Tennensi Reformatory
36 Além dos Limites.
Notas iniciais
Festa de comemoração aos quinze anos do reformatório.
Alunos de todas as idades serão dispensados com aprovação do responsável na tarde de sexta-feira e deveram retornar no domingo anoite para a realização da festa.
Era esse o aviso pregado pelo lado de fora na porta de Brandon. Eu já havia escutado boatos sobre a festa, Adam me contou em uma de suas ligações que ele costumava ajudar a organizar, mais que obviamente esse ano não contaríamos com a participação dele. Entre tudo, ele disse que se trata de uma festa comum, música, bebidas e pessoas, mas também disse que na maioria dos anos o encerramento da festa é dado com algum problema causado por arruaceiros. No ano retrasado, um cara estuprou uma novata e no ano seguinte uma garota de dezessete anos entrou em coma alcoólico e por muito pouco não morreu. O diretor estava pensando em tirar as bebidas da festa, ele alegava que jovens de um reformatório não deveriam receber bebida dentro do estabelecimento, e graças a Adam com seus discursos improvisados, conseguiu de alguma forma persuadir o tio de modo que a bebida fosse liberada no ano seguinte. Ou seja, pela primeira vez eu veria essa espelunca como um bom lugar pra se morar.
Meus pensamentos foram interrompidos quando meus ouvidos perceberam o baixo clic na fechadura da porta de Brandon, não demorou para que ela se abrisse por completo e o moreno muito mais forte que eu saísse de dentro dela. Deduzi que Scott Kinkad não estava lá, porque se estivesse Brandon faria dele seu empregado e mandria-o “receber a visita.”
– Anjo! – O moreno sorriu aproximando seu rosto do meu e encostando seus lábios sobre a minha boca. De forma automática a náusea repulsiva que Brandon me provocava se mostrou bem presente em mim. Senti seus dedos se aproximarem das minhas costas e se instalarem no cós da minha calça me puxando para si até que eu estivesse dentro do quarto e ele pudesse fechar a porta em minhas costas.
Todas as minhas células suspiraram de alivio quando nossos rostos se separaram o suficiente para que eu pudesse pensar sem que a ligeira sensação de sufocamento me afetasse.
– Fico feliz que você tenha vindo. – Brandon conseguia fazer parecer estranhamente normal o nosso relacionamento forçado. Como se já tivesse enfiado sua maldita língua na boca de outras mil garotas sem que tivesse permissão para isso. Além disso dizer que eu estava aqui por vontade própria era sem duvidas uma descarada mentira. – Scott foi viajar com os pais.
Essa frase com toda a certeza ativou o alerta vermelho que eu mantinha dentro de mim, sem Scott entrando e saindo desse luga Brandon teria a chance de tentar o que bem entendesse comigo. E eu garanto a você que com “bem entendesse” nada do tipo caçar gafanhotos e discutir sobre basquete, está incluído.
Murmuro qualquer coisa em resposta a Brandon e observo ele se jogar na cama de lençóis brancos amarrotados e estrutura de ferro, que consegue fazer um barulho ainda mais irritante do que a cama da cabine. Meus pés me direcionam rumo a janela aberta e paro sobre o parapeito observando a paisagem acinzentada que os vidros abertos me permitiam avaliar. Se fosse para resumir o momento em duas palavras eu diria, tenso e tedioso.
– Você sabe o que isso quer dizer não? – Brandon cantarolou da cama e mesmo que eu estivesse de costas para ele podia muito bem sentir seus olhos me observando com uma calma e um controle forçado que me faziam tremer um pouquinho.
– Não. – Falei sem dar a devida atenção ao perigoso tom de desprezo em minha voz. Quer dizer, aquilo não era uma resposta a sua pergunta e sim á frase que eu deduzi que sairia de sua boca logo em seguida.
– Significa que você passará a noite comigo, anjo. Essas e todas as outras até que Scott retorne. – Era ridículo como o seu convite me soava muito mais como uma ordem. Não que não fosse uma, mas ele não precisava fazer toda essa cena enquanto estávamos só nós dois. Eu sabia o quanto ele queria que parecesse real para os outros, mais ainda assim não era real para mim, então ele não precisava tentar soar convincente, até porque isso alimentava ainda mais minha repulsa pelo moreno.
