistiam em sair. Adam se sentou na cama hesitante, porém pronto para falar.

Notas finais
Desculpem o exesso de "enter" mais o pc ta doido ;c
Recomendações super bem vindas ok?
Comentem!
XxXx