Me mantive calada até que ele voltou a falar,
– Qual é o problema, Anjo? – Minha vontade era responder de verdade todos os problemas que me cercavam, e como o fato de Brandon respirar era um deles. Mas meu senso de sobrevivência me obrigou a disfarçar o ódio e permanecer calada. – Até parece que você não quer que eu não tenha a experiência completa em relação ao nosso relacionamento. – Não, eu realmente não queria e ele acertou no alvo. Não que esse fosse o tipo de coisa que eu tentaria explicar pra ele, mais a experiência completa era sem duvidas algo que ele não teria enquanto eu tivesse pelo menos cinquenta por cento dos meus sentidos sóbrios.
– Eu só acho cedo de mais. – Disse a primeira desculpa que meu cérebro se permitiu inventar. Eu até diria que ela não era ruim, isso se não corresse boatos por todo o reformatório falando sobre eu “fazer milagres na cama” a ponto de Adam Calliel se prender a apenas uma por quase um mês inteiro. – Sabe hoje faz duas semanas, então acho que deveríamos esperar mais. – Brandon para o meu alivio se calou.
A exatamente duas semanas atrás Adam havia me falado volto antes do que você imagina. Nunca em toda a minha vida fui tão iludida a esse ponto. Porque na verdade na minha imaginação menos fantasiosa, eu acordaria com o loiro me jogando uma pilha de uniformes fedidos de suor dos jogadores de basquete e me forçaria a lavar cuidadosamente um por um, como fez diversas vezes. Mas haviam se passado malditas duas semanas e o único sinal que ele me dava raramente eram ligações no telefone, que só pra variar não aconteciam desde o inicio da semana. Hoje é quinta-feira, só pra constar.
– Você não precisa de tempo, Anjo. Na verdade quem está precisando de algo sou eu. E só você pode ajudar. – Ele disse mais baixo e para a minha surpresa sua voz soou muito próxima ao meu pescoço. Eu nem sequer havia notado seus movimentos na cama os seus paços sobre o assoalho. – Não vejo o porquê de esperar até a noite.
Meu corpo ficou rígido ao sentir o contato de sua boca em meu pescoço e meus punhos se apertam mais no parapeito para evitar desferir um soco naquele ser. Senti todos os meus músculos se contraírem quando a mão de Brandon entrou pela minha blusa e repousou em minha bariga.
Permaneço imóvel.
Brandon usando a força conseguiu fazer com que meu corpo se virasse em sua direção e sua mão rodeou meu corpo até parar em minhas costas, seus lábios não demoram a encontrar o caminho do fim da minha nuca até minha boca. A pressão que Brandon fez para que sua língua passasse por entre meus lábios era ainda maior do que a que fez para que meu corpo se virasse em sua direção. O que me dava mais nojo, era que para evitar uma confusão das grandes eu tinha que corresponder aquele beijo.
A mão do moreno fez uma avaliação de toque por todo o meu corpo até que finalmente parou sobre uma das minhas cochas. Eu queria gritar, me afastar, correr, mas todas as vezes que minha mão colada ao lado do meu corpo se movia um milímetro para empurrá-lo o suficiente para que meu corpo chegasse até a porta, a visão de tê-lo em minha frente ligando para um desconhecido e especificando a morte do meu irmão em cada detalhe, fazia-me reprimir o desejo da fuga e aceitar parcialmente a situação.
Quando Brandon fez força o suficiente para que meu corpo repousasse sobre o parapeito da janela de modo que eu estivesse sentada e minhas pernas abertas o suficiente para que ele se encaixasse entre elas, senti uma coisa estranha. Uma coisa que eu não estava costumada a sentir. Ou talvez que eu sentisse só quando meu pai usava força física contra mim. Era parecido com raiva, mais era diferente. Se assemelhava a magoa mas parecia mais corrosivo, não tinha haver só com o que Brandon estava fazendo, era relacionado a mim também. Era como se eu estivesse decepcionada comigo mesmo, como se eu não suportasse o peso de dar o braço a torcer para o inimigo.Como se eu estivesse jogando fora toda aquela aura de você-não-manda-em-mim e bancando a fraca e indefesa. Ou talvez fosse apenas eu mascarando o fato de que tudo estava perdido e Brandon havia de fato ganhado a luta.
Senti meus olhos arderem, e pela primeira vez durante o beijo os fechei para impedir as lágrimas. Isso só fez com que as mesmas deslizassem pelo meu rosto mais rápido, molhando não só a mim como Brandon também. Ele se separou de mim apenas alguns centímetros, de modo que mesmo de olhos fechados eu podia sentir sua presença ali. Uma de suas mãos – a que não estava por dentro da minha blusa. — Subiu até meu rosto e foi a minha bochecha, me afastei virando o rosto para o lado e fazendo os fios de cabelo ruivo, caírem sobre o meu rosto.
– Não vou machucar você. – Sua voz era baixa e camuflava a agonia, eu sabia que aquela calma e paciência que ele mostrava ter não eram reais. Sua mão colocou meu cabelo para trás e com os olhos ainda fechados pude sentir sua boca roçar pela minha bochecha. – Você sabe que isso ira acontecer mas cedo ou mais tarde. Então veja pelo lado positivo, se for mais cedo não vou cobrar que passe a noite na mesma cama que eu, você poderá dormir na sua cabine contanto que me satisfaça antes. – Com o tom de voz que ele usava, nem sequer parecia que estávamos negociando a hora do meu quase estupro. – Sabe você sempre foi a durona, que não da o braço a torcer nem nas causas perdidas. Que faz o que tem que ser feito, e de preferência do modo mais pratico e rápido. Porque não está fazendo isso agora, Anjo? Porque não cede isso a mim e acaba com essa agonia? – Eu queria respondê-lo, mas não sabia o que. Por um lado ele estava certo, ele sabia me definir, mas por outro estava completamente errado.
Eu não havia deixado de ser aquela garota. Mas até mesmo ela tem que escolher a causa de suas batalhas, e talvez só dessa vez eu tenha me apegado a causa mais difícil, quem sabe esperar que eu conseguisse sair por cima nisso tudo fosse um erro, e escolhi a causa errada, eu escolhi defender minha honra quando deveria ter optado por defender minha vida.
Então se fosse para afundar com todo o respeito que me restava, eu negociaria tão sujo quanto Brandon. Ele queria me humilhar? Ótimo, então essa deveria ser a hora de finalmente ensinar os limites que Brandon tanto merecia aprender.
– Você vai me deixar em paz depois que fizermos isso? – Peguntei mantendo meu olhar firme sobre ele. Um sorriso apareceu sobre o canto esquerdo da boca do moreno.
– Estamos namorando, anjo. Eu amo você, não posso te deixar em paz. – Disse se aproximando o suficiente de mim até que conseguisse me dar um beijo estralado nos lábios.
– Eu não amo você Brandon. Então antes de tudo me deixe esclarecer duas coisas. Primeiro, Connor é o único motivo para estarmos juntos. Segundo, se está tão afim de superar o Adam em tudo eu sugiro que você se esforce de verdade, se esforce muito, para conseguir. Porque em duas semanas seus avanços passaram de zero para menos um.
Pronto, a bomba estava lançada. Ele podia me odiar o quanto quisesse agora, poderia me escorraçar ou mandar embora. Por tanto que seu ódio chegasse ao ápice e ele desistisse de seus planos por pelo menos algumas horas.
Notei quando suas mãos deixaram meu corpo e seus olhos fervilharam em ódio. Seus punhos e maxilar contraídos entregavam a raiva de ter sido descaradamente comparado a Adam e mesmo com o loiro distante não ter nem sequer chegado a um nível relativamente parecido com o do mesmo. Muito menos quando o assunto era experiência na cama, não que eu estivesse elogiando Adam, claro que não Adam era comum, ok talvez só um pouquinho melhor que o “comum”, mas não merecia elogios meus por isso.
– Saia daqui. – Ele quase soletrou as palavras.
Escorreguei do parapeito sem contestar e caminhei até a porta. Estava trancada.
– A porta. – Resmunguei e ele permaneceu calado e imóvel, encarando a paisagem fúnebre da janela, mais sem ver realmente o que se passava em sua volta. – Brandon a porta está trancada.
Notei quando ele se virou em minha direção ainda sério e engoliu em seco levando a mão ao bolso e tirando de lá o chaveiro com as chaves. Olhou para mim novamente e de novo para as chaves. Então seu próximo ato fez com que me coração parasse e reparasse o quão burra eu poderia ter sido.
Brandon arremessou as chaves pela janela, fazendo com que eu e ele ficássemos presos e sozinhos em um quarto onde as câmeras não funcionam. O ar que entrava em meus pulmões começou a pesar uma tonelada a mais em cada passo que ele dava. Deduzi que quando finalmente estávamos frente a frente eu carregava um elefante em cada inspiração.
– Ele é o problema não é? – Brandon sussurrou e com o seu corpo empurrou o meu até que minhas costas se chocasse contra a porta de madeira marrom. – Quer dizer, você não ligaria de abrir as pernas pra qualquer cara se isso lhe desse uma boa noite de sono. Mas você liga, porque você se apaixonou por um babaca da pior espécie. – Ele me olhava fundo nos olhos e eu o encarava com a mesma rigidez. A intimidadora altura de Brandon parecia um item bastante supérfluo agora.
– Errado, um idiota da pior espécie é você. E eu não estou apaixonada por você Brandon. – Ele deu uma risadinha sínica e novamente afastou meu cabelo do rosto, colocando-o para trás.
– E por ele? Você está apaixonada, anjo? Você realmente está afim do cara que foi viajar para a casa dos pais e te deixou aqui, comigo? Você realmente acha que ele fez algum esforço para estar aqui dentro agora, junto com você? Não seja burra anjo. O dono desse lugar é o tio dele, ele conseguiria entrar e sair não importa a armação que eu tivesse inventado. Só bastava ele se esforçar um pouquinho pra isso acontecer. Mas o que ele fez quando descobriu que foi expulso mesmo? Aé ele te deu as costas, e deixou que você viesse até mim sozinha. Talvez estivesse cansado de apanhar de mim. – Ele fez uma pausa. – Ou quem sabe queria chegar em Boston rápido, porque sabia que lá todas as garotas que ainda não o conhecem abriram as pernas pra ele no primeiro convite. – Senti uma centelha de raiva se acender dentro de mim. Ele não tinha o direito de falar coisas desse tipo de um cara que não está aqui para se defender. – É desse cara mesmo que você está afim, anjo? Porque se for, vai ver que eu me enganei, e você é só uma garotinha fútil, que se apaixona depois do sexo... Alias porque não testamos a teoria agora? Vamos para a cama e quem sabe depois você não me faz juras de amor? – Minha mão fez o gesto automático de subir até a altura do rosto do moreno e lhe acertar um tapa forte que ecoou pelo quarto e em poucos segundos o desenho de dedos vermelhos, se fez notável no local. – Uau! Então é só falar daquele babaca inútil que você já se sente ofendida?
– Eu não sinto nada pelo Calliel. Ele tem o direito de ficar com a garota que desejar, seja ela do reformatório, de Boston ou da casa da sua mãe. Eu.não.me.importo. – Disse com toda a fúria que conseguia. – E eu não preciso que ele volte. Não foi ele que me colocou nisso, e não será ele quem vai me tirar. – Mesmo que eu tivesse só um pouquinho de esperança na teoria contraria a essa afirmação.
– Aé? Então vamos fazer um trato, seja minha por um mês inteiro, e se a teoria de se apaixonar pelo cara que te leva para a cama for falsa, eu desisto de você e vou acabar com o meu problema direto pela raiz. Eu me resolverei diretamente com Adam. – Engoli em seco.
O que valia mais, a segurança de Adam ou a minha liberdade?
– Eu e Adam transamos apenas uma vez. Se eu realmente tivesse me “apaixonado” por ele em uma única vez, porque você precisaria de um mês inteiro? – Brandon novamente abriu aquele sorriso sinico.
– Duas semanas. – Diminuiu o prazo.
– Um dia depois da festa de comemoração de quinze anos do reformatório no domingo. –Sugeri e Brandon franziu o cenho.
– Mas isso me daria apenas só cinco dias. – Ergui a sobrancelha.
– Alguém que se diz melhor que o Adam, levaria apenas metade de um dia para conquistar o objetivo. – Disse séria ao sentir o rosto dele se aproximar. Certo cinco dias era o que eu precisaria aguentar. Depois Brandon resolveria seus problemas diretamente com Adam. E eu me sentiria culpada pela eternidade.
Senti os lábios fortes de Brandon se forçando contra os meus.
Adam estaria encrencado, eu deveria mesmo fazer isso?
O moreno me forçou tanto contra a porta que minhas pernas subiram e ele me ergueu.
O que o loiro pensaria se descobrisse sobre a minha negociação? E por que eu me preocupava com isso?
Senti minhas costas se desgrudarem da parede, e Brandon me carregar em outra direção.
O que Brandon faria ao encontrar com Adam? Estava mais que provado que em matéria de força física o moreno era ligeiramente melhor que Adam.
Brandon me largou de forma que meus pés se firmassem no chão.
E se o pior acontecesse?
Senti a pele do meu pescoço sendo sugada e só então notei as mãos que caminhavam por dentro da minha blusa.
E se Brandon estivesse certo? E se eu realmente desejasse o Adam, mais do que deveria?
Foi como se eu por alguns segundos tivesse saído completamente do cenário no quarto de Brandon e voltado para o quarto de Adam na noite em que passamos juntos. Eu e ele em nem um momento voltamos a discutir o assunto, não que tivéssemos combinado evitá-lo, mas por algum motivo nem um de nós se sentia confortável o suficiente para discuti-lo. Mesmo que mas de uma vez o ato tivesse quase se repetido – como na casa dele antes de eu vir para cá. — e sido interrompido por algo, não voltávamos a falar sobre isso, a não ser quando também na casa dele, Adam havia me pedido com todas as forças para evitá-lo devido as ameças de Brandon. De qualquer forma ele não precisava pedir, seria impossível tentar algo com a milha de metros que nos separava agora.
Lembrei-me de como Adam naquela noite parecia culpado pelo machucado em minhas costas, e como sorria de forma abobada enquanto deixava com que eu me divertisse com seu corpo. Ou como ele parecia extremamente satisfeito no final e me exigiu um termino de noite como uma “pessoa normal”, sem também esquecer do fato de sua cara de preocupação que foi facilmente oculta por seu humor negro ao me ver sair cedo no dia seguinte, como se estivesse saindo de fininho.
Por Deus, como eu podia ser tão cega? Adam era o problema. Ele era sem duvida nem uma o problema. Porque ser dependente de uma pessoa podia ser errado, mas droga ele era o Adam. E ser dependente de um cara como ele, era sem duvidas, crueldade do destino.
– Adam.
Todos os meus sentidos fraquejaram no instante em que o corpo em cima do meu se levantou ligeiramente, deixando meus lábios com a estranha sensação de formigamento.
– O que você disse? – A voz grave rompeu o barulho das respirações entrecortadas e eu voltei para o mundo real.
O mundo onde eu estava apenas de lingerie na cama do cara que eu mais odeio no mundo, que trajava apenas sua calça jeans. Eu havia voltado para o mundo onde meu corpo parecia queimar de desejo, e minhas mãos passavam de forma inconsciente pelo corpo de um ser repugnante. Eu havia voltado para o mundo onde eu transaria com meu inimigo imaginando alguém completamente diferente.
– Natascha, me diga que eu ouvi errado. – Ele disse levantando os braços e fechando os olhos na tentativa exasperada de controlar a raiva.
– Sai de cima de mim Brandon. – Disse pausadamente quando a fixa caiu. – Sai de cima de mim, droga! – Gritei, e uma mão voou em direção ao meu rosto fazendo não só ele doer, como também meu pescoço devido a força do tapa.
Fiquei em silencio ofegante, sem me movimentar, até mesmo meu rosto continuou na posição que o tapa lhe deixou. Notei o peso do corpo de Brandon aumentando por cima do meu novamente e meu coração acelerou. Ele segurou firme meu rosto e me obrigou a olhar em sua direção aproximando ainda mais nosso corpo. Mas ao contrário do que eu esperava, ele não me encostou em mim.
– Vai.pro.inferno! – Sussurrou pausadamente, e então seu corpo deixou o meu completamente. – Coloca a sua roupa. – Ordenou em um grito e eu olhei em sua direção assustada. – Se você me obrigar a repetir nem um de nós dois vai gostar das consequências. – Pisquei algumas vezes e recolhi minha calça jeans e a camiseta no chão. Coloquei as roupas o mais rápido que pude e senti o nervosismo me dominar.
Brandon me encarava a cada segundo, e dessa vez eu podia ver tudo em seus olho, menos o desejo de minutos atrás. Ótimo, eu finalmente havia arranjado um jeito de adiantar a hora da minha morte. Segundos depois de me encarar a distancia Brandon me puxou firme pelo braço e fez com que eu ficasse logo atrás dele.
Dei dois passos para trás quando o pé dele voou com uma força descomunal em direção a maçaneta da porta e suas dobradiças rodaram para o lado ao contrário fazendo a porta abrir para fora, depois do arrombamento. Por muito pouco Rebecca que saía do quarto da frente, não foi atingida.
Brandon me puxou novamente, e Rebecca permaneceu estática nos encarando. Não era segredo a ninguém meu relacionamento com Brandon e Adam havia contado ao Ethan que havia espalhado para os outros sobre os verdadeiros motivos de estarmos juntos.
Rebecca me encarou preocupada.
– E-esta tudo bem? – Perguntou.
– Sim, só vamos dar um passeio, não é anjo? – Brandon disse, mais obviamente com o tom ameaçador que usou não soou convincente nem para uma criança de oito anos. Rebecca piscou algumas vezes e eu balancei a cabeça de forma positiva, meio receosa.
Brandon novamente pegou firme em meu braço e me arrastou pela saída o mais rápido que pode antes que Rebecca tentasse intervir de alguma forma.
Se eu estava com medo? Seja arrastada por um cara que é o dobro de você em todos os quesitos, para um lugar que você não tenha ideia de onde seja e volte aqui para me perguntar se eu estava com medo.
Meu braço estava doendo quando identifiquei o caminho que seguíamos. Ele estava me levando para a ala sete, pelo mesmo caminho que Mason havia me levado a primeira vez. O mesmo que evitava todas as câmeras.
– Onde estamos indo? – Me arrisquei perguntar e o apavoro em minha voz entregou meu desespero.
– Te ensinar uma lição. Está na hora de você aprender que não pode ditar as regras em um jogo que não é seu.
Todo o meu corpo tremeu e meus olhos se fixaram na velha construção, droga, só agora eu consegui enxergar realmente a gravidade do problema.
Com um chute, dessa vez muito menos forte, Brandon conseguiu romper o lacre da entrada da ruína do prédio é só me largou quando já estávamos do lado de dentro para conseguir fechar as portas novamente.
Olhei séria para o moreno e ele retribuiu o olhar. Um segundo depois eu notei que esse era o momento que eu deveria me arrepender de cada um dos meus pecados.
– É uma pena fazer isso, anjo. Mas você não me deixou opções. – Um punho cerrado voou em direção ao meu rosto me pegando completamente desprevenida e me fazendo bater forte com a cabeça no chão, logo depois a imagens começaram a se embaralhar e última coisa que pude sentir foi a dor na boca do estômago, após um chute nada amigável.
Só agora eu reconheço a covardia de bater em quem já está no chão.
